quinta-feira, 26 de maio de 2011

Insiste, insiste, flecte, flecte...

A ideia de acabar com alguns feriados, lançada por Pedro Passos Coelho, não é nova. Que me lembre, foi lançada pela primeira vez por Cavaco, nos idos de 90, mas caiu graças ao estrondo provocado pela eliminação da tolerância de ponto numa Terça-feira de Carnaval.

Em 2009, em plena época natalícia, a AEP veio pedir ao Pai Natal a eliminação drástica de feriados, para combater a crise. Na altura, tive oportunidade de explicar aos senhores da AEP os erros que serviam de base à sua proposta e de lhes explicar que essa ideia de que temos feriados a mais se baseia numa falácia.A própria Igreja reagiu mal ao pedido.

Em Junho do ano passado, como eu mesmo previra aquando da proposta da AEP, o tema foi discutido na AR, por iniciativa de duas deputadas independentes. Não me recordo qual foi a posição do PSD sobre esta matéria, mas a verdade é que a proposta não avançou.

Em plena campanha eleitoral, talvez por falta de assunto mais importante para tratar, Pedro Passos Coelho veio de novo colocar a hipótese de acabar com alguns feriados e colocar outros junto aos fins de semana.

Com a fúria liberal de PPC, não me espanta nada que a sua proposta avance, no sentido de passarmos a celebrar o Natal sempre à sexta-feira ou à segunda, em anos alternados. O tema é, aliás, muito do agrado do DN, que todos os anos, durante a silly season natalícia, levanta a questão de os portugueses trabalharem menos dias do que os restantes europeus. Verdade que já tive oportunidade de desmontar aqui em 2007, mas sem qualquer sucesso, pois o DN insiste sempre na mesma tecla. Tão pouco interesa a quem escreve e publica essas notícias os estudos que revelam que os portugueses sejam dos europeus que mais horas trabalham.
Goebbels instalou-se discretamente na Av da Liberdade, mas só alguns mais perspicazes terão dado pela sua presença.

Da boa educação e das boas maneiras

( Continuado deste post)



Fazer filhos é mais ou menos fácil. Se não for por métodos naturais, a ciência normalmente resolve.O problema é educá-los.

Com inusitada frequência assisto a casos de pais que se demitem completamente dessa função, não sendo raros os que acusam os professores do seu falhanço.

A função de um professor não é educar os alunos. É formá-los. Não se pode pedir a um professor que corrija na escola as deficiências educativas que as crianças trazem do seio familiar. Não é que muitos professores não tenham essa capacidade, mas não se pode exigir-se-lhes que se substituam aos pais. Todos sabemos o que acontece a um professor se der um tabefe a um aluno mal educado…

A maioria dos pais olha para os seus rebentos como seres únicos, irrepetíveis e intocáveis. Penso que isso acontece porque passam pouco tempo com eles e, como forma de se desculpabilizarem da ausência, cumulam-nos de honrarias e desleixam a educação.

Um pedido de um filho é, hoje em dia, uma ordem. São os filhos que orientam os consumos familiares, invertendo a ordem natural das coisas.Muitos pais não sabem dizer não. Ou por falta de coragem, ou por vergonha. Quando a criancinha recebe a recusa de um novo gadget, não se ensaia para acusar os pais de pelintras “porque todos os miúdos na escola têm”. Muitos pais, claro, cedem à chantagem.

Já vos contei aqui, em tempos, o caso de um miúdo de 18 anos que ameaçou a mãe de morte, se ela não lhe desse um automóvel. Multiplicam-se, na comunicação social, notícias de miúdos que batem nos progenitores e casos de violência na escola. Estes comportamentos são transversais na nossa sociedade, não são apanágio de uma única classe social.Conheço várias mães que sofrem alguns enxovalhos públicos, porque querem preservar os seus filhos de alguns riscos. Só um caso elucidativo…

A mãe de uma miúda de 10 anos não permite que a filha tenha conta no FB e controla rigorosamente o tempo e as buscas que ela faz na Internet. Não tem tido tarefa fácil. Não por causa da miúda, que aceita a imposição materna, mas sim pela reacção social. Que começa logo na família, onde a apontam a dedo como sendo bota de elástico. Mãe e miúda são alvo de chacota dos primos e não deve ser fácil lidar com a situação.

Ter um filho não é o mesmo que ter aqueles brinquedos com que sonhávamos na infância e que, depois de aterrarem no nosso quarto, encostávamos a um canto, quando nos cansávamos dele. Os pais não se podem eximir da sua função de educar, reagindo como as criancinhas que, depois de convencerem os pais a exilar um cachorrinho num andar,arranjam mil desculpas para se desvincularem do compromisso assumido, remetendo para os adultos essa tarefa.

O argumentário da vida acelerada e do excesso de trabalho não colhe. Os bons pais ( e mães, obviamente) arranjam sempre tempo para educar os filhos.

Não haverá, certamente, razões para acreditar que a escalada da irresponsabilidade educativa se irá prolongar nas gerações futuras. É dos livros que irão rejeitar dar aos filhos a mesma educação que receberam. Serão mais severos.

O que me preocupa é saber como irão lidar os pais desta geração habituada a ter tudo, quando tiverem de dizer NÃO aos filhos. Como lhes vão explicar que não têm dinheiro para lhes comprar aquele gadget? E como reagirão os filhos perante o NÃO justificado por dificuldades financeiras?Ainda que esporadicamente, a comunicação social vai-nos dando respostas, noticiando casos concretos. Mais do que uma crise financeira, estamos a atravessar uma crise de valores. Isso, sim, é preocupante.

E quem pensar que tudo isto não está ligado com a violência crescente entre jovens, certamente andará um pouco distraído.

Os filmes da minha vida (19)





Esteve um ano em cartaz, mas não foi muito badalado. Escolho-o por duas razões. Porque é realmente um grande filme e vem de um país a que os críticos normalmente não dão grande importância. Imperdível!

Made in Thailand





Pessoa amiga garantiu-me que no Prós e Contras do dia 16 de Maio, um empresário português disse ter importado 500 tailandeses para trabalharem na agricultura, na região Oeste, porque os portugueses inscritos no centro de emprego das Caldas da Rainha não aceitaram o trabalho.



Como não tive possibilidade de ver o programa, agradecia que alguém me informasse quanto é que o empresário português pagou por cada trabalhador importado, qual o salário que lhes paga e em que condições vivem esses trabalhadores, já que o meu amigo não me soube responder a estas questões.



A pergunta não é mesquinha. É essencial para um consumidor como eu que, sempre que possível, pauta as suas escolhas por critérios de consumo ético e responsabilidade social das empresas.

Perguntas inconvenientes

Ontem foi dia de África. O candidato mais africano terá celebrado o dia, ou teve um lapso de memória?

Grandes realizadores (19)

John Ford




Hesitei em incluí-lo nesta lista porque, mais do que um grande realizador, é um monstro do cinema. Sem ele a história do cinema seria muito diferente.