quarta-feira, 18 de maio de 2011

De olhos bem fechados

Garantem-me que está a ser o melhor festival de Cannes dos últimos 15 anos. "Midnight in Paris", de Woody Allen, recebe aplausos unânimes, enquanto "Restless" de Gus Van Sant - que abriu a secção "Un Certain Regard" - é alvo de controvérsia.

Ontem, todos os olhares se concentraram em "O abismo Prateado", o filme de Karim Ainouz inspirado na canção de Chico Buarque "Olhos nos Olhos". Apontam-se favoritos para vencer a "Palma de Ouro". Fala-se muito de cinema mas, nos bastidores, há rostos fechados denotando preocupação.

Conversas que vão de encontro ao que escrevi aqui há precisamente um ano.

DSK é visto pela maioria como vítima de um complot com contornos bem mais alargados e perversos do que afastá-lo da presidência francesa. Há rangeres de dentes contra Sarkozy e a senhora Merkel. Mas também aplausos para o editorial de Jean Daniel no Nouvel Observateur- uma dura crítica às imagens de DSK algemado, que o condenarão para sempre à luz da opinião pública. Compara-se com a recusa da administração americana em exibir as fotografias de Bin Laden.

Fala-se do epílogo da crise de 1929 à luz do momento que actualmente se vive na Europa. Muitos admitem que o pior está para vir, mas ninguém arrisca pronunciar a palavra maldita.

Na Croisette a vida segue animada. Pelo tapis rouge desfilam vedetas. Mas não só...Fala-se outra vez de cinema. "Le Havre", de Aki Kaurismaki, recebe aplausos e liberta sorrisos. Discorre sobre a vida de um homem derrotado, mas optimista. Tendo por cenário a cidade da Normandia bombardeada durante a II Guerra. Sim, aquela guerra que pôs fim à crise de 1929. Os rostos voltam a fechar-se. Lá fora, passam duas alemãs. Vão formosas e seguras.

Filmes da minha vida (13)



Acredito que, para a maioria dos leitores, este seja realmente um desafio difícil. Quando falo deste filme aos meus amigos, a maioria não o viu. Quando digo que o vi sete vezes dizem que devo ser louco.



O Céu não tem favoritos




O FC do Porto é favorito para esta noite? Porquê? O Sp Braga teve um percurso muito mais difícil até chegar à final do que os azuis e brancos. Por isso, para mim, os arsenalistas é que são favoritos. Os jogos não se ganham com chamadas de Valor Acrescentado...

Não há regra sem excepção...

Hoje, todos os camnhos vão dar a Dublin. Todos, é como quem diz... há sempre uma excepção!




Não me levem a mal, meus caros amigos benfiquistas.Eu também gostaria de estar em Dublin, mas outros valores mais altos se levantam....

Memórias do cinema (3)

O cinema foi a diversão favorita do século XX. Exibido inicialmente em barracões, salões de festas e teatros, o cinema respirou também ao ar livre, especialmente nos “drive-in”, muito apreciados pelos jovens americanos a partir dos anos 50, cujas memórias são quase indeléveis nos jovens portugueses.

País recatado nos costumes, o drive-in era encarado como antro de pecado, por isso o cinema sempre se viu em salas apropriadas para o efeito. Em Lisboa, o Salão Ideal abre as suas portas em 1904 e no Porto só três anos mais tarde (1907) surge a primeira sala de cinema: o Pathé.

As grandes salas de cinema que marcaram gerações ( S.Jorge, Tivoli, Império em Lisboa e Coliseu, Rivoli, ou S.João no Porto) só aparecem nos anos 30, com a exibição dos filmes sonoros. São salas imponentes onde vai gente de todas as classes sociais. No entanto, a segregação social é bem patente. Pela frequência, mas também pelas sessões destinadas a públicos estratificados. O sábado à noite, por exemplo, era o dia de a burguesia e a classe média alta se encontrarem e aproveitarem a oportunidade para exibir as suas toilettes nos foyers, durante os intervalos. As matinées”de domingo eram especialmente frequentadas por “magalas e sopeiras” (como se dizia na época), único momento de lazer que lhes era permitido durante a semana.

Nos anos 70 aparecem as primeiras salas “multiplex” e, na década seguinte, começam a proliferar os centros comerciais com salas de cinema acopladas. Começavam a surgir os primeiros sinais de crise na indústria cinematográfica, com a redução do tamanho das salas e o esvaziamento dos “monstros sagrados”. A televisão começara a fazer os seus estragos.

Hoje, quase toda a gente tem cinema em casa. Os equipamentos “home cinema” revelam bem a evolução dos comportamentos sociais: a cada um a sua medida, que o tempo é de prazer e cada um o deve gozar à sua maneira. Acabe-se com o convívio, essa manifestação ultrapassada de socialismo, e viva o individualismo ultra -liberal, mais consentâneo com os valores do progresso.Ir ao cinema "em grupo" passou a ser coisa de caretas, ver um filme em casa, passou a ser mais um exercício de isolamento, mas exemplo de modernidade.

( Continua)

Grandes realizadores (13)

Jean Renoir


"Nana" e "A Regra do Jogo" seriam suficientes para o incluir nesta rubrica. Mas há muitas outras razões para lhe estarmos gratos, não há?


Venceu um Óscar honorário, em 1975, mas nunca recebeu nenhuma Palma de Ouro