segunda-feira, 16 de maio de 2011

A coerência do professor

Quando Passos Coelho se candidatou à presidência do PSD, o prof. Marcelo não se cansou de apregoar, nas suas homilias dominicais, que a escolha de PPC seria um desastre para o PSD e para o país, porque Coelho era uma versão de Sócrates, mas para pior.


Não deixa de ser engraçado ver, um ano depois, Marcelo a dar conselhos a PPC para o debate com Sócrates e a sugerir a táctica para derrotar os adversários nas urnas. Marcelo será adepto do quanto pior melhor, desde que o pior seja o PSD?

Saudades...

... do tempo em que as crianças brincavam aos polícias e ladrões. Agora já não sabemos de que lado estão os bons e os maus

Os filmes da minha vida (11)




Na semana passada escolhi um filme português que pensava quase toda a gente teria visto. Enganei-me... mas a escolha de hoje de certeza que toda a gente viu. Ou não?

Memórias do cinema (1)




“Sábado à tarde num cinema da Avenida..."


Assim começava uma canção de Paulo de Carvalho (obrigado pelo alerta, caro Rodrigo)que retratava o principal lazer dos jovens portugueses nos anos 60. Era o tempo dos cine-clubes, o tempo de ir ao cinema em grupo, ou namorar na última fila trocando promessas de amor eterno.As salas eram grandes e em algumas, ao sábado à noite, fazia-se “toilette” para entrar.


Salas como o S. Jorge e o Monumental em Lisboa, ou o Coliseu, Trindade e Rivoli no Porto, tinham lugares cativos para o sábado à noite e estavam constantemente esgotadas. Vivia-se ainda uma época dourada do cinema, que começara nos anos 30 e se prolongara nas décadas seguintes, com filmes e actores que fizeram História.


A partir do final da década de 50- e principalmente na década seguinte- começaram a surgir, por todo o país, os “Cine-clubes” que exibiam filmes que muitas vezes não corriam no circuito comercias. Entre alguns deles existiam profundas rivalidades, mas os fins de tarde de sábado e as manhãs de domingo eram, normalmente, grandes “happenings” para os jovens ( e alguns menos jovens ) cinéfilos.



Os primórdios dos anos 70 determinaram, porém, grandes mudanças nos hábitos cinéfilos dos portugueses, familiarizados desde os finais dos anos 20 com uma indústria que fascinava o mundo inteiro e produzia os ídolos que todos admiravam.É durante esta década que se começa a perder o hábito de ir ao cinema em família, porque a televisão começa a introduzir-se nos lares e a reter os mais velhos no sofá da sala. No entanto, a sala de cinema ainda resiste durante toda a década de 70 e parte dos anos 80, altura em que aparecem em força os “Clubes de Vídeo”.



A cantora brasileira Rita Lee presta talvez uma das derradeiras homenagens musicais às salas de exibição da 7ª Arte com uma canção intitulada “FLAGRA!” que começava assim:
“No escurinho de um cinema /chupando drops de anis/ longe de qualquer problema/ perto de um final feliz"…




(Continua)

Uma proposta indecente! *

Se a proposta de privatizar um dos canais da RTP vem ao encontro do que aqui escrevi e não me surpreende, a intenção de privatizar as Águas de Portugal é uma proposta indecente.

Privatizar um bem essencial como a água que, dentro de três décadas, será um bem ainda mais precioso do que o petróleo, é uma proposta criminosa.

Se Passos Coelho fosse uma pessoa minimamente culta e informada; se não estivesse obnubilado pelos cânticos do grande capital que o colocaram na liderança do PSD apenas com o intuito de o utilizar como marioneta; se PPC tivesse algum respeito pelos portugueses ou estivesse interessado em tirar-nos deste atoleiro, nunca incluiria no seu programa uma proposta destas.

A água tem sido causa de guerras entre os povos. Nos próximos anos será um bem disputadíssimo e vários prémios Nobel previram que será causa de graves conflitos se os estados não assumirem a sua gestão como uma das prioridades das suas políticas.

Vendido aos interesses do capital que o apoia, Pedro Passos Coelho cegou. Escrevi, há tempos, que só um idiota proporia a privatização das Águas de Portugal. Afinal ele existe. É líder do segundo maior partido português e quer vender os portugueses aos homens que o guindaram à liderança.
* Também gostei muito deste filme. Por causa da Demi Moore, claro…

Grandes realizadores (11)

Roman Polanski



Recebeu a Palma de Ouro em Cannes,em 2002, com "O Pianista". O primeiro filme que vi dele foi o imperdível Rosemaries Baby". Fiz rewind à sua obra e"Repulsa" e "Cul de Sac" vieram logo de seguida. "A Nona Porta", ou "Ghost Writer" são, entre outros, filmes que também mereciam ter sido distinguidos no cenário da Croisette . A sua vida, cheia de contornos nublosos ( as circunstância da morte de Sharon Tate e as acusações de violação nos Estados Unidos) não lhe tem embaciado o talento. Ou terá, atentos leitores cinéfilos?