sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os filmes da minha vida ( 5)



E com este celebradíssimo filme, encerro a primeira semana dos Filmes da Minha Vida. Gostaram da escolha?

(Des)encontros




Conheceu-a numa esplanada, durante a manhã, enquanto absorvia a plenos pulmões os tons verdes do mar cheirando a maresia que lhe traziam à memória praias distantes.Num momento desviou o olhar e viu-a a mordiscar a esferográfica com que fazia as palavras cruzadas.Sorriu-lhe. Ela retribuiu. Afastou o jornal e deixou escapar um suspiro de contrariedade.


Qual é a dúvida?-perguntou-lhe


Deus egípcio com duas letras. Sei lá! Só conheço a Cleópatra…


RA


O quê?


É o nome do deus egípcio com duas letras, RA. Às vezes também aparece como batráquio.


Não estou a perceber, desculpe...


A Rã é um batráquio. Às vezes também aparece nas palavras cruzadas.


Se tivessem posto aqui batráquio com duas letras eu também sabia. Que mania de se fazerem difíceis…aqueles egípcios também têm cá umas ideias! Só eles é que se lembrariam de adorar uma rã…


Não é bem isso. Deixe lá, depois explico melhor. Está quase na hora do almoço. Toma um aperitivo?


Olhou para o relógio. Aceitou um dry martini. Almoçaram.


No momento em que chegou a mousse de avelã as suas mãos, quiçá impulsionadas pelo crocante, tocaram-se pela primeira vez. A tarde foi-se escoando entre conversas vazias e chamadas de telemóvel que ela sistematicamente rejeitou. Ele estava enfastiado, mas aquele corpo a pedir mão de mexer, inquieto, incitava-o a permanecer ali.


Quando o sol se começou a esconder, mergulhando a piscina do hotel numa penumbra fresca, subiram finalmente ao quarto e os seus corpos convergiram em uníssono, para a plataforma de Afrodite, porque Ra era egípcio e percebia pouco de amor.


Jantaram entre flutes de champagne com framboesa e depois voltaram a amar-se.Pela manhã, antes do pequeno almoço, mergulharam na piscina desfrutando da solidão naquela manhã primaveril, esplendorosa.


Finalmente ele perguntou-lhe o que fazia


- Sou relações públicas numa empresa de cattering


- Devias ser dentista…


- Porquê?


- Quando os clientes entrassem no teu consultório, ao sentarem-se na cadeira já iam de boca aberta...


Riram. Amaram-se mais uma vez, antes da hora do check out.


Encontramo-nos amanhã? – perguntou ele ansioso


Amanhã não posso. Tenho de dar apoio a um serviço de cattering


E na quarta-feira?


Combinado!- respondeu ela enquanto lhe oferecia os lábios carnudos para um beijo de despedida.


Terça-feira à noite ele foi ao seu bar habitual. Estava no segundo whiskey quando ela entrou. Vinha acompanhada e sorriu-lhe discretamente.Ele perguntou ao barman se a conhecia.


Sim, nos últimos meses veio cá várias vezes. Mas costuma vir antes do jantar, é a primeira vez que a vejo aqui à noite.


Quem é?


Não sei…


Aquele será o marido?


Não! Ela vem sempre com senhores diferentes. Tomam um copo e depois saem de mão dada.


Quando ela saiu sorriu-lhe. Ele retribuiu.No dia seguinte, contrariando as expectativas dele, ela compareceu ao encontro. Quis explicar-se. Ele juntou o anelar e o médio e colou-os aos seus lábios, reclamando silêncio. Amaram-se como se não tivesse havido véspera.Adormeceram exaustos.


Quando ele acordou, ela não estava. Em cima da mesa de cabeceira encontrou um bilhete:


“ Sou incapaz de resistir aos homens que me agradam. Parece-me que não somos muito diferentes. Tu também não resististe a uma mulher que te agradou e deves ter pensado nisso quando me levaste para a cama. Sou só mais uma na tua vida, porque não posso ter o direito de que tu tenhas sido também apenas um homem mais na minha? Pensava que eras diferente, mas afinal és igual aos outros. Gostei de te conhecer e de foder contigo. Até qualquer dia.Beijos A.”
Quando acabou de ler, sentiu um murro no estômago. Levantou-se e foi urinar. Ao fim do dia telefonou-lhe, mas ela não atendeu. Voltou a tentar no dia seguinte ao final da manhã. Ficou sem resposta. No terceiro dia foi à esplanada onde a encontrara, mas dela nem sinal. Desistiu.


Uma semana depois o telemóvel tocou. Era ela. Hesitou, mas por fim atendeu. Foram jantar nesse dia. E nos dias seguintes. Ao fim de sete meses casaram. Na véspera do casamento ela confessou-lhe que nunca trabalhara numa empresa de cattering. Era acompanhante de luxo que punha anúncios nos jornais à procura de homens que a satisfizessem. Nunca fora para a cama contrariada, porque antes de dar esse passo estudava os homens que contratavam os seus serviços. Enganara-se algumas vezes. Alguns machos eram impotentes ou ejaculavam tão depressa, que a deixavam frustrada.


Ele ouviu tudo atentamente e deu-lhe um beijo. Sem palavras.


Celebraram ontem 25 anos de casados, na companhia dos dois filhos e de um neto.Convidaram alguns amigos, entre os quais tenho o prazer de me incluir. Como estou ausente, não pude comparecer. Assim que chegue a Lisboa, vou abraçá-los e desejar-lhes mais 25 anos de felicidade.

Não adianta chorar...

( Isto é um repost mas, como acredito que por estes dias já se conheçam as medidas impostas pelo FMI e seus cúmplices, para nos emprestarem o guito, creio valer a pena relembrá-lo)


Uma vez, num lugarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por €10 cada. Os aldeões, sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos. O homem comprou centenas de macacos a €10 e os aldeões diminuíram seu esforço na caça.
Então o homem anunciou que passaria a pagar €20 por cada macaco. Os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça.
A partir de determinada altura os macacos foram rareando e os aldeões diminuíram a intensidade da busca.
A oferta aumentou para €25 e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por €50! Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria o seu assistente cuidando da compra dos macacos.

Na ausência do homem, o assistente disse aos aldeões:
"Olhem todos estes macacos na jaula que o homem comprou! Eu posso vender-vos por €35 e, quando o homem voltar da cidade, vocês podem vender-lhe por €50 cada."
Os aldeões, entusiasmados com o lucro fácil , pegaram nas suas economias e compraram todos os macacos do assistente. Nunca mais viram o homem ou o seu assistente, somente macacos por todos os lados.

(Estão a perceber como os mercados financeiros funcionam em função da ambição desmedida dos seres humanos? Foi assim que chegámos à crise...)

Grandes realizadores (5)

Francis Ford Coppola

Não foi por causa da saga de "O Padrinho" que o escohi para esta galeria, mas sim por Apocalypse Now e também outros filmes menores, que foram fiasco de bilheteira nos Estados Unidos, mas tiveram sucesso na Europa. Como por exemplo...(?)