quinta-feira, 28 de abril de 2011

Portugal Tem Talento

Parece que o casal Coelho monopolizou a imprensa cor de rosa ( e não só) durante o último fim de semana. Como é óbvio, não li…mas nas minhas viagens pela blogosfera e pela imprensa on line fiquei a saber que o casal tem quatro cadelas ( porque não haverá nenhum cão?) a viver no apartamento de Massamá, o Pedro sabe fazer farófias ( além de bazófias) papos de anjo e queijadas, canta ópera e que ela disse o sim a bordo de um Panda enquanto ele lhe dava música. Fiquei ainda a saber que Laura ama Pedro, homem que dorme pouco, mas não há preocupação que lhe provoque insónia. ( Também ninguém espera que tendo entregue, com gosto, a governação ao FMI, PPC tenha razões para se preocupar quando for PM)

Segundo os amigos é parecido com Sócrates, pois é teimoso e, asseveram, “ às vezes é muito sério”.

Hoje, no “Público”, Helena Matos mostra-se descoroçoada pelo facto de o rapaz não ter qualquer ideologia – o que vindo de quem vem, não deixa de ser um sério aviso. Mas que interessa a ideologia, se a avaliar pelo que vou lendo das suas biografias cor de rosa , ele não está a pensar candidatar-se a PM, mas sim à segunda edição do “Portugal Tem Talento”?

Divórcio real



Amanhã é o casamento da Kate e do William, ou vice-versa. Parece que vai ser uma grande festa seguida com grande atenção em todo o mundo. Ora o que nós precisamos, para esquecer a crise é de festas, por isso a pergunta que se impõe é: quando é que se divorciam?

Onde está a esquerda?



Não consigo compreender a estratégia da esquerda portuguesa perante a crise e isso preocupa-me, porque me sinto um náufrago nas ondas encapeladas de uma democracia a fingir.

Depois de ter chumbado o PEC, invocando argumentos plausíveis, esperava que a esquerda me apresentasse uma alternativa credível, que me levasse a confiar-lhe o meu voto mas, em vez disso, senti-me traído com a recusa do BE e do PCP em dialogarem com o FMI.

As razões invocadas não são atendíveis. O mínimo que eu esperava, era que ambos os partidos fossem porta vozes dos eleitores que, como eu, votaram à esquerda, e transmitissem a sua indignação pelas medidas que o triunvirato de agiotas pretende impor aos trabalhadores portugueses. Ao recusarem o diálogo traíram a confiança que neles depositara, mas ainda me restava a esperança de uma saída airosa.

As últimas declarações de Louçã e Jerónimo de Sousa deixaram-me, no entanto, descoroçoado. Nem sequer põem a hipótese de o reforço da votação na esquerda ser utilizado para obrigar o PS a rever a sua política, porque recusam liminarmente um entendimento com o partido de Sócrates.

Ontem, Louçã dizia que votar no PS ou no PSD é a mesma coisa. Não é! Esta mania de meter no mesmo saco todos os partidos que se movem à sua direita é irresponsável. Apesar de tudo ( e Louçã sabe-o muito bem) votar no PS impedirá a concretização do modelo ultra-liberal e a destruição completa do Estado Social, objectivos almejados pelo PSD e CDS.

Tenho reflectido muito, nas últimas semanas, sobre o projecto da esquerda para Portugal. Sinceramente, ainda não consegui perceber qual é. Se recusam participar numa solução à esquerda, pedindo aos eleitores portugueses que lhes dêem força para obrigar o PS a negociar com eles; se os seus argumentos se limitam a criticar a política de direita; se abdicam da possibilidade de integrar um governo; se desistem de ir à luta… qual a razão para lhes dar novamente o meu voto? O grande ( e talvez único) desafio que se coloca aos portugueses, nas eleições de 5 de Junho, é evitar que uma coligação PSD/CDS assuma as rédeas do poder. Se isso acontecer, a esquerda não deixará de ser responsabilizada por ter contribuído para a vitória da direita.

Não sei se é culpa desta Primavera estival, mas sinto à minha volta um ambiente depressivo onde não há lugar à esperança. Que não haja espaço para a Utopia, ainda compreendo. Agora que seja a esquerda, com as suas atitudes erráticas, a roubar-me a esperança, é que me custa aceitar. Não vivemos um período propício à demagogia, nem ao voto de protesto. É fácil criticar, mas de nada valem as críticas, quando não se apresentam alternativas.

Temos de ser realistas e, o que pedia à esquerda, era que me apresentasse uma solução realista. Que me fizesse acreditar que votar à esquerda continua a ser um capital de esperança. Que não me deixasse órfão, obrigado a escolher entre o menos mau de dois padrastos. Em vez disso, a esquerda faz o discurso miserabilista do coitadinho e comporta-se como um qualquer outro partido que não só sabe que não será governo, como recusa sequer a colocar a hipótese de vir a ser.

Talvez por isso, enquanto reflicto sobre a actuação da esquerda, me vem constantemente à memória o conselho de Álvaro Cunhal na segunda volta das presidenciais de 1986. Não quero engolir um sapo, mas o voto no mal menor talvez seja, apesar de tudo, melhor do que entregar à direita, de mão beijada, as últimas conquistas de Abril.

Talvez os ares do Oriente me ajudem a reflectir e a tomar uma decisão.

Obrigado, RTP

A RTP proporcionou aos portugueses três serões magníficos, com a exibição de uma mini-série documental sobre Zeca Afonso. Não sei qual foi o share da RTP nessas três noites, mas presumo que tenha ficado muito aquém das telenovelas dos canais concorrentes que, à mesma hora, exibiam as habituais telenovelas,verdadeiros Lexotans do capitalismo, que adormecem as consciências e deformam as mentalidades.


Quero agradecer à RTP ter-me permitido recordar um Homem Livre que deveria servir de exemplo à geração à rasca. Talvez esta seja uma das últimas oportunidades de exprimir à RTP o meu agradecimento por tudo o que me tem proporcionado ao longo da sua existência. Séries como “Conta-me como foi”, que retratam o Estado Novo de uma forma didáctica e simultaneamente comovente e divertida, documentos sobre a História portuguesa, que nenhum canal privado está interessado em produzir ( como é o caso de “Maior que o Pensamento” , ou “Histórias da Guerra Colonial” do Joaquim Furtado) só são possíveis enquanto existir uma televisão pública.



No dia 5 de Junho, se Coelho e a sua comandita chegarem ao poder, não perderemos apenas o Estado Social. Perderemos também um pouco da nossa identidade, porque a malta laranja que se prepara para assaltar o poder quer apagar a nossa História recente e construir o futuro sobre os seus despojos. De mão beijada entregará a RTP à Cofina, ou a quem pagar melhor. Depois de vender o que ainda resta do país, venderá aos privados a possibilidade de reescreverem a nossa História. Os nossos netos talvez venham a ler , nos livros de História escritos por um qualquer Correia entronizado como novo Conde de Abranhos, que o 25 de Abril foi um golpe de comunistas prontamente rejeitado pela população portuguesa e que foi graças a um qualquer Alexandre Santos, ou Ricardo Salgado que o país se libertou do jugo dos vermelhos. Perverter a História é uma especialidade dos traidores. Cabe-nos impedir que isso aconteça.

Está tudo grosso?

O sr. presidente da república garantiu que, se fosse eleito , os juros da dívida iriam baixar. Jurou que só a sua eleição garantiria estabilidade no país. Duas semanas depois de um discurso rasteiro de ataque ao governo e apelo ao sobressalto cívico e uma semana após outro discurso em que teceu rasgados elogios à guerra colonial, os juros da dívida continuaram a aumentar, a instabilidade política acentuou-se e o governo pediu ajuda ao FMI. Perante isto, os portugueses que escrevem nos jornais pedem apenas a crucificação de Sócrates, como se ele fosse o único culpado. Há coisas que não consigo entender mas, provavelmente, o problema é meu...

Late night wander (92)

Por pensarem ansiosamente no futuro, os homens esquecem o presente. De tal forma, que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido
( Buda)