sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cenouras de Páscoa







O Coelho diz que já tem o governo na cabeça. Só lhe falta saber como vai distribuir as cenouras.

Reflexão Pascal




Nas duas últimas décadas os consumidores foram incentivados a endividar-se. O recurso ao crédito permitiu a muitas pessoas terem acesso a uma vasta gama de produtos que de outro modo não teriam possibilidade de adquirir, o que foi muito positivo.

O crédito fácil e os juros baratos incitaram, porém, muitas famílias a endividarem-se para além das suas possibilidades, porque a expectativa de melhoria dos salários as levou a assumir riscos. Com o deflagrar da crise económica e financeira mundial, o crédito tornou-se mais difícil, os juros mais caros, o desemprego cresceu e muitas famílias tornaram-se insolventes, incapazes de cumprir os seus compromissos. Em período de crise financeira, a insolvência das famílias agrava a situação das instituições financeiras, com reflexos incomensuráveis na economia do país.

O sobreendividamento das famílias e das empresas contribuiu inexoravelmente para a derrapagem da dívida, com reflexos negativos na economia. A contracção do consumo ameaça gripar o motor da sociedade de consumo, o apelo à poupança, depois de um período de rédea livre, não é bem aceite pelos consumidores.

No entanto, é inexorável assumir que chegou o momento de mudar de vida e criar modelos com menos impacto negativo na economia mas também mais sustentáveis, sem pôr em causa o desenvolvimento económico.

O cartão de crédito não é propriamente uma varinha de condão capaz de transformar os nossos desejos em realidades, fazendo-nos esquecer que aquilo que adquirimos através dele ( e não com ele, sublinho) tem um preço acrescido a pagar, que se chama juros.Muitas vezes, principalmente em férias ou viagens, esquecemo-nos desse pormenor mas mais tarde, ao fazer as contas, acabamos por concluir que a compra “daquelas pechinchas” se transforma , por força dos juros a pagar, numa “pesada herança” que nos fará recordar as férias com um sabor amargo.

Deixemo-nos de falinhas mansas. A situação a que chegamos ( dívida privada superior a 220 % do PIB) é da responsabilidade de todos. Da Banca que emprestou sem critérios, do Governo que nem sempre fez o que devia para alertar os consumidores para os riscos do sobreendividamento ( embora algumas campanhas nesse sentido- algumas bem esclarecedoras - tenham sido feitas) e dos que tiveram mais olhos do que barriga e se endividaram para além das suas possibilidades.

Claro que há muitos casos de famílias que hoje têm dificuldade em pagar as suas dívidas, porque o desemprego entrou lá em casa, mas ter cinco, seis ou sete créditos pessoais, para satisfazer os apetites consumistas, nunca foi uma boa ideia. Chegou por isso o momento de parar para reflectir e, em vez de culpar apenas o governo e os políticos, assumirmos também as culpas pela quota parte de irresponsabilidade que nos compete. Ou não?

Morning call (15)

Há notícias como esta que nos enchem de satisfação. Mas quando homens que ainda têm valores e não se deixam corromper pelo dinheiro são criticados e alvo de chacota dos seus colegas de trabalho, por terem sido honrados e honestos, sinto um formigueiro de revolta percorrer-me o corpo todo.

Late night wander (90)

Marinho Pinto merece o meu maior respeito, mas fiquei bastante decepcionado com o pedido que fez aos portugueses para se absterem nas eleições de 5 de Junho. Isso é o que já andam a fazer há muitos anos.

Eu sei que as próximas eleições são um mero acto simbólico, que o futuro governo não tem espaço de manobra para se desviar das ordens de Bruxelas e de Washington, mas a sugestão do bastonário dos advogados é descabida. Se apelasse aos portugueses para votarem nos partidos de esquerda, que se opõem à entrada do FMI ( apesar de tudo terem feito para que ele viesse, chumbando o PEC) , ainda percebia, agora apelar aos portugueses para desistirem, é uma irresponsabilidade e uma punhalada na democracia.