sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um euro bem gasto

Hoje, diante do escaparate onde sempre paro para ler as gordas, deixei-me convencer pelo apelo do “i”.

Na primeira página a notícia de que as rendas de casa vão ficar mais baratas. Como não é 1 de Abril, acreditei. Ainda na capa, uma chamada de atenção para empresas portuguesas de sucesso e o convite para ser optimista. Quem resiste a um pedido da Ana Sá Lopes?

Decidi por isso desembolsar um euro e , à hora do almoço, lá fiquei a saber que a REN foi considerada a melhor empresa da década, a Sogrape, o produtor europeu do ano, a Água das Pedras ganhou prémios vários, a TAP foi considerada a melhor companhia aérea e a clínica do Paulo Malo venceu o prémio Inovador do Ano na China.A nível individual, Zeinal Bava foi eleito melhor CEO do ano e o jornalista da TSF João Francisco Guerreiro foi o vencedor do Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. O próprio jornal recebeu dois prémios, mas isso nem é notícia, porque já se tornou um hábito.
Quando acabei de almoçar estava mais bem disposto do que habitualmente e a digestão foi mais fácil. É pena os jornais não serem assim todos os dias…

Zangam-se as comadres...

Há dias, alguém se espantava na caixa de comentários, por eu escrever que tinha sido Pedro Passos Coelho a desencadear a crise e que o fizera de uma forma que apelidei de canalha. A prova aqui está.

Quero dizer que não aprovo a forma como Pacheco Pereira denunciou o SMS e concordo com o que a Fernanda aqui escreve. Como também reprovo as críticas despeitadas de Carrilho na praça pública, ou o silêncio de Seguro quando Relvas lhe disse olho nos olhos que seria maís fácil dialogar com ele, ou Francisco Assis, do que com Sócrates.

Nunca votei em Sócrates, nem sou militante do PS, mas detesto comportamentos cobardes, de gente que procura ganhar apoios na opinião pública para atingir os seus objectivos, em vez de o fazer, cara a cara, com os seus camaradas.

E odeio "dandys" da Porcalhota, com aquele ar engomadinho de quem é um cavalheiro, que mentem ao país inteiro e acusam o adversário de mentiroso, só porque viram o seu lugar em perigo. Afinal são tão cobardes como os outros, mas dão ares de gente de bem.

Entretanto, os jornalistas disfarçados de bloggers que pastoreiam à mesa de Passos Coelho, vão fazendo o seu trabalhinho de formiguitas diligentes, em defesa do anfitrião. Mas esses nem me me merecem um link, porque a perversidade de quem se quer fazer passar por independente, sem assumir com coragem a defesa da sua dama, merece o meu maior desprezo.

Assédio(s)


Ele ainda não tinha 30 anos quando entrou para a empresa. Trabalhava a recibo verde, como a maioria dos jovens da geração global. Ao fim de seis meses, o seu chefe reformou-se e foi substituído por uma senhora. Já tinha ultrapassado há muito os 40, mas mantinha-se vistosa, provocando torcicolos aos homens com quem se cruzava nos corredores.

Ele, com casamento aprazado para o final daquele ano, também não resistia a um olhar furtivo, que a sua condição de subordinado impunha. Quando ela o chamava ao gabinete para discutir qualquer assunto de trabalho, a sua pele clara não conseguia disfarçar o rubor da face, animada pela visão daquele corpo bem torneado, aprisionado num vestido justo que deixava a descoberto uma belíssimo par de pernas.

Numa solarenga manhã de Março ela chamou-o ao gabinete. A discussão em torno de uma questão contabilística foi-se arrastando até ao princípio da tarde. Ela olhou para o relógio e propôs que continuassem a discussão ao almoço num restaurante próximo. Embaraçado, disse que combinara almoçar com a namorada, mas se fosse necessário desmarcava o almoço. Ela concordou que seria a melhor solução.

Durante o almoço não falaram de trabalho. Ela inundou-o de perguntas sobre a sua relação com a namorada, advertiu-o para o facto de ainda ser muito jovem para se comprometer e lembrou-lhe que, trabalhando a recibo verde, não tinha uma situação estável. Talvez devesse pensar melhor, sugeriu.

“ Não consigo esperar mais”- respondeu ele. “Namoramos há tempo demais, precisamos de nos casar e fazer a nossa vida. Queremos ter filhos…”

“Má ideia”- respondeu ela com um sorriso enigmático. “Vivam primeiro um tempo juntos e quando você tiver uma vida mais estável pensem nisso”.

“Isso está fora de hipótese. A família dela nunca lhe perdoaria se ela saísse de casa para ir viver comigo.”

A conversa ficou por ali. Ela pagou o almoço com o cartão da empresa e regressaram ao trabalho para terminar a discussão interrompida ao final da manhã. No dia seguinte ele pressentiu-a mal humorada e algo distante mas, dois dias depois, tudo voltara à normalidade. Na semana seguinte recusou polidamente o convite para almoçar, alegando ter de levar o pai a uma consulta. Nos dois meses que se seguiram teve que recorrer à imaginação para se furtar a novos convites. Entretanto, conseguiu apurar que ela era casada e tinha dois filhos, um dos quais da sua idade. A notícia deixou-o mais descansado. As investidas teriam tendência a diminuir.

Na véspera de partir para uma semana de férias estava em casa a ultimar os preparativos, quando o telefone tocou. Era ela. Estava ainda a trabalhar na empresa e tinham-lhe surgido umas dúvidas sobre uns papéis. Reclamava a sua presença. Contrariado, ele foi.

Ela recebeu-o com um copo de whisky na mão e ele percebeu, na sua voz arrastada, sinais de embriaguez.

“Então que se passa, doutora?”

Sem dizer uma palavra, ela pousou o copo em cima da secretária, lançou-lhe os braços em volta do pescoço e beijou-o de forma arrebatada. Ele não ofereceu resistência. Sentia-se inebriado pelo perfume que exalava do corpo dela. Começou a despi-la. Primeiro lentamente mas, à medida que o vestido lhe descobria o corpo, deixando entrever um seio nu, acelerou a tarefa ao ritmo do batimento cardíaco. Olhou para ela, completamente nua, deitada no sofá do gabinete onde costumavam trabalhar, e pensou por um momento como tinha sido parvo em resistir-lhe. Afinal ela era casada, nunca lhe iria causar problemas. Quando finalmente a tomou nos braços e começou a beijar-lhe o bico dos seios, não reparou que ela mordia os lábios de onde se escapava um breve sorriso de vitória.

Eram três da manhã quando ela o convenceu a ir para casa. Despediram-se num beijo prolongado. Ele saiu primeiro. Meteu-se no carro e acelerou em direcção a casa. Custou-lhe a adormecer. Aquele corpo magnífico não lhe saía da cabeça. No dia seguinte, no aeroporto, lê na manchete de um jornal :

“Aumenta o número de mulheres vítimas de assédio sexual.”

Sorriu e dirigiu-se para o balcão do "check-in"


( Republicação)

Estranho...

Há quase uma semana que milhares de jovens finalistas do liceu estão em Espanha e ainda não houve notícia de distúrbios! Já não há finalistas como antigamente!

Late night wander (84)

Já se sabia que em 2003 Manuela Ferreira Leite, para aldrabar o défice e evitar um procedimento da Comissão, fez uma manobra de engenharia financeira com o Citigroup, quem vendeu mais de 11 mil milhões de euros de dívidas fiscais e à segurança social, recebendo em troca 1,7 mil milhões. Ou seja, Manuela Ferreira Leite diminuiu o défice, mas arruinou a Segurança Social.


Desde sempre se soube que a operação tinha contornos muito nublosos e que MFL chegou a afirmar que não sabia se tinha de pagar juros. Nunca se soube, porém, quanto é que isso iria custar ao país. Ficou a saber-se agora. Os números são tão astronómicos ( mais de dois mil milhões de euros já pagos pelo Estado), que vos sugiro a leitura do artigo na íntegra. Onde se pode ainda ler ( mas apenas na versão em papel) que a taxa de juro paga pela operação foi de 17,5%!


Para quem andou a apregoar transparência e competência durante a campanha eleitoral de 2009 e repetidamente chamou a Sócrates mentiroso, não está mal...