quinta-feira, 31 de março de 2011

Eles pedem desculpa pela interrupção. Voltam dentro de momentos...

Antes de descobrir que Ben Ali e Mubarak eram ditadores ( de Kadhaffi já desconfiava, mas calava-se por amor à democracia e temor reverencial perante o ex- presidente da Comissão de Direitos Humanos da ONU…) , a nossa comunicação social zurzia diariamente em Chavez, Fidel e Morales a quem chamava de facínoras e equiparava a Estaline.

Qualquer preso de delito comum, que iniciasse uma greve de fome, era alcandorado à condição de mártir, vítima dos tenebrosos ditadores latino-americanos.

Agora, descobertos os ditadores “fofinhos”do Oriente, apaparicados pela Europa e Estados Unidos ao longo de décadas, a imprensa relegou para segundo plano os ataques ( quase sempre desmiolados e ignorantes) aos “ditadores” latino-americanos. Isso, obviamente, teve reflexos em alguns blogs que se tornaram mais asseados.

Temo, porém, que tal como o sol e as temperaturas amenas que nestes dias nos têm adocicado a alma, seja uma trégua de curta duração. Não tarda nada, os paranóicos do costume voltarão a destilar veneno e a escrever posts contra os ignominiosos ditadores sul-americanos. Rebuscando notícias com barbas, que nos servem como actuais, esquecendo as ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos naquela região, derrubadas pela vontade popular, e impingindo como verdadeira a sua visão sobre as "execráveis democracias bolivarianas", a matilha voltará ao ataque "em defesa da democracia".
O problema é que a visão deles é a do olho cego. E isso faz toda a diferença…

A Rainha da Sucata


Portugal estava numa situação gravíssima. Durante a campanha eleitoral, Cavaco Silva alertou para as consequências imprevisíveis de uma crise política. A continuidade deste governo era insustentável, mas o momento escolhido por Passos Coelho para o fazer foi o mais inadequado. Pensou apenas nos seus interesses ( uma moção de censura depois da aprovação do PEC IV fragilizaria o PSD perante os eleitores) e não no país. Sejam quais forem as desculpas que invente, a verdade é que a culpa de estarmos a ser classificados como lixo é exclusivamente sua. Quando o país estava à beira do precipício, Passos Coelho deu-lhe um empurrão.


É natural que não se aperceba do mal que fez ao país... está habituado a falar para os mercados em inglês e os portugueses são, na sua perspectiva, as "marionettes" obedientes e passivas. É capaz de ter algua razão. Os portugueses são incapazes de ver mais alternativas para além do preto e do branco e, quando estão cansados de uma cor, acreditam que basta mudar para outra, para que as coisas melhorem. Será por isso, muito provavelmente, o futuro primeiro-ministro de Portugal? Não. Será apenas a "Rainha da Sucata".

Culpado, eu?

O Zezinho estava em cima do muro a fazer tropelias. O Pedrocas caminhava pelo muro, mas não podia passar porque o Zezinho lhe estava a barrar o caminho. Cansado de esperar e incitado pelos amigos que o aguardavam do outro lado, o Pedrocas deu uma cotovelada ao Zezinho que caiu do muro. Quando a mãe do Zezinho ouviu os gritos do filho correu para a janela e perguntou: - O que se passa aqui? - Foi o Zezinho que caiu do muro - Não foste tu que o empurraste, Pedrocas? - Nããããõooooo! Ele é que estava a interromper o caminho...

Afinal, quem está mais à rasca?

Cumprida a manifestação da geração à rasca é altura de falar ( mais uma vez...) da verdadeira geração que está à rasca neste país e em risco eminente de pobreza sem retorno.

Os idosos são os mais afectados pela pobreza ( 29%, de acordo com o INE), sendo que muitos se tornaram pobres, porque se viram privados de um emprego numa idade em que a hipótese de reentrar no mercado de trabalho é muito reduzida.

O mercado de trabalho, para quem tem mais de 50 anos, é um deserto de oportunidades, aumentando a angústia de quem vê fugir-lhe o emprego e a reforma mais distante.A agravar a situação, muitas das pessoas que hoje têm mais de 50 anos têm taxas de endividamento elevado, porque contraíram empréstimos a taxa de juros altas e com condições menos favoráveis do que as da chamada geração à rasca.

O problema social destes portugueses ainda não foi encarado de forma frontal. Ficar desempregado com essa idade pode constituir um drama com funestas consequências . Dizem os especialistas que a maioria das medidas para combater a pobreza, existentes em Portugal, são meras panaceias que não resolvem o problema.

Bruto da Costa é de opinião que a maioria das acções atenua a privação, mas não resolve a pobreza, porque não contribui para tornar a pessoa auto-suficiente. Augusto Mateus fala de uma “política de hipermercado” onde “há de tudo para todos”, mas caracteriza as acções desenvolvidas como meras “bengalas” que não resolvem o problema, porque lhes falta transversalidade .

Para a maioria destes “novos pobres”, nem o microcrédito ajuda a resolver o problema de uma pobreza inesperada, pois o desemprego deixou-os sem capacidade de cumprir, sequer, as obrigações resultantes de situações de endividamento que, na esmagadora maioria dos casos, foi a única solução que encontrarem para ter uma habitação condigna.Há que encontrar uma solução equilibrada ... que não pode passar por uma geração que acusa os seus pais de falta de solidariedade geracional.

Fomentar a iniquidade no Estado

O governo decidiu premiar com cinco dias de férias os funcionários públicos com classificação de excelente e com três os que tiverem muito bom. Em contrapartida -afiançaram –me, mas não pude ainda confirmar - o governo retirou os cinco dias de bónus aos funcionários públicos que gozassem férias apenas entre Setembro e Junho.

Independentemente de saber que a avaliação dos funcionários públicos continua a ser ( pelo menos em alguns serviços) uma farsa, não me repugnaria este prémio se ele viesse acompanhado do cumprimento de outra promessa feita pelo governo, mas nunca cumprida: redução do horário de trabalho, ou aumento dos dias de férias, para funcionários públicos com mais de 60 anos.

Reduzir o horário de trabalho desses funcionários seria uma medida do mais elementar bom senso susceptível, inclusivamente, de contribuir para aumentar a sua produtividade, mas o governo optou por manter tudo na mesma. Com a agravante de, em muitos casos, os funcionários públicos mais idosos serem emprateleirados, desaproveitando-se a sua experiência e aumentando a sua desmotivação.

Ao não contemplar um regime laboral mais favorável para funcionários que tinham a expectativa de se reformar aos 60 anos, mas que foram defraudados com o aumento da idade da reforma , o governo também está a contribuir para o aumento das despesas no sector saúde, mas sobre isso escreverei noutra oportunidade. Por agora, quero apenas lembrar que não basta elogiar os funcionários públicos e depois reduzir-lhes os salários. É necessário incentivá-los e tomar medidas que aumentem a sua produtividade.

Blogs no feminino

Coração de Maçã Gi Sedas

Late night wander (73)

Há coisas que não entendo. Os apoiantes blogueiros de Passos Coelho andam há um ano a dizer que Sócrates tem de ser substituído, porque é mentiroso. Em apenas uma semana, Coelho já disse mais mentiras e teve mais contradições do que Sócrates nos últimos dois anos. Qual é a vantagem de votar nele? Se é para mudar as moscas, em vez de eleições era preferível comprar Dum-Dum.