terça-feira, 29 de março de 2011

É tão bom, não foi?

Miguel Relvas é uma pessoa séria que não se contradiz. Por isso, deve estar satisfeito com esta explicação da Fitch para baixar o rating de Portugal e dos bancos portugueses.

Em tempo: o Tribunal de Contas confirmou aquilo que aqui escrevi.

Lula, Salgueiro e o FMI


Lula veio a Portugal receber três distinções: o prémio Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, o doutoramento honoris causa da Faculdade de Direito de Coimbra e a distinção da Confraria do Vinho do Porto.Se me tivesse sido dada a oportunidade de o entrevistar, a minha primeira pergunta seria sobre o significado que ele atribui a estas distinções.

Constato, prém, a avaliar pelo que leio e oiço ao longo do dia, que sou um jornalista a precisar urgentemente de reforma. Senão vejamos:

O DN , numa prova de imbecilidade notável, chama para título da reportagem sobre a visita:

“ Lula vem a Portugal apresentar a camarada Dilma”

O “Público” opta por escrever na sua edição on line:

“Visita de Dilma e Lula tem peso simbólico, mas Brasil não deverá anunciar ajuda”

O jornalismo que hoje se pratica em Portugal não é informação. É secundarização das notícias, em função de interesses politico-partidários.

Ontem, antecedendo o jantar que reuniu Sócrates, Mário Soares e Lula da Silva, antes de perguntar se Lula iria interceder junto de Dilma para comprar dívida portuguesa,a pergunta disparada por um jornalista foi sobre a entrada do FMI em Portugal. Certamente, com muito desgosto para os jornalistas, Lula disse que o FMI criou mais problemas onde esteve e não é solução para resolver os problemas de Portugal. Horas mais tarde, no “Prós e Contras”, Salgueiro dizia o mesmo:

“ Das duas vezes que o FMI entrou em Portugal não veio resolver nada, porque os governos da época já tinham encontrado as soluções”.

Perante isto, só me apetece concordar com Augusto Santos Silva quando afirmava que o jornalismo hoje em dia praticado em Portugal é jornalismo de sarjeta.Acrescentaria apenas que é um jornalismo servil, acéfalo e prostrado de joelhos perante os interesses que serve.

Pedro Passos Coelho, orgulhoso por poder governar sob as ordens do FMI, deve ponderar melhor as escolhas que faz dos jornalistas que convida para jantar, apesar dos esforços dos seus súbditos, incansáveis na tentativa de lhe prestarem um inestimável serviço.

O call-center de Belém

A magistratura activa prometida por Cavaco faz-me lembrar um call center. A gente liga, fica pendurada uma data de tempo à espera que alguém responda do outro lado. Trinta segundos depois de atenderem pedem-nos para esperar um momento e assim se passam mais alguns minutos. Ao fim de meia hora, quando estamos quase a ser vencidos pelo cansaço, vem alguém que finalmente esclarece:

“Lamento mas não posso resolver o seu problema Há mais alguma coisa em que lhe possa ser útil?”

A diferença é que em relação aos operadores de call center, nós podemos insultá-los e a Cavaco somos obrigados a tratar com deferência.

Morning call (11)


Lula da Silva chegou ontem a Portugal. Hoje chegará Dilma Roussef. Ontem à noite ouvi Lula a falar sobre Portugal antes do jantar com Sócrates e vi a entrevista de Miguel Sousa Tavares a Dilma.

Devo dizer-vos que senti uma paz interior que só os sul-americanos ( seja qual for a sua proveniência) me conseguem transmitir. Em cada palavra há serenidade, um compromisso sincero com a melhoria das condições dos povos dos seus países, tão diferente dos fala-barato da nossa politiquice caceteira, movida exclusivamente por interesses pessoais.

Por momentos pensei como Portugal poderia ser mais feliz se em vez de se voltar para a aniquilosada Europa cheia de vícios, tivesse apostado mais nas relações com a América Latina. Apesar da chuva, fui deitar-me mais tranquilo. Como se tivesse passado um serão em família e tivesse resolvido os problemas que me atormentam.

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Catarina Campos
Eva Gonçalves
Presidiária

Late night wander (71)

Recomendo-vos a leitura deste post e o visionamento do video. Pela lucidez de quem escreveu e pelas imagens que testemunham.