quarta-feira, 16 de março de 2011

Era bom, era...

Deixei de comprar jornais portugueses, porque não gosto de ser enganado por "funcionários partidários" com carteira de jornalista. Páro diante de um escaparate para ler as gordas da imprensa. Num pasquim que se vende como jornal, leio: " Antes o FMI" ( do que o PEC IV). Já não me espanta a irresponsabilidade de quem escreve isto. Apenas me envergonha. Hoje em dia, o jornalismo político em Portugal é, na generalidade, feito por gente enfeudada a partidos,que não alça o rabo da cadeira e desconhece a realidade do país. O internacional é um amontoado de copy pastes das noticias de agências.

Lembro-me que ontem, Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores, um jornalista afecto ao PSD, sugeria um Provedor que fiscalizasse se os governantes cumpriam as suas promessas. Penso que seria também excelente haver uma Lei que punisse severamente quem nos conta deliberadamente mentiras, para fazer fretes a líderes partidários. Os cidadãos merecem ser defendidos daqueles que nos impingem mentiras sob a capa de notícias.

Borrado de medo!

Deixemo-nos de tretas! Pedro Passos Coelho anseia ser primeiro-ministro, mas sabe que esta não é a altura ideal para chegar a S. Bento. Os seus dilectos amigos vão lançando avisos: uma crise política vai agravar os problemas do país.
PPC sabe que umas eleições sem maioria absoluta terminarão a breve prazo com a sua carreira política, porque as medidas que será obrigado a tomar serão ruinosas para os portugueses. Sabe, também, que os cavaquistas do PSD, muito agitados nos últimos dias, não lhe farão a vida fácil. Anseia, por isso, que Sócrates lhe dê apenas um pretexto para aprovar o PEC IV e dizer aos portugueses que o fez , porque o governo aceitou as suas exigências.
Não sei se Sócrates estará, neste momento, disposto a estender-lhe a mão, continuando a deixar-se cozer em lume brando por um grupo de jornalistas que desfraldam envergonhada, mas vergonhosamente, a bandeira do PSD e por uns quantos bloggers coelhistas que acumulam com lugares nas redacções de alguns jornais.
Sem saber que decisão tomar, PPC vai pedir amanhã conselhos a Cavaco. Borrado de medo, com a perspectiva de o inquilino de Belém lhe dizer: Avance!
Pedro Passos Coelho sabe muito bem que o assentimento do PR será a sentença da sua morte política e abrirá espaço para o reforço do cavaquismo, que o vai lançando às feras. Talvez saia de lá com vontade de ir ao pote, para despejar a diarreia.

Caderneta de cromos ( 26)

Pedro Sampaio Nunes


Sócio de Isabel dos Santos ( filha do preidente angolano), Pedro Sampaio Nunes é um entusiasta das centrais nucleares.

Enquanto a União Europeia admite a necessidade de as repensar , este ex-responsável pela área da energia na Comissão Europeia afirma que o desastre de Fukushima "corrobora a segurança das centrais nucleares".
O ex- Secretário de Estado da Ciência de Durão Barroso admite, inclusivé, que com um governo futuro ( do PSD, obviamente) será possível dialogar, no sentido de avançar com o projecto de Patrick Monteiro de Barros.
Por agora fica bem nesta caderneta de cromos, mas talvez fosse bom começar a pensar em fazer uma petição para enviar o engenheiro até Fukushima. E já agora, pode levar também Pedro Passos Coelho que já admitiu a necessidade de lançar um "debate sério sobre o nuclear, para reduzir a factura energética portuguesa". Pode ser que por lá eles se fundam.

Em alternativa, talvez pudessemos metê-los na Máquina do Tempo e oferecer-lhes uma viagem no Titanic, o navio que jamais se afundaria, mas nem chegou a completar a primeira viagem.

Pontapé de saída para o 25 de Abril

“Os muitos nortenhos que no fim de semana avançaram sobre Lisboa, sonhando com a vitória, acabaram por se retirar desiludidos com a derrota. O adversário da capital, mais bem apetrechado ( sobretudo bem informado da sua estratégia), fez abortar os intentos dos homens do Norte. Mas parafraseando um astuto comandante, perdeu-se uma batalha mas não se perdeu a guerra”
Quem escreveu isto foi o meu amigo Eugénio Alves, no “República”, no dia 17 de Março de 1974, num relato da vitória do Sporting sobre o Porto em Alvalade (2-0).
Mas com este naco de prosa, o Eugénio não estava propriamente a escrever sobre um jogo de futebol. Escrevia sobre o golpe das Caldas, que ocorrera na véspera e a Censura proibira de comentar.
A tentativa de golpe de 16 de Março, que ficou conhecido como "golpe das Caldas", acabou por constituir um ensaio para o 25 de Abril, um mês depois, como muitos saberão.
Este exemplo que aqui vos trago hoje serve para assinalar não só o dia, mas também para lembrar a alguns patuscos que passam a vida a reclamar contra a falta de liberdade de expressão, como era difícil ser jornalista na época. Apesar de tudo, podiam dizer-se as coisas nas entrelinhas, se para tanto se tivesse engenho e arte. Como o Eugénio.

Para quando o desmentido?

Eu sei que o PR já disse, num 10 de Junho, que estava a celebrar o "Dia da Raça" mas, mesmo assim, fico à espera que Cavaco Silva escreva mais uma vez no Facebook que o seu inqualificável (para não dizer insultuosos..)discurso de ontem foi mal interpretado. Como ainda não aderi ao Facebook, agradeço que me avisem.
Já agora, subscrevo palavra, por palavra, o post da Fernanda Câncio.

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Late night wander (61)

Faz hoje 37 anos começava, nas Caldas da Rainha, a contagem decrescente para o 25 de Abril.