terça-feira, 15 de março de 2011

Novidades, aos teus amores tão dedicados...

O recente lançamento do iPad 2 demonstra bem como a obsolescência dos produtos é vital para manter em funcionamento o motor da economia. Apresentado há três meses em Portugal como "revolucionário", o iPad é já uma velharia e não falta por aí quem sonhe em substituí-lo pela nova versão.
Mas o iPad é também um bom exemplo da forma como a sociedade de consumo nos engana. Quando foi lançado, há um ano, a Apple sabia perfeitamente que o produto estava inacabado e não era ainda o modelo idealizado por Steve Jobs. No entanto, como a concorrência se aprestava para lançar um produto idêntico, a Apple não teve outra alternativa. Lançou no mercado, com pompa e circunstância, um produto que sabia não ser perfeito, mas punha a concorrência em sentido.
Foi cultivando a obsolescência, fomentando a aquisição da última novidade através do recurso ao endividamento, que chegamos à crise mundial que nos afecta a todos. Não me parece que tenhamos aprendido a lição.

O exemplo japonês

Já quase ninguém esconde que o Japão pode estar perto de viver a maior tragédia nuclear de todos os tempos. O númerode mortos, vítimas do sismo, poderá atingir várias dezenas de milhar. No meio de tanta tragédia é de enaltecer o civismo exemplar dos japoneses que deve servir de exemplo ao mundo inteiro.

Mulheres do Mundo (6)

Naomi Klein

Os movimentos populares no Egipto, Tunísia ou Líbia serão genuínos, ou algo se esconde por detrás deles? A Mulher de que vos falo hoje, talvez ajude a encontrar a resposta.
Nascida em Montreal, em 1970, a jornalista e escritora Naomi Klein é actualmente uma das figuras mais destacadas da esquerda canadense e norte-americana. Mas nem sempre foi assim…Filha de um casal de esquerda, activista contra a guerra do Vetname, Naomi desdenhava a herança dos pais. Crítica feroz do feminismo materno, era uma adolescente coquette que gostava de passar os dias diante do espelho a maquilhar-se e a experimentar roupa.
Quando concluiu o liceu, a mãe sofreu um acidente cardio-vascular. Ficou temporariamente tetraplégica e Naomi ficou à sua cabeceira durante seis meses. Já na Universidade de Toronto, onde estudava Ciências Políticas e Jornalismo,um episódio ocorrido na Escola Politécnica de Montreal iria marcá-la:
Um tresloucado matou a tiro 14 mulheres, enquanto proclamava: “Odeio feministas”.
Conheci-a em 1997, quando era jornalista no diário canadiano “The Globe and Mail”. Militante anti-globalização, conhecida pelas suas fortes críticas ao modelo de desenvolvimento que preconizava a inevitabilidade de capitalismo e democracia andarem de mãos dadas, Naomi Klein preparava já o seu primeiro livro “No Logo”: a Tirania das Marcas – uma azeda crítica à sociedade de consumo e um feroz ataque à globalização. O livro viria a ser publicado em 1999 e, desde então, a jornalista licenciada em Ciências Políticas na Universidade de Toronto, passou a ser convidada para fazer palestras em todo o mundo, perante plateias atentas à sua mensagem.
Em 2004, produz com o marido um fabuloso documentário sobre a Argentina depois do dramático Corralito, que culminou no colapso económico do país. Filmado nos subúrbios de Buenos Aires, “ The Take” narra a história de luta dos trabalhadores porteños para manterem em actividade as empresas encerradas pelos patrões. Centrado nas teias burocráticas e nos entraves levantados pela justiça argentina, que um grupo de operários teve de enfrentar para salvar a empresa onde trabalhava, constituindo uma cooperativa operária, “The Take” é um documento histórico de uma época negra da pátria azul-celeste.
É porém, em 2007, após a publicação de “A doutrina de Choque” que Naomi Klein se torna mais conhecida. O livro desmonta a teoria da Escola de Chicago e de Milton Friedman, que advogava a supressão de todas as medidas do Estado destinadas a proteger os consumidores das lógicas dos mercados. Parece uma profecia da crise económica e financeira que se anuncia e entusiasma de tal modo o realizador mexicano Alfonso Cuarón, que ele realiza gratuitamente um anúncio para a promoção do livro nas televisões.
Quando a crise rebenta, as atenções voltam-se para o que Naomi escrevera:
“ Muitas das mais infames violações dos direitos humanos foram cometidas quer com o objectivo de aterrorizar a população, quer de preparar a introdução de reformas radicais , sempre no sentido de promover a livre concorrência”.
Na opinião de Klein, “ as populações só podem aceitar tais reformas se estiverem em estado de choque, a sair de uma crise, catástrofe natural,atentado ou guerra (…) e se as catástrofes naturais são difíceis de forjar, os golpes de Estado e os ataques terroristas são fabricáveis a qualquer momento”.
Duas razões me levaram a escolher Naomi Klein no dia de hoje. Por um lado, porque se comemora o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores” e , por outro, porque o livro de Naomi Klein nos permite perceber melhor os movimentos de contestação na Tunísia, Egipto ou Líbia. Nem tudo o que parece evidente, à luz da imprensa comandada a partir da Casa Branca é verdadeiro. Por detrás de manifestações populares, rotuladas de lutas pela democracia, esconde-se, não raras vezes, a mão invisível do capitalismo selvagem.Obama, ainda que tardiamente, parece ter percebido isso.

Morning call (10)

Almada venceu o Prémio da Semana Europeia da Mobilidade, numa final onde enfrentou a forte concorrência de Múrcia e Riga. Parabéns, Maria Emília de Sousa.

Blogs no feminino

Annie
Natália
Teresa

Late night wander (60)

Hoje comemora-se o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores. Pois! Para assinalar o dia, o governo prepara-se para reduzir o IVA destes bens essenciais