segunda-feira, 14 de março de 2011

Conversas com o Papalagui (54)

- Aquilo no sábado foi uma grande manifestação!
-É verdade...
-Mas há uma coisa que gostava me explicasses...
-Diz lá...
- Como é que aquela malta neoliberal aderiu?
- Foram protestar, como os outros…
- Mas se eles querem menos Estado e mais iniciativa privada, porque é que vêm reclamar empregos ao Estado?

Papá, já posso ir ao pote?


Pedro Passos Coelho pediu uma audiência a Cavaco Silva. Fonte próxima da São Caetano revelou ao CR que, ao contrário do veiculado por alguma comunicação social, o líder laranja não vai queixar-se do governo, mas apenas fazer-lhe uma pergunta:
“ Papá, estou à rasquinha, quando é que me deixas ir ao pote?”

Mulheres do Mundo (5)

Frida Kahlo
(1907-1954)
Todos a conhecem e dispensa apresentações. Uma das minhas pintoras favoritas. Pela sua arte e pela história de vida.

E agora?

Não me interessa quantas pessoas desceram à rua para protestar contra os políticos e o governo, desencantados com o futuro ou sentindo-se traídos pelo passado. As imagens mostram que foram muitos os que foram protestar pelos mais diversos motivos, não só pelos problemas de uma geração. A multidão que desceu à rua é o retrato de um país inteiro que está à rasca, devido às medidas draconianas que o condena a viver dentro dos limites das possibilidades reais. Depois de duas décadas a viver no mundo de fantasia do sobreendividamento e crédito barato, os portugueses foram despertados para a realidade, quando o seu desejo era continuarem adormecidos no embalo da sereia do consumismo, ilusionista perversa e libidinosa, contratada por Cavaco em 1987 para animar os portugueses. (Guterres renovou-lhe o contrato, Sócrates contratou-a a prazo e recibos verdes).
Não sei quantos foram, repito, os que se manifestaram. Nisto de números sou como S. Tomé. As sondagens com que nos têm brindado nos últimos tempos são a demonstração clara de que se mente muito e se servem interesses, plasmados em páginas de jornais.
O que me interessa saber é o que se vai seguir. De que serviu a manifestação de sábado passado se tiver sido apenas um momento de exaltação e revolta, após a qual as pessoas foram beber uns copos e descontrair? A quem serve uma manif em que um ex-candidato a PR exibe um cartaz onde se pode ler “ O povo unido não precisa de partido”, no dia seguinte a ter aderido ao Partido Trabalhista que ninguém sabe o que é, nem que interesses defende e apoiou Cavaco nas presidenciais? A quem serve uma manif que rejeita os partidos e quer acabar com os políticos?

Já escrevi, várias vezes, que não me deixo enlear pelo populismo e pela demagogia. Sei como acabaram manifs semelhantes no Chile, como é que Salazar chegou ao poder, como Spínola manipulou a “maioria silenciosa” e sigo atentamente o que se está a passar na Tunísia e no Egipto, apesar de a nossa comunicação social já se ter esquecido que há poucas semanas as pessoas saíram à rua para lutar pelo pão ( não pela democracia, como nos tentaram vender) , mas continuam a ter os mesmos problemas.
Não embarco em manifs voluntaristas, facilmente aproveitadas por grupos extremistas. Quando vou a uma manif, quero saber ao que vou. Para dizer o que quero e não para protestar no vazio, sem soluções ou propostas. Se quiser resmungar, chateio o cão da vizinha.

A figura da semana

António Guterres

Há tempos, a revista Forbes publicou uma lista das pessoas mais poderosas do mundo. Muitos terão ficado surpreendidos por António Guterres ser o único português que consta dessa lista e de ela não incluir o nome do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
Se perguntássemos aos portugueses qual era o português mais poderoso do mundo, Durão Barroso recolheria, certamente, o maior número dos votos e poucos se lembrariam de António Guterres, presidente de um organismo que a maioria dos portugueses desconhece: o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
A reacção de surpresa é bem reveladora da forma distorcida como vemos o mundo, incapazes de olhar para além do nosso umbigo. A comunicação social portuguesa padece do mesmo mal. Raras vezes fala do ACNUR e da sua importância. Provavelmente, porque também não se preocupa muito com o trabalho desenvolvido pelo ACNUR.
Na última semana, a propósito da situação dos refugiados líbios na Tunísia, voltaram a dar-lhe tempo de antena.
Guterres é, acima de tudo, o exempplo de um desiludido da política que soube encontrar uma outra forma de ser útil aos cidadãos do mundo em sofrimento.

Blogs no feminino

Blue Velvet
Sonia
Maria Teresa

Late night wander (59)

Tenho lido e ouvido que a partir da meia-noite de hoje começou uma greve dos camionistas. Não é bem verdade. A greve é dos patrões das transportadoras e, pelo que me apercebi, a maioria dos camionistas está contra. Um pequeno pormenor que faz toda a diferença.