domingo, 6 de março de 2011

Com Llosa em Buenos Aires


Sobre Mário Vargas Llosa já aqui escrevi o que pensava. Admiro-o como escritor, acho-o desprezível como pessoa.
Numa entrevista recente a um jornal italiano (Corriere della Sera) o escritor peruano teceu duras críticas a Cristina e Nestor Kirchner e à Argentina. Mais tarde, numa entrevista a uma rádio argentina (La RED) acusou os argentinos de terem eleito uma inútil para a presidência do país.
( Nunca o ouvi criticar Carlos Menem e o seu ministro das finanças, Caballo, cujas manobras financeiras levaram a Argentina à ruína, de onde só saiu graças à acção enérgica e corajosa de Nestor Kirchner, que obrigou o FMI a renegociar a dívida do país e aceitar as condições impostas pelo presidente argentino. O silêncio de Llosa é, por isso, bem eloquente...)
Mario Vargas Llosa é um inimigo da Argentina e das democracias latino-americanas, mas isso não impediu os organizadores da Feira do Livro de Buenos Aires de o convidarem para a abertura do certame, em fase de crescente projecção mundial.
A reacção dos intelectuais argentinos foi de imediata repulsa e, conta-me pessoa amiga em Buenos Aires, vários estabelecimentos da Corrientes ( a emblemática avenida da capital argentina onde pululam livrarias, teatros e locais de cultura variada) exibiram fotografias do Nobel da Literatura com palavras acintosas contra Llosa.
Alguma imprensa começou a divulgar a notícia de que o governo se preparava para proibir a ida de Llosa a Buenos Aires, o que obrigou Cristina Kirchner a fazer um desmentido formal.
Além disso, pediu que fosse retirada uma petição a circular na Internet, exigindo a proibição da ida de Llosa a Buenos Aires, por ferir os princípios democráticos da Argentina, onde toda a gente, hoje em dia, pode exprimir as suas opiniões).
(Seria bom se muitos democratas de pacotilha, sempre eriçados com as democracias latino-americanas, aprendessem com este exemplo, mas isso seria pedir demais...)
No entanto, o secretário de estado da cultura pôs os "pontos nos is" e acusou Vargas Llosa de ser “reaccionário, inimigo das indústrias culturais e útil a um sistema de dependência cultural na América Latina”.
Eu só acrescentaria que Llosa é também a favor da dependência política da América Latina... Não vale a pena, por isso, gastar mais prosa com pegajosa personagem mas, se o Nobel da Literatura fosse uma pessoa decente, não punha os pés em Buenos Aires.

É Carnaval, ninguém leva a mal...


Há muitas empresas que encerram na terça-feira de Carnaval. No entanto, como acontece todos os anos, alguma bloga eriça-se pelo facto de os funcionários públicos terem tolerância de ponto nesse dia. Nada denovo. O curioso é alguns críticos serem os mesmos que aplaudiram os dois dias de tolerância de ponto concedidos pelo governo quando o Papa veio a Portugal. Onde está a diferença? O Rei Momo é bastante mais divertido do que o Papa e os desfiles bem mais animados...

Divas para sempre (2)


Claudia Cardinali