sexta-feira, 4 de março de 2011

Blogs no feminino

Blonde
Maria do Sol
Teté

Sol na eira e chuva no nabal?

O diploma pode levantar alguma polémica mas se PSD e CDS reclamam contenção da despesa do Estado e, simultaneamente, votam favoravelmente na AR uma Lei que vai implicar um forte aumento da despesa, há algo que não se entende e outro tanto que não se acredita ( as lágrimas de PSD e CDS, por causa de eventuais despedimentos que a aplicação do diploma possa implicar, são de crocodilo... putrefacto).

Compreende-se a posição de PCP e BE . São coerentes com aquilo que sempre defenderam.Já PSD e CDS, ao colocarem em risco a execução orçamental, revelam toda a sua incoerência. Eu compreendo o nervosismo de Pedro Passos Coelho. Todos os dias, um representante do baronato laranja se demarca das suas opções tácticas, colocando-o numa posição pouco confortável. Admito mesmo que já tenha pedido à sua "entourage" um "remake" da incubadora de Santana Lopes (talvez um submarino ou um flutuador...) para reforçar a sua (já) tremida liderança. O que não me parece sensato é o PSD e o CDS reclamarem sol na eira e chuva no nabal.

Eh, pá, entendam-se, porque assim não dá!

Uma questão de prioridades...


Durante a cerimónia da entrega dos Óscares, Javier Bardem e Josh Brolin deram um beijo na boca. As câmaras da ABC, que transmitia o evento em directo, não captaram o momento porque , alegadamente, desviaram o “olhar” para Penélope Cruz, a por muitos ( eu incluído…) invejada mulher de Bardem.Não faltou quem acusasse a ABC de censura. Admito que se a cena tivesse ocorrido em Portugal e a RTP estivesse a transmitir a cerimónia em directo, os patuscos que convocaram há tempos uma manif, por recearem que estivesse em perigo a liberdade de expressão, não teriam tardado a fazer uma nova convocatória para pedir a demissão da administração da RTP.Mas que diabo! Alguém de bom senso acredita que haja um único homem em Portugal que prefira assistir a uma troca de beijos entre machos, a uma imagem da sempre resplandecente Penélope?

Quando a fada madrinha faz greve


Ângela Teixeira (nome fictício), 57 anos, já viu a vida sorrir-lhe como num conto de fadas. Operária numa fábrica têxtil do Vale do Ave desde os 16, licenciou-se em Economia aos 24 e casou aos 25 com um engenheiro civil, dois anos mais novo. O casamento durou 20 anos e dois filhos. Um dia depois de ter completado 45 anos, o marido anunciou que o casamento chegara ao fim. Foi como se o céu tivesse desabado sobre a sua cabeça.
A fábrica - onde continuara a trabalhar como directora dos serviços financeiros - fechara um ano antes, Ângela estava desempregada e nem sequer pensara em arranjar um novo emprego, preferindo dedicar mais tempo ao filho diabético, de 14 anos.
“Não estava à espera daquilo. Dávamo-nos bem, quase não tínhamos discussões e eu vivia completamente para ele. Achava que tínhamos uma vida linda, embora percebesse que nunca consegui entrar no seu mundo. Ele tinha os seus amigos e eu as minhas, e raras vezes os juntávamos”.
Habituada a viver com desafogo financeiro, Ângela teve de enfrentar um novo desafio na vida. O marido era ardiloso, soube pôr os bens a bom recato e salvaguardar os seus interesses no caso de divórcio. Foi obrigada a trocar a vivenda de Vila de Conde onde viviam, por um modesto apartamento na Azurara que o marido lhe comprou. Durante dois anos, o ex-marido foi dando uma pensão que lhe permitia viver dignamente e pagar as despesas de saúde e os estudos dos filhos. Sem qualquer aviso prévio, a mensalidade deixou de entrar na conta bancária que abrira para o efeito. Telefonava para casa, para o emprego e para o telemóvel do ex-marido, mas não obtinha qualquer resposta.
“Cheguei a pensar que tivesse morrido, mas vim a saber que emigrara para o Dubai, com uma miúda de 23 anos que deve ter sido a causa do divórcio”.
Procurou emprego, mas as portas fecharam-se-lhe umas atrás das outras. “Respondi a dezenas de anúncios, mas nunca fui chamada a uma entrevista. Nunca me deram uma oportunidade.”
“Fez das tripas coração” e foi trabalhar como empregada de mesa num restaurante em Matosinhos. O parco ordenado que recebia não chegava para pagar os estudos do filhos, manter o sustento da casa e pagar as despesas de saúde do mais novo. Quando teve de desembolsar quase dois mil euros para pagar a sua quota parte das obras no prédio,vendeu o carro. O dinheiro escoou-se rapidamente e quando foi diagnosticada ao filho mais velho uma grave doença hepática que o acabaria por levar à morte, Ângela baixou os braços.
“Deixei de ter força para lutar. Hipotequei a casa, cheguei a trabalhar quase 20 horas por dia, acumulando o trabalho no restaurante com serviços de limpeza, mas o dinheiro não dava para nada...Ver o meu filho morrer sem uma hipótese de transplante deixou-me arrasada. Lutei com todas as minhas forças e não consegui salvá-lo”.
Ângela tinha acabado de completar 52 anos e a morte do filho reflectiu-se no seu trabalho. Chegava atrasada, desleixava o serviço e o patrão, sem dó nem piedade, acabou por despedi-la. Sem recursos, perdeu o apartamento por não conseguir pagar a hipoteca. Um familiar, “com conhecimentos” na Câmara do Porto arranjou-lhe uma casa no Bairro do Cerco, para onde foi viver em 2003. Bairro problemático, mas com estilo de vida não de todo desconhecido para Ângela, que nascera em berço de pobres e pobre voltou a ser depois dos 50. Razões para não ter voltado a arranjar trabalho como economista, aponta várias.
“Tenho uma licenciatura, mas a verdade é que não tenho curriculo. Optei por trabalhar toda a minha vida numa empresa quase familiar para poder dedicar mais tempo à família, por isso nunca criei grandes laços com a classe. Fui fiel ao meu trabalho, às minhas raízes, às amigas que criei na fábrica quando trabalhava e estudava, e investi tudo numa vida familiar estável. Era feliz assim, não esperava que a vida me desse tantos pontapés. Hoje, o que me vale é o amparo do Carlitos (o filho). Não lhe consegui dar condições para ser advogado, ficou-se pelo liceu. Trabalha a recibo verde num centro comercial, sempre na incerteza do amanhã, vamos ver até quando isto dura e se consegue arranjar alguma coisa melhor”.
Quanto a Ângela, já não tem esperança em melhores dias, porque desistiu de viver. Posta perante a hipótese de arranjar um emprego aos 57 anos, responde sem hesitação:
“ Já sofri que chegue na minha vida. Agora, espero que a morte me devolva a felicidade que a vida me roubou”.
(este texto faz parte de um conjunto de reportagens que fiz para a revista "Dirigir" sobre o tema "Desemprego depois dos 50: vidas cheias de nada?")

Morning Call (8)


Em 2007, Nelly Furtado aceitou dar um concerto privado em Tripoli para a família de Kadhaffi, tendo recebido um milhão de dólares. Quatro anos depois, graças à erupção democrática na Líbia, a cantora luso-canadiana revelou que irá doar esse dinheiro, mas sem divulgar a instituição ( ou instituições) beneficiária(s) da sua generosidade.
Espero que, ao lerem esta notícia logo pela manhã, se comovam tanto como eu. Estou siderado com este despertar democrático de Nelly Furtado que, coitadinha, foi levada ao engano quando aceitou cantar para os Kadhaffi.
"Diziam-me que era um tipo porreiro e afinal é um ditador?"- inquiriu ela indignada.
" Nós também não sabíamos"- garantiram os seus agentes "Íamos lá imaginar que um tipo sempre tão bem tratado pelos líderes europeus e americanos e com uma excelente reputação na ONU era um ditador!..."
Aviso: Os blogs no feminino, hoje, chegam mais tarde...

Late night wander (51)

Não sou esquisito em termos alimentares mas, depois de ter deixado de comer cherne, por causa do Zé Manel,irei enjoar o coelho por causa do Pedro?