sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Fera Amansada


Eduardo Cintra Torres faz hoje uma curiosa e peculiar análise às contratações de Alberto Carvalho e Judite de Sousa pela TVI.
Na opinião de ECT, o objectivo da nova administração é acabar com a irreverência , independência e acutilância da informação da TVI. Não sei se ele se refere apenas aos tempos do “Jornal da Sexta” de Manuela Moura Guedes… sei é que a sua animosidade se centra em José Alberto de Carvalho, a quem apelida de asténico, no que revela ser mais comedido do que MMG que lhe chamou burro.
Não deixa de ser curioso, porém, que o alvo de ECT seja apenas JAC, reservando rasgados elogios a Judite de Sousa. Sinceramente, não compreendo como é que Paes do Amaral comete um erro deste calibre: convida para director de informação JAC, para “Amansar a fera” ( cito ECT) mas abre uma brecha na sua estratégia ao contratar Judite de Sousa que, sendo tão competente e independente, não se deixará manipular por esse terrível domador que é JAC, contratado para “apagar os traços de independência, acutilância e irreverência que a redacção da TVI aprecia”.
Há qualquer coisa que não percebo no raciocínio de ECT, mas isso também não interessa nada.Fico no entanto com uma dúvida: será que Júlio Magalhães se demitiu da TVI por não conseguir “Amansar a fera”, ou porque não gostava da independência e acutilância da informação da TVI ? Mas sobre a demissão do ex-director de informação da TVI, que obrigou à contratação de um novo director, ECT é omisso.
Sabem que mais? É pena não estar por cá a Brites. Punha logo tudo em pratos limpos!

Uma vida sobre rodas

Sentado à mesa de um café nos arredores do Redondo, Júlio Simões exibe triunfante a “manilha” de copas com que “cobre” o rei, e arrecada a “vaza”. Pega na esferográfica e desenha uma bolinha na extremidade de um segmento de recta, que assinala mais uma vitória no jogo de sueca. O marcador fixa-se nos 4 a 2, é altura de celebrar a vitória com mais uma rodada de imperiais paga pelos derrotados.
A vida de Júlio, 54 anos, não tem sido, no entanto, preenchida por vitórias. Pelo contrário... o destino derrotou-o numa noite em que regressava a casa para passar uns dias com a família, depois de uma viagem à Alemanha.
Rebobina o filme da sua vida numa tarde de sábado, pedindo aos colegas uma pausa para dar uma entrevista. “ Mas olhe que tem de ser rápido, porque eles estão raivosos e querem a desforra”. Cerca de uma hora depois, fica registado no meu gravador que começou a trabalhar aos 19 anos como ajudante de motorista. Três anos mais tarde já era ele a conduzir um dos camiões da empresa. As primeiras viagens eram curtas, não passando dos Pirinéus. A sua segurança na estrada e o zelo que punha no trabalho, depressa o levaram a ganhar a confiança dos patrões. As viagens passaram a ser mais distantes e mais frequentes. “Às vezes chegava a Portugal depois de uma viagem de 15 dias, descarregava, ia a casa dar um beijo à mulher e aos filhos e no dia seguinte já estava outra vez a conduzir o camião”.
Durante 31 anos, a sua vida foi passada num camião, calcorreando as estradas da Europa, fazendo cargas e descargas ao ritmo dos ponteiros do relógio. A idade ia avançando e desde os 45, todos os anos, pelo Natal, prometia à mulher que o ano seguinte ia ser o último a conduzir camiões. “ Eu era sincero quando dizia aquilo... Sentia-me mesmo cansado, mas não tinha jeito de arranjar outro trabalho que me permitisse continuar a pagar os estudos dos filhos e sustentar a casa. A minha mulher trabalhava como auxiliar numa escola lá do Seixal, mas nunca teve contrato e não sabíamos com o que podíamos contar. Ao menos o meu era certo, não podíamos ser os dois a arriscar...”.

As promessas de mudança foram passando de ano em ano, até àquela fatídica noite de Fevereiro de 2003. “Há quase uma semana que guiava 16 horas por dia e estava ansioso por regressar a casa. Devia chegar nessa noite, não fosse esse momento maldito!”
Já em solo pátrio, Júlio Simões parou no local do costume para jantar. Confessa que “bebeu um copito” e tomou uns cafés para “arrebitar”. Depois meteu-se à estrada a pensar no reencontro com a família, mas foi vencido pelo sono. Despistou-se, os prejuízos materiais foram avultados. Júlio foi parar a uma cama do hospital, onde soube que o companheiro de viagem morrera no acidente. “Nunca mais voltaria a ser o mesmo, depois de saber que tinha causado a morte de um colega, mas pensava que ficar retido numa cama durante mais de um ano e ter ficado incapacitado para o resto da vida era castigo que chegasse.” Mas não foi. Teve de enfrentar um processo de recuperação de mobilidade muito doloroso durante quase dois anos e, durante esse período, recebeu uma carta a comunicar que fora considerado culpado pelo acidente e por isso despedido “com justa causa”. Já estava tão magoado com a empresa, que nem pensou em recorrer aos tribunais.
O que mais me dói é que ninguém me foi ver, nem perguntar se precisava de alguma coisa. Ao fim de 30 anos sem um acidente, sem uma repreensão no trabalho, merecia um pouco mais de respeito.”
Arranjar emprego aos 54 anos está fora do seu horizonte. Como a mulher, entretanto, também ficou desempregada, optaram por regressar ao Alentejo, para a casa que fora dos sogros dele. Vivem da pensão de Júlio e das pequenas economias que conseguiram fazer ao longo da vida, porque a mulher apesar de ter sido auxiliar no Ministério da Educação, mais de 10 anos, não recebe qualquer subvenção do Estado. “Se não fosse as economias que fizemos, decerto que morríamos à fome. Aqui sempre gastamos menos que no Seixal. Os filhos de longe em longe vêm ver a gente e eu cá me entretenho a jogar às cartas e a beber uns copitos. A minha senhora de vez em quando também vai fazer umas limpezas ao monte de uns ricaços de Lisboa que lhe dão uns cobrezitos . Mas tenho que ter cuidado, porque sempre que chego a casa com um copito, a minha senhora diz que na próxima vez me põe na rua. E um dia põe mesmo!”
De cenho um pouco mais carregado, pelas recordações que acabara de me relatar,voltou a juntar-se aos amigos para a desforra. Fiquei a ver, à distância, durante uns minutos. Saí quando a voz de Júlio voltou a irromper no ar "Toma lá a manilha! Com esta enganei-te bem, macaco...". Seguiu-se uma sonora gargalhada. A vida de Júlio voltara à normalidade. Nos arredores do Redondo, para onde uma curva da estrada inopinadamente o atirou, num breve piscar de olhos.
Aviso: Mais um dos casos que fazem parte da reportagem que fiz para a revista "Dirigir" com o título: Desempregados, 50 anos. Um futuro cheio de “nada”?

Rescaldo da noite europeia

Não fosse o fatídico minuto 93 em Alvalade e estaríamos a celebrar o pleno das equipas portuguesas. Foi pena mas, mesmo assim, há razões para sorrir.

Bela vitória do Benfica em Estugarda, quebrando o enguiço de nunca ter vencido na Alemanha e um Braga que tremeu nos minutos finais, mas não caiu. Agora benfiquistas vão continuar a ser felizes em Paris, azuis e brancos talvez posam sorrir em Moscovo e o Braga fica à espera de um milagre em Liverpool. Siga a rusga...

Late night wander (46)

Depois de uma aturada investigação estou em condições de poder divulgar a razão de Pedro Passos Coelho ter dito a Judite de Sousa que ainda não estava na altura de ir ao pote.É que ele ainda usa fraldas!