quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Memórias do 23-F

Em 23 de Fevereiro de 1981, as cúpula militares da extrema-direita tentaram derrubar a ainda débil democracia espanhola, sequestrando o Congresso. Viveram-se horas de tensão e a democracia esteve fortemente ameaçada.
Trinta anos depois, Juan Carlos recorda os acontecimentos do 23-F e não deixo de comparar o seu discurso com as palavras de enfado de Cavaco Silva em cada 25 de Abril. Também são os chefes máximos de cada país que marcam a diferença entre Portugal e Espanha...
Alguns leitores do CR não viveram esse dia. É especialmente a pensar neles que aqui deixo este link do El Mundo, onde se explica, em video, como tudo se passou.

Desaparecidos


A ex- companheira de Pinto da Costa, que saltou das páginas das revistas cor de rosa para a imprensa diária, depois de uma noite no Jamaica onde teve como guias uns anfitriões benfiquistas foi, durante meses, a figura pública mais requisitada por uma certa imprensa que tinha como único objectivo incriminar o presidente do F.C. do Porto e desvalorizar as vitórias alcançadas pelos azuis e brancos.
Durante aquele período foi classificada por Maria José Morgado como uma testemunha fiável no processo “Apito Dourado”, com direito a segurança privada paga pelos contribuintes. Cada vez que abria a boca, jornalistas ávidos estendiam-lhe o microfone que ela abocanhava com deleite. Tornou-se colunista do “Correio da Manhã”, escreveu um livro e apresentou-se em tribunal como escritora, esteve quase a ser protagonista de um filme de ficção realizado por João Botelho mas, quando os juízes começaram a perceber que aquela cabeça era habitada por muita fantasia, Carolina teve um acidente durante a madrugada e isolou-se no Alentejo, em casa de um amigo (…)
Quando o Apito deixou de apitar, a Vidente do Monte da Virgem saiu de cena. O realizador desinteressou-se, porque o argumento era demasiado fraco, a “ghost writer” que a ajudou a escrever o livro, abandonou a ideia de um segundo volume, porque o Barbas não estava disposto a embarcar na compra de mais uma telenovela rasca e Carolina passou lentamente ao anonimato.
Como convém nestas situações, as sucessivas condenações em Tribunal por perjúrio, falso testemunho, desvio de dinheiro e outras habilidades, foram reproduzidas pela imprensa em notas de rodapé e praticamente silenciadas na restante comunicação social. Perdeu-se uma figura do jet set com um futuro promissor. Que pena!
Talvez um dia destes a vejamos no “Portugal Tem Talento”.

A Liberdade passou por aqui...

Faz hoje 24 anos que nos deixou a voz de Abril. Mais do que a voz de uma geração, foi a voz de um povo. E isso faz toda a diferença...
Porque o momento é propício, deixo-vos com a letra ( não encontrei o video) de "Os Fantoches de Kissinger"

"Em toda parte baqueia
A muralha imperialista
Na ponta duma espingarda
Os povos da Indochina
Varrem da terra sangrenta
Os fantoches de Kissinger

Mas aqui também semeias
No pátio da tua fábrica
No largo da tua aldeia
A fome, a prostituição
São filhas da mesma besta
Que Kissinger tem na mão

Valor à Mulher Primeira
Na luta que nos espera
Só não há vida possível
Na liberdade comprada
Na liberdade vendida
A morte é mais desejada

A NATO não chega a netos
Abaixo o hidrovião
Na ponta duma espingarda
O Povo da Palestina
Mandou a Golda Meir
Uma mensagem divina
Da CIA não tenhas pena
Tem carne viva nas garras
É a pomba de Kissinger

Toda a América Latina
Se lembra das suas farras
A mesma tropa domina
A mesma tropa domina
Só um é embaixador
Mas nada nos abalança
A dormir sobre a calçada
Faz como o trabalhador
Dorme sobre a tua enxada
Faz como o atirador
Dorme sobre a espingarda"

Democracias "fast food"

Ecoam pelo mundo ocidental Hossanas às revoltas populares na Tunísia, no Egipto, na Líbia ou no Iémen. Há até quem meta no mesmo saco o Bahrein, desconhecendo que ali a luta se trava noutro tabuleiro.
Acredita-se no ocidente que, de um dia para o outro, regimes opressivos e totalitários se transformarão em democracias esplendorosas, restituindo aos povo oprimidos a almejada liberdade.
Sou um céptico. É óbvio que não fico indiferente à luta daqueles povos e torço para que consigam viver em democracia, mas acredito tanto nas democracias fast-food, como no regresso de D. Sebastião numa manhã de nevoeiro. Os contos de fadas já não me fazem sorrir nem sonhar com a “Bela Adormecida” ou sapos que viraram príncipes pela força de um beijo redentor. Tenho pena… mas é a realidade contada pela História que me interessa e não o mundo da fantasia.
Ainda é cedo para grira vivas. As democracias não se constroem em dias, nem em meses. São precisos muitos anos. Em Portugal, 36 anos depois de Abril, ainda estamos longe de viver em democracia plena. Para haver democracia, é necessário cultura democrática e os portugueses estão ainda longe de saber o que isso é. Se tivessem cultura democrática, não praticariam como desporto favorito, a evasão fiscal; os governos não recorreriam a truques para branquear as contas e com transparência diriam como aplicam os nossos impostos. Se houvesse cultura democrática a comunicação social não se deixava manipular por forças políticas, nem andaria a brincar com o foto-shop para fazer primeiras páginas que enganam os leitores.
Admito que quem reduza a democracia à liberdade de expressão e ao direito de voto, ignorando que, antes de mais, é responsabilidade, cidadania e ética, ande entusiasmado com o que se está a passar a Oriente. Temo, porém, que daqui a pouco tempo sofram uma desilusão.
Em sociedades sem consciência democrática, quem estiver melhor preparado politicamente pode ascender ao poder sob a capa da democracia, alegando que conquistou o poder pelo voto. Aconteceu isso em alguns países do Leste Europeu depois da queda do bloco soviético. São ditaduras mascaradas de democracias. No Irão, depois de o Xá ter sido derrubado, seguiu-se um regime sanguinário que ainda hoje detém as rédeas do poder e ameaça o mundo.
Depois, há aquele pequeno pormenor de a Europa ser neste momento liderada por conservadores que põem os interesses económicos dos seus países à frente do dever de apoio aos povos que aspiram à liberdade.
Os europeus não hesitarão em apoiar uma democracia de fachada que não ponha em causa os seus interesses. Aceitá-la-ão com a mesma hipocrisia com que aceitaram os ditadores agora derrubados. O que nunca tolerarão é que sejam os povos daqueles países a decidir livremente porque sabem que a democracia que pretendem, não é igual àquela democracia liofilizada que o Ocidente pretende exportar em "perigos e guerras esforçado". Não vem em receitas nos livros da colecção Salgari, nem é proclamada a partir da Casa Branca. E isso é "um perigo" que a Europa actual a todo o custo pretende evitar.

Morning call (5)

À partida, parece uma boa notícia. A Câmara Municipal de Lisboa, por iniciativa do vereador José Sá Fernandes, vai transformar a Av. Duque d’Ávila , desde a Gulbenkian ao Arco do Cego, numa zona de lazer. Aí haverá uma ciclovia (praticamente concluída) e despontarão esplanadas, já na próxima Primavera. Os estabelecimentos da zona, interessados em abrir esplanadas, estão isentos de taxas durante um ano.
Acontece que trabalho na zona e tenho algumas dúvidas quanto aos resultados desta boa proposta camarária. A Duque d’Ávila tem muitos restaurantes mas, na sua esmagadora maioria, de fraca qualidade. Assim, ou os estabelecimentos da zona investem na sua modernização e melhoram o nível da oferta, sem recorrer a preços exorbitantes, ou a iniciativa redundará num fiasco.
Também fica por saber o horário de funcionamento. Se encerrarem ao final da tarde, como a maioria dos estabelecimentos da zona, a maioria dos lisboetas nem se vai aperceber desta nova oferta que Lisboa lhes proporciona. Aguardemos. Na expectativa de confirmar tratar-se de uma boa notícia.

Late night wander (44)

Se o povo não tem dinheiro para ir à praia, vai a praia ao encontro do povo.