terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Caderneta de cromos (25)


Alexandre Soares dos Santos, também conhecido por sr. Pingo Doce, aaproveitou uns minutos de antena concedidos pelas televisões para mostrar que é um ser humano repugnante. Para quem o quisesse ouvir, afirmou: "Andam a discutir essa porcaria do salário mínimo..." e, a partir, daí desatou desancar Sócrates. Está no seu direito. Vivemos num país livre onde, apesar de alguns patuscos convocarem manifestações para protestar contra a liberdade de expressão, cada um utiliza os tempos de antena generosamente concedidos pelas televisões para desabafar.
Vivemos um período sui generis. Quem quer dizer mal do governo e denegrir os trabalhadores, tem os microfones estendidos como uma passadeira vermelha, mas quem quiser desmontar as patacoadas, não tem as mesmas possibilidades.
O problema é que apesar de se apresentar como uma pessoa acima de qualquer suspeita, cumpridor das leis, mas amargurado pelo facto de ser mais bem visto na Polónia do que em Portugal, o sr. Alexandre tem telhados de vidro e também faz uns truques.
Agora chega a notícia das acusações da federação sindical europeia, sobre práticas abjectas do patrão do Pingo Doce em relação aos trabalhadores.
O sr. Santos não é apenas um daqueles merceeiros rascas que rouba os clientes, porque tem uma balança deficientemente aferida. Desrespeita também os mais elementares direitos dos trabalhadores.
Fica nesta caderneta de cromos com o nº 25. Número que fica bem a merceeiros, habituados ao quarteirão. O seu cromo será devidamente embrulhado em papel suficientemente macio para que todos limpemos o rabo às suas trombas.
Pessoalmente, tomei uma decisão: nunca mais gasto um cêntimo nos supermercados Pingo Doce.

Desencontros


Há meses que ansiava conhecê-la. Quando via a fotografia no jornal, encabeçando o artigo semanal que ela escrevia, sentia o coração bater-lhe com mais força. Tentou engendrar uma maneira de a conhecer. Enviou algumas crónicas (péssimas, porque não tinha o dom da escrita, mas pediu ajuda a um amigo) propondo uma colaboração. Recebeu uma carta a agradecer, onde lamentavam a indisponibilidade financeira do jornal para pagar a mais colaboradores.
Uma noite, no bar onde costumava reunir-se com alguns amigos, bebeu mais do que o habitual. Estranharam a sua embriaguez. Nunca o tinham visto em tal estado. Confessou, em voz entaramelada, que sofria de mal de amor. Um amor cego que o torturava há meses, mas que se recusou a identificar.
Entrou um amigo que não via há tempos. Vinha encontrar-se com uma amiga. Sentou-se com ele ao balcão para uma última bebida. Quando a porta se abriu e ela entrou, estremeceu. Fizeram-se as apresentações. Ela sorriu o sorriso mais lindo que ele alguma vez vira. Tentou retribuir. Desajeitado, entornou o copo e o líquido derramou-se sobre o vestido dela. Tentou desculpar-se, mas ela percebeu o seu estado. Lançou-lhe um olhar de desprezo e comiseração e puxou o amigo para uma mesa. Ainda a ouviu perguntar " De onde é que conheces este bêbado?".
Regressou a casa amaldiçoando a má sorte. Tanto tempo à espera, para a encontrar na pior altura. Prometeu nunca mais voltar a beber.

Morning call (4)

Existe em Portugal um banco onde não há dinheiro a circular, mas há cheques, movimentos de conta, créditos e débitos. No Banco do Tempo a moeda em circulação divide-se em minutos e horas e o objectivo é fomentar a entreajuda. Se quer saber como funciona, leia aqui

Late night wander (43)

Se o Paris- Dacar passou a ser disputado na América do Sul, por razões de segurança, por que razão a FIA não coloca a hipótese de disputar o GP do Bahrein em Portugal?