sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quando os caçadores são vesgos...

Já aqui referi que os estudos, tal como as estatísticas, podem ter interpretações diversas, consoante o fim que se pretenda alcançar. Há uma certa tendência para a comunicação social os veicular de forma desleixada, ao sabor das circunstâncias e sem informar os leitores da sua substância. Foi o que aconteceu neste caso, muito bem desmontado pela Estrela Serrano.
Quando o caçadores são vesgos, arriscam-se a falhar a pontaria...

Quem quer ser milionário?

A moção de censura do BE faz-me lembrar um daqueles concorrentes do "Quem quer ser -Milionário- Alta Pressão" que confessam não ir lá pelo dinheiro, mas apenas pelo prazer de participar... Já o PSD, faz-me lembrar o concorrente fanfarrão que queria ganhar 100 mil euros, mas teve de se contentar com uma nota de 500, porque falhou a última pergunta.

Foi-se!

Os egípcios celebram nas ruas a entrada na era 2.0
Será?

Esquina da memória (15)


Como jornalista, fui sempre escravo das palavras. Ou melhor: escravo dos espaços por elas ocupados. Muitas vezes me amputaram textos, porque não cabiam no espaço das publicações. Foram prosas mutiladas. Não pela ditadura censória, mas pela regra espartana do espaço. Por vezes revoltei-me, porque o corte amputava os textos da sua faceta sensitiva, tornando a reportagem demasiado fria e assertiva; outras vezes anuí com indiferença e sem qualquer reparo. Nestes casos os textos eram geralmente apenas noticiosos . Quando um editor acredita que cortar um pequeno (ou grande) detalhe na notícia não tem qualquer importância, para quê contrariá-lo?
Como editor , passei a ser algoz em vez de vítima. Também obriguei autores a cortarem os seus textos, tornei-me intransigente no domínio do espaço de uma publicação. Por vezes custava-me fazê-lo, porque sabia que estava a obrigar os autores a mutilar o seu trabalho apenas por uma questão de espaço. Outras vezes fi-lo por dever profissional. Ou porque os textos eram tão minuciosamente explicativos, que se tornavam enfadonhos; ou porque o autor fazia introduções demasiado longas; ou simplesmente porque eram demasiado grandes para as características da publicação. Nestes casos, procurei sempre explicar ao autor que o excesso de adjectivação, as descrições demasiado elaboradas, as introduções disperrsivas, não cabem no espaço de uma publicação periódica e, quando se trata de livros, podem contribuir para o desinteresse do leitor. Normalmente, recorro ao “Pêndulo de Foucault” e à minha experiência pessoal com aquele livro. É, em minha opinião, o melhor livro de Umberto Eco, mas só consegui lê-lo à enésima tentativa, depois de ultrapassar a barreira das entediantes primeiras 60 ou 70 páginas. Uns ficam convencidos perante a minha argumentação, outros nem por isso. Mas já deu para perceber que não foram muitos os que leram o “Pêndulo”.
O único conselho que prometera nunca dar a ninguém, porque também não aceito que me dêem, é que deve escrever textos mais curtos, senão ninguém lê. Ouvir isso é insuportável . Dizê-lo é falta de senso. Um dia destes dei por mim a aconselhar alguém a escrever textos curtos, porque senão as pessoas não lêem. Devo caminhar a passos largos para a senilidade...
Todo este arrazoado para vos dizer que uma das coisas que me delicia na blogosfera é a liberdade de poder escrever sem preocupações de espaço. Sei que textos muito longos podem ser desmotivadores para quem me visita, mas também sei que se alguns desistem de ler um determinado post, muito provavelmente voltarão no dia seguinte para ler outro, porque são leitores fiéis. No caso de se tratar de um leitor que visita o Rochedo pela primeira vez, um post longo pode desmotivá-lo, mas logo a seguir encontra outros posts mais curtos e incisivos, dos quais pode gostar e o levam a tornar-se um leitor fiel.
A inversa ( gostar mais de posts longos) também é verdadeira, por isso os blogs têm essa inegável vantagem de poder agradar ( ou desagradar) a uma vasta audiência, criando um equilíbrio e oferecendo diversas opções aos leitores. É mais ou menos o que acontece com os livros de contos. Uns agradam a um tipo de leitores, outros serão mais apreciados por um público diferente. Há, porém, possibilidade de captar a atenção de mais leitores. O mesmo acontece com um cronista. Até Lobo Antunes- que muito aprecio- tem crónicas menos boas, mas não é por isso que deixo de ler todas as quinzenas as suas crónicas da Visão.
Os blogs não escapam a estas regras. Tenho a certeza que muitos leitores que diariamente me visitam saem por vezes daqui com alguma frustração a pensar “hoje só lá fui perder tempo” ou que grande seca de post”. Provavelmente, alguns pensarão isso deste, quando acabarem de ler.
Sei que não é possível agradar a todos, mas esse também não é o objectivo primeiro de um blog. Pelo menos para mim, o objectivo é escrever sobre o que me dá na real gana, exprimir através das palavras o que me vai na alma. Se conseguir “agarrar” as pessoas, tanto melhor. Caso contrário tenho pena, mas creio que não devo coibir-me de escrever sobre o que me apetece, com medo de desagradar a alguns leitores, porque este é o meu espaço de liberdade total . Essa preocupação fica para os jornais e revistas onde trabalho. O blog é apenas prazer em estado puro.
Como disse há dias Lobo Antunes, " escrever e ler são uma forma de recusar a morte". Espero que compreendam.

Realmente, vale a pena pensar...

Bibi veio há dias dizer, numa entrevista, que tinha mentido e incriminado pessoas no processo Casa Pia, que estavam inocentes. Abstive-me de escrever sobre o assunto, mas não deixei de interrogar os meus botões sobre as razões que levaram tanta gente a confiar cegamente nas declarações incriminatórias de Bibi e a acusá-lo imediatamente de mentiroso e vendido, quando ele veio dizer que as suas primeiras declarações eram falsas.
Trago agora o assunto à colacção depois de ler um artigo de Pedro Adão e Silva no "Expresso", de que tive conhecimento aqui.
Vale realmente a pena pensar no que o autor escreve. Não apenas a propósito do caso Casa Pia, mas também de outros casos de justiça que a comunicação social mediatizou, apresentando como culpadas, pessoas que podem realmente estar inocentes.

Late night wander (34)

A violência doméstica em Portugal está banalizada. Qual é o espanto? Afinal este país não nasceu depois de um conde ter dado uma tareia na mãe e se proclamar rei?