quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ora dêem lá a vossa opinião, sff!

Na sequência deste post lembrei-me de vos perguntar. Será justo que um dirigente de um organismo com 50 pessoas, ganhe o mesmo que outro com 500 funcionários? Já agora, a mesma pergunta em relação a directores de serviços e chefes de divisão. Finalmente, uma última questão: faz algum sentido que haja directores de serviços que "dirijam" apenas um funcionário? Não seria mais lógico que o governo começasse a poupar, cortando nas chefias que apenas existem para satisfazer clientelas?

Desaparecidos


Em Julho de 2008, um grupo de militares disfarçados de guerrilheiros das FARC entrou de helicóptero na zona onde estavam os reféns e resgatou-os. Entre eles encontrava-se Ingrid Betancourt, candidata às eleições colombianas em 2002, raptada pelas FARC durante uma acção de campanha eleitoral.
A cena do resgate correu mundo e Ingrid apareceu em jornais e televisões como uma heroína. Por coincidência, nesse mesmo dia, o candidato republicano à presidência dos States, George Bush, estava de visita à Colômbia.
Na altura, comentando o aparatoso resgate , digno de um filme de Hollywood ( mas curiosamente sem que um único tiro fosse disparado…) lancei um apelo aqui no CR:
“Bem, eu até gosto de contos de fadas, mas já estou um bocadinho crescido para acreditar nelas... Contem lá a história verdadeira, vá...”
Semanas mais tarde, a imprensa espanhola escrevia que aquela encenação toda, teria permitido às FARC embolsar mais de 20 milhões de dólares. Pagos por Uribe, mas custeados por Bush.Um preço demasiado baixo, apesar de tudo, para a estratégia concebida por Bush. Promover a imagem do seu amigo Uribe e desacreditar Chavez.
Passaram dois anos e meio. A heroína Bettencourt escreveu um livro – que alguns dizem ser pura ficção e foigalardoada pelo CR com o Escorpião de Ouro para a Melhor Encenação de 2008. Depois saiu de cena e ninguém mais falou dela, a não ser esporadicamente, para fofocar sobre uns amores escaldantes que estaria a protagonizar. Mas isso foi por cá. Lá por fora continua a falar-se dela. Consta que de heroína afinal teve pouco… Em Portugal, talvez regresse às notícias numa manhã de nevoeiro, com D. Sebastião no regaço.

Oremus

Este homem, tão honesto que já nasceu três vezes, está doente e o juiz dispensou-o de comparecer em Tribunal. Rezemos pelo seu rápido restabelecimento.

O regabofe das reformas

Quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva permitiu ( pelo menos aos funcionários públicos) acrescentarem até cinco anos à sua actividade profissional, desde que declarassem ter trabalhado durante esse tempo, no sector privado, sem fazer descontos. Feita a declaração, esse tempo passava a contar para a reforma.
Não vivia em Portugal na altura, mas afiançaram-me que o processo era extremamente simples. Bastava alguém apresentar-se com uma testemunha, nos serviços da Segurança Social, que afiançasse serem verdadeiras as declarações prestadas. Depois, passava a descontar no seu vencimento uma percentagem para pagamento desses anos. Conheço casos de pessoas que afiançaram ter começado a dar explicações aos 16 anos e descontaram sobre o que auferiam nessa actividade, durante os anos qque muito bem entenderam.

Garantem-me que nessa época era comum as pessoas perguntarem umas às outras”Então quantos anos compraste?”.
Graças a este processo, houve muita gente que conseguiu reformar-se com 50 e poucos anos e partir para uma nova vida, com uma reforma no bolso por inteiro. Não sei se ainda com Cavaco, mas seguramente com António Guterres, outra medida veio facilitar o processo de reformas dos funcionários públicos e torná-las mais atractivas. Quem, nos últimos 3 anos antes da reforma, ocupasse, por exemplo, um lugar no Conselho de Administração de uma empresa pública, ou certos cargos de chefia, na Administração Pública, poderia reformar-se praticamente com a totalidade do vencimento auferido nesses três anos, graças a uma fórmula adoptada para as reformas, que privilegiava os últimos anos de carreira. Também os notários podiam reformar-se com o valor obtido no último mês de actividade, engordando assim substancialmente a sua reforma.

Foi assim em anos de “vacas gordas”. Manuela Ferreira Leite acabou com estas prebendas e congelou os salários. Mas repor a situação normal já não era suficiente para assegurar as reformas e pensões dos portugueses. Por isso Sócrates teve de cortar a direito, alargando a idade da reforma para os 65 anos e aumentando o número de anos de trabalho.
Ninguém nos governos responsáveis por este regabofe foi preso por tomar medidas que puseram em risco a sobrevivência das pensões das gerações futuras. Hoje, a idade da reforma é cada vez mais alargada ( não tarda, por imposição de Sarkozy e da senhora Merkel só será possível um trabalhador reformar-se aos 67 anos) e as retribuições são cada vez mais pequenas.
As desigualdades são gritantes. Enquanto alguns funcionários públicos se reformaram com pouco mais de 50 anos e 35 anos de serviço, recebendo a reforma por inteiro,a maioria assinou contrato com o Estado na expectativa de se reformar ao fim daquele tempo e vai ser obrigado a trabalhar 40 anos, e mais, para receber reformas mexerucas.
Entretanto, há meses, foram descobertos dois funcionários da segurança social que arranjavam esquemas que permitiam aumentar os anos de exercício de actividade profissional, garantindo uma reforma mais temperana e rentável. Cobravam até 500€ por ano “acrescentado” fraudulentamente. Não sei o que lhes terá acontecido.E ainda há quem diga que somos todos iguais...

Não, não foi no Irão... foi no Bangladesh

Provavelmente foi distracção minha, mas não vi ninguém insurgir-se contra o governo democrático do Bangladesh por causa da morte desta criança de 14 anos.

Late night wander (33)

Se Portugal fosse um tabuleiro de xadrez, estaria entusiasmado com este jogo táctico dos nossos políticos. O jogo psicológico das aberturas de Sócrates e Passos Coelho, a tentativa de xeque -mate ao BE, a desorientação de Paulo Portas perante a inesperada agressividade de Coelho, ou o roque de dama decidido por Jerónimo de Sousa, logo contrariado por Honório Novo, seriam movimentos que seguiria com todo o interesse. Mas como Portugal é um país e detesto fazer figura de pião sacrificado em função das estratégias de bispos, cavalos e reis momos, o que mais me apetece é mandá-los jogar crapô.