segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Trabalhadores do Comércio (remake)

Se este episódio porventura ocorresse em Portugal, logo o gerente do banco invocaria os "Trabalhadores do Comércio" e começaria a rosnar a canção " Chamem a Polícia..."

A figura da semana


António Lobo Antunes não precisa de apresentações. Nem que dele se faça, em traços largos, uma resenha de vida. De António Lobo Antunes, ou se gosta, ou se detesta. Já fui fã, já corri a comprar os seus livros, para os devorar sem interrupções da primeira à última página, hoje sou menos entusiasta. Mas continua a ser, para mim, um dos grandes nomes da nossa literatura , só comparável a Saramago.
Destaco-o como figura da semana em homenagem à minha amiga Petra W, que me telefonou há dias de Paris. Esteve lá uma semana, foi propositadamente para assistir a alguns espectáculos dedicados à obra de Lobo Antunes,no teatro MC 93, em Bobigny (norte de Paris).
A homenagem que lhe está a ser prestada na capital francesa coincide com o lançamento, em França, do livro “O Meu Nome é Legião”. É a consagração de um autor português por vezes mal amado em Portugal, porque escapa aos cânones da intelectualite bem pensante.Muitos não lhe perdoam o distanciamento, outros não lhe aceitam a sobranceria, mas ninguém pode negar o prestimoso serviço que prestou à nossa memória histórica, em África. Por muito que isso fira as susceptibilidades encadernadas de alguns sectores militares, Lobo Antunes deixa-nos como legado aquilo que muitos não querem ver e se recusam a aceitar. E a verdade é que em África nunca fomos bons rapazes, por muito que isso custe a uns quantos que persistem, teimosamente, a defender que a guerra colonial foi um episódio glorioso da nossa História.

Missing you

Pego no telemóvel.Consulto a lista. Não tenho coragem de apagar o nome de um amigo com quem nunca mais terei o prazer de falar. Dizem-me que é a vida. Mas que porcaria de vida é esta que nos priva, abruptamente, da convivência com aqueles que percorreram connosco uma parte importante do nosso caminho, sem sequer nos dar direito a dizer-lhes adeus?
Vou continuar a ligar-te para combinar jantares, copos ao fim da tarde, passeios à beira-mar. Um dia, um anjo há-de atender o telefone e dir-me-á, certamente mal disposto, " O J. agora não pode atender".
Pedirei para deixar uma mensagem:
" Resististe 15 anos a uma doença maldita e agora deixas-nos de repente sem avisar? Logo tu, que chegavas sempre atrasado a qualquer encontro, foste marcar encontro antecipado com a morte? Vou apagar o teu número de telefone da minha lista de contactos, meu sacana!"