sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Rochedo das Memórias (128)- 4 de Fevereiro


Faz hoje 50 anos que começou a guerra colonial em África. França e Inglaterra já tinham feito a descolonização efectiva, mas Salazar preferiu fazê-la apenas no papel, mudando simplesmente a designação de colónias para "províncias ultramarinas".
Apesar de o assalto do MPLA às instalações da Emissora Nacional e à cadeia de S. Paulo em Luanda ter fracassado, esse dia 4 de Fevereiro marcaria o início da guerra colonial em África. Na véspera. Harold Macmillan tinha dito no parlamento sul-africano " Sopram ventos de mudança através deste continente e, quer gostemos,quer não, a consciência nacional ( em África) é um facto político".
Parece que tinha razão... No mês seguinte a UPA (que mais tarde assumiria a designação de FNLA) levaria a cabo vários ataques no Norte de Angola.
Salazar reagiria num discurso inflamado em que deixou bem patente a sua intransigência para uma negociação política, ao proclamar "Para Angola, rapidamente e em força".
Novas frentes se abririam, porém, na Guiné (1963) e em Moçambique (1964).
O panorama social português vai mudar substancialmente. Enquanto muitos jovens emigram para fugir ao cumprimento do serviço militar, outros partem para África, deixando no cais famílias lavadas em lágrimas e levando consigo, como recordação, a fotografia da namorada, guardada entre as páginas da Salut Les Copains. Nasce uma nova consciência na geração de 60.
Mas sobre o ano de 1961, ainda teremos muito para recordar em novos capítulos do "Rochedo das Memórias" cuja publicação retomarei brevemente num novo formato.

Step by step


Há dias o Miguel Esteves Cardoso, numa das crónicas diárias do “Publico”, manifestava o seu deslumbramento por um podómetro que comprara numa loja especializada em artigos de desporto. Li a crónica com um sorriso nos lábios, mas também com alguma nostalgia.Com um sorriso porque, tal como ele, também eu, durante muito tempo, chamei “pedómetro” ao podómetro e só corrigi o erro quando alguém me avisou (tal com a ele) que o nome técnico do aparelho que mede os passos é podómetro e não “pedómetro” ( embora também seja possível encontrar no dicionário a palavra pedómetro, com o mesmo significado).
A crónica do MEC também me provocou alguma nostalgia, porque tenho um podómetro, herdado do meu pai, que ainda hoje utilizo para medir os passos percorridos diariamente. Tendo o meu pai falecido há 30 anos, facilmente deduzirão que o meu podómetro é um aparelho muito rudimentar, quando comparado com alguns modelos hodiernos, dotados de tecnologias sofisticadas, incluindo rádio e MP3.
Para além do valor estimativo, o podómetro que herdei do meu pai, comprado na Rua das Flores, continua a cumprir plenamente a sua função: medir os meus passos diários. As mesmas funções que desempenha o podómetro do MEC, comprado numa loja especializada.
Pode parecer um exercício inútil medir os passos que percorremos diariamente. Não é bem assim. Não sendo apreciador do ambiente dos ginásios, nem estando disposto a pagar as quantias exorbitantes que eles cobram, para poder castigar o corpo em exercícios que considero dispensáveis, optei há muito pelas caminhadas ( progressivamente fui abandonando as bicicletadas) para manter o físico em níveis mínimos de sobrevivência saudável. Prefiro mil vezes passear à beira-mar, na Quinta das Conchas, ou pelas ruas de Lisboa, do que enfiar-me num ginásio, de onde saio invariavelmente estafado e com a sensação de ter sido vítima de uma punição.
Passear dá-me prazer e, afiançam-me os médicos, é um exercício muito saudável. De qualquer modo, este exercício alternativo também tem regras. Quando o comecei a praticar para além do mero prazer, fiquei a saber que três mil é o número de passos dados diariamente por uma pessoa sedentária. Chegar aos cinco mil, significa que não ficou à espera que a mulher lhe trouxesse a cerveja ao sofá, enquanto está refastelado a ver o jogo de futebol na televisão e que almoçou a mais de 200 metros do emprego. Aos sete mil e quinhentos, já se pode dizer que o cidadão se mexe um bocadinho, mas só a partir dos 10 mil está em condições de poder dizer que caminha o suficiente para poder ser considerado um cidadão activo.
Excepto em dias de muita chuva e nos fins e semana de Inverno, ultrapasso com normalidade os 10 mil passos diários. A partir da Primavera, aos fins de semana, chego com facilidade aos 20 mil, especialmente quando pela manhã vou pelo paredão até Cascais, para comprar o jornal. Quando estou em turismo em cidades que me encantam, ultrapasso com frequência os 50 mil passos. Não julguem que é demais, é perfeitamente atingível, sem grande esforço e até com muito prazer, chegar a estas marcas. O grande problema é que à medida que se vai caminhando, habituamo-nos a dar passadas cada vez mais largas e, a partir de determinada altura, não há mulher que queira passear connosco.
Já agora… quantos passos é que vocês dão por dia?

E que tal ir apanhar gambozinos?

Tive de aplaudir, de pé, este post do sr. Luís.
Canção de intervenção lhe chamava ontem uma entusiasmada jornalista da RTP. Ana Bacalhau bem tentou explicar que não era nada disso e nem estavam à espera do tremendo sucesso mas a jornalista, entusiasmada e imberbe, insistia que a canção é "o hino de uma geração"! O editor (de imagem?) deu uma ajuda à opinativa jornalista e colocou um excerto de Zeca Afonso, em jeito de comparação.
Não há pachorra!

Late night wander (29)

Gostava tanto de música, que quando ouvia falar de juros da OT, pensava que estavam a referir-se à Operação Triunfo.