segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Para avivar a memória

Moubarak só ao fim de 30 anos se lembrou que existe uma coisa chamada democracia. O mesmo tempo que os países ocidentais demoraram a recordar ao presidente egípcio que, apesar de tudo, a democracia existe. A todos recomendo Fosgluten

Figura da semana

Sheikh Hasina
Reeleita primeira- ministra do Bangladesh em 2008, Sheikh Hasina foi galardoada pelo governo indiano com o prémio Indira Gandhi, como reconhecimento pelo seu contributo para a paz e democracia, durante o seu primeiro mandato, entre 1996 e 2001.
Afastada do poder nas eleições de 2001, viria a ser alvo de um atentado em 2004, que mataria muitos dos seus apoiantes. Escapou ilesa, como acontecera em 1975. Nesse ano a sua família foi dizimada por uma facção do exército, tendo escapado do massacre, por estar com a irmã em visita à Alemanha.
Em 2007 foi acusada de envolvimento na morte de um influente empresário do Bangladesh. Viria a ser libertada e, em 2008, voltou a ser nomeada primeira-ministra, depois da vitória esmagadora da Liga Awami.
Talvez movida pela vontade de demonstrar que a atribuição destes prémios tem um mérito relativo, Shakira Hasina decidiu comprar uma guerra dentro do seu próprio país. O visado é Muhammad Yunus, o criador do microcrédito e do banco Grameen, que manifestou a intenção de criar um partido político. Hasina não terá gostado e, desde então, começou a mover uma perseguição a Muhammad Yunus, a quem acusa de ter desviado fundos destinados ao Grameen Bank para auxílio humanitário.
A inexistência de irregularidades veio a ser confirmada pela agência Norad, que disponibilizara essas verbas, e pelas próprias autoridades norueguesas, mas Hasina ordenou que o caso fosse investigado pelas autoridades do Bangladesh.
Defensora do microcrédito como sustentáculo para a sua política de erradicação da pobreza no Bangladesh, Hasina é hoje uma crítica feroz do Grameen Bank e, segundo alguns analistas, pretende transformá-lo num banco estatal. O objectivo será eliminar a influência de Muhammad Yunus que, entretanto, desistiu da formação de um partido, mas se vê obrigado a enfrentar a justiça do seu país.
Aviso: as minhas escolhas para figura da semana, nada têm a ver com os acontecimentos que ocorreram na semana anterior. São apenas pessoas, cujas histórias decidi trazer aqui, em breves linhas. Uma por semana...

Sonhos cruzados


Acordou a meio da noite sobressaltada. O companheiro andava ausente em trabalho há três dias e ela sonhou que ele tivera um acidente e estava internado no hospital. Passou o resto da noite em claro, hesitando em telefonar-lhe. E se tudo não passasse de um pesadelo? Às oito da manhã telefonou-lhe. Não lhe contou do sonho. Só queria dizer-lhe que o amava e tinha saudades.
À hora do almoço ele telefonou-lhe. Contou-lhe que sonhara com ela. Estavam os dois a namorar numa praia deserta. Distante. Ela suspirou. Ele disse que regressaria a casa nessa mesma noite. Quando chegou , ela não estava em casa. Estranhou. Ligou-lhe, mas ela não atendeu o telemóvel. Serviu-se de um whiskey. O telefone tocou. Era do hospital. A companheira estava internada.Tivera um acidente grave.

Santa Bárbara


Diz o povo que as pessoas só se lembram de Santa Bárbara quando troveja. Acontece o mesmo em relação ao Estado. Todos gritam "menos Estado, melhor Estado" Mas o que fazem quando o Estado defende o interesse dos contribuintes cortando nos subsídios às escolas privadas, de forma a igualá-los com o sector público? "Aqui d'el Rei que o Estado está a roubar-nos".

Depois ainda há aqueles patuscos para quem o Estado deve servir para pagar as custas judiciais dos seus crimes.

E há os empresários que vivendo quase exclusivamente de serviços prestados ao Estado, não querem que o governo interfira no negócio, porque lhes está a tirar privilégios.

Há ainda aqueles, como Manuela Ferreira Leite, que reclamam o corte dos salários dos trabalhadores, mas protestam e recorrem à litigância, argumentando que a obrigatoriedade de optar entre o salário público e as reformas, não lhes é aplicável.

Valha-nos Santa Bárbara! Eles ainda não perceberam que o Estado somos NÓS

Late night wander (25)

O milagre irlandês, tão elogiado por Paulo Portas e apontado como exemplo a seguir por Portugal, transformou-se num filme de terror. Depois da chegada do salvador FMI, aumentou o desemprego,a pobreza e começaram as convulsões sociais. Está mais do que provado que a direita quer o melhor para Portugal e tem as soluções adequadas.