quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O ilusionista de Trapalhândia- Epílogo

Até às legislativas, fofoquices e intrigas animaram os bastidores do palácio do Belo-Além. Pelo meio, uma viagem a Praga que fez recordar a Viagem do Elefante, Hannibal cumpriu a promessa de levar Maria à Capadócia e, finalmente, os preparativos para a campanha de reeleição.
Quando Hannibal reuniu os seus assessores para lhes comunicar que se iria recandidatar logo foi confrontado com a questão:
- Quais vão ser os temas fortes da campanha, senhor Presidente?
- A agricultura, as pescas e os comboios
Os assessores entreolharam-se em silêncio e assim permaneceram, até que um ousou perguntar:
- Senhor Presidente, o senhor destruiu a agricultura, aniquilou metade da nossa frota pesqueira, eliminou 800 quilómetros de linha férrea. Como é que vai agora promover esses assuntos a temas fortes da campanha?
- Você é muito ingénuo! Acredita que os tugas ainda se lembram disso? Preparem-me visitas a agricultores em desespero, marquem encontros com pescadores e arranjem-me de imediato bilhetes para fazer algumas viagens de comboio, porque eu quero dizer aos portugueses que é preciso investir na agricultura, reanimar a indústria pesqueira que este governo maltratou e que adoro viajar de comboio.
E assim se cumpriram os desejos de Hannibal. Durante a pré-campanha eleitoral, aquele que raramente tinha dúvidas e nunca se enganava, passou a ter muitas dúvidas na aprovação dos diplomas enviados pelo governo. Teceu diversas críticas à actuação de Sócrates e agiu como detonador da crise.
Apesar de serem poucos os tugas que assumem gostar de Cavaco, dois milhões ainda foram votar nele confiantes. O casal que mudou o rumo da sua vida, depois de uma viagem à Figueira da Foz, recebeu o reconhecimento de um quarto dos eleitores tugas agradecidos pelos serviços prestados. Masoquismos…
Talvez por isso, esta blogonovela não tenha um final feliz. Ao contrário das boas novelas da SIC e da TVI, desta vez os tugas não foram felizes para sempre. E os reis de Trapalhândia também não tiveram muitos meninos, porque já não têm idade para isso e o Espírito Santo já fez o seu papel quando engravidou a Virgem Maria.

(FIM)

Cabeças duras

É óbvio que "a decisão de onde e como educar as crianças é um direito dos pais". Não podem é querer que sejam os contribuintes a pagar. Perceberam ou querem que faça um desenho?

Monarquia decimal


Vivemos num sistema de monarquia decimal. De 10 em 10 anos é eleito um novo presidente que, ao fim de cinco, é entronizado como monarca em plebiscito, sufragado pelo povo.
Muitos tugas prefeririam evitar o incómodo de serem obrigados, uma vez em cada década, a escolher um novo chefe de estado. É uma trabalheira e um desperdício de tempo e dinheiro! Mais valia que, uma vez eleito, o chefe de estado ocupasse o lugar até à morte, evitando-se assim a chatice das eleições.
Um dia de eleições é, para muitos tugas, uma maçada. Deslocações às assembleias de voto, perder tempo em filas, andar à procura do número de eleitor que o cartão de cidadão comeu e, à noite, ainda ter de aturar os comentadores, que com a sua verborreia os privam da telenovela.
Entronizemos então os futuros presidentes ( mas não este, que daqui a cinco anos deve ir cuidar dos netinhos e deixar os portugueses em paz). Como contributo para esta monarquia decimal, seguindo os cânones da nossa História, proponho desde já os cognomes apropriados aos monarcas que o país elegeu desde o 25 de Abril:

Ramalho Eanes “O Duro”

Mário Soares “O Fixe”

Jorge Sampaio “ O Eloquente”

Cavaco Silva “o Crasso”

Um primor de jornalismo!

"... guarda-redes do Real Madrid que no final do jogo foi atingido por duas garrafas lançadas das bancadas. A primeira sem lhe tocar, mas a segunda que acertou em cheio na sua cabeça, deixando-o atordoado." Depois queixem-se...

Late night wander (21)

O ataque aos trabalhadores e o favorecimento dos interesses e privilégios dos empregadores, valorizados como factores competitivos no mercado ocidental, só vem provar que os governos europeus, apesar de criticarem a China, anseiam que o mercado de trabalho europeu se paute pelas mesmas regras do gigante asiático.