quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Santos de casa não fazem milagres


Já aqui escrevi várias vezes que considero o Chile o país da América do Sul mais parecido com Portugal. As declarações de Dário Rojo, que recentemente esteve em Portuga,l vieram confirmar a minha opinião.
A solidariedade vinda de vários países de todo o mundo, levou-o a dizer “ as pessoas de fora dão-nos mais valor do que no Chile”.Quantos portugueses não sentirão o mesmo?

E esta, hem?

Afiançou-me uma professora que, na escola onde trabalha, os alunos que não fossem à manifestação fúnebre tinham falta. Claro que já andam por aí uns patuscos do 31 e filiais espalhadas pela blogosfera,a tentar justificar a execrável atitude de exploração das crianças, defendendo-se com o facto de o governo também ter contratado crianças (pagando) como figurantes para apresentação de iniciativas relacionadas com a educação. Claro que ambas as situações são criticáveis mas quem faz estas comparações ou está de má fé, ou ficou com o rabo entalado pelas críticas da ministra.
Já muitas vezes defendi que era necessário acabar com a subsidiodependência dos empresários portugueses. Mas, neste caso, nem de empresários se pode falar. Trata-se de gente que gere escolas com o dinheiro do contribuinte. O facto de algumas dessas escolas terem conseguido, com esse dinheiro, construir piscinas, campos de futebol e picadeiros, demonstra, entre outras coisas, que o dinheiro pago pelo Estado ultrapassa as necessidades. Só que isso não é novidade nenhuma.
A novidade é que os privados passam a vida a dizer que fazem melhor do que o Estado com menos dinheiro e, neste caso, demonstram exactamente o contrário, exigindo que o Estado lhes dê mais dinheiro do que gasta com a escola pública.

O ilusionista de Trapalhândia (11)

Capítulo 11: Entra em cena o moço de fretes

Capítulos anteriores (aqui)
Quando o telefone tocou, por volta das quatro da tarde,Amando estava com uns amigos na sauna no Hotel Shebraton. Embora o momento para ser interrompido, não fosse o ideal, Amando ficou muito sensibilizado ao constatar que Hannibal não o esquecera durante as férias...
- Olá Amando! Então vai tudo bem, por aí por Belo – Além?
- As pessoas sentem a sua falta, Majestade, mas de resto está tudo bem…
- Que história é essa de me estar a chamar Majestade? Você bebeu demais ao almoço, ou anda a fazer jogo duplo com o Juan Carlos?
- Nada disso, Maj… Presidente. Foi só um piropo.
- Deixe-se lá dessas coisas, que já tem idade para ter juízo. Olhe, preciso que me faça um favor…
- Em que posso ajudá-lo, Senhor Presidente?
- Olhe, Amando, a Maria meteu-se-lhe na cabeça que os jornalistas ainda vão para aí inventar uns mexericos por causa de eu receber a Manuela cá em casa todos os dias…
- Quer que eu fale com a senhora doutora para lhe dizer que pode estar descansada, porque Vocelência nunca a trairia?
- …Não seja idiota, não é nada disso! O que eu quero é distrair os jornalistas com outras coisas. Pensei que era capaz de ser boa ideia dizer-lhes que o palácio do Belo- Além está sob escuta do Governo. Que é que você acha?
- Bem, para ser franco, acho que isso é capaz de dar uma grande bronca, mas se o sr Presidente e a esposa acham que é boa ideia, podem contar com o Amando dos Fretes, que eu não estou aqui para outra coisa…
- Então avance lá. Veja lá como é a melhor forma, mas quero que seja uma coisa credível e que entretenha os jornalistas durante o Verão.
- Eu falo aí com uns amigalhaços e faço uma coisa em grande, pode crer. Até vai parecer um romance policial.
- Pois, Amando, a fazer policiais é que você é bom. A minha biografia escrita por si até me faz lembrar o James Bond. Então posso contar consigo?
-Com certeza Maj… senhor Presidente. Mais nada?
- Olhe, se enjorcar alguma coisa que entale directamente o primeiro-ministro e levante suspeições sobre a sua honestidade, também era capaz de ser uma boa ideia. Assim uns negócios escuros e duvidosos, que dêem para por a reputação dele em causa, está a perceber?
- Como o do BPN, senhor presidente?
- BPN? O que é isso? Não sei do que está a falar, Amando Fretes.
-Ah, pois, tem razão, senhor presidente. Isto é do calor. Talvez o Fripór. Deixe comigo que eu trato de tudo…
- Pronto, confio em si, faça o que lhe parecer melhor.
-Esteja descansado Maj...Presidente. Continuação de muito boas férias e cumprimentos à senhora doutora…
Hannibal desligara, porque já sabia a lenga-lenga do eunuco e não lhe apetecia escutá-la. Amando dos Fretes despediu-se dos amigos à pressa e saiu para o carro que o esperava à porta.
- Para o Belo-Além, senhor doutor?- perguntou o motorista
- Não. Vamos para o jornal “Impúdico”. Tenho que ir lá fazer um número de ilusionismo que o chefe me encomendou…
Amado dos Fretes suspirou e o motorista ouviu-o dizer entre dentes. "Em que é que me vou meter, Pai do Céu. Mas o Hannibal merece. Por ele sou capaz de fazer tudo!"

(amanhã: conclusão)

Quem quer casar com a Carochinha?

É sobejamente conhecida a história destes jovens ex-namorados e não a vou aqui recordar. Depois de ler isto, apenas me interrogo até que ponto a ganância se pode transformar em estupidez. Jovens do meu país, fujam desta miúda!

Late night wander (20)

Quando Cavaco Silva diz que as suspeições que se levantaram sobre ele foi uma encomenda feita a jornalistas, sabe do que fala. Nada melhor do que a sua experiência na matéria, para avalizar as suas declarações. O caso das escutas, encomendado ao espião de serviço, é apenas um exemplo.
Plagiando Jorge Marmelo... " ninguém percebe tanto de assaltos a bancos como um assaltante de bancos".