sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Um grande imbróglio

Se no domingo Cavaco for reeleito, com mais votos do que os dos seus familiares e amigos, então, os portugueses têm um grave problema para resolver. Uns desconfiam que Sócrates é mentiroso. Outros desconfiam da honestidade de Cavaco, por se ter recusado a esclarecer as dúvidas que sobre ele recaem.
Esta é a verdadeira crise do Portugal democrático, que o FMI nunca poderá resolver.

O ilusionista de Trapalhândia (6)

Capítulo 6: a chegada do Vampiro

Capítulos anteriores ( aqui)
Entusiasmado, o povo deu-lhe a maioria e Hannibal começou a governar. Ao fim de algum tempo, constatou que as promessas daquele senhor esguio e com problemas de dicção se estavam a cumprir. Aqueles cartõezinhos magnéticos que permitiam adiar para os meses seguintes o pagamento da parafernália de produtos que ele prometera eram mesmo mágicos, e os lares encheram-se de coisas que o povo não percebia muito bem como funcionavam, nem para o que serviam, mas que com o tempo passaram a ser indispensáveis.
Quatro anos depois o povo, satisfeito, voltou a elegê-lo quase por aclamação. Por essa altura Trapalhândia vivia em plena euforia bolsista e os tugas aprendiam novas siglas: OPV e OPA fazem parte do novo léxico.Os hipermercados são a nova sala de visitas domingueira dos tugas que não querem perder, ao fim de semana, o hábito dos engarrafamentos de trânsito. A festa do consumo já chegou e os tugas divertem-se. Renderam-se aos encantos da sociedade de consumo e começam a endividar-se.
Entrementes, Hannibal ia prosseguindo o seu trabalho. Andava tenso e crispado, mas simultaneamente feliz. Maria não estranhava o comportamento do marido, mas ficou preocupada quando uma noite, enquanto passeavam ao luar de Cryingmount ele a beijou no pescoço. Sentiu uma leve picada que pensou ser um "chupão". Depois, perdeu as forças e desmaiou.
Na manhã seguinte, ao acordar, estava invulgarmente bem disposta, mas não conseguia lembrar-se de nada do que ocorrera na véspera. Levantou-se. Quando estava diante do espelho, a custo reprimiu um grito. Tinha uma pequena cicatriz no pescoço...
Chamou Hannibal, mas não obteve resposta. Vestiu-se, tomou o pequeno almoço sozinha e foi ao jardim, onde encontrou o marido em grande azáfama. Estava ainda mais crispado do que nos últimos dias.
- Que estás a fazer, Hannibal?
- Estou a arrancar os cravos. Já não suporto estas malditas flores que não me deixam trabalhar.
- Mas eram tão bonitos...
- Bonitos? Tu achas os cravos bonitos? Pois fica sabendo que são umas flores daninhas que só criam problemas. Estão a dar cabo do jardim que me tem dado tanto trabalho a construir.
- E o que vais plantar no lugar dos cravos?
- Papoilas! Quero o país inundado de papoilas para fazer os tugas felizes.
A voz crispada de Hannibal deixou Maria inquieta. Aproximou-se um pouco mais para lhe fazer uma carícia. Enlaçou os braços em volta do pescoço dele e, quando o ia beijar, reparou que os incisivos de Hannibal tinham crescido de forma desmesurada.
(Continua)

Se não votarem em mim, vem o lobo mau e dá tau-tau!

Para Cavaco vale tudo. Tão depressa ameaça com o fantasma de uma grave crise política, como diz que é o garante da estabilidade. Afirma que o país, na situação em que está, não aguenta uma segunda volta e que se não for eleito as taxas de juro vão aumentar, mas é o candidato que mais dinheiro gasta na campanha e o Presidente mais despesista de sempre.
Se Cavaco está tão preocupado com os custos de uma segunda volta, quer dizer que também não quer eleições legislativas antecipadas, ou nesse caso abrirá uma excepção?

Sondagens fast food

Quando o fast-food chega às sondagens, não há credibilidade que resista.

Late night wander (15)

Chega-me a notícia de que metade dos portugueses diz que Portugal está pior do que há 40 anos . Ou sofrem de cavaquite aguda ( perda de memória selectiva), ou são parvos.