quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O lado B(om) da crise

Vejamos " a coisa" pela positiva. Só quem nada aprendeu com a crise, ainda não percebeu que a vida em 2011 ficou muito mais facilitada para toda a gente. Este ano não há necessidade de fazer planos, porque nos deitamos todos os dias com umas regras, mas não sabemos se ao acordar no dia seguinte, elas se mantêm em vigor. Digam lá se não é saborosa e rejuvenescedora esta incerteza do imprevisto... haverá coisa mais entusiasmante do que não saber como será o dia de amanhã? Há quantos anos não tinham esta sensação de aventura, que é adormecer sem ter de fazer planos para o dia seguinte?
Até os desempregados são abrangidos por esta avassaladora onda de aventureirismo. É certo que a maioria adormece com a certeza de não encontrar trabalho no dia seguinte... mas quem pode adivinhar qual o direito ou regalia que lhe será retirado ao amanhecer?
Em vez de transformar a vida num "muro das lamentações" os portugueses devem agradecer aos nossos governantes actuais e futuros, bem como aos seus congéneres franco-alemães, aos amigos do prof Cavaco no BPN e restante trupe de gananciosos e vigaristas que comandam a economia e ditam as regras das finanças mundiais, esta maravilhosa oportunidade de rejuvenescimento.

Late night wander (3)

Tudo começou em 2001, depois do atentado às Torres Gémeas.
Começaram por nos despir nos aeroportos. Depois, montaram câmaras de vigilância nas ruas. De seguida pediram-nos para nos vigiarmos uns aos outros e sermos "bufos", denunciantes de alguém que nos pareça suspeito. Na rua, no café, no prédio onde vivemos.
A última moda é pagar a uns cidadãos para expiar outros através da Internet e assinalar suspeitos. Em Inglaterra, cada denúncia com fundamento vale 1000 £.
Em nome da segurança estão a privar-nos da liberdade e a criar uma sociedade nojenta onde a delação virou emprego, mas nós fingimos não perceber e continuamos na ilusão de viver em democracia.