Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Nas teias do tempo




"Se tu foges, o tempo

Logo traz ansiedade(...)"

(Daniela Mercury– Nobre Vagabundo)
Já perceberam que este post deve ser lido ao som de “Nobre Vagabundo” da Daniela Mercury não é verdade?Então agora vamos ao que interessa. E o que me interessa, hoje, é falar do tempo.

Há cerca de duas semanas fui ver "Sem Tempo". Para quem não viu, explico que o enredo gira em volta de uma sociedade onde tudo se compra com tempo, em vez de dinheiro, e a partir de determinada idade, as pessoas têm de comprar tempo para sobreviverem. Apesar de o tema ser aliciante, o filme não vale um chavo, mas enquanto o via tive sempre presente uma história que o meu avô me contou em miúdo.


Andamos todos obcecados com a falta de tempo. Ninguém tem tempo para nada. Deixámo-nos enredar numa teia de rotinas e vemos o tempo passar por nós sem nos apercebermos. O trabalho ocupa de tal maneira o nosso tempo, que perdemos a possibilidade de fruir as coisas boas da vida. Deixamos que a vida passe por nós sem lhe darmos o devido valor.

Em miúdo, quando manifestava o desejo de atingir rapidamente os 18 anos, o meu avô costumava contar-me a história de um menino que um dia encontrou uma Fada que lhe deu a oportunidade de pedir 3 desejos.

O menino começou por pedir para se ver aos 18 anos, com uma namorada muito bonita ao seu lado. A Fada satisfez-lhe o desejo.O menino fez então segundo pedido. Queria ser adulto, estar casado, ter filhos, um bom emprego, uma boa casa e muitos carros na garagem.A Fada satisfez-lhe o pedido... mas na altura o menino já tinha chegado quase aos 50 anos, em escassos segundos.

Foi então que pediu o terceiro desejo:

“Fada, quero voltar a ser criança!”

A Fada olhou-o com ar compungido e respondeu:

“Esse desejo não te posso satisfazer. Tenho todos os poderes, menos um… o de fazer recuar o tempo”.

O menino olhou-a com ar triste e perguntou:

"E agora quanto tempo tenho para viver?"

“Aquele que souberes aproveitar. Não sejas ansioso com o dia de amanhã e vive cada dia na sua plenitude”.

Quando o meu avô me contava esta história, não achava muita piada, mas à medida que fui crescendo, comecei a compreendê-la melhor. Quando fui viver para Macau, trabalhei e convivi muito com chineses. Com eles adquiri uma nova noção de tempo e estabeleci nova escala de prioridades na minha vida. Aprendi a saborear o tempo.

Nos últimos meses, comecei a notar que me tornei de novo ansioso em relação ao tempo. Não porque deseje ter 100 anos, ou voltar a ser criança. Apenas porque quero que este tempo que estamos a viver passe depressa.

Por terras alentejanas, creio ter conseguido voltar a relativizar as coisas. Apesar de todas as dificuldades e amarguras que se adivinham, não podemos desperdiçar este tempo. Temos é de aprender a usufruir o pouco que ele nos dá e, com perseverança, construir um futuro onde ninguém nos possa roubar as conquistas do tempo já vivido. Mas para isso, não podemos ficar de braços cruzados, à espera que o tempo passe...

6 comentários:

  1. É um facto incontornável, o tempo passa e estamos a ficar mais velhos. A maioria das pessoas vive constantemente preocupada com o aspecto negativo do tempo, que passa demasiado depressa. Sim, estamos envelhecendo, e daí. A culpa das rugas não é só do tempo. Essas são as marcas de como vivemos as nossas vidas. Dos nervosismos, do stress muitas vezes desnecessários, das tristezas internas, das faltas de ânimo, reclamações e insatisfações com tudo e com todos. Problemas sempre irão surgir e o tempo pode ser algo positivo porque ele é a maior solução para muitos deles. Não percamos o nosso tempo pensando no tempo. O truque é não dar tempo ao tempo. Apenas vivamos o agora.

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  2. ( aplausos)

    Fantástico o post.
    Nada mais precisa ser acrescentado.
    Beijinhos querido Carlos.

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  3. É, há histórias assim, que só percebemos melhor com o tempo... :)

    CARPE DIEM!

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  4. Vim aqui para responder ao seu comentário, que tanto me impressionou:

    Agarrei-me às palavras da Joan Winmill Brown como uma última réstia de esperança, mas as suas palavras, Carlos, é que expressam exactamente aquilo que eu sinto desde a morte da minha mãe.

    E encontrei esta sua crónica que parece ter sido escrita para mim.

    Obrigada, meu amigo.

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  5. Ematejoca

    Como eu a percebo bem, minha amiga.Obrigado também pelas suas palavras.

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