quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Das Primaveras por florir

O ano que está a caminhar inexoravelmente para o seu termo, foi marcado pela Primavera Árabe, pretexto para grandes exaltações democráticas. Com a chegada do Outono, todos começaram a perceber que aquilo de Primavera teve muito pouco. Na Tunísia o jasmim murchou rapidamente e no Egipto as eleições determinaram aquilo que se esperava: a vitória da Irmandade Muçukmana, que ainda vai ser motivo de muitas preocupações futuras. Da Líbia é melhor nem falar. Os democratas do CNT andam às turras, sem se conseguirem entender sobre a repartição do poder. Ainda não se percebeu qual o fundamentalismo que sairá vencedor do ajuste de contas que se está a travar, mas é sabido que a Sharia será adoptada como lei fundamental.

Pior ainda, é saber-se que no meio da refrega que culminou na morte crime de Kadhaffi ao mais belo estilo da barbárie, desapareceram cinco mil mísseis terra-ar e a Líbia é hoje um gigantesco supermercado de venda de armamento, onde terroristas da Al Qaeda do Magrebe Islâmico se abastecem livremente.

Por onde andarão os entusiasmados faunos cantores da epopeia democrática árabe? Calados como ratos, escondidos em gabinetes, tentando passar despercebidos...

Entretanto, dentro de alguns meses, uma nova Primavera se anuncia. Em vez de flores, irá presentear-nos com cenários de terror.

Israel já planeou atacar o Irão na Primavera. Só falta saber se terá o apoio dos EUA...

Na Europa, a mentecapta Merkel prepra-se para a matança da Páscoa, saboreando os tenrinhos cordeiros que subirão ao altar em sacrifício, para lhe satisfazer o desejo hegemónico que, a confirmar-se, conduzirá inevitavelmente à guerra. Lá diz o povo que não há duas sem três. Não imaginava é que à terceira, em vez de um oficial alemão, o responsável pelo desencadear do conflito fosse uma bruxa gorda, militarizada no vestir e sem uma centelha de pudor.

Não me admiro, porém, se quando essa tragédia ocorrer os que gritaram "Viva a Liberdade" durante a Primavera Árabe, se ajoelhem, reverentes, agradecidos pela intervenção do Anjo Redentor.

4 comentários:

  1. Quadro bemm negro o que pintas, mas com o qual, infelizmente, eu não discordo!
    Dividir para reinar é o lema, e numa crise capitalista como esta a guerra é sempre uma "excelente" saída...
    Que nos reservará 2012??

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  2. Apesar de gostar muito de flores, nunca fui adepta das primaveras árabes e critiquei-o publicamente.
    Cada vez tenho sinto mais asco pelos EUA e dos servis europeus.

    Como é possível haver tanto licenciado, mestre e doutor, nos últimos anos e, nas mais diversas áreas, que não vêem um palmo à frente do nariz. Nem sabem onde ficam os continentes, nem as características dos povos que habitam os diversos países.

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