quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A máquina de fazer jornalistas

Leio na “Pública” que um novo software, criado pela empresa Bettery Ventures, é capaz de escrever notícias com mais rigor e rapidez do que um jornalista.


Em função da minha provecta idade, a máquina não me assusta (salvo se vier roubar-me a reforma …) em matéria de actividade profissional , mas pode ser uma forte concorrente para alguns jovens e semi-jovens jornalistas autómatos que andam pelas redacções a escrever notícias encomendadas.


Pode ser que a máquina até substitua com vantagem o jornalista pois, além de não discutir o acordo ortográfico e respeitar as regras gramaticais, também não reclama salário, dias de férias, nem dias de folga extra por trabalho durante o fim de semana e, cereja no topo do bolo, não mete atestados médicos nem licença de parto.


Vejo ainda outra vantagem . Imagino alguém, no CM, a fornecer os dados à máquina sobre Sócrates, tendo como base as escutas do processo Face Oculta ou as investigações da Guedes no caso Freeport e a máquina a mandar o tipo dar uma volta, alegando que os dados introduzidos são falsos.


Há, porém, uma outra característica nesta máquina que me preocupa. De acordo com Kris Hammond, director técnico da Narrative Science e professor de Computação e Jornalismo, o desenvolvimento da inteligência artificial desta máquina permitir-lhe-á, dentro de cinco anos, escrever um livro vencedor do prémio Pullitzer. Ora, a confirmar-se esta expectativa, não me espantará nada que o arquitecto Saraiva, director do Sol, cumpra finalmente o seu objectivo/promessa de vencer um Premio Nobel. Poderá sempre dizer que foi ele que escreveu, porque a máquina nunca irá reclamar o prémio. Pelo menos, para já…

6 comentários:

  1. Carlos querido

    estou aqui boquiaberta. Realmente pensam que podem substituir o jornalista pensante?
    A máquina " produz" a notícia que convém a alguns?
    Quais "outros" interesses estão por ai?
    Acho que estou pirando...
    Beijinho com carinho

    Lucia

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  2. Cara Lúcia, há mais de 15 anos que não avisto tal criatura que descreve como "jornalista pensante".
    Com efeito, desde então os jornalistas que tenho visto não passam de estenógrafos dos seus patrões, pelo que não precisam de pensar (daí o cérebro atrofiado).
    Parece-me portanto verosímil que esses jornalistas vulgares de Lineu, que por ai pululam, sejam facilmente substituídos por uma máquina...

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  3. Pois é caro Carlos, não faltará muito para que também os boys da politica sejam substituidos por máquinas que numa voz metálica dirão (sim senhor...)

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  4. E quem faz o software para a máquina, que dados lhe introduz sobre o que deve ou não escrever?

    Ahahah, essa do Nobel da Literatura para o arquiteto Saraiva, ainda hoje me está no goto. Que modéstia a dele... :)))

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  5. Fez-me lembrar "O mundo a seus pés" dirigido e protagonizado pelo Orson Welles.

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