terça-feira, 29 de novembro de 2011

De Durban a Lisboa - o vozear da ministra Cristas



Começou ontem, em Durban, mais uma Conferência da ONU sobre alterações climáticas. Um dos principais propósitos seria encontrar um acordo sobre um documento que substitua o Protocolo de Quioto, cujo “prazo de validade” expira no próximo ano.

Desde há muito que as expectativas em relação a estas cimeiras são reduzidas, mas o cenário internacional de crise económica e financeira, cerceia à partida qualquer possibilidade de registar avanços nesta matéria. Aliás, a solução avançada pelo G-77 vai no sentido de prolongar a vigência do protocolo de Quioto por mais sete anos, o que obviamente não é uma boa notícia, principalmente para os países emergentes, obrigados a tomar medidas restritivas que não são aplicáveis aos países mais desenvolvidos. Provavelmente, para se chegar a um consenso e poder anunciar acordos de última hora, que serão rotulados por todas as partes como um sucesso, a solução vai ser aliviar os países emergentes da aplicação das medidas que os penalizam. Entretanto,a China e os Estados Unidos- os países mais poluidores- continuarão a não acatar o protocolo de Quioto que sairá de Durban ainda mais enfraquecido nos seus propósitos e os países mais pobres e sujeitos às consequências das alterações climáticas, continurão a agonizar, perante a indiferença dos capatazes do mundo.

Assim, pode dizer-se que a realização da cimeira de Durban apenas servirá para lançar mais umas toneladas de CO2 para a atmosfera, consumidas nas viagens dos participantes e nos consumos gastronómicos extraordinários que sempre marcam estes areópagos internacionais. Gastar-se-á também muita energia e papel, com os consequentes efeitos conhecidos para a delapidação dos recursos naturais. A hotelaria e restauração da pouco interessante cidade de Durban serão, possivelmente, as únicas beneficiárias da realização desta Cimeira previamente condenada ao fracasso.

Como sempre acontece, nas vésperas destas reuniões, o responsável pelo pelouro do Ambiente em Portugal , aproveita a oportunidade para esganiçar a voz e anunciar umas medidas vagas que recolhem algum eco na comunicação social lusa, mas rapidamente caem no esquecimento.Este ano coube à ministra Cristas anunciar as medidas do governo luso e, desta vez, gostaria que não se concretizassem, pois o que a ministra propõe é acabar com o investimento nas energias renováveis, uma área que tem sido nos últimos anos alvo dos maiores elogios pela comunidade internacional. Segundo a ministra, o propósito do governo é investir em mais eficiência energética, mas não adianta como o fará.

Como já estou habituado a que este governo opte sempre pela via mais fácil- penalizar os consumidores- prevejo que lá para meados de 2012 seja anunciado um forte agravamento dos custos energéticos que afectará de forma drástica as contas de gás e electricidade. O passo seguinte, será Passos Coelho convocar ao seu gabinete os amigos Patrick Monteiro de Barros e Sampaio Nunes, para lhes anunciar que está na hora de lhes dar o aval para a já prometida central nuclear.

2 comentários:

  1. Central nuclear? Era o que faltava.
    Não sei se já abriu a caça. De qualquer forma, morte ao coelho.

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  2. Era de lhe cortar a crista de vez!!

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