domingo, 16 de outubro de 2011

Rescaldo de uma manif. E agora?

Foto DN

Houve muita gente que tentou conotar a manif de ontem, com a da geração à rasca. A comparação é de uma enorme superficialidade. Se alguma semelhança existisse entre as duas, eu não teria aderido, pelas razões que então expliquei. Aqui e aqui ou ainda aqui
Hoje as circunstâncias mudaram. Já não existe apenas uma geração de jovens à rasca, mas sim milhões de pessoas em todo o mundo, de todos os escalões etários, com a certeza de que, se nada fizerem, não têm futuro.
A manif de ontem não foi apenas contra o governo. Foi contra um sistema que, apoiado na promessa de uma globalização redentora, reduziu as pessoas a números e quer reduzi-los à condição de escravos. Não foi uma manif em Lisboa… foi um grito de indignação que percorreu quase uma centena de cidades europeias.
Continuo a olhar com alguma desconfiança para manifestações espontâneas, porque todos sabemos como começam, mas ninguém sabe como podem acabar. No entanto, também eu estou indignado contra o esbulho e, acima de tudo, contra este arremedo de democracia que favorece os poderosos e esmaga quem trabalha. Por isso me juntei aos milhares que se manifestaram em todo o mundo.
Há muitas diferenças entre as manifs de Março e a de ontem. A começar na ausência dos betinhos que cavalgaram a onda da geração à rasca mas, seis meses depois, acoitados em lugares no parlamento, ou travestidos de especialistas e turistas em gabinetes ministeriais, recebendo chorudos salários à custa dos nossos impostos, já não se indignam.
A manif de Março, manipulada por alguma direita, com o apoio dos órgãos de comunicação social, foi o princípio do fim de Sócrates.
A manif de ontem foi apenas o início de um movimento à escala global que não quer derrubar governos, mas exigir a mudança de políticas. Em ambos os casos, porém, não se apontaram soluções e isso faz temer que o balão se esvazie.
Da manif de Março não retive nada, para além de folclore. Na de ontem, ( onde também não faltou o folclore, mas houve mais espírito de luta) um cartaz deixou-me um pouco apreensivo:
“ Quando já nada tiveres a perder, o que serás capaz de fazer?”
Boa pergunta. Espero é que a resposta não seja dada em manifs cujo controlo possa escapar aos organizadores. Caso contrário, poderemos acabar com este sistema, mas desembocar num ainda pior. E essa luz ao fundo do túnel, só interessa a uma pequena minoria. Onde se incluem, obviamente, alguns dos actuais líderes europeus.

7 comentários:

  1. Meu amigo:
    Partilho inteiramente das suas preocupações.
    Ontem senti presente, Força e União e as duas juntas podem fazer grandes coisas.

    beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  3. Carlos
    Isto é assustador, não se vê uma luzinha que seja.
    Beijo Bom Domingo

    ResponderEliminar
  4. Só os estúpidos destes jornalistas de trazer por casa poderiam confundir a manif de ontem com a de Março. A de Março foi apenas uma pobre manifestação de "frescura".

    Bom domingo.

    ResponderEliminar
  5. espero que "eles" os 1%, fiquem tão assustados como nós estamos...

    bom domingo!

    ResponderEliminar
  6. As duas manifestações não se comparam, evidentemente!

    ResponderEliminar
  7. Carlos,
    De uma forma brutal e directa - agora, nada.
    Porque quem efectivamente manda, não está em Portugal.
    E está-se nas tintas para as manifs.

    ResponderEliminar