sexta-feira, 7 de outubro de 2011

E se os ponteiros do relógio começassem a rodar no sentido inverso?

Já aqui vos disse que gostei de “Midnight in Paris”, mas não considerei o filme deslumbrante. É, apenas, uma forma feliz de revisitar Paris, a cidade encantada desta Europa à beira do colapso. Enquanto via o filme, lembrei-me várias vezes da minha última estadia em Paris e de uma tarde numa esplanada do “Les Deux Magots” de que aqui vos falei.

Para quem não tenha paciência de ir ver o link direi, resumidamente, que também eu, naquela tarde, senti vontade de viver uma experiência idêntica à do protagonista de “Midnight in Paris”, pelo que a ideia de Woddy Allen não me pareceu nem brilhante, nem descabida. Apenas normal num qualquer cidadão que ame Paris.

Volto a falar de “Midnight in Paris”, porque uma descoberta recentemente anunciada, mas cuja validade ainda não foi confirmada, alimenta a fantasia de podermos viajar ao passado. Com efeito, se ficar provado que os neutrinos viajam a uma velocidade superior à da luz, será possível viajar ao passado. Fantástico, não vos parece?

Que bem nos faria, por exemplo, reviver o 25 de Abril, voltar aos bancos da escola, dançar ao ritmo da música da nossa juventude,ou ter nos braços a namorada por quem nos apaixonámos loucamente e que encontrámos há dias passeando o neto, de braço dado com um barrigudo. Bem, mas enquanto essa possibilidade não se concretiza, recomendo-vos a leitura do livro do cientista português João Magueijo, lançado há dias :“ O Grande Inquisidor”.


A história baseia-se em Ettore Majorana, um reputado cientista italiano que estudava os neutrinos e desapareceu, misteriosamente, a bordo de um barco a caminho da Sicília.

Ora esta tripla coincidência ( descoberta da velocidade dos neutrinos, “Midnight in Paris” e o lançamento do livro de João Magueijo sobre um físico que estudava os neutrinos), conduz-me a um filme (“ O Estranho Caso de Benjamin Button”) onde Brad Pitt vivia a vida ao contrário.

De súbito, uma cadeia de acontecimentos aparentemente sem relação entre si, torna os neutrinos alvo de todas as atenções, protagonistas de um futuro que nos remete para o passado. Fico na dúvida se será uma boa notícia e não posso deixar de pensar que, concomitante àquela tripla coincidência, Passos Coelho também se comporta como um neutrino que, na ânsia de ser mais rápido do que a troika, conseguiu em poucos meses fazer o país regredir 30 anos e promete ir mais longe.

Por momentos dou comigo a pensar se não terei sido também apanhado nesta rede de conluios protagonizada pelos neutrinos ao criar a rubrica CR sub 30 que, não sendo uma "Loja de Nostalgias", evoca objectos e profissões que nos remetem para o passado.

Foi então que me lembrei das palavras de João Magueijo numa entrevista ao jornal “i” :

“ Há a possibilidade de ser tudo ao contrário do que pensamos”.
Resta saber se isso é bom ou mau, mas depois logo se vê…
Não deixa no entanto de me seduzir a ideia de a Humanidade poder regressar ao passado para corrigir os erros e construir um futuro melhor. Só que isso já seria sonhar demasiado...




8 comentários:

  1. Veremos...

    E voltar para trás para viver tudo tal e qual, dispenso de todo.

    Que me perdoem os incondicionais do fealizador, mas nunca o apreciei por aí além.

    Um bom dia

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  2. Concordo com a apreciação ao mais recente filme do Woody Allen. Gostei bastante, entretém, mas não é brilhantes, pois é demasiado previsível. Em relação a essa possibilidade de viajar no tempo, sempre esteve em aberto essa possibilidade, e sempre me fascinou, há de facto certas épocas, certas personagens históricas que gostava de ter conhecido , mas não tenho por ex qualquer curiosidade em relação ao futuro... Em relação à sua rubrica, é normal termos essa tendência de compararmos épocas, gerações, sociedades, culturas... é intrinsecamente humano... :)

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  3. Meu amigo:
    Vi os dois filmes que mencionou e gostei de ambos. O livro ainda não mas despertou-me a atenção.
    Também estou de acordo, Passos Coelho ( e não só) está a conseguir levar-nos para a idade média.
    Quanto a voltar ao passado, só se fosse para mudar alguma coisa para melhor, porque para manter tudo na mesma não queria, não tinha paciência para reviver tudo de novo :)

    beijinhos e bom fim de semana

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  4. Regressar ao passado e corrigir os erros?
    Isso não cabe no campo da utopia, aliás, dupla utopia?

    Abraço.

    P. S. Mudei de link. Aqui fica o novo:

    http://teresaeascronicas.blogspot.com/

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  5. Viajar no tempo, voltar atrás e começar de novo é uma ideia sedutora, mas não será certamente para as nossas gerações...

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  6. CARLOS, assisti o filme.É interessante, mas nada excepcional.Não entra na lista dos filmes inesquecíveis.
    Voltar no tempo,seria a grande oportunidade de mudar muitas coisas que deram errado.

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  7. Teresa
    Entrando no seu blog pelo Google Chrome aparece-me o bicharoco, mas pelo normal não tenho problema. Só que não consigo comentar! Tentei com URL e Anónimo, mas o comentário volatiza-se

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  8. Estava a ler o início do texto, a pensar em Benjamin Button... :D

    Mas regressar ao passado, corrigir erros e depois voltar ao presente a supor que tudo está um mar de rosas, é certamente uma utopia. Porque ao corrigir um erro pode-se cair noutro, igual ou até mais gravoso para o futuro... :)

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