sexta-feira, 28 de outubro de 2011

CR sub-30: no escurinho do cinema

Hoje, podemos ver o filme que nos apetecer sem sair de casa.Os equipamentos “home cinema” revelam bem a evolução dos comportamentos sociais: a cada um a sua medida, que o tempo é de prazer e cada um o deve gozar à sua maneira.

Ir ao cinema "em grupo" passou a ser coisa de caretas, ver um filme em casa, passou a ser mais um exercício de isolamento, mas exemplo de modernidade.Alugar um DVD, ter em casa uma filmoteca, ou simplesmente pedir um filme “on demand” à distância de um clique, tornou-se para muita gente mais banal do que ir a uma sala de cinema.

Principalmente para os mais jovens, entrar numa sala de cinema para assistir a um filme, é o mesmo que ficar em casa. Juntamente com o bilhete podem comprar as pipocas e a coca cola e refastelar-se numa poltrona, indiferentes a quem esteja ao lado ou na fila da frente, porque quem paga bilhete tem direito a desfrutar como lhe apetece.
Mas nem sempre foi assim…

Ir ao cinema ao sábado à tarde era tão vulgar, que até foi mote para uma canção e
salas como o S. Jorge e o Monumental em Lisboa, ou o Coliseu, Trindade e Rivoli no Porto, tinham lugares cativos para o sábado à noite e estavam constantemente esgotadas.

Os filmes ficavam em exibição meses seguidos . Vivia-se ainda uma época dourada do cinema, que começara nos anos 30 e se prolongara nas décadas seguintes, com filmes e actores que fizeram História.

A partir do final da década de 50, e principalmente na década seguinte, começaram a surgir, por todo o país, os “Cine-clubes” que exibiam filmes que muitas vezes não corriam nos circuitos comercias. Entre alguns deles existiam profundas rivalidades, mas os fins de tarde de sábado e as manhãs de domingo eram, normalmente, grandes “happenings” para os jovens ( e alguns menos jovens ) cinéfilos.

Os primórdios dos anos 70 determinaram, porém, grandes mudanças nos hábitos cinéfilos dos portugueses, até então familiarizados com uma indústria que fascinava o mundo inteiro e produzia os ídolos que todos admiravam.

É nos anos 70 que se começa a perder o hábito de ir ao cinema em família, porque a televisão começa a introduzir-se nos lares e a reter os mais velhos no sofá da sala. No entanto, a grande sala de cinema ainda resiste durante toda a década de 70 e parte dos anos 80, altura em que aparecem em força os “Clubes de Vídeo”.
A cantora brasileira Rita Lee presta talvez uma das derradeiras homenagens musicais às salas de exibição da 7ª Arte com uma canção intitulada “FLAGRA!” que começava assim:

“No escurinho de um cinema /chupando drops de anis/ longe de qualquer problema/ perto de um final feliz"…
Depois… as salas de cinema invadiram os centros comerciais, dividiram-se , concentraram vários tipos de oferta no mesmo espaço, reduziram as lotações e chegámos à época da sala de cinema pipoca, onde vale tudo.
Ir ao cinema nunca mais voltou a ser como dantes...
Pode ler mais sobre a historia do cinema aqui e aqui.

5 comentários:

  1. Não tem nada a ver, Carlos, mesmo nada.
    Mesmo sem grandes comodidades era bem melhor ir ao cinema e comer drops de anis.

    Beijo Outonal

    ResponderEliminar
  2. Ahh...aquele tempos eram bem melhores!
    No escurinho do cinema, chupando drops de anis...longe de qualquer problema e perto de um final feliz. oh...oh!

    Bom fim-de-semana, Carlos.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Modernices como diria a minha avó!
    Começo a ter medo é que "outras coisas" passem a ser feitas apenas e só na solidão...

    ResponderEliminar
  4. Gostei desta descrição de como é ir ao cinema e para mim ainda é um pouco assim...porque há horários com menos público e sem pipocas :)

    ResponderEliminar
  5. Concordo plenamente!!! Eu gostava dos cinemas quando não eram apenas salas num shopping center.Quando o pipoqueiro trabalhava na calçada em frente ao cinema e o máximo que comprávamos numa pequena bomboniere ao lado da bilheteria era o drops de anis.Tenho pavor de ter de atravessar o shopping inteiro,tanto na entrada como na saída do filme,com todo aquele povo consumindo compulsivamente e depois lotando as barulhentas praças de alimentação.Tô ficando velha!

    ResponderEliminar