quinta-feira, 6 de outubro de 2011

CR sub 30- Da máquina de lavar, às Lavadeiras

Hoje em dia, qualquer homem ou mulher é capaz, sem grande esforço, de lavar a roupa. Basta escolher o programa certo, meter a roupa na máquina e, passado algum tempo, ir lá buscá-la e pô-la a secar. Enquanto a máquina lava a roupa, o tempo pode ser ocupado noutras tarefas, sejam elas domésticas ou de lazer.

Mas, noutros tempos, ( os tempos dos seniores à beira da reforma, que viajavam na carruagem de metro) as máquinas de lavar eram estas.

Chamavam-se tanques e era aqui que a roupa da casa era lavada. Lavar a roupa no tanque era uma árdua tarefa. Exigia força, dedicação exclusiva e mais tempo do que o gasto por uma máquina de lavar.
Nem sempre esta tarefa era desempenhada pela dona de casa. A roupa era entregue aos cuidados das empregadas domésticas ou, então às lavadeiras que se vêem na imagem abaixo.

As lavadeiras viviam normalmente na província ( quem ainda não ouviu falar das Lavadeiras de Caneças?) e deslocavam-se semanalmente às casas, para recolher a roupa. Faziam o rol das peças que levavam e depois regressavam às suas terra, carregando à cabeça a roupa recolhida.
A roupa era lavada nestas condições e, para mitigar o esforço, as lavadeiras cantavam. Na semana seguinte, cumprida a tarefa devolviam todas as peças e levavam outras, iniciando assim um novo ciclo.
Este foi o exemplo que escolhi para iniciar o CR sub-30. Creio que ilustra bem como mudou a vida e a repartição do tempo, desde o tempo dos seniores até à era actual. Teriam os jovens que viajavam na carruagem do metro noção disso? De todas as transformações sociais entre o desaparecimento das lavadeiras e o aparecimento da máquina de lavar que só se tornou um electrodoméstico banal na década de 80 do século XX?


12 comentários:

  1. Carlos
    Excelente!!! Eu sou do tempo em que lavava a roupa numa pedra tirando água do poço com a picota, também lavei muita num coletor publico, depois de casada com o marido na tropa lavava num tamque e no inverno a farda era enxuta ao lume, depois de ter duas filhotas continuei a lavar a roupa no tamque, não existiam fraldas descartáveis.
    Mas se fosse só a máquina de lavar que mudou os tempos... o mais grave que está em vias de extenção são os valores, a que as pessoas estão a ficar ausentes, a honestidade, a humildade e muitas mais.
    Beijo e uuma flor

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  2. CARLOS, apesar das dificuldades,era um tempo mais ¨humano¨. As pessoas se importavam umas com as outras. Havia mais sentimentos e solidariedade.

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  3. Me faz lembrar a perda do grande inventor Steve Jobs, o fundadpr da Aple essa gigante da tecnologia avançada.
    Que seria de nós sem esses gênios?
    estaríamos ainda a lavar roupa nos tanques ?
    interessante post e vou seguir o CR sub-30.
    abraços

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  4. Olá amigo Carlos!

    Muito linda esta história! Eu passei pelas 3 formas de lavagem de roupa e tenho saudades dos tempos de lavagem no rio! Tudo era mais calmo e as pessoas não viviam stressadas!

    Um abraço grande.

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  5. Verdade seja dita que as criadas de gente mais abonada (classe média para cima) também lavavam muita roupa! E claro, a gente do povo, também lavava a sua no tanque de casa ou em tanques públicos... ;)

    Mas sim, a máquina de lavar roupa popularizou-se, tirando essa árdua tarefa dos ombros da maioria das mulheres! :)

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  6. Rapidamente nos esquecemos destas coisas... mas cá no quintal ainda há um velho tanque de lavar roupa... e olhe que às vezes tem que se dar um jeitinho à mão antes de enfiar a roupa na máquina, que nem sempre resolve tudo. Ah ... não esquecendo do sempre eficaz sabão azul e branco :)

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  7. Ainda haverão muitos seniores que lavam a roupa no tanque Carlos... mas claro que disso os jovens nem sabem, nem querem saber... julgam que terão emprego.. que comprarão uma máquina de lavar, se for preciso a prestações... e que nunca terão de lavar nada à mão... não sei se terão razão... (hoje em dia, proliferam as brunideiras...)

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  8. Carlos amigo querido

    Parabéns pela escolha.
    Sou parte do tempo dos tanques e parte das máquinhas de lavar.
    Confesso que ainda uso os dois. (risos).
    Há coisas que só no tanque mesmo.
    Ah e não poderia de falar:
    obrigada pela visita !!
    Um beijinho

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  9. Flor
    Tem razão, minha amiga, mas o que me questiono é se os objectos não terão também contribuído para as mudanças qe refere. É sobre isso que vou tentar colher as vossas opiniões nesta rubrica
    Obrigado pela flor
    Beijinhos

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  10. Ainda me lembro das lavadeiras no Rio Mondego, Carlos.
    Quando o Mondego era o "Basófias".

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  11. Perto de minha casa, junto à ribeira de Ramalde ainda existe um lavadouro comunitário e que julgo ainda ter alguma serventia. Na aldeia, terra natal da minha mãe, as mulheres desciam longos caminhos com as roupas à cabeça para as lavarem nas águas claras ribeiro (o rio Teixeira)com sabão azul. Esfregavam os lençóis e batiam as calças nas pedras lisas do rio para sair o sarro do campo. Estendiam-nas a secar nos arbustos para mais tarde as voltarem a por à cabeça e ser mais fácil subir a ladeira de volta à aldeia.

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  12. Como disse a Lucia...há coisas que só no tanque mesmo...concordo em absoluto!

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