Os madeirenses não deram a Lisboa a sova que AJJ lhes pedira. Pelo contrário, sovaram-no a ele, subtraindo-lhe um quarto dos votos que lhe haviam concedido no último sufrágio regional. AJJ esqueceu-se de preparar o discurso C e não escondeu a sua atrapalhação.
Mas do acto eleitoral na Madeira não resultou apenas a fragilidade de AJJ e o fim previsível da sua carreira política. Há outros factos que merecem registo para memória futura:
- Mais uma derrota eleitoral da esquerda e a emergência do CDS como segunda força política, ou seja, líder da oposição regional. É bom que a esquerda, no Continente, medite sobre isto e tire as suas conclusões.
- António José Seguro decidiu assumir protagonismo na campanha eleitoral madeirense, quiçá na expectativa de uma subida eleitoral do PS lhe permitir tirar dividendos a nível nacional. Depois do desastre, seria expectável que Seguro assumisse de imediato o seu quinhão de responsabilidades. Não o fez. Mandou para a frente das câmaras João Ribeiro e ficou na sombra. Não gostei da atitude, mas não me surpreendeu. Talvez pressionado internamente, lá acabou por dar a cara. Mais vale tarde do que nunca, dirão alguns...mas foi tarde demais e talvez um prenúncio de que esta foi a primeira, mas não a última das derrotas.
- Mais do que o ar crispado e as palavras ressabiadas de Jerónimo de Sousa, entristeceu-me a forma como desvalorizou os eleitores que votaram em Coelho e noutros pequenos partidos. O PCP não pode desprezar as escolhas dos eleitores e atacá-los com um discurso que pensava estar há muito ultrapassado. Exigia-se mais fair play. Como teve Louçã, apesar da enorme sova que o BE levou nestas eleições, que o relegou para o último lugar entre as forças políticas a sufrágio.
- Finalmente, Passos Coelho. Também não apareceu a dar a cara.Tentou passar despercebido entre os pingos de chuva, como se nada tivesse a ver com a disputa eleitoral na Madeira. Manipulou os resultados a partir de Lisboa, escamoteando aos madeirenses a factura que terão de pagar pelas diatribes de AJJ. Obteve o resultado que mais lhe convinha. AJJ venceu, mas ficou fragilizado, o que lhe permite impor medidas mais duras, do que no caso de o líder madeirense obter nova vitória folgada. Por outro lado, sempre é mais confortável dialogar com um AJJ fragilizado, do que com o líder do CDS, seu parceiro de coligação no Continente.
Pode dizer-se que PPC continua a ser bafejado pela sorte mas acautele-se, porque a sorte não dura sempre e até se pode dar o caso de vir a terminar, se AJJ bater com a porta e provocar eleições antecipadas.
Andamos muito próximos nas análises que fazemos, Carlos.
ResponderEliminarPPC manteve-se sempre à margem.
Terá festejado o resultado.
Mas em segredo.
Carlos
ResponderEliminarExcelente análise.
Subscrevo!
Estou com os comentadores anteriores!
ResponderEliminarAgora os madeirenses que se aguentem como nós...e ainda a procissão vai no adro!
Não substimemos as bestas feridas, parece-me que AJJ, que já não tem nada a perder, não irá ser um parceiro fácil, está no fim da sua vida útil enquanto político, sabe disso, e vai querer sair como grande caudillo, é da natureza dele.
ResponderEliminarQuanto ao resto estou de acordo. O Jerónimo mostrou a verdadeira face do PCP quando não consegue esconder os resultados com mais "uma vitória", desta feita era impossivel...
Não cheguei a ouvir o Seguro, desliguei-me do assunto depois de ouvir o Portas.
Ai a Madeira, a Madeira...
ResponderEliminarVamos ver se o sr AJJ sabe governar sem nos "ir ao bolso". Desconfio que foge com o rabinho entre as pernas antes. Quanto vale a aposta?
ResponderEliminarCarlosamigo
ResponderEliminarBoa! Bué da fixe! Tenho um testículo com x no meu http://politicaoupulhitica.blogspot.com
gostava que o lesses, porque não há dúvida de que escrevemos pela mesma cartilha, que se lixe a adaptação. Com o «poder socialista ainda no Estado» (Jardim dixit) que farão o PPC, o VG, o ACS?
Vão continuar a assobiar? E se lhes parte o assobio?
O AJJ a bater a porta?!? Hummm... não creio!
ResponderEliminarQuanto aos resultados, não se pode dizer que fiquei espantada! Quanto ao povo madeirense, pois, imagino que escolheu um político à sua imagem... :P