
Cada vez que ouço Passos Coelho ou Vítor Gaspar anunciarem cortes na despesa, reajo com a mesma prudência com que escuto os pregões de um vendedor de banha da cobra na feira de Carcavelos.
Hoje, quando soube dos anunciados cortes nos cargos dirigentes e nos organismos públicos, tive duas reacções distintas:
-Por um lado, imaginei milhares de portugueses salivando, porque finalmente o governo ousou cortar na despesa, eliminando 137 organismos públicos e acabando com 1712 chefias de energúmenos que andam a viver à conta do contribuinte sem fazerem nada de útil.
- Por outro lado, lembrei-me da eliminação de serviços anunciados por Manuela Ferreira Leite em 2004, que resultaram (quase exclusivamente) na eliminação formal de organismos que na realidade já não existiam.
É óbvio que o Estado precisa de emagrecer, que há dirigentes, chefias intermédias e serviços que podem ser eliminados, sem que daí advenha nenhum mal ao mundo.
No entanto, receio que o desconhecimento da máquina do estado por parte da maioria dos ministros os leve a fazer cortes sem nexo.
Em Janeiro, depois de um estudo realizado pelo DN, escrevi um post em que, entre outras coisas, alertava para o seguinte:
Todas as reticências que levantei ao retrato feito pelo DN aplicam-se aos cortes agora anunciados pelo governo. Até porque alguns dos jornalistas que participaram nesse estudo, integram hoje gabinetes governamentais e não terão deixado de dar as suas opiniões assentes num diagnóstico que, alertei na altura, estava desfocado. Pode ser que me engane, mas tenho a sensação ( pelo que já li em relação ao ministério do Ambiente) que os cortes anunciados não trarão benefícios, nem significarão avultados cortes na despesa.
Como, oportunamente, adverte o Luís Novais Tito. o regime de emagrecimento por vezes tem efeitos contrários aos pretendidos. E nunca é demais lembrar que, depois de anunciar a extinção das Direcções Regionais de Educação, o governo nomeou novos directores -gerais para substituir os exonerados.
Por tudo isto, este anúncio cheira-me a esturro, mas o melhor é esperar para ver...
Carlos
ResponderEliminarO que será será de vocês?
Espero que algo bom aconteça
com carinho Monica
Lucidez e discernimento, Carlos... é necesária lucidez e discernimento porque, se muito há a fazer nesta matéria, tem que ser feito de forma estratégica e bem estruturada, sob pena de estarmos a enfrentar "cortes cegos" que, cedo ou tarde, se anulam...
ResponderEliminarAbraço.
Era bom que esivesse enganado MAS sabemos que não está. Um abraço.
ResponderEliminarSendo uma boa medida, a redução de 27% de cargos dirigentes na Administração Central e a extinção de 162 entidades públicas, gostava de saber quanto é que vai custar o despedimento desses dirigentes ou se serão colocados em prateleiras douradas?
ResponderEliminarIsto que estão a dizer são tudo tretas. Entretando já criaram mais grupos de trabalho do que se propõem eliminar. Além disso a maioria das pessoas pertence à FP.
ResponderEliminarNão concordo que seja assim tão difícil saber o que se passa. Durante muitos anos fui funcionária de um Ministério, que tinha a meu cargo a elaboração, de de todos os Orçamentos, nas diferentes vertentes, controlar a cabimentação das despesas, a sua realização e o seu pagamento, e nunca foi feita uma despesa que não tivesse cabimento. Quanto muito poder-se-ía fazer alguma transferências entre rubricas, se tal fosse possível. E para se fazer um orçamento, tem de se conhecer o quadro do pesoal existente para dotar a respectiva área, tal como na prestação de serviços(outsourcing incluido), tem de se conhecer os contratos que foram celebrados. Até para se mandar arranjar uma máquina qualquer, tinha de haver contrato e cabimento. Muito mais poderia dizer, mas tudo o que oiço nos media é conversa fiada. E é pena que muitos palhaços que vão para os governos ão percebam nada do que se passa. Mas os directores-gerais que antes haviam, sabiam o que se passava, porque não caíam com os governos. Agora é que criaram os concurso para os amigos. Também sei o que e passa em Autarquias e aí é que é um fartar vilanagem, porque os presidentes das autarquia eram uns reis, que faziam o que queriam, quer quanto ao pessoal, quer quanto às obras e por aí fora.