sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A revolução do "coffee-break" em directo na TV

Atenas... Roma... Paris... Madrid... As pessoas saem à rua em protesto contra o aumento de impostos e do custo de vida. Insurgem-se contra a perda de direitos e a deterioração da qualidade de vida.

Na longínqua Reykjavik, o povo leva um primeiro-ministro a tribunal, responsabilizando-o pela ruína do país.

Em Lisboa algumas pessoas lamuriam-se diante das câmaras de televisão, usam o telemóvel para avisar os amigos e familiares que" deram uma entrevista" e vão a correr para casa, ver o telejornal na companhia da família. Outras vão até à praia, ou correm para os saldos e no emprego, durante a pausa para o café, conversam sobre a crise, reclamam contra os funcionários públicos e suspiram por Salazar.
Alguns animam-se quando alguém alvitra:
- O Coelho e "o das Finanças" têm pinta. Vão meter isto na ordem, vocês vão ver...
Quando um atrevidote fala na necessidade de ir para a rua protestar, uma flausina com as unhas pintadas de cor de laranja alvitra:
- Bem, vamos mas é trabalhar, que já chega de conversa...

A debandada é geral, à voz da ordenança de serviço. Na pausa do café ficam apenas, esgrimindo argumentos, o profeta que alvitrara a chegada do Messias e o agitador que ousara apelar à mobilização popular. Acabam por concordar: nas circunstâncias actuais "o das Finanças" não tem possibilidade de chegar a Salazar e a mobilização de rua não resolve os problemas do país.

À hora do almoço, cada um apresentará ao seu círculo de convivas as conclusões do plenário: match nulo. A revolução pode esperar!

O televisor do restaurante emite o noticiário. Vellhos e jovens, homens e mulheres, lamentam-se da crise. Uma tia de Cascais, de ouro reluzente enfeitada, compõe o ramalhte. "Todos temos de fazer sacrifícios".

Amen!


8 comentários:

  1. Olá Carlos,
    vais desculpar a minha observação e este meu eterno defeito de meter a foice em seara alheia ( acredita que o faço sem má intenção).

    Bom, é o seguinte: as tuas publicações acontecem a um ritmo tão acelerado, ( hoje já vais na quarta ) que mal me dão tempo para as ler com a atenção que merecem e comentar devidamente.

    Leio sempre tudo o que escreves, ainda que não comente, porque a maioria das vezes leio com bastante atraso da sua publicação.
    Não podias abrandar um bocadinho o ritmo?
    Não te zangues, comigo!!


    Quanto à revolução do coffe-break à portuguesa, sabes que sendo nós um povo de brandos costumes, demoramos a reagir, mas lá falar... vamos falando!!!

    Beijinhos.

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  2. carlos
    Assim como andas correndo sobre o rumo do pais também não consigo acompanha-lo tão facilmente, mas adoro o.
    POis assim fico familiarizada com a vida portuguesa.
    com carinho MOnica

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  3. E no fim, fizeram uma saúde com vodka laranja.

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  4. Espero bem que o povo acorde, Carlos.

    E se não acordar sozinho talvez esteja na altura de ser estimulado.

    Por onde andam os tipos que dizem que puseram 200.000 professores na rua?

    Isto agora é realmente grave, e eles ficam quietos?

    Refiro-me à principal central sindical está bem de ver.

    Carlos Fonseca

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  5. É um facto que ir para a rua gritar não resolve grande coisa, mas estas lamúrias frente às câmaras televisivas são dignas de dó! Suponho que em Outubro já estão marcadas algumas manifestações de protesto, vamos ver...

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  6. Sempre assim foi e sempre assim será!
    Amen!

    Beijinhos

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  7. Para o Alturense: Eu não sei se eles puseram mesmo "200.000 professores na rua", agora o que parece mesmo é que "estes" vão lá colocar 40.000.

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