Muitos leitores se lembrarão do tempo em que havia revisores nos eléctricos e autocarros. Nessa época não havia passes sociais. Isso foi uma conquista de Abril.Comprava-se um bilhete para cada viagem ( ver imagem) que era validado por um revisor a quem, no meu tempo de estudante, chamávamos “trinca-bilhetes”, porque fazia um furo com uma máquina que inutilizava o bilhete ( nessa época ainda não se sabia o que era um “títulos de transporte”).
Nos meus tempos de estudante, um dos passatempos favoritos era fugir do “trinca-bilhetes” durante o percurso, de modo a poder aproveitar o bilhete para uma outra viagem. Assim que ouvíamos o ruído da maquineta com que ele os inutilizava, passávamos a palavra e começávamos a movimentar-nos discretamente para a retaguarda do eléctrico.
A tarefa era facilitada nos eléctricos com atrelado, mas nem sempre a fuga dava para concluir a viagem e, por isso, não raras vezes éramos obrigados a saltar do eléctrico em andamento ou, resignadamente, submeter o bilhete à indignidade da inutilização.
Lembrei-me dos “trinca-bilhetes” , quando li a entrevista de Passos Coelho ao El País, em que ele também nos fala de bilhetes que nos conduzirão à saída da crise.
Comecei a pensar que a única fuga possível a este novo “trinca-bilhetes” é mesmo emigrar e senti saudades do tempo em que saltar do eléctrico em andamento era- apesar de arriscada- uma solução bem mais fácil do que a proposta deste governo para nos deixar seguir viagem rumo ao futuro. É que com a mesma indiferença com que o "trinca " inutilizava os bilhetes, Passos está a trincar pedaços de vida aos portugueses, inutilizando os seus esforços de sobrevivência digna.
Carlos
ResponderEliminarAdorei o texto.
Beijinhos
Excelente, é mesmo assim Carlos.
ResponderEliminarPois é Carlos resta esperar pelo que ainda há-de vir, porque não se vai ficar por aqui, é sugar até não deitar mais.
ResponderEliminarAbraço
Uma analogia brilhante e cheia de oportunidade, basta ver onde estão a ir ao bolso (trabalhadores dependentes, sobretudo) e a quem evitam chatear (pobrezinhos dos ricos).
ResponderEliminarÉ extraordinário!
ResponderEliminarO caro amigo CBO, assim bem como muitos portugueses, escribas das bloguices e foruns na net - eu já ando nisto acerca de quinze anos, fartam-se de "trincar" nos governos empossados, mas depois o anterior, afinal ainda era o menos mau.
Foi assim com Durão Barroso. Foi assim com Santana/Portas. Foi assim com Guterres. Foi assim com Sócrates.Enfim, o próximo é que é bom. Pois, não existe!
É extraordinário, CBO que, não se perceba que vivemos um momento invulgar de gestão pública, idêntica quando Salazar foi nomeado presidente do concelho. Onde a luta de classes, tal como hoje, não tem cabimento, assim bem como, a dicotomia esquerda-direita.
Trata-se da sobrevivência do Estado e da própria soberania do país. E quem é que suporta o Estado? Faço-lhe a pergunta.
É claro que eu também não gosto desta classe política que nos tem governado desde o 25 de Abril. Mas não me faça rir, nem faça dos outros marionetes facilmente manipuláveis.
Qual é a sua alternativa, ó meo!
Claro que me "alembro" só que não fazia as "suas" traquinices, era uma menina muito bem comportada, para a faculdade ia e vinha, muitas vezes, "à la pate"! Coleccionei algumas mas nunca como estas, com os algarismos todos iguais.
ResponderEliminarGostei do paralelismo que fez...:):):)
Cada vez gosto mais de passar por aqui! : )
ResponderEliminarTambém tinha uma colecção de bilhetes destes, com capícuas, mas já não sei onde pára ou foi parar... :)
ResponderEliminarQuanto à entrevista com o outro "trinca", não sei se me apetece ler! Quer dizer, não me apetece ficar mal disposta agora...
O meu pai era trinca-bilhetes ou pica-bilhetes :).
ResponderEliminarBela comparação! rssss
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