quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Na dúvida... mate-se!


Hoje, escrevo sobre Troy Davis, outor negro condenado à morte pelo alegado homicídio de um polícia ( branco) em 1989. Minutos antes de ser executado, fixou o olhar na família da vítima e disse" Não matei o vosso pai, filho e irmão".

Não queria estar no lugar de um dos familiares das vítimas, ao ouvir estas palavras. É que as dúvidas sobre a culpabilidade de Troy Davis são muitas e o caso levantou grande celeuma nos Estados Unidos, onde até defensores da pena de morte, pediram que não se procedesse à execução, porque o processo estava cheio de irregularidades. Um deles é um ex-director do FBI e sabe certamente do que fala, outro é o ex-presidente Jimmy Carter.

Organizações internacionais, e o próprio Papa, pediram a suspensão da execução. Todas as instâncias de recurso, incluindo o Supremo Tribunal, recusaram os pedidos de clemência, apesar das dúvidas levantadas. Nos Estados Unidos é assim: na dúvida, mate-se!

Os americanos foram, certamente, criados em jogos de computadores com a missão de desempenhar o papel do criminoso "bom". Tudo o que façam- mesmo que seja transformar a justiça num jogo de fortuna e azar ou matar milhões de inocentes- desde que escudado no argumento da defesa da democracia - encontra justificação nos carneirnhos amestrados da comunicação social europeia, amplificadores de um grupo de governantes de mau porte.

No Ocidente, principalmente nesta Europa de energúmenos, critica-se a pena de morte em todos os países, menos nos intocáveis Estados Unidos. Foi por isso que há dias, quando o presidente iraniano concedia uma entrevista à Marcia Rodrigues e ela lhe perguntou "Qual é a sua opinião sobre a morte por apedrejamento?" Ahmadinejad respondeu com um certo cinismo:

- Qual é a diferença entre matar com pedras ou de outra maneira?

7 comentários:

  1. E consideram-se um exemplo para o mundo! :-((

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  2. De facto só Ahmadinejad poderia responder dessa maneira, a pedir meças à barbaridade...

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  3. A diferença não é nenhuma!
    Mas EUA, é EUA.Infelizmente!

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  4. Vi grande parte dessa entrevista de Márcia Rodrigues ao presidente iraniano e fiquei na dúvida se ela julgava estar a entrevistar os políticos cá da praça. Resultado: foi completamente cilindrada!

    Não se pode fazer uma entrevista a um líder muçulmano, com a ideia preconcebida que os cristãos são os bons da fita e os árabes uns bárbaros. Até podemos concordar com ela, mas o molde em que fez as perguntas deu azo a que ele respondesse denunciando todas as hipocrisias das democracias ocidentais. Americanas e não só! Como no caso mencionado!

    E são tantas... como a pena de morte em alguns estados americanos, enquanto noutros não! O mesmo território, com penas diferenciadas para crimes idênticos...

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  5. E dizem-se eles os arautos dos Direitos Humanos! Realmente quando se trata do que se passa nos outros países são muito escrupulosos na defesa dos mesmos (muitas vezes de alguns que de humanos também pouco têm) mas quando se trata do que eles próprios desrespeitam a coisa muda logo de figura. Sabendo nós o que ele é e a forma como pensa, o presidente do Irão respondeu à altura, pena é que se façam de desentendidos. Aliás estas atitudes dos EUA em relação ao respeito pelos DH sempre que a "coisa" não lhes interessa só dá força a gente como Ahmadinejad e quejandos, para fazerem o que fazem.

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  6. A pena de morte é a punição mais cruel, desumana e degradante que pode existir e pior, é irrevogável. Muitos defensores justificam-na com o impedimento para crimes futuros, mas a verdade é que a pena de morte não significa protecção nem traz benefícios à sociedade. Os sistemas judiciais, dependentes da acção humana e dos seus possíveis erros, em vez de servir muitas vezes aplicam a justiça de uma forma perversa. Uma defesa mal preparada, a falta de provas, ou mesmo a decisão de falsa acusação por parte das autoridades, podem resultar em condenações erradas. A discriminação é uma imposição arbitrária da pena. Muitos prisioneiros têm sido executados ao longo das últimas décadas, apesar das fortes dúvidas acerca da sua real culpa e a abolição da pena de morte é o único caminho para assegurar que esses erros não ocorram. Os EUA é o campeão na aplicação de penas de morte e consequentemente o país que comete mais erros de justiça, só que infelizmente muitas vezes essa constatação chega tarde demais.

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