Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

Jogar o futuro em Nova Iorque



Incluo-me no grupo dos que acreditaram nas boas intenções de Obama e se empolgaram com a sua eleição. Cheguei a escrever aqui um post emocionado, no dia em que os americanos o confirmaram como sucessor de Bush. (arrependi-me irremediavelmente, mas não o apago para me poder envergonhar da minha ingenuidade) .

Acreditei que Obama iria redimir “a América” dos pecados de Bush e seria o travão ao emergente “Tea Party” de Sarah Pallin;

Acreditei que Obama iria ter uma postura diferente face à América Latina e ao mundo em geral, limpando os Esatdos Unidos da cumplicidade com as ditaduras sul-americanas, da vergonha da guerra do Vietname, da invasão do Iraque, ou do Afeganistão;

Acreditei na sinceridade das palavras de Obama no célebre discurso do Cairo.

Esqueci-me de uma coisa: americano, seja qual for a cor da pele, ou a opção ideológica, nasce com o chip da prepotência e da arrogância incorporado. Por isso, sendo o país mais rico do mundo, é também aquele que alberga uma das maiores taxas de pobreza dos países ocidentais. Quando a academia sueca, numa decisão precipitada e com alguma dose de hipocrisia, lhe atribuiu o Nobel da Paz, escrevi aqui que Obama acabara de receber um livre de trânsito para o livre-arbítrio.Talvez só as condições económicas dos EUA o tenham impedido de abrir outros palcos de conflito pelo mundo, mas as circunstâncias da morte de Osama Bin Laden marcaram-no com um estigma de que jamais se livrará. Um dia se ficará a saber que a primavera árabe não foi o movimento espontâneo de cidadania que nos impingiram, mas até lá muita água correrá sob as pontes.

Na quarta-feira, o seu discurso na Assembleia Geral da ONU foi recebido com frieza. Aplausos, só mesmo no final e, mesmo assim, com pouca convicção. Será porém hoje, quando os EUA vetarem a pretensão da Palestina em ser considerada membro de pleno direito da ONU, que ficaremos a saber que Obama, afinal, não é muito diferente de Bush.

Crescerão por toda a parte os sentimentos anti-americanos e o mundo ficará ainda mais perigoso, mas o grande problema é que se o seu sucessor na Casa Branca emanar do Tea Party, ameaça transformar Bush num inocente cordeirinho de jogos de guerra.

Acreditem ou não, isto está cada vez mais a encaminhar-se para uma solução idêntica à que pôs termo à crise de 1929.

6 comentários:

  1. Apesar de NY os norte-americanos continuarão a ser, por alguns séculos mais, descendentes de cadastrados anglo-saxónicos. E hoje até me apetece ser racista, porque estou danada, logo não seria um meias-tintas que iria mudar o mundo. Ainda hoje lá foi executado mais um, apesar de quase todos os jurados terem indo mudando o seu veredicto. As crises só servem para enriquecer mais uns quantos. E os EUA só deixarão de ser os carrascos do mundo,
    quando forem auto-suficientes em todas as matérias primas e em tudo que precisarem. Entretanto continuarão a ser uns cataventos.
    (É melhor não falar muito porque Guantanamo continua aberta e os cubanos nada podem fazer.)

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  2. Grande parte da minha família do lado materno saiu andarilha e tenho muitos primos radicados nos Estados Unidos, alguns já lá nascidos(os pais deles já partiram todos).
    Tendo havido um almoço de família no domingo com cinco deles que vieram de férias são todos unânimes na afirmação da derrota de Obama nas próximas eleições e da desilusão que ele está a ser!

    Abraço

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  3. Também eu partilhei ingenuamente do entusiasmo colectivo pela eleição de Obama... e me sinto desiludida com o desenrolar dos acontecimentos. Também penso que é assustadora a ideia de ele perder a próxima eleição para um desses radicais do tea party...

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  4. Acreditar que a Marioneta que é eleita Presidente dos EUA tem algum poder... é como acreditar que as 8 Famílias vão doar a sua fortuna aos pobres e necessitados de todo o Mundo...

    Ah! E ainda lhes sobrava dinheiro!

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  5. Só espero que esteja enganado! Neste caso, era muito bom sinal...

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  6. "americano, seja qual for a cor da pele, ou a opção ideológica, nasce com o chip da prepotência e da arrogância incorporado."

    Não concordo nada. Conheço vários norte-americanos e fogem totalmente ao estereotipo por si criado. Compreendo que esse discurso agrade a alguns partidos políticos...

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