Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Digital à força...



Sempre fui apaixonado por fotografia, mas nunca fui grande fotógrafo. A minha paixão começou a desvanecer-se quando deixei de poder revelar as minhas fotografias em casa mas, mesmo assim, guardo em álbuns alguns milhares de fotos que fui acumulando pelos 98 países que já visitei.

Quando começou a febre do digital experimentei, mas não fiquei fã. Reconheço todas as suas vantagens, mas mantenho uma relação muito estreita com as máquinas fotográficas que me têm acompanhado ao longo da vida.

A última foi-me oferecida há mais de uma década e desde então tornou-se minha companheira inseparável. É uma Olympus XPTO que custou uma pipa de massa e usa rolos Advantix. Para quem não saiba, esses rolos permitem tirar fotos em três formatos, o que é uma mais valia apreciável. A grande contrariedade, nos últimos tempos, era a demora na revelação. Três dias, no mínimo.

Há uns meses manifestei a minha estranheza na loja onde mando revelar e gravar as fotos em CD, por ser necessário um prazo tão alargado para revelar as fotografias, porque ainda há um ano bastavam duas horas para ter as fotos reveladas e gravar o CD não demorava mais do que um dia. Deram-me uma explicação que já não recordo bem, mas me deixou a pensar na necessidade de aderir ao digital, porque nem sempre os trabalhos que faço se coadunam com tempos de espera tão demorados.

Quando estive de férias, em Junho, levei uma máquina digital, mas senti de tal maneira a falta da minha Olympus, que durante a ida ao norte optei por levá-la outra vez comigo. Senti-me bem e prometi-lhe que não me voltaria a separar dela.

Quando mandei revelar as fotografias disseram-me que as podia ir buscar no seguinte e o meu rosto abriu-se num sorriso de orelha a orelha. Mas logo franzi o cenho, quando o proprietário do estabelecimento me disse:

“Tenho uma má notícia… os rolos Advantix deixaram de se fabricar.”

Perguntei porquê, mas o homem também não me soube dar uma explicação. Tinha recebido a informação da Kodak e da Fuji de que a partir de Junho não forneceriam mais rolos, porque tinham deixado de os fabricar. Sem explicações… Ele também não percebia, porque era um material que se vendia bem, apesar da crescente opção dos clientes pela fotografia digital.

No dia seguinte andei por Lisboa à procura de rolos Advantix. Consegui abastecer-me de alguns com validade até 2013, mas nas lojas onde entrei avisaram-me que era a última remessa. Ninguém tinha explicações para a decisão simultânea da Kodak e da Fuji suspenderem o fabrico dos Advantix. Até porque os outros filmes, de tecnologia menos apurada, continuam a fabricar-se...

Eis-me agora, com uma máquina fotográfica nas mãos sem qualquer serventia, entrada em obsolescência, por decisão inexplicável da Kodak e da Fuji.Contrariado, serei obrigado a render-me ao digital e a catalogar a minha Olympus como peça de museu.

O mais curioso é que tenho uma Leica de 1926, com rolos de carretos, como a que podem ver na imagem, para a qual ainda é possível encontrar rolos à venda no mercado!

Vá a gente perceber estas decisões…

13 comentários:

  1. É uma maneira de venderem outra. Que acontece com as impressoras? Fica mais barato comprar uma nova que comprar tinteiros. Há que renovar as coisas, assim eles continuam a vender.

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  2. Pois é, não se entende...mas não desista já, pode ser que via internet consiga encontrar rolos.
    Eu já tenho comprado algumas coisas assim e através de um banco virtual (para ser mesmo verdadeira quem me faz isso é o meu rapaz)

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  3. O digital ganha terreno a cada dia que passa.
    Como deve recordar-se, só há cerca de 10, 8 anos é que o digital se banalizou. O que havia custava fortunas e era de baixa qualidade, não ultrapassando os 2 megas.
    Desde então, a evolução foi tremenda, na capacidade, mas acima de tudo na qualidade. E se quisermos ter em conta a possibilidade de editar e manipular cada pixel, então o patamar sobe exponencialmente.
    O filme tem outra magia, mas o que se consegue hoje em dia em custos radicalmente inferiores, em tempo e acima de tudo em poupança de recursos, vale bem a mudança.

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  4. Não há volta dar. E com o advento das digitais com o sensor do mesmo tamanho das analógicas aí deixa de haver razão para a existência destas últimas. O golpe de misericórdia será quando este formato chegar também ao grande público.

    Aqui por casa coabitam umas e outras, umas mais por afeição do outra coisa.

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  5. É a era digital a ganhar cada vez mais terreno.
    Gosto de fotografia, mas não tem "olho" nenhum para a coisa.
    Beijo

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  6. Conheço muitas pessoas que gostam de fotografia e que sentem o mesmo... uma pena mesmo... mas irreversível...

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  7. Isso de nos contar que tem uma Leica de 1926 só pode ser para nos fazer inveja...

    :)))

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  8. Pois, já não tenho máquina de rolos há anos, mas é mais ou menos previsível que alguns desses produtos sejam descontinuados. Às tantas as duas maiores empresas fazem um balanço, custos de produção e procura no mercado e chegam à conclusão que não compensa. E assim também "incentivam" a malta a comprar máquinas novas... ;)

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  9. não há dúvida que as máquinas pré-era digital têm todo um outro charme... eu tenho um Kodak bem antiga, acho até que passou dos meus avós para os meus pais, e também não a posso usar - usa um tipo específico de rolos que já não se fabricam... sinais dos tempos... maus sinais, mas pronto!

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  10. Carlos
    Tenho algumas bem antigas por aqui.
    Essa da foto é uma delas.
    Era do meu pai e já revelou momentos inesquecíveis.
    Muitas vezes é difícil ver o mundo mudar tão rápido não?
    Beijinhos

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  11. Eu tinha aqui uma Pentax que me era inseparável.Uma das melhores sequencias de fotos do meu filho fiz com ela quando ele devia ter uns 5 anos de idade.Quando entraram em casa a levaram.Um primo me deu outra igualzinha(que era da minha tia) de presente.Eu adorei o gesto...mas não era a mesma coisa.E hoje também não encontro mais filmes para ela.Me contento agora com uma digital que não me satisfaz plenamente.

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  12. Infelizmente dá vontade de dizer que é o adventix dos tempos. Sabe bem sentir a fotografia, o cheiro do papel, notar as manchas ocre que se instalaram e a textura sepia de um outro olhar que o tempo gravou para sempre, mas depois dou comigo a digitalizar o álbum de fotos para partilhar com a familia!

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  13. 98 países é obra!!!
    Eu ainda só vou nos 20 e poucos, mas espero chegar pelo menos à meia centena. Se visitar todos os países da Europa, quase todos da América, e alguns de África e da Asia, e se puser o pé na Oceânia lá chegarei. Se Deus me der saúde e dinheiro, vou conseguir...

    Quanto às máquinas, as digitais vieram a revolucionar completamente a fotografia, são mais práticas, baratas e sobretudo melhores.

    A única coisa que se perdeu para as outras máquinas foi aquela expectativa da revelação, friso, a expectativa que até era gira, dava algum suspense, e não a revelação em si, que é cara e relativamente morosa.

    Hoje depois de uma viagem, chego a casa e é só descarregar as fotografias para dentro do meu computador e ficar ali a deliciar-me a vê-las. Se houver alguma de que gosto particularmente revelo-a.

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