sexta-feira, 30 de setembro de 2011

CR sub-30: os códigos





Ainda não disse que os seniores viajam de fato e gravata, o que na sua idade é, normalmente, um código indicador de que têm emprego. São empregados por conta de outrem, caso contrário viajariam em viatura própria. Noutros tempos, quando eram jovens, romperam com os ditames da moda, inventaram um novo estilo de vestuário que não respeitava códigos. Adultos e bem instalados na vida recuperaram os códigos dos pais.

Os jovens vestem de forma diferente. Um deles usa fato e gravata e um discreto piercing no lóbulo esquerdo. Cabelo cuidadosamente penteado, calças com vincos bem definidos e sapatos brilhando.O outro usa jeans, sapatilhas e uma t-shirt estampada debaixo de um blusão. No pescoço, emerge a ponta de uma tatuagem. Ambos levam consigo computadores portáteis.

Os seniores são filhos de uma geração que utilizava códigos de vestuário que estratificavam as pessoas social e profissionalmente. Talvez por isso vistam fatos cinzentos muito semelhantes e gravatas discretas, numa concessão à memória dos pais.

Os jovens já não pertencem a esse mundo. A forma de vestir deixou há muito de ser um código massificado, cada um veste-se de acordo com o seu gosto pessoal. O piercing, a tatuagem e o computador portátil que ambos transportam, não deixam, no entanto, de ser códigos. Os dois vão trabalhar. Quiçá na mesma empresa, até no mesmo departamento e talvez partilhem um gabinete. No entanto, cada um criou a sua individualidade , o seu “eu”, sem necessidade de uma manifestação grupal e distintiva.

Na época da sociedade de consumo de massas, em que cresceram e viveram aqueles seniores, a moda ditava as regras em cada estação do ano. Na sociedade do hiperconsumo e da hiperescolha, em que vivem estes jovens, são eles a ditar as regras, transmitindo sinais ao mercado sobre as suas expectativas e exigências.

Foi assim que a moda se segmentou em nichos de mercado, procurando agradar a todas as clientelas, satisfazendo todos os gostos, mesmo os mais bizarros. Quando os seniores eram jovens, não havia moda de roupas para grávidas ou obesas, para bebés ou velhos. O fato de treino era exclusivo dos atletas e as roupas explorando a sexualidade feminina eram (quase) exclusivamente destinadas às “teenagers”.

Hoje em dia, quem tentar analisar alguém através dos códigos de vestuário, corre o risco de cometer sérios erros. Os códigos não são, no entanto, exclusivos do vestuário e adereços. Existem nas actividades de lazer e culturais, nas opções alimentares, na forma como decoram os espaços, nas opções de férias, na forma como cuidam do corpo e, essencialmente, na forma como se relacionam com os outros.

(Continua)

Sugestões de leituras complementares: Hoje proponho esta leitura para os homens


Para quem se interessar sobre questões da moda, recomendo a leitura dos posts 111 a 116 do Rochedo das Memórias

Tome o pequeno almoço com as baleias

Com esta notícia termino a publicação de posts sobre o ano de 2031, numa "parceria" com o jornal gratuito Metro. Logo mais, continua a viagem de Metro


Na Patagónia argentina, a construção sofreu um boom espectacular, graças aos investimentos sul-coreanos. Um hotel de 7 estrelas foi construído em Península Valdez, tendo todos os quartos, equipados com piscina, vista para as baleias e restante fauna marítima, que está quase em vias de extinção. O património natural da Terra do Fogo foi devastado pela indústria farmacêutica, que aí encontrou a substância necessária para o fabrico da vacina contra o vírus da Gripe Z, com origem na Indochina. Os vestígios do Perito Moreno continuam a ser visitados anualmente por milhões de turistas orientais, enquanto os chineses acabam de estabelecer um consórcio com Angola e a África do Sul, para a exploração de minérios raros em Machu Pichu, no Peru.

Justiça portuguesa ganha credibilidade

Aqui vai mais um post futurista

Lisboa, 30 de Setembro de 2031


Foram finalmente condenados os três réus do caso Casa Pia, entretanto falecidos. Os casos Freeport e Face Oculta aproximam-se das alegações finais e o Primeiro Ministro Paulo Tavares, filho do escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares, anuncia a construção da 7ª travessia sobre o Tejo, ligando a estância balnear do Bugio ao Forte de Caxias.
Há mais seis acusados na Operação Furacão. Dias Loureiro e Armando Vara reformaram-se há vários anos, mas os seus processos continuam em segredo de justiça.


A polícia brasileira continua a investigar se Duarte Lima ( falecido no início do ano num acidente de automóvel) tem alguma responsabilidade na morte da viúva de Tomé Feiteira. O semanário Sol , graças à investigação levada a cabo por Teresa Cabrita, filha mais nova de Felícia Cabrita, apresentou novas provas que incriminam Duarte LIma, mas a polícia brasileira recusou-se a comentar.


Turquia adere à União Europeia em Outubro

O CR associa-se à iniciativa do jornal Metro e publicará quatro posts futuristas sobre o mundo em 2031
Aqui vai o segundo:


A União Europeia, presidida pela filha de Mussolini, anunciou que a Turquia será, a partir de 1 de Julho, o 39º estado-membro. A adesão será concretizada a 13 de outubro, dia em que o Parlamento Europeu irá votar o Tratado de Vilnius - sucessor do Tratado de Lisboa- que os estados -membros estão a discutir há sete anos, prevendo-se agora um entendimento, graças à intensa actividade diplomática da Ucrânia, Rússia e Bulgária, que obrigaram alemães e ingleses a ceder às suas pretensões.


A aprovação deste Tratado é fundamental para o futuro da Europa, actualmente o maior exportador do mundo, mas que os chineses acusam os europeus de concorrência desleal, por praticarem salários de miséria. Este ano aumentou o número de cidadãos europeus que emigraram para a Ásia e América Latina, em busca de melhores condições de vida. Mas a Europa continua a dar cartas no desporto. No futebol, por exemplo, a Suíça sagra-se campeã mundial.

MP 12 revoluciona o mundo dos gadgets

O CR decidiu associar-se à iniciativa do jornal Metro e publicar, ao longo do dia, alguns posts sobre o mundo em 2031. Aqui vai o primeiro:

Será hoje apresentado, na sala de espectáculos do Burj Dubai, o gadget que fará as delícias dos consumidores de todo o mundo: o MP- 12. Para além das funções do MP-4, este aparelho inventado pelos japoneses traz incorporado um Karaoke, a Bimby, uma televisão digital de imagem tri-dimensional, telescópio, computador pessoal com ligação a 179 redes sociais, “scanner” com capacidade para digitalizar a biblioteca do Pacheco Pereira na Marmeleira, em apenas 39 segundos e detector de terroristas.Os convidados para a cerimónia deslocar-se-ão nos seus monolugares telecomandados e movidos a laser, baptizados com o sugestivo nome de “ Alegria do Povo”, e terão oportunidade de assistir à primeira actuação da mop star virtual Sun LiSerá também lançado em Xangai o livro “ E Tudo o Oriente Levou” do escritor cambojano, Ka Mah Ne

Sucessos de Verão - The End


Termina hoje esta rubrica sucessos de verão. Nada melhor do que fechar a porta com uma última Valsa, que foi outro estrondoso sucesso de Verão. Não vos parece bem?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CR sub-30- ex-machina, ou a geração em rede

Para ler os capítulos anteriores clique na imagem da direita CR sub-30

Os jovens que viajam no Metro levam computadores portáteis. Talvez em casa tenham atendedores de chamadas, um televisor no quarto se viverem com os pais, ou no quarto dos filhos, se forem casados. Quando à noite chegarem a casa, fora de horas porque tiveram de fazer horas extraordinárias, vão ao frigorífico, pegam numa refeição pré-cozinhada e preparam-na no micro-ondas porque vivem sozinhos ou a família já jantou há muito. Depois, talvez vejam um pouco de televisão, ou se liguem à Internet e conversem com amigos e desconhecidos nas redes sociais.

Neste curto espaço de tempo, utilizaram uma série de aparelhos que ajudaram a moldar a sociedade actual e os padrões de vida que facilitaram o crescimento do individualismo e modificaram a organização social. O aparecimento de produtos facilitadores da vida independente e solitária, a variedade da oferta e a rápida obsolescência dos produtos criaram um consumidor mais exigente, mas dominado pela obsessão de consumir de acordo com os seus gostos e exigências pessoais.

Assim nasceu um consumidor tiranizado pelo prazer e pela personalização dos produtos que ( quer pelas suas características, quer pelos serviços pós-venda, quer ainda pelos upgrades que proporcionam) o distinguem do consumidor sénior, massificado pelo consumo padrão. A regra deste jogo é marcar a diferença em relação aos outros e comprar o que se quer, quando se quer, porque o dinheiro é uma mercadoria fácil e barata que permite satisfazer os desejos.
Os jovens não imaginam o mundo sem televisão, telemóvel, Internet e uma vasta parafernália de aparelhos,produtos e gadgets que ajudaram as pessoas a serem menos dependentes umas das outras; os seniores só tardiamente vieram a conhecer esses produtos, mas também os tornaram indispensáveis ao seu modo de vida.

Os seniores viveram numa sociedade estruturada em volta da família, onde eram o centro nuclear ; os jovens talvez vivam com os pais, sejam divorciados ou vivam sozinhos, mas sabem que a negociação no âmbito familiar passa pela repartição do tempo e das tarefas.
Os jovens, apesar de ainda não terem chegado aos 30 anos, já trabalharam em quatro ou cinco empresas diferentes, sempre com contratos precários, obrigados a fazer horas extraordinárias. Aprenderam, rapidamente, que o sucesso está associado às suas capacidades, mas também à promoção que façam de si próprios no seio da(s) rede(s) em que se movem.

Os seniores apenas conheceram uma empresa ao longo da vida, ( vá lá duas...) um patrão, fizeram a sua carreira profissional dentro da mesma especialidade e aguardam a reforma que o Estado Providência, com mais ou menos incumprimentos, lhes assegurou.

São modos de vida diferentes ( ou talvez nem tanto assim, como adiante veremos) mas com um denominador comum: Dionísio- o deus do prazer - comanda a vida de ambos.A grande diferença é que os seniores viveram numa sociedade igualmente dionisíaca, enquanto os jovens se depararam com uma sociedade onde a economia e a competitividade fecharam a porta a Dionísio, para deixar entrar Narciso.

( Continua)

Sugestão de leitura complementar: os loucos anos 20





O génio da lâmpada

Já sabíamos que tinhamos um primeiro-ministro mentiroso, mas simpatico ( o que explica o facto de os portugueses estarem constantemente a cair no conto do vigário, mas não apresentarem queixa à polícia, por terem vergonha de passar por estúpidos); um Goebbels Verde ( a relva para já ainda mantém a cor) que contratou como especialista o Pedro Correia, agora nada preocupado com a falta de liberdade de expressão. Até já sabíamos que tínhamos um ministro que é um génio ( da lâmpada?)...mas pessoalmente não sabia que era caloteiro!


Preparava-me , após a descoberta, para escrever sobre este genial ministro da Deseducação. Iria certamente escrever que é um genial embusteiro, quiçá um genial imbecil e, comprovadamente, um genial pedante. Mas como entretanto ouvi isto, já não escrevo nada, porque está tudo lá. Ora oiçam...

Pedro e a Grafonola Ideal

Há duas semanas, na AR, Pedro Passos Coelho prometeu apresentar até dia 30 de Setembro o diagnóstico da Madeira e as medidas a adoptar para corrigir a dívida. Ontem deu o dito por não dito, reconheceu que tinha falado demais e não tem condições para apresentar as medidas que irão penalizar os madeirenses e, por arrasto, todos os portugueses.

Ficamos a saber que o nosso PM está condicionado na sua acção governativa pelo ministro Relvas - A Grafonola Ideal que o condiciona politicamente.Ora esta constatação, merece algumas reflexões.

Mais do que a dívida da Madeira, preocupa-me a desvalorização que Jardim lhe confere. Eu sei que apenas confirma o que já todos sabiam, mas disfarçavam assobiando para o ar: a Madeira é governada, há mais de 30 anos, por uma pessoa que poderia ser facilmente substituída, no exercício das suas funções, por um qualquer residente naquele edifício da Av. Brasil cujo nome oportunamente se me varreu da memória.

Entretanto, AJJ volta a falar de independência. Seria uma boa oportunidade para aceitar a proposta, apesar de no dia seguinte ele ter afirmado que afinal seria uma má ideia. É o desnorte de uma criança apanhada, em flagrante, a assaltar o pote da geleia.

Depois da intervenção punitiva de Relvas, ficamos porém todos a saber que PPC, além de medroso, não é homem de palavra. Ficará à espera dos resultados eleitorais para anunciar as medidas, ganhando espaço de manobra. Se AJJ vencer com maioria, os portugueses pagarão uma boa factura dos desvarios do aldrabão da Madeira. Se não o conseguir, os madeirenses pagarão uma factura mais pesada, aliviando os sacrifícios dos portugueses.

Ter um primeiro ministro com reserva mental não indicia nada de bom para o nosso futuro, mas ter uma Grafonola Ideal a condicionar a sua acção governativa, é preocupante.

A Vespa (que) não lê blogs

A "Vespa", rubrica da secção política do DN, perguntava no último sábado quem seria o membro do gabinete de Relvas, cuja tarefa é inspirá-lo com citações literárias: Correia? Figueira? Gonçalves?



A "Vespa" não deve ler a blogosfera, caso contrário saberia a resposta. Pois é esse mesmo, aquele blogger que transforma as badanas dos livros em posts literários e deixou de escrever posts a desancar no José Eduardo dos Santos, desde que a "Visão" publicou um trabalho sobre Relvas. O respeitinho é muito lindo, quando a conta bancária fala mais alto!

Notícias da Primavera árabe

As mulheres continuam a adquirir novos direitos.

Sucessos de Verão (63)


A bota das sete léguas também foi um grande sucesso de Verão, mas aqui houve dedo do papá...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

100 dias,100 ideias

É o balanço dos primeiros 100 dias de governo. Não há uma ideia, não há um rumo, não há um sinal mínimo de coerência. O único ideal deste governo é governar com ódio e desprezo por quem trabalha.

CR sub-30: Filhos de Dionísio





Os seniores da carruagem de Metro são filhos do conflito da II Guerra Mundial, precursores da geração dos baby boomers e frequentaram a Universidade, numa época em que a figura de Dionísio animava as discussões sobre as democracias emergentes, nascidas num quadro de expansão de valores hedonísticos, geradores de modos de vida que entraram em ruptura com a sociedade autoritária e tecnocrática.

Assistiram à explosão da sociedade de consumo de massas, onde os actos de consumo se esgotavam na satisfação das necessidades. A mítica geração contestatária, intérprete do Maio de 68, do slogan Make Love Not War, protagonista de Woodstock, iria romper com os autoritarismos, lutaria contra a guerra e os proibicionismos sexuais , exaltando a libertação do corpo e reclamando o direito ao prazer.

O importante na juventude daqueles seniores foi, certamente, poder vibrar com as sensações do corpo, explodir contra as instituições burguesas desfrutar o prazer nos seus limites. Manifestou esse desejo em grupo. Transgredindo, expressando-se em manifestações de rua, em concertos rock com experiências psicadélicas, exaltando os prazeres da carne e do consumo de massas, glorificando o “Peace and Love”, a força do grupo.

A geração destes seniores viveu um período áureo em que o mundo evoluiu da penúria para a abundância, quando a sociedade de consumo apenas pretendia satisfazer as necessidades dos consumidores e não lhes colocava, em cada acto de consumo, um questionário de escolha múltipla.

Os jovens que viajam no mesmo Metro nasceram numa sociedade diferente, onde o espírito de transgressão continua a existir, mas passou de moda, a sociedade de consumo de massas evoluiu para a sociedade da hiperescolha, movida pelos megabytes das novas tecnologias em que o cidadão consumidor é confrontado com múltiplas ofertas e aliciado, pelo marketing e pela publicidade, a usar e deitar fora, a cultivar o desperdício, porque as novidades surgem em cada dia e o crédito se anuncia, libidinoso, como mulher de vida fácil oferecendo os seus préstimos em cada esquina.


Dionísio já não mora aqui?

Os seniores cresceram numa época em que as alegrias eram colectivas e os prazeres se partilhavam em grupo, mas estes jovens deixaram de viver em grandes grupos e passaram a viver em nichos cada vez mais restritos, onde os gostos se personalizaram.Continuam a existir as manifestações de massas, como bem evidenciam os festivais de Verão, mas a oferta é agora muito mais diversificada e ir a um festival de Verão é mais um ritual do que uma manifestação de vontades. É uma forma de vida.Estes jovens substituitram a reivindicação pela satisfação quotidiana do prazer, mas tiveram o azar de percorrer o caminho inverso dos seniores. Nasceram, estudaram e cresceram numa sociedade de abundância mas, ao chegar à idade adulta, encontraram uma sociedade de penúria, onde o dinheiro deixou de ser barato e a forma de o alcançar através do trabalho, cada vez mais difícil.

Os jovens que viajavam no Metro naquela manhã vivem agora num mundo que parece ter saído do seu eixo e mudado a sua órbita. Quando a prosperidade parecia não ter limites e o triunfo da sociedade de lazer parecia iminente, tudo mudou. A globalização favoreceu o aparecimento de países emergentes como o Brasil, Índia ou China, que à custa de salários baixos conseguiram entrar nos tradicionais mercados de forma agressiva, alterando as suas regras. Empresas tradicionais deslocalizaram-se aproveitando a oportunidade de pagar salários mais baixos e se tornarem mais competitivas, mas perderam a sua identidade nacional.

O mercado de trabalho torna-se mais competitivo e os vínculos laborais mais precários. O consumo tornou-se o objectivo supremo das sociedades democráticas- que não são dionísicas- , mas Dionísio domina o estilo de vida de cada cidadão consumidor que satisfaz a sua voragem consumista em grandes superfícies profusamente iluminadas, com cantos de passarinhos robotizados e odores pré-fabricados, numa verdadeira orgia de ofertas .

O dinheiro é o novo rei dos mercados, regulador de conflitos, compra todos os prazeres e satisfaz todos os desejos, o bem estar o novo deus, a cultura do lazer um modo de vida. O hiperconsumo e a hiperescolha são as novas drogas que saciam a voracidade consumista, oferecendo-se aos consumidores com menos recursos, em saldos, liquidações, promoções e vendas a crédito.

Foi desta forma subtil que a sociedade de consumo foi criando as condições para o nascimento do consumidor individualista, dionisíaco e competitivo, que fermentou na sociedade da solidão, onde a Televisão e sobretudo a Internet , se erigiram a novas substâncias dopantes, acessíveis a (quase) todas as bolsas.

(Continua )

Sugestão de leitura complementar: Do cometa Halley à Primeira Guerra Mundial

A nova ideóloga do PSD


Teresa Leal Coelho, vice-presidente do grupo parlamentar laranja tem uma peculiar visão sobre as soluções para a governança coelhista.

" Se dizem que a proposta viola a Constituição, mude-se a Constituição" disse durante a discussão da proposta de lei sobre o enriquecimento ilícito.


A próxima proposta da Tareca laranja será, porém, muito mais radical.


" Se o despedimento sem justa causa é inconstitucional, acabe-se com os trabalhadores!" -dirá a vice laranja durante uma próxima intervenção na AR.


Legítima defesa

Alberto João Jardim escondeu a dívida em legítima defesa...
O governo vai abotoar-se com as verbas do Euromilhões, em legítima defesa...
E eu?


Vou pedir um empréstimo avultado a um banco e depois emigro, porque Portugal está cada vez mais perigoso e sempre poderei invocar a fuga, como legítima defesa...

Sucessos de Verão (62)


Estes estavam mesmo perdidos no fundo do baú. Resgatei-os já quase no fim da época... Muitos parabéns a quem ainda se lembrava deles.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Festa da Vida



Começa amanhã, no Centro de Congressos do Estoril e na FIARTIL, a Greenfest- uma festa a que não devem faltar. Uma boa oportunidade para aprendermos a ser consumidores mais responsáveis e nos convencermos, de uma vez por todas, que se mudarmos os nossos comportamentos e hábitos poderemos construir um futuro melhor para os nossos filhos.

Até 2 de Outubro, pode participar em conferências, conhecer novos produtos verdes, abastecer-se num mercado biológico, conduzir um carro eléctrico, passear de bicicleta, participar em passatempos e até ganhar alguns prémios. Vá, leve a família e divirta-se. Eu lá estarei a partir de amanhã.

CR sub 30- A viagem começa aqui...




Lisboa, 10 horas da manhã de um dia qualquer.

Na estação de Metro do Campo Grande, dois jovens maduros em aparente despedida daquele período épico da vida em que os aniversários ainda se celebram com um 2 à esquerda, entram numa carruagem parcialmente vazia. Sentam-se lado a lado.Um deles põe as pernas em cima do banco da frente.

Conversam num tom de voz perfeitamente audível pelos restantes passageiros, manifestamente exagerado para quem está sentado lado a lado. Não têm problemas auditivos. A explicação para que a conversa se desenrole numa escala de decibéis manifestamente desajustada está, porém, nos ouvidos, já que ambos exibem apêndices auriculares , que lhes permitem escutar a música dos seus i-pods ou MP 3.


Trata-se, afinal, de aproveitar ao máximo as potencialidades do corpo. Se a Natureza os presenteou com dois ouvidos, não foi certamente para que pudessem conversar em estereofonia. Então, há que desfrutar as dádivas da sociedade da hiperescolha e,enquanto ouvem música por um ouvido, conversam pelo outro, porque não há razão para se privarem do prazer da música, enquanto falam.


Provavelmente, nenhum deles sabe a música que o outro está a ouvir. Podem ser de géneros tão diferentes quanto as opiniões de cada um sobre um lance polémico de um jogo de futebol da véspera, ou tão semelhantes como a sua postura descontraída numa carruagem de Metro, que ocuparam com o mesmo à vontade de quem vê um filme em casa, enquanto come umas pipocas e bebe uma coca –cola ou uma cerveja.


Haverá quem veja neste cenário má educação. E quem o explique como uma postura própria de jovens dos tempos modernos que tiveram a felicidade de nascer numa época de liberdade. Uma discussão inócua, mas considerada útil por dois cidadãos seniores, em vésperas de reforma, que àquela hora viajam na mesma carruagem, observando a cena de soslaio.


Entre os seniores, a conversa desenrola-se num tom de voz mais recatado, quase imperceptível, mas quando chegarem ao final da viagem , no Marquês de Pombal, manterão as discordâncias quanto à interpretação da cena. Do mesmo modo, os jovens que sairão no Saldanha não terão chegado a acordo quanto ao lance de grande penalidade não assinalada pelo árbitro no jogo de futebol a que ambos assistiram na véspera, do qual viram dezenas de repetições. Insuficientes, porém, para se porem de acordo, talvez porque o amor clubístico se sobreponha à razão.

Este intróito pode parecer descabido, mas se o leitor tiver paciência para ler os próximos capítulos, talvez acabe por concordar que, afinal, isto está tudo ligado.

A viagem continua amanhã, sensivelmente à mesma hora...

Sugestão de leitura complementar: Das demoiselles d'Avignon ao Ford T

Figura da semana

Carvalho da Silva

Sempre tive grande admiração por Carvalho da Silva. Além de uma imagem de cordialidade, tem um discurso pedagógico, inteligente e certeiro. Põe o dedo na ferida e aponta sem dramatismos, mas com vigor, os atropelos que os sucessivos governos têm praticado, cedendo aos interesses do capital e subtraindo a quem trabalha os direitos que a legislação laboral e a Constituição lhes conferem.
Nas última semanas, Carvalho da Silva não precisou de muito para recuperar a simpatia junto de muitos comunistas. Apesar de algumas tiradas certeiras, as sua palavras não tiveram muito eco na comunicação social.
Pelo contrário, a conversa amigável entre Mário Nogueira e Passos Coelho e o recuo do sindicalista “corajoso” que enfrentou duas ministras, mas se acocorou quando lhe apareceu um homem pela frente, devem estar a irritar muita gente na Soeiro Pereira Gomes.
Como bem salientava Filomena Martins este fim de semana no DN, o líder da FENPROF terá perdido nos últimos meses o capital de confiança que granjeara e o apontava como eventual sucessor de Carvalho da Silva à frente da CGTP.
Vamos a ver se isso não é um sinal de mudança de rumo e lá mais para diante não seremos surpreendidos com uma conversão…
Carvalho da Silva, todos o sabemos, é uma pessoa culta e de grande integridade no plano pessoal e cívico. A pessoa certa à frente da CGTP, mas que muitos não desdenhariam ver como sucessor de Jerónimo de Sousa.

Na cama com o governo ( salvo seja...)

Todos os dias ouço Vítor Gaspar e Passos Coelho, à vez ou em uníssono, fazerem declarações que me deixam deprimido e me fazem temer pelo futuro.
Há pouco, enquanto ouvia o ministro Álvaro no "Prós e Contras", fiquei preocupado com o seu optimismo. Prometeu-nos um futuro tão risonho, que cheguei a pensar estar a sonhar. Belisquei-me. Afinal estava acordado. Foi então que a dúvida se instalou...
Será que o ministro da Economia, Emprego "e não sei que mais" já percebeu que está em Portugal e faz parte do mesmo governo que diariamente nos pede novos sacrifícios, ou pensa que ainda está no Canadá?
Eu sei que é preocupante constatar que temos um governo bipolar e ouvir da boca do ministro que, em vez de um, vamos ter dois TGV, mas com nome de comboios de alta velocidade. Um partirá de Sines e outro de Aveiro! Mas logo o ministro Álvaro garantiu que, além disso, a economia vai crescer como já não crescia desde 2000 e que dentro de pouco tempo irá anunciar uma série de medidas para dinamizar a economia, tornando-nos tão competitivos que abriremos todos as bocas de espanto. Pela primeira vez, nos últimos meses, fui deitar-me com um sorriso, revigorado graças a esta injecção de esperança.
Estava quase a adormecer quando Morfeu me veio inquietar de novo. Perguntou-me se eu era capaz de imaginar uma reunião do Conselho de Ministros de um governo com posições tão díspares. Fiz um esforço. Imaginei, mas fiquei com insónias quando pensei nos resultados e vim escrever este post.
De qualquer maneira, gostei de ouvir o ministro Álvaro. Talvez ele tenha estado a falar do Canadá, mas o importante é que me fez acreditar que falava de Portugal. Obrigado, pois, senhor ministro! Tenha uma noite descansada...

Parabéns, Mr Google

Como o tempo passa! Parece que nasceu ontem e hoje já faz 13 anos. É verdade que já me tem provocado algumas arrelias e cheguei mesmo a pensar em trocá-lo por um Sapo, mas depois pensei que foi graças a ele que criei este blog e conheci gente muito fixe que teve a cortesia de aportar a este Rochedo e por aqui ficar em amena cavaqueira.
Por isso, mas também por outras coisas, muitos parabéns Mr Google, mas veja lá se deixa de pregar essas partidas típicas de adolescente, que me deixam à beira de um ataque de nervos. Treze anos? Já tem idade para se comportar como adulto, não lhe parece?

Sucessos de Verão (61)


Michel Sardou protagonizou vários sucessos medíocres. Este foi um sucesso de Verão, mas não era propriamente uma canção para ser dançada. Mas é belíssima, não acham? E o videoclip também se recomenda...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CR sub 30- Apresentação



Uma rubrica sobre o conflito de gerações? Nada disso.
Uma rubrica nostálgica de exaltação do passado? Também não.
Lembrei-me de a criar porque tive a felicidade de, durante alguns meses, animar uma tertúlia sobre o século XX com jovens entre os 18 e os 25 anos.
A pessoa que me lançou esse desafio sugeriu-me que utilizasse como guião o meu Rochedo das Memórias, trabalho publicado em 1999 e que aqui fui reeditando São 135 posts onde faço o meu retrato do século XX e que podem ler clicando na imagem da coluna da direita. Não correspondendo à versão integral, dão uma imagem da forma como me propus analisar o século XX, em 1999, num trabalho efectuado para diversas revistas portuguesas e sul-americanas.
Ao longo das sessões tertulianas, fui percebendo que a maioria dos 20 participantes tinha uma fixação nos anos 20 e nos anos 60/70. Um dia, perguntei:
- Estariam vocês dispostos a viver nos anos 20, 60 ou 70, sem usufruir dos padrões de consumo que o século XX vos proporciona? Encarariam esses períodos com o mesmo entusiasmo?
Não divulgo as respostas que obtive, enquanto não terminar esta série...
Até lá, apenas vos digo que o CR sub-30 tentará analisar as diferenças entre a sociedade de consumo de massas, que começou a emergir no final dos anos 20 do século passado e atingiu o seu apogeu no pós guerra, e a sociedade da hiperescolha em que vivemos nos últimos 15 anos.Foi essa diferença que moldou diferentes gerações.
Neste interim, o que mudou não foi o conceito de felicidade, foi o modo de a fruir. É sobre essa diferença que se falará aqui a partir de Outubro.
Antes de iniciar a rubrica irei entrar diariamente convosco numa carruagem de Metro, onde viajam quatro passageiros. Iremos ouvir as suas conversas, ver as suas reacções e comportamentos. E tentar perceber melhor o que separa um jovem de 30 anos, de um sénior com 60. Muito mais do que uma geração, é a distância entre Narciso e Dionisio.

Então até amanhã, sensivelmente a esta hora, numa estação de Metro perto de si.

Alice através do espelho




Portugal está a viver a maior crise de descrença nas instituições, de que tenho memória.


É sintomático que, perante a abertura de um inquérito às contas da Madeira, anunciado pelo PGR, as pessoas reajam com indiferença, antecipando-lhe o fim. É que mesmo no caso de AJJ vir a ser condenado, as pessoas sabem que ele nunca cumprirá qualquer pena.


Olham para o exemplo de autarcas como Isaltino de Morais ( apesar de condenado continua a exercer as funções de presidente da câmara de Oeiras) , Ferreira Torres, ou Fátima Felgueiras ( só para falar de casos mais recentes e mediáticos) e escondem um sorriso.


Lembram-se do juiz que absolveu Domingos Névoa pela tentativa de corrupção ao vereador da câmara de Lisboa, Sá Fernandes, invocando que o vereador não tinha poderes para satisfazer o pedido do empresário, e soltam uma gargalhada.


No caso Freeport, o concubinato entre jornalistas e sistemas judiciais deu para vender papel e os portugueses correram para as bancas a comprar papel de embrulho, ou postaram-se diante dos televisores a ver o telejornal, com o mesmo empolgamento com que acompanham as telenovelas brasileiras. O vilão daquele seriado, Sócrates, tinha todas as condições para ser odiado. Mesmo que o desenrolar da trama viesse a demonstrar que o enredo tinha sido fabricado para aumentar audiências, pouco se importavam, porque o “suspense” estava garantido.


É mais ou menos o que se está a passar com AJJ e a Madeira. O argumento deste seriado veio mesmo a calhar para desviar a atenção dos problemas que o país vive e remeter para segundo planos os sacrifícios que nos estão a ser pedidos. Serviu também para transmitir a imagem de que Passos Coelho é uma pessoa íntegra e dura, que não se deixa influenciar por interesses partidários.


O cenário foi bem montado, o protagonista é bem parecido, e o argumento bem construído. Não falta aquela pitada de suspense dos seriados de série B, nem o toque de telenovela das 9, mas o final não trará qualquer surpresa: os madeirenses voltarão a eleger AJJ com maioria e descobrir-se-á que o vilão não era o homem da casa da Vigia, que será coimado e admoestado, mas passará incólume ao desenrolar da trama.


O vilão desta novela de terceira classe é Pedro Passo Coelho, que utilizou as diatribes de uma personagem de segundo plano, para o erigir a figura central, enquanto se escondia nos bastidores para fazer passar as suas políticas que visam a destruição dos direitos conquistados com o 25 de Abril. Os espectadores estavam muito distraídos e nem se aperceberam de nada…


Não me venham falar em crise das instituições. Não é que ela não exista, mas será mais apropriado falar em crise de cidadania. Se os portugueses fossem comprometidos com a vida cívica; se não se tivessem deixado obnubilar pelas promessas da Cinderella da sociedade de consumo; se não se tivessem deixado seduzir pelos enredos da telenovela em que se transformou a vida política portuguesa; se não tivessem deixado que a ficção lhes coarctasse o discernimento, nunca teríamos chegado a esta situação.


É sobre isso que todos devemos reflectir, antes que seja demasiado tarde.

Cavaco deixou boa imagem nos Açores e já tem grupo de fãs

Carlos César lamentou que Cavaco não tivesse aproveitado a ida aos Açores para contactar com as populações. Não sei se o presidente do governo regional dos Açores estava a ser sincero, ou simplesmente a fingir que não percebeu as razões da ida do PR ao arquipélago. Mas isso agora também não interessa nada... ou melhor, interessa tanto quanto o interesse de Cavaco em conhecer os problemas dos Açores.

As vacas açorianas ficaram radiantes com os elogios de Cavaco aos seus sorrisos e , na hora da despedida, não se esqueceram de retribuir a simpatia.


Esta, muito conhecida em Ponta Delgada, até pretendeu oscular o PR, mas um dos 12 seguranças que integraram a comitiva de Cavaco, impediu a concretização da demonstração afectuosa.

Esta, mais atrevidota, resolveu exibir o seu sex appeal, o que provocou uma cena de ciúmes de Maria Cavaco Silva. Mas foi ao chegar ao aeroporto que Cavaco teve a maior surpresa:



Um grupo de vacas enfeitadas a preceito manifestou-se e apresentou as suas reivindicações. Segundo fonte normalmente bem informada, Mário Nogueira terá pedido aos animais para não se manifestarem, porque neste momento há questões muito mais importantes para as vacas do que antenas parabólicas e telemóveis.



Créditos: a foto da manif foi surripiada ao blog Ideias e Ideais. Quanto às restantes, foram sacadas na blogosfera anglo-saxónica.

Sucessos de Verão (60)


Quem se lembra desta senhora? Confesso que não recordo nenhum sucesso criado por ela, por isso trago aqui uma canção de um grande filme da época, com a belíssima Anouk Aimée

domingo, 25 de setembro de 2011

Boas notícias de França

Vi notíciários televisivos das 20, mas nem uma notícia sobre a vitória dos socialistas em França. As boas notícias demoram sempre a chegar!

Quando uma imagem diz mais do que mil palavras

A imagem não precisa de legenda. O olhar de Portas diz tudo. A caixa de comentários está à vossa disposição...

Diz-me com quem andas...

O Presidente da República tem um álbum de fotografias com os seus amigos do peito. Aproveitando a deslocação de Cavaco Silva aos Açores- e a consequente ausência de Maria e do mordomo- o CR foi à Rua do Possolo dar uma espreitadela e conseguiu ler algumas das legendas que acompanham as fotos.


Oliveira e Costa


Legenda da foto no álbum de família de Cavaco: "Com um grupo de bons amigos que nunca me faltaram com nada, criou o BPN.Ofereceu-me umas acções que, ao fim de algum tempo, se tinham valorizado tanto que eu nem queria acreditar. Um grande amigo sem dúvida, o Oliveirinha, que em boa hora convidei para secretário de Estado e é agora meu vizinho na Coelha"


Dias Loureiro

Legenda:"Ficou tão feliz quando o convidei para ministro que telefonou logo ao pai a dar a notícia. Tem sido um amigo fiel, mas tive que lhe pedir quase de joelhos para se demitir do Conselho de Estado. Estava a causar-me problemas e penso que ele é bem mais útil ao país, ou pelo menos a mim, lá em Porto Rico. Ainda espero muito dele".


Duarte Lima


Legenda:Coitado! É bom homem, mas alguma coisa lhe subiu à cabeça que o desnorteou. Dizem-me uns amigos comuns que foi a doença, mas tenho as minhas dúvidas. Agora é suspeito de ter matado a viúva do meu amigo Feteira. Não sei se não terei de o retirar do álbum, para não me comprometer...


Alberto João Jardim

Legenda: A Maria diz que ele é um casca grossa, mas eu gosto dele e até acho que é um bocado parecido comigo. Um governante de mão cheia! Logo a seguir a mim, é o governante português de que mais gostamos cá em casa, depois do Salazar.


Em tempo: Cavaco Silva levou aos Açores uma comitiva de pelo menos 30 pessoas, onde se incluíam 12 seguranças, dois bagageiros e um mordomo. Nada mau, em tempo de crise...

Bate, bate,coração (26)

Colette Magny

Talvez estranhem trazer esta grande senhora aqui hoje, porque sai um pouco do registo habitual desta rubrica, mas fiquei assim depois de ontem escrever o post sobre o Tribunal Constitucional.
Além disso, esta canção fala de Portugal, de Lisboa e etc.

sábado, 24 de setembro de 2011

Qual é a surpresa?

O Tribunal Constitucional decide sempre para o lado que mais convém O melhor era rasgar a Constituição e extinguir o TC. Sempre se poupavam umas massas...
Mas do que eu mais gostei foi desta justificação: Foi uma opção do legislador democraticamente legitimado
Preparem-se, então, porque a partir de agora qualquer decisão tomada por este governo será considerada constitucional pelo TC.
Querem um exemplo? Se o governo decidir o despedimento de milhares de funcionários públicos, ou colocá-los na Mobilidade Especial com vencimentos de 50%, o TC vai dizer Amen.
Quando recebeu a notícia nos EUA, Passos Coelho deve ter rejubilado. Já pode avançar com as propostas de despedimento sem justa causa.

Que grande buraco!

Eu cá não sou de intrigas, mas dizem as más línguas que o buraco da senhora Merkel talvez seja muito maior que o dos 10 milhões de portugueses.

Olhó robot!

Um pai compra um robot, detector de mentiras, que dá chapadas nas pessoas quando estas mentem.
- «Filho, onde estiveste hoje?»
- «Na escola pai!»
-Pimba, O robot dá uma chapada ao filho!
– «Ok,prontos, vi um DVD em casa do Zé, pai!»
- «Que DVD?»
- «Ó pai, o Toy Story, caneco!»
-Pimba, o robot dá outro sopapo no filho.
– «Ok, o DVD era porno.» - choraminga o filho.
- «O quê?! Quando tinha a tua idade não sabia o que eram essas porcarias, 'tás a ouvir?» - invectiva o pai.
Pimba, o robot dá uma lamparina no pai!
A mãe ri-se perdidamente e diz:
«Ele é mesmo teu filho!»
- Pimba, o robot prega uma solha na mãe.




Com os devidos agradecimentos ao meu amigo Henrique, que me enviou esta magnífica estória para animar o nosso sábado.

Dress code para o fim de semana



Como ontem prometi, aqui fica uma sugestão para surpreender este fim de semana...

Vestir esta criação da CAOAZUL, ir jantar ao Madeirense e mandar a conta para a Casa da Vigia.

Sucessos de Verão (59)


Seria imperdoável omitir este estrondoso sucesso de muitos Verões, não vos parece?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma sugestão para o fim de semana

Para o fim de semana, ou para os dias seguintes. Aproveitar a Lisboa Restaurant Week e ir jantar a restaurantes sofisticados, por preços mais ou menos módicos. Mais informações aqui

Calem-se, por favor!

Central nuclear de Almaraz


Há uns dias, Miguel Relvas anunciava ao mundo que, “apenas dois meses após este governo ter tomado posse, já ninguém no mundo compara Portugal à Grécia”.No dia seguinte era conhecido o buraco da Madeira e Portugal surgia na imprensa mundial comparado à Grécia.

Dias depois , Pedro Passos Coelho foi entrevistado na RTP. Não pude ver a entrevista, mas soube que o PM admitira a possibilidade de um novo pedido de resgate, se as coisas corressem mal na Grécia. Dois dias depois, o governo grego era obrigado a anunciar novas e brutais medidas de contenção (milhares de despedimentos na função pública e cortes de 20 por cento nas reformas acima de 1200 €) perante a ameaça do FMI não libertar uma nova tranche do empréstimo em Outubro.

Tenham medo, muito, medo! É que estou a imaginar o dia em que PPC, depois de receber os amigos Pedro Sampaio Nunes e Patrick Monteiro de Barros, anuncie que a energia nuclear será a solução energética de futuro para Portugal.

Quando ouvirem essa declaração, fujam e para bem longe. De certeza que no espaço máximo de uma semana haverá um desastre nuclear na decrépita central de Almaraz, apenas a 100 quilómetros da fronteira portuguesa.

O melhor remédio contra a crise é...




Os portugueses andam tristes, cabisbaixos, vergados aos efeitos da crise. Nem estes belos dias de sol com temperaturas amenas parecem capazes de libertá-los do pesado fardo que carregam. Se pertence a esse grupo que pensa que já nada o diverte, anda com medo de ser despedido(a) e que não lhe renovem o contrato, ou está chateado (a) porque o emprego seu de cada dia é uma apagada e vil tristeza, dou-lhe um conselho: apaixone-se!
É bom estar apaixonado, sabem? A gente perde aquele ar sisudo de quem saiu da Repartição de Finanças, depois de volatilizar o subsídio de férias num imposto e fica com aquele olhar dengoso e quebrado, mirando-se ao espelho, enquanto sonha com a felicidade eterna.
Quando estamos apaixonados tudo é diferente. Ser “atropelado” por dois chineses, mais meia dúzia de putos mal educados na fila do autocarro, e ter de esperar pelo seguinte sob chuva torrencial, torna-se subitamente um pretexto para um arrolhar amoroso, de fazer inveja às gastas histórias de amor dos anos 30.
Encontrar a casa invadida pelo fumo emanado do andar do vizinho que decidiu assar sardinhas na varanda, é um óptimo pretexto para convidar o(a) parceiro(a) para um jantar romântico.
Tropeçar num monte de sacos de lixo descuidadamente deixados na rua, por preguiça de alguém em os colocar no contentor, ou apanhar um banho provocado pelo descuido de um condutor que não evitou a poça de água, são histórias que se arquivam no sótão das nossas memórias para mais tarde recordar.
Um monstruoso engarrafamento que enfurece qualquer mortal, transforma-se em algo insignificante, pretexto sublime para trocar promessas de amor eterno, se estivermos irremediavelmente apaixonados.
Para quê protestar contra o trânsito caótico, a indisciplina nas filas do autocarro, o lixo acumulado nas ruas, o ruído das obras que nos acordam às sete da manhã, o chefe que é grunho, o salário que é escasso, a televisão que não presta, o governo que não consegue debelar a crise, o Passos e o Cavaco que têm solução para todos os problemas mas fazem caixinha, se a solução é tão fácil? Apaixonem-se e verão que nada disto tem importância.
O amor é o remédio mais barato contra a crise e nem precisa de ser aviado na farmácia. Tomem uma embalagem inteira. Ficarão com os vossos problemas resolvidos e acabarão a dizer: Que bom é viver em Portugal!


Tenham um bom fim de semana. E se não souberem o que hão-de vestir quando se forem encontrar com o (a) namorado(a), amanhã pela manhã eu deixo-vos aqui uma sugestão que deixará o(a) vosso (a) parceiro(a) pelo beicinho!

Jogar o futuro em Nova Iorque



Incluo-me no grupo dos que acreditaram nas boas intenções de Obama e se empolgaram com a sua eleição. Cheguei a escrever aqui um post emocionado, no dia em que os americanos o confirmaram como sucessor de Bush. (arrependi-me irremediavelmente, mas não o apago para me poder envergonhar da minha ingenuidade) .

Acreditei que Obama iria redimir “a América” dos pecados de Bush e seria o travão ao emergente “Tea Party” de Sarah Pallin;

Acreditei que Obama iria ter uma postura diferente face à América Latina e ao mundo em geral, limpando os Esatdos Unidos da cumplicidade com as ditaduras sul-americanas, da vergonha da guerra do Vietname, da invasão do Iraque, ou do Afeganistão;

Acreditei na sinceridade das palavras de Obama no célebre discurso do Cairo.

Esqueci-me de uma coisa: americano, seja qual for a cor da pele, ou a opção ideológica, nasce com o chip da prepotência e da arrogância incorporado. Por isso, sendo o país mais rico do mundo, é também aquele que alberga uma das maiores taxas de pobreza dos países ocidentais. Quando a academia sueca, numa decisão precipitada e com alguma dose de hipocrisia, lhe atribuiu o Nobel da Paz, escrevi aqui que Obama acabara de receber um livre de trânsito para o livre-arbítrio.Talvez só as condições económicas dos EUA o tenham impedido de abrir outros palcos de conflito pelo mundo, mas as circunstâncias da morte de Osama Bin Laden marcaram-no com um estigma de que jamais se livrará. Um dia se ficará a saber que a primavera árabe não foi o movimento espontâneo de cidadania que nos impingiram, mas até lá muita água correrá sob as pontes.

Na quarta-feira, o seu discurso na Assembleia Geral da ONU foi recebido com frieza. Aplausos, só mesmo no final e, mesmo assim, com pouca convicção. Será porém hoje, quando os EUA vetarem a pretensão da Palestina em ser considerada membro de pleno direito da ONU, que ficaremos a saber que Obama, afinal, não é muito diferente de Bush.

Crescerão por toda a parte os sentimentos anti-americanos e o mundo ficará ainda mais perigoso, mas o grande problema é que se o seu sucessor na Casa Branca emanar do Tea Party, ameaça transformar Bush num inocente cordeirinho de jogos de guerra.

Acreditem ou não, isto está cada vez mais a encaminhar-se para uma solução idêntica à que pôs termo à crise de 1929.

Sucessos de Verão (58)


Esperemos que não seja verdade o que estes manos dizem e ainda possamos gozar uns belos dias de sol

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Romeu e Julieta (agora em imagens)

Pois é verdade! Romeu e Julieta é uma deliciosa sobremesa composta de queijo e goiabada ( marmelada é na versão portuguesa...). Se acompanharem com um moscatel, um Porto, ou mesmo um tinto de primeira escolha, ninguém vos vai criticar.
A origem é brasileira mas, como é óbvio, usei-a desde sempre, pois o meu pai nunca renegou as origens e foi assim que me ensinou. Sabem como é que ele chamava à mistura de queijo com marmelada? Tristão e Isolda!


Na dúvida... mate-se!


Hoje, escrevo sobre Troy Davis, outor negro condenado à morte pelo alegado homicídio de um polícia ( branco) em 1989. Minutos antes de ser executado, fixou o olhar na família da vítima e disse" Não matei o vosso pai, filho e irmão".

Não queria estar no lugar de um dos familiares das vítimas, ao ouvir estas palavras. É que as dúvidas sobre a culpabilidade de Troy Davis são muitas e o caso levantou grande celeuma nos Estados Unidos, onde até defensores da pena de morte, pediram que não se procedesse à execução, porque o processo estava cheio de irregularidades. Um deles é um ex-director do FBI e sabe certamente do que fala, outro é o ex-presidente Jimmy Carter.

Organizações internacionais, e o próprio Papa, pediram a suspensão da execução. Todas as instâncias de recurso, incluindo o Supremo Tribunal, recusaram os pedidos de clemência, apesar das dúvidas levantadas. Nos Estados Unidos é assim: na dúvida, mate-se!

Os americanos foram, certamente, criados em jogos de computadores com a missão de desempenhar o papel do criminoso "bom". Tudo o que façam- mesmo que seja transformar a justiça num jogo de fortuna e azar ou matar milhões de inocentes- desde que escudado no argumento da defesa da democracia - encontra justificação nos carneirnhos amestrados da comunicação social europeia, amplificadores de um grupo de governantes de mau porte.

No Ocidente, principalmente nesta Europa de energúmenos, critica-se a pena de morte em todos os países, menos nos intocáveis Estados Unidos. Foi por isso que há dias, quando o presidente iraniano concedia uma entrevista à Marcia Rodrigues e ela lhe perguntou "Qual é a sua opinião sobre a morte por apedrejamento?" Ahmadinejad respondeu com um certo cinismo:

- Qual é a diferença entre matar com pedras ou de outra maneira?

Romeu e Julieta

Não incluo este post na Pronúncia do Norte porque, apesar de "Romeu e Julieta" ser a denominação que dou a esta iguaria desde a infância, a origem do nome é brasileira. Já está muito vulgarizada hoje em dia em Portugal, mas talvez nem todos saibam o que é, por isso, aceito palpites.

Não, não se aceitam sugestões que liguem Romeu e Julieta ao idílio entre um coelho e um cavaco. Embora este também vá acabar mal, são coisas diferentes.
Entretanto, podem continuar a votar até final do mês nas maravilhas da gastronomia da blogosfera. Aqui

Morning call

Comecem bem o dia com queijinhos La Vache qui rit, mas não se esqueçam de agradecer ao sr. presidente por vos ter proporcionado este excelente momento de boa disposição.
Só uma pergunta: mas de que é que a vaca ri? Será mesmo do prado verdejante,? Hmmmm....

Sucessos de Verão (57)


Embora o Verão termine hoje, esta rubrica prolonga-se até final de Setembro. Para despedida de Verão não podia escolher outro sucesso de Verão, não vos parece?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Enfim, boas notícias!

Nasceram esta semana dois blogs novos:
O Hamburguer bem passado promete momentos de boa disposição
O Polaroid é um blog colectivo, onde participam alguns bloggers conhecidos de outras paragens. Na nota de abertura o Tomás Vasques promete um blog variado e à moda antiga. A seguir com atenção.
Entretanto , reapareceu o Quadripolaridades e a Pólo Norte vem cheia de fôlego!

E já que estou a falar de blogs, aproveito para informar que já está à venda o nº2 da "The Printed Blog". Ainda não tive tempo de ler, mas o elenco deste número promete boas leituras. Por apenas 1,95€, vale a pena...
Finalmente tenho o prazer de vos informar que na segunda-feira, às 18 horas ( mais coisa, menos coisa) será apresentado o CR- sub 30 e estão todos convidados para a cerimónia.
A nova rubrica " Volta a Portugal em Blog" entrará em velocidade de cruzeiro com fotos e histórias vividas nos locais por onde passar.
E, last but not the least, as crónicas voltarão com mais assiduidade do que estava ser habitual.
Há mais novidades a caminho, de que vos darei informação na devida altura.

Uma história de vida no dia da morte do pintor

Mural Ribeira Negra ( Ribeira , Porto)

A pintura que lhe deu origem está na Alfândega do Porto

Preparava-me para começar a almoçar quando o telefone tocou a anunciar a morte de Júlio Resende.
Mesmo sabendo há meses que o seu fim estava próximo, e não o vendo desde o dia em que lhe fiz uma pequena entrevista,fiquei sem palavras e recusei os filetes de linguado.

Gostaria de escrever aqui sobre aquele que foi, para mim, um dos maiores pintores do século XX. Não posso. Não sei escrever sobre pintura e nada que pudesse escrever sobre o homem seria desconhecido dos leitores do CR. Talvez apenas não saibam - os leitores mais recentes- que conhecia Júlio Resende desde criança, porque ele era amigo de infância da minha mãe e mantinha com a minha família uma relação estreita.

Mas não resisto a contar-vos, em breves palavras, um episódio sobre uma extraordinária revelação que me fez uma tarde.

Estava eu a fazer um trabalho de pesquisa para a disciplina de "História da Literatura Portuguesa" ( antigo 7º ano) quando descobri nos arquivos de "O Primeiro de Janeiro" uns contos de uma senhora que lá escrevera com um nome francês. Gostei bastante do que li e, como na altura não havia máquinas de fotocópias, cheguei a transcrever para um caderno algumas passagens, com o intuito de as incluir no trabalho.

Um dia, lanchava com Júlio Resende e a jornalista/poetisa/escritora Marta Mesquita da Câmara na Confeitaria Império, no Porto, e aproveitei a oportunidade para manifestar o desejo de conhecer a escritora.

Júlio Resende - ainda hoje penso que inadvertidamente- respondeu:

-Mas tu já a conheces!

Marta Mesquita da Câmara - que na altura, se bem me lembro, coordenava a secção cultural do diário portuense- lançou -lhe um olhar severo.

Como é que eu já a conheço? Não me diga que é aqui a Tia Madalena... ( pseudónimo utilizado pela escritora em várias publicações infantis)

- Não, não sou. A ... já deixou de escrever há uns anos, não deve estar interessada em falar sobre isso- respondeu secamente.

Insisti então que me dissessem quem era pois, se eu já a conhecia, tinha direito de saber, até porque isso iria ajudar a fazer o meu trabalho.

Sou teimoso e, quando uma coisa se me mete na cabeça, não a largo de ânimo leve. Marta Mesquita da Câmara acabou por se ir embora, manifestamente incomodada com a minha insistência.

Fiquei só com Júlio Resende, atazanado-o para que me desvendasse a identidade da autora. Ao fim de algum tempo ( não por cansaço, mas porque- confessou-me mais tarde- pensou que eu tinha o direito de saber) lá me respondeu:

" É a tua Mãe!"

Um grande abraço, Mestre! Obrigado por aquele dia e por tantos outros que tive o prazer de partilhar consigo.












Digital à força...



Sempre fui apaixonado por fotografia, mas nunca fui grande fotógrafo. A minha paixão começou a desvanecer-se quando deixei de poder revelar as minhas fotografias em casa mas, mesmo assim, guardo em álbuns alguns milhares de fotos que fui acumulando pelos 98 países que já visitei.

Quando começou a febre do digital experimentei, mas não fiquei fã. Reconheço todas as suas vantagens, mas mantenho uma relação muito estreita com as máquinas fotográficas que me têm acompanhado ao longo da vida.

A última foi-me oferecida há mais de uma década e desde então tornou-se minha companheira inseparável. É uma Olympus XPTO que custou uma pipa de massa e usa rolos Advantix. Para quem não saiba, esses rolos permitem tirar fotos em três formatos, o que é uma mais valia apreciável. A grande contrariedade, nos últimos tempos, era a demora na revelação. Três dias, no mínimo.

Há uns meses manifestei a minha estranheza na loja onde mando revelar e gravar as fotos em CD, por ser necessário um prazo tão alargado para revelar as fotografias, porque ainda há um ano bastavam duas horas para ter as fotos reveladas e gravar o CD não demorava mais do que um dia. Deram-me uma explicação que já não recordo bem, mas me deixou a pensar na necessidade de aderir ao digital, porque nem sempre os trabalhos que faço se coadunam com tempos de espera tão demorados.

Quando estive de férias, em Junho, levei uma máquina digital, mas senti de tal maneira a falta da minha Olympus, que durante a ida ao norte optei por levá-la outra vez comigo. Senti-me bem e prometi-lhe que não me voltaria a separar dela.

Quando mandei revelar as fotografias disseram-me que as podia ir buscar no seguinte e o meu rosto abriu-se num sorriso de orelha a orelha. Mas logo franzi o cenho, quando o proprietário do estabelecimento me disse:

“Tenho uma má notícia… os rolos Advantix deixaram de se fabricar.”

Perguntei porquê, mas o homem também não me soube dar uma explicação. Tinha recebido a informação da Kodak e da Fuji de que a partir de Junho não forneceriam mais rolos, porque tinham deixado de os fabricar. Sem explicações… Ele também não percebia, porque era um material que se vendia bem, apesar da crescente opção dos clientes pela fotografia digital.

No dia seguinte andei por Lisboa à procura de rolos Advantix. Consegui abastecer-me de alguns com validade até 2013, mas nas lojas onde entrei avisaram-me que era a última remessa. Ninguém tinha explicações para a decisão simultânea da Kodak e da Fuji suspenderem o fabrico dos Advantix. Até porque os outros filmes, de tecnologia menos apurada, continuam a fabricar-se...

Eis-me agora, com uma máquina fotográfica nas mãos sem qualquer serventia, entrada em obsolescência, por decisão inexplicável da Kodak e da Fuji.Contrariado, serei obrigado a render-me ao digital e a catalogar a minha Olympus como peça de museu.

O mais curioso é que tenho uma Leica de 1926, com rolos de carretos, como a que podem ver na imagem, para a qual ainda é possível encontrar rolos à venda no mercado!

Vá a gente perceber estas decisões…

Vão pedir solidariedade às vossas tias!

No arquipélago governado por AJJ, não há pudor, nem lei, nem respeito. Um grupo de energúmenos de laranja vestidos habituou os madeirenses a viver à custa dos contribuintes do continente. Sem vergonha e até fazendo alarde disso de forma despudorada.
O PR - que continua a comportar-se como um líder de facção- elogia a Madeira como exemplo de boa governação; o PM, em vez de meter Jardim e a sua corja na ordem, pede mais sacrifícios aos portugueses para pagar a dívida dos milhares de madeirenses, por imperativo de solidariedade com os madeirenses.
Quem precisa de solidriedade sou eu que não pago IVA a taxas reduzidas, não ganho ( em Porto Santo) salários 30% mais elevados do que qualquer outro funcionário público e pago mais para ir de Lisboa a Bragança, do que um madeirense para vir passar o fim de semana a Lisboa.


Claro que os madeirenses continuarão a votar em Jardim! Quem iria votar em alguém que lhes retirasse todas essas regalias?


Mas por que raio hei-de eu ser solidário com Jardim e os madeirenses? Não foi ele que disse que não sairia um centavo dos bolsos dos contribuintes madeirenses para ajudar Timor? Então, amor com amor se paga!


Precisávamos de um PR e de um PM com coragem e com tudo no sítio, mas em vez disso temos dois cúmplices de todo este regabofe, eleitos democraticamente por 2 milhões de papalvos que gostam de ser chulados. Esses que sejam solidários. Eu, não!










Sucessos de Verão (56)


Este é um daqueles sucessos de Verão impossíveis de esquecer, não vos parece?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

(Des)União Europeia

Quando a Europa não se consegue pôr de acordo nas mais elementares e básicas matérias, como é este caso, pergunta-se. Para que raio é precisa a União Europeia? Para uniformizar a curvatura dos pepinos, e regulamentar o uso de silicone nas implantações mamárias?

Edital do passismo chumbado por vício de forma

No blog das sentinelas lamboseiras do passismo, foi afixado um edital ( ali não se escrevem posts, só sentenças) onde se proíbe qualquer pessoa ligada ao anterior governo de criticar as dívidas e falcatruas da Madeira. O edital invoca, como argumento para a deliberação, o facto de ter sido o partido do anterior governo a atirar o país para as mãos da troika. Face a este argumento, ficam todos os visados autorizados a desrespeitar o edital pois, é sempre bom lembrar os mais distraídos, quem atirou o país para as mãos da troika não foi o PS, mas sim os partidos que chumbaram o PEC IV.

Facebook à moda de Chaves


Ponto prévio: gosto imenso da cidade de Chaves onde já fui- e continuo a ser- muito feliz. Gosto da sua simpatiquíssima gente e... bem, o melhor é deixar o resto para um post que escreverei sobre Chaves nesta nova rubrica " Volta a Portugal em blog"

Estou em Chaves durante a Feira Medieval. Petisco numa tasquinha, junto a um grupo intergeracional numeroso. A conversa trava-se num tom de excessivos decibéis e as sucessivas referências ao Facebook levam-me a apurar o ouvido, arrefecendo por momentos a conversa sobre "A Pátria dos Abusos" ( um dia hei-de voltar a falar-vos deste livro...) que mantinha com a minha interlocutora.

Percebo que uma jovem está a ser alvo de chacota, pelas razões que invoca para não aderir ao FB. A determinada altura uma senhora pergunta:

- Ó Miguel, diz lá o que é isso de que vocês estão a falar de que a Mariana não gosta...

- É o Facebook, Dona Fatinha. Uma rede social na Internet, onde as pessoas se juntam para conversar.

- Ó filho, deixa lá isso! A minha Mariana sempre foi muito independente, nunca gostou de ajuntamentos...

(Continua aberta a votação para as especialidades gastronómicas da blogosfera. Aqui)

Figura da semana

" O tratamento do dinheiro foi feito, não por gente honesta, mas por aves de rapina que no vocabulário português têm o nome de ladrão"

Esta frase foi proferida por D. Januário Torgal Ferreira em 2004 e muito glosada pelos blogs do costume para invocarem a falta de seriedade do governo de Sócrates ( apesar de ter sido proferida durante o governo de Durão Barroso).

No sábado, D. Januário deu uma entrevista à TSF ( cuja audição recomendo vivamente) onde afirma que tem vergonha deste país. Não é o único!
Numa entrevista duríssima, onde não se coíbe de tecer severas críticas à Igreja e elogiar os partidos de esquerda, D. Januário põe o dedo em muitas das feridas de que padece a sociedade portuguesa e o actual governo .
Tive a felicidade de ser seu aluno. Admirava-o como professor e como homem, pela verticalidade e coerência. É das pessoas que nos fazem acreditar que na Igreja ainda há gente que vale a pena ouvir e com quem é um prazer falar.
Pena que uma Igreja que tanto lamenta a pobreza, mas vive numa despudorada opulência, não se reveja nas suas palavras.

























Sucessos de Verão (55)


Ontem falei aqui deles e hoje escolhi um dos seus grandes sucessos. Também não foi fácil a escolha...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Parece que sou bruxo

Eu tinha avisado que seria uma questão de tempo e, mais dia menos dia, o governo iria recuar e daria luz verde ao TGV. O que nunca me passou pela cabeça é que a solução encontrada fosse esta! A próxima medida será impôr limite de velocidade?

TVI exibe pornografia em horário nobre

Durante muito tempo a TVI serviu-nos, à hora do jantar, uma homilia dominical celebrada pelo prof Marcelo Rebelo de Sousa. Desde a entrada em funções deste governo, substituiu a homilia por um programa de conteúdo pornográfico.


O celebrante é o mesmo, o que difere é a postura.Nos últimos tempos, Marcelo especializou-se na arte da entrevista, fazendo concorrência desleal a Maria João Avillez. Leva para estúdio ministros, comentadores e apaniguados do regime, a quem finge fazer perguntas, cuja resposta tem de ser, obrigatoriamente, um elogio ao regime passista. Na dúvida do entrevistado, ele mesmo dá as respostas. Como aconteceu no domingo, quando usou uma professora para nos servir como prato de resistência a pornografia ideológica em que se tornou mestre. De início, a atarantada professora à espera da reforma parecia estar a ser examinada, mas a determinada altura libertou-se da pressão, cascou em Maria de Lurdes Rodrigues e teve esta tirada magistral: “ Quando soube que o ministro da educação seria Nuno Crato, até pensei em desistir da reforma!”



Disse isto com um brilhozinho nos olhos ( altura em que aproveitei para ver se a senhora tinha as unhas pintadas de laranja) e Marcelo aproveitou para a incentivar. Teria sido a sua coroa de glória, ter em estúdio uma professora que anunciava ao mundo em directo que, em virtude da excelência do ministro Nuno (Eu, génio,) Crato retirava o seu pedido de reforma e continuaria a sua nobre missão de educar coelhinhos em fornadas.



Marcelo não conseguiu os seus intentos, mas não desarmou. Despediu a professora com a oferta de uns livros e partiu para a ilibação de Coelho e Cavaco nos negócios da Madeira.Rematou com um elogio ao povo português, pelo seu exemplo conformista e resignado. Ainda não devia conhecer o estudo de uma entidade alemã, que concluiu serem os portugueses o povo europeu que melhor aceita os cortes na despesa. Caso contrário, ter-se-ia antecipado ao veredicto do Espadachim do Regime, fazendo uma leitura enviesada do estudo e redobrado os elogios.


Sinceramente, preferia o Marcelo do circo laranja, a este Rebelo, protagonista de filmes pornográficos da série C. É que nunca pensei ver Marcelo a tentar desculpabilizar um homem que roubou 10 milhões de portugueses!

Em tempo: Podem continuar a votar nas especialidades gastronómicas no post abaixo.

Gostos não se discutem mas...

...gostava de conhecer os vossos

Este post é requentado, só ontem soube quais foram as sete maravilhas da gastronomiaportuguesa eleitas pelos portugueses. Para quem não saiba, aqui fica a lista: Entradas Alheira de Mirandela


Entrada: Queijo da Serra


Sopas:Caldo Verde


Marisco: Arroz de Marisco
Peixe: Sardinha assada


Carne: Leitão à Bairrada


Doces: Pastéis de Belém


Como destas sete só votaria no Queijo da Serra, decidi escolher as minhas e propôr aos leitores que confessem as suas preferências. Até final do mês está aberta a votação e, se houver votos suficientes, anunciarei aqui As sete maravilhas gastronómicas dos leitores do CR
Se eu tivesse votado escolheria estas:
Entradas: Ameijoas à Bulhão Pato
Entradas: Jaquinzinhos de escabeche
Sopas: Açorda alentejana
Marisco: Cataplana de mariscos ou Cação de Coentrada
Peixe: Pescada à Poveira
Carne: Arroz de sarrabulho ou rojões à minhota
Doces: Pudim Abade de Priscos ou Encharcada
Quais seriam as vossas escolhas?

Sucessos de Verão (54)


Nos anos 80, Kylie Minogue recuperaria este sucesso de Verão, interpretado nos anos 60 por Little Eva e, na versão francesa, por Sylvie Vartan. Escolhi a versão original.

domingo, 18 de setembro de 2011

From Texas with love...


Naquela tarde de Abril de 1995,Duane Buck deixou o emprego na modesta oficina de uma pequena cidade do Texas cantarolando “ Are you Gonna go my way”.

A vida correra-lhe de feição nos últimos meses, o que lhe deu alento para pedir à namorada Debra que compartilhasse com ele o resto da sua vida. Ir-lhe-ia propor, durante um jantar de camarão panado e batatas fritas no "TGiF" ( Thanks God it's Friday), que selassem o compromisso numa cerimónia discreta, testemunhada apenas pelos amigos mais íntimos. Como era sexta-feira e ambos estariam de folga no dia seguinte, levá-la-ia a dançar na discoteca local depois do jantar.

No outro lado da cidade, Debra ajudara o último cliente do supermercado a acomodar as suas compras, fechara a caixa registadora e despedira-se das colegas de uma forma mais frívola do que era habitual, quando folgava ao fim de semana.

Dirigiu-se para a paragem do autocarro que a levaria ao encontro aprazado com Duane. Ia tensa e insegura.Ensaiara dezenas de vezes o discurso que selaria o final do seu relacionamento com Duane.

Ao fim de muitas tentativas, pensou ter encontrado as palavras certas e, no caminho, ia repetindo o discurso ensaiado durante os últimos dias.Quando o autocarro parou, a escassos metros do KFC, o coração começou a bater-lhe mais forte. Quando desceu, avistou Duane. Percebeu que estava bem disposto, até eufórico, pois via-o dar constantemente palmadas nas costas de Larry, entremeadas por gargalhadas gostosas.

Debra vacilou. Por momentos pensou recuar. Ir para casa, ensaiar uma vez mais o discurso, e telefonar a Duane dando-lhe a notícia. Tarde demais. Duane vira-a e acenava-lhe. Gesticulava incitando-a a andar mais depressa, enquanto envolvia o corpo com os seus próprios braços num amplexo amoroso e divertido.Debra estugou o passo e parou a um metro de distância de Duane. Ele notou-lhe a ausência do sorriso habitual, descortinou-lhe a face hirsuta e estranhou que ela não corresse para os seus braços, unindo os lábios aos seus num beijo apaixonado. Por um instante lembrou-se que nos últimos encontros a sentira mais fria e distante do que habitualmente, mas atribuiu isso às preocupações que a atormentavam.

Sussurrava-se que o supermercado onde Debra trabalhava iria encerrar e já ambos tinham comentado isso, mas sem dar demasiada importância aos rumores. Duane tentara tranquilizá-la, dizendo que se isso acontecesse, ele não lhe faltaria com nada. Os lábios dos dois tocaram-se levemente. Ele pegou-lhe na mão, depois cingiu-a pela cintura e entraram no restaurante.

Com um camarão bailando-lhe entre os dedos negros e o olhar cintilante, Duane balbuciou:

- Tenho uma coisa importante para te dizer…

Debra suspirou interiormente de alívio. O discurso ensaiado dias a fio nunca seria proferido. Duane também queria comunicar-lhe o rompimento. Percebera que o seu relacionamento esfriara e ia tomar a iniciativa. Talvez até já tivesse outra namorada, o que tornaria tudo mais fácil.

- Queria pedir-te para casares comigo!

Debra sentiu uma vertigem. O discurso esvaiu-se-lhe da memória num passe de mágica e as palavras saíram-lhe em sopetão:

- Não posso! Estou apaixonada pelo Kenneth e hoje vinha dizer-te que estava tudo acabado entre nós.

Duane Buck deixou cair o camarão. Bebeu a cerveja de um trago, lançou um olhar de desprezo a Debra e saiu.


Dois anos depois…


Em 1997, numa tarde quente de Junho, Duane está sentado no banco dos réus, pronto a ouvir a sentença por um duplo crime. Os autos acusam-no da morte de Debra e Kenneth, no dia seguinte ao jantar em que se sentira ferido pela rejeição.

Ensandecido, Duane dirigiu-se no sábado a casa da namorada. Forçou a porta e entrou. Lá dentro estavam a irmã, Kenneth, Debra e a filha. Duane atinge a irmã com um tiro na face. Mata Kenneth e arrasta Debra para a rua. A filha pede clemência. Duane Bruck mata Debra com vários tiros. É preso sem resistência. Apenas diz ao polícia que o algema:
“A puta teve o que merecia”
Confessa os crimes durante o julgamento. É condenado à pena de morte.
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Setembro de 2011


Duane está no corredor da morte desde 2004. Os advogados de defesa pedem a anulação da pena a sucessivas instâncias, alegando que a decisão do júri fora influenciada por esta afirmação de um psicólogo, prestada sob juramento:

“Os homens negros são mais propensos do que outras raças a reincidir no comportamento criminoso após serem libertados” .

Rick Perry , governador do Texas e candidato a concorrer pelos republicanos do Tea Party à presidência dos EUA, foi o último a recusar o pedido, apesar de uma das procuradoras que pediu a condenação, ter apoiado a pretensão e os argumentos dos advogados de defesa de Duane Burk.
A execução é marcada para o dia 15 de Setembro.

Duane Burk acaba de comer a última refeição: galinha frita com batatas fritas, salada de tomate e molho picante.

Faltam 90 minutos para a execução. Rick Perry ajeita o nó da gravata e prepara-se para assistir à 235ª execução do seu mandato, iniciado há 11 anos. Um verdadeiro manjar, para este defensor acérrimo da pena de morte.

Toca o telefone de emergência. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anuncia a suspensão da pena. Considera que “a sentença foi aplicada com base em depoimentos racistas durante o julgamento”.

Duane Buck, 48 anos, está de novo na sua cela do corredor da morte. Passaram 16 anos desde o dia do crime. Afaga as cãs que lhe começam a branquear as patilhas. Sabe que não pode respirar de alívio, mas sente algum conforto com a decisão de última hora. O julgamento será repetido e a sentença, proferida sem base em depoimentos racistas, poderá ser a mesma. Talvez apenas tenha ganho tempo e uma réstia de esperança.

Adormece. Debra surge-lhe num sonho. Diz-lhe que o perdoa. Acorda com um sorriso, como se o sonho se tivesse tornado realidade, e pede para telefonar à filha. Conta-lhe o sonho, pede-lhe para o visitar.A filha responde “ mas eu não te perdoo” e desliga o telefone.

Duane regressa à cela, cambaleando entre a vida e a morte
No seu gabinete, Rick Perry comenta para um assessor enquanto toma café com leite e bolinhos:

“ Tanto para fazer e fui eu ontem perder tempo com aquele preto filho da p…!”
( História construída a partir desta notícia)