quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Obrigadinho, sr Santos! Que Deus lhe deia munta saudinha, sim?

O sr Santos é um dos homens mais ricos do país e tem umas mercearias grandes espalhadas por aí. Recentemente, uns capatazes foram-lhe dizer que alguns dos empregados roubavam produtos das lojas e que o faziam por terem fome.

Felizmente, o sr Santos é uma pessoa de bom coração. Condoído com a miséria dos seus empregados decidiu ajudá-los...
Aumentou-lhes o ordenado! -dirão uns leitores mais optimistas.
Não!O sr Santos é caridoso, mas acha que os empregados não precisam de dinheiro, por isso, em vez de aumentar os ordenados, resolveu distribuir alimentos aos mais carenciados. O sr Santos agiu como qualquer patrãozeco de meia leca no tempo do Estado Novo:
- Queres trabalhar, Zé? -perguntava o latifundiário
- Sim , senhor doutor engenheiro. Tenho mulher e filhos para sustentar.
-Olha, eu dinheiro para te pagar, não tenho, mas pago-te com comida, está bem?
-Está bem, meu senhor!

O sr Santos Pingo Doce pensa e age da mesma forma. Não vão os trabalhadores gastar os dinheiro em vinho e outras porcarias, o melhor é dar-lhes comida, que assim sempre se sabe para onde o dinheiro vai.
Muitos dirão que é um gesto magnânimo do sr Alexandre e, ao saber da sua bondade, quando se cruzarem com ele não tirarão o chapéu em sinal de respeito como noutros tempos, mas sempre dirão:
- Obrigadinho senhor Santos! Que Deus lhe dê muita saudinha, sim?
Feliz com o reconhecimento do seu súbdito, o sr. Santos responderá com um aceno e partirá para o gabinete de um membro do governo anunciando que a receita para manter o povo contente é brincar à caridadezinha…
Pedro Mota Soares já comprou a ideia...

6 comentários:

  1. É comovente que um patrão zele dessa forma pelos seus assalariados - qual dinheiro, qual carapuça, que ainda por cima pode ser gasto na taberna, em vez de leite e pão para os filhos...

    Nada como essa vigilância, em simultâneo com essa caridadezinha, para impedir que os tontos dos trabalhadores gastem dinheiro mal gasto! :P

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  2. Comigo não conta ele!
    Não frequento Pingos Doces e afins!

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  3. Vamos brincar à caridadezinha
    Festa, canasta e boa comidinha
    Vamos brincar à caridadezinha

    ... já cantava José Barata Moura!

    Não vamos brincar à caridadezinha
    Festa, canasta é falsa intençãozinha
    Não vamos brincar à caridadezinha

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  4. ... como no tempo do Estado Novo?!
    Já estamos quase lá... falta pouco!
    Uma tristeza! Uma vergonha!

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  5. Uma coisa assim parecida com o que acontecia nas colónias, trabalhavam todo o dia e aviavam-se na venda do proprietário, quando ao fim do mês iam pelo salário diziam-lhes que deviam mais do que tinham para receber...

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