Há cerca de dois meses o ex-marido morreu. Meio vagabundo, sem eira nem beira, cozendo as bebedeiras num terreno próximo da Av dos Combatentes, onde pernoitava, fora enjeitado pelos filhos de um segundo casamento. Sem família que dele quisesse saber, o seu destino seria, pois, um enterro em vala comum, mas a Filha do Lavrador, dele separada há 51 anos, deu outro rumo à história. Sabendo da morte do pai do seu único filho, ela mesmo tomou todas as providências para que tivesse um funeral condigno e fosse enterrado em campa rasa.
“É o pai do meu filho, nunca iria permitir que fosse enterrado como um animal”- terá confidenciado às amigas, a quem convocou para lhe prestarem uma última homenagem.
(Escrevo este post no comboio, de regresso a Lisboa. Depois de terminar dou uma vista de olhos pelos jornais on line. Fico a saber, pelo Ferreira Fernandes, que abriu ontem em Londres a exposição Museu das Relações Quebradas. A Filha do Lavrador poderia, sem dúvida, dar um belo contributo...)
Carlos
ResponderEliminarUm gesto que me sensibiliza.
Algures no coração da "flha do lavrador" lá muito arrumado residia ainda algum amor.
Foi a forma derradeira de o demonstrar.
A minha história é quase só noticiosa. A sua é sobre uma pessoa, exige que se esteja atento para a encontrar. Eu é que devia citá-lo.
ResponderEliminarAbraço,
José Ferreira Fernandes
Acho que todos nós temos qualquer coisa com que contribuir para essa exposição...
ResponderEliminarCarlos
ResponderEliminarPermita-me que use o seu blogue para saudar o Ferreira Fernandes.
Sei que é um homem do seu meio. Claro que também é do meu (Como leitor) Acompanho-o desde o Tal e Qual.
Abraços
Rodrigo
Ainda há gente de grande dignidade.
ResponderEliminarFerreira Fernandes:
ResponderEliminarObrigado pela visita e pelas palavras. Foi uma honra recebê-lo aqui no Rochedo.
Não sei bem se era amor que ela ainda nutria pelo sujeito...
ResponderEliminarA filha do lavrador, uma mulher que valoriza a dignidade humana.
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