quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O bailinho da Madeira


Alberto João Jardim anda há mais de 30 anos a dar-nos baile. Passos Coelho anda há meses a falar de transparência. Hoje ficámos a saber que o governo também nos tem andado a dar baile. Na entrevista a Judite de Sousa esquivou-se a falar da Madeira  e só hoje, depois de a troika ter divulgado que o governo português andava a mentir ao portugueses, é que o sr. Gaspar reconheceu, com aquele ar compungido que quer fazer sua imagem de marca, que a situação na Madeira está insustentável. É a isto que eles chamam transparência?

Caderneta de cromos (30)

Marcelo Rebelo de Sousa





Marcelo Rebelo de Sousa já adquiriu há muito tempo o estatuto de cromo da vida política portuguesa. Concedo-lhe agora a honra de entrar nesta caderneta de cromos, como prémio pelo discurso ziguezagueante com que nos tem brindado ultimamente, num exercício esforçado para lançar uma candidatura abrangente às presidenciais de 2016.
Nunca é demais lembrar que o professor dizia, em tempos, que Pedro Passos Coelho era uma versão de Sócrates… “piorada”.
Ora desde que este governo tomou posse, Marcelo tem alternado umas ferroadazinhas a diversos ministros, com a repetida declaração de que Passos Coelho é uma pessoa honesta.
O professor deve ter um conceito de honestidade tão peculiar, que lhe permite transformar os defeitos de Sócrates em virtudes de Coelho! Só assim se explica que um primeiro-ministro que já ignorou mais de uma dúzia das suas promessas eleitorais e tem sido apanhado em sucessivas mentiras, seja considerado um modelo de honestidade.
Começo, aliás, a pensar que o mensageiro das noites domingueiras da TVI tem um problema com o dicionário. Ainda no último domingo o ouvi dizer que, por muito gravosas que sejam as medidas tomadas por este governo, os portugueses nunca se revoltarão nas ruas, porque têm “consciência cívica”!
O professor confunde “consciência cívica” com “molenguice”. Se o povo português tivesse consciência cívica , não cuspia no meio da rua,limpava os cocós do cão quando o leva a passear, não atirava o lixo para o chão, era disciplinado no trânsito, respeitava as filas nas paragens dos autocarros, cedia o seu lugar às grávidas, quando está a ocupar os lugares que lhes estão reservados nos transportes públicos, não estacionava em segunda ou terceira fila, não aparcava em lugares destinados a deficientes…


Podia dar-lhe muitos outros exemplos, mas creio que estes são suficientes para lhe explicar que se os portugueses não se revoltam nas ruas, não é por terem consciência cívica, mas sim por serem molengões e ficarem à espera que outros se revoltem “por” e em nome deles. Depois vêm para a rua gritar vivas, fazer a festa e deitar foguetes mas, 48 horas volvidas, regressam a casa para tratar da vidinha e acatam, resignados, todos os esbulhos.
O povo português não se revolta porque é um povinho foleiro, professor… não é por ter consciência cívica.

Camaleão ou oportunista?



Quando escrevi este post estava longe de imaginar que nos iriam roubar metade do 13º mês. No entanto, não me espantei nem um segundo quando, chegado a Portugal vindo de férias, fui informado dessa realidade. O que verdadeiramente me espanta é ouvir aqueles que há dois meses criticavam Sócrates por ser aldrabão e nos andar a roubar, defenderem acerrimamente a decisão.

Ainda ontem, ao almoço, ouvia alguém afirmar, alto e bom som, que apoiava a medida, porque o 13º mês é um disparate, e as pessoas o gastam em “porcarias”. Militante do PSD, dirão alguns.

Errado!- respondo eu.



Esta pessoa de que vos falo declarava-se, há menos de um ano, fervorosa simpatizante socialista, tendo sido contemplada com um lugar de chefia num organismo da administração pública. Depois do chumbo do PEC IV informou que não votaria no PS e se iria abster, mas tenho dúvidas se não terá votado mesmo PSD… As afirmações que ontem ouvi da sua boca talvez sejam justificadas pelo facto de se estar a precaver da possibilidade de um saneamento. Afirmo-o, porque na mesa ao nosso lado estavam sentadas duas funcionárias públicas militantes do PSD, uma das quais bem relacionada com o actual governo e à espera de ser contemplada com a “vaga” de um socialista.Não deixei no entanto de propor ao meu interlocutor que concretizasse a sua aversão ao 13º mês, entregando a metade sobrante a uma instituição como a Caritas.

Olhou para a mesa ao lado e aproveitou uma pausa na conversa das senhoras para me responder:

- Isso é demagogia, mas se o governo decidisse fazer isso, claro que apoiava. Mais vale dar a instituições credíveis, do que gastar em porcarias de presentes inúteis.

Em voz bem audível respondi:

-Oh doutor, fale mais baixo, porque ainda acaba em especialista...

E o vencedor é...

Sou obrigado a reconhecer que o homem é genial. O país de tanga, a Madeira a brincar com o dinheiro que não tem e o Presidente do Conselho dos cubanos oferece-lhe de bandeja metade do subsídio de Natal dos portugueses, para ele continuar a fazer aquelas palhaçadas. Não contente, Pedro Passo Coelho ainda é bem capaz de ir à Madeira apoiar Jardim durante a campanha eleitoral. Os cubanos pagam só a viagem, porque a estadia é por conta do Alberto João. Ou seja... será pago com o que recebe dos cubanos do "contenente"...

Sucessos de Verão (38)


Esta canção de Adriano Celentano é imperdível para quem tem boas recordações dos Fiat 600!!!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Late night wander (98)

O Albergue Espanhol encerrou as portas , mas promete voltar com um projecto ainda mais ambicioso. Atendendo a que a maioria dos bloggers do Albergue encontrou refúgio em gabinetes ministeriais, ou noutros cargos políticos, presumo que o novo projecto se vá chamar " A Toca do Coelho".


Entretanto, Pedro Correia começa a justificar a nomeação como especialista, tecendo loas ao governo, na sua qualidade de blogger. Basta um upgrade na conta bancária para desmascarar um sonso. No meu tempo chamavam-lhes lambe-botas. O Miguel Esteve Cardoso chamou-lhes lambe-cús.

Portalegre. Ou será triste?

Fotografia de Majoca, seleccionada para o Google Earth




Tarde de sábado. No Alentejo, sente-se o calor que tem andado arredio do litoral. Estamos perto de Portalegre e, ao final da tarde, empreendemos uma visita à cidade. Estaciono no Rossio e começamos a subir até ao castelo, onde a câmara fez um grande investimento.
Vamos fazendo a escalada ( pouco íngreme) , trocando dois dedos de conversa aqui e ali. À falta de indicações, pergunto a um ancião, em gozo dos favores de uma sombra, se vamos no bom caminho. Afirmativo. Temos sede. Aproveito para perguntar se há alguma esplanada no castelo.
" Não me parece! Já houve lá várias, mas faliram todas. Quem é que vai almoçar ao castelo aqui em Portalegre?"
- "Então e os turistas?"
Sorri...



"Se estivéssemos à espera dos turistas morríamos de fome...isto aqui não há nada p'ra ver"
Dou-lhe razão. A cidade evoluiu muito pouco desde o tempo em que lá vivi, durante três meses, nos anos 70. Parece que o tempo por ali parou. Continuamos a subir. Cruzamo-nos com uma família espanhola e, num cotovelo da rua, com duas jovens escandinavas em sentido descendente.



Avistamos uma estrutura em madeira e vidro, que me parece de extraordinário mau gosto. Estamos no castelo. Como algumas mulheres meticulosamente maquilhadas, ao longe o castelo parecia mais bonito... a maquilhagem modernaça, principalmente quando vista de perto, desfeia-o e rouba-lhe fulgor. A visita, no entanto, valerá a pena porque de lá se podem desfrutar belas vistas.



Chegamos à porta do castelo. São 18h15m. Está fechado! Horário de funcionamento da parte da tarde? Das 14 às 18!



(Ó senhor presidente da Câmara! Acha que alguém vai visitar o castelo nessas horas num dia de Verão? Talvez aquela estrutura de madeira e vidro - que me faz lembrar a marquise da rua do Possolo- tenha ar condicionado, mas visitar um castelo, como se estivesse a viajar dentro de um casulo, não me parece boa ideia...)


Um casal de turistas, cuja nacionalidade não conseguimos identificar, mostra o seu desalento. Perscruta um mapa, quiçá pensando numa alternativa a onde ir.


Descemos outra vez até ao Rossio. Alguns velhos conversam à sombra de um plátano secular,em diálogos compassados. Sentamo-nos numa esplanada a tomar uma bebida.


Chegam três carros topo de gama: Mercedes, Audi e TT. Por esta ordem. De lá de dentro saem pessoas cuja indumentária sublinha, a cintilantes traços de ouro, a sua classe social. Dirigem-se para a Igreja. Provavelmente, para assitir à Missa. São todos de meia idade, deveriam ter pouco mais de 20 anos quando os cravos floriram numa longínqua manhã de Abril.


Acabamos a bebida. Regressamos a casa cantarolando canções de Abril, já o sol se começa a esconder no horizonte. Que nem para todos se abriu, apesar de Abril...

Big Brothers are f.... you

Em 2009, o governo inglês teve uma ideia peregrina: a criação de uma ‘entidade reguladora’ para monitorizar os cestos de almoço que as crianças levam para a escola, vigiando a correcta aplicação dos princípios de uma ‘dieta saudável’. No caso de haver uma falha, os pais receberiam uma admoestação em casa e o almoço podia mesmo ser confiscado. Depois poderia haver penalizações no acesso aos serviços de saúde. Chegou a ser equacionada a hipótese de impedir o acesso aos serviços de saúde, a pessoas cuja obesidade fosse provocada por práticas alimentares incorrectas.


Pedro Passos Coelho teve a mesma ideia, mas o ministro Relvas, a conselho de um especialista contratados para o seu gabinete, alertou-o:


- Eh pá, isso é capaz de não ser boa ideia, porque as criancinhas portuguesas já não têm nada para levar nos cestos do almoço. E que tal se puséssemos esta ideia em prática? Não te parece baril?


- Boa, mano! - respondeu Coelho em alvoroço. E depois até podemos vender os dados às seguradoras! És um crâneo, pá. Aumenta já o especialista que te deu a ideia e tens autorização para contratar mais dois iguais a esse!

Neste frio mês de Agosto...

...percebi, ainda melhor, a falta que fazem os partidos políticos.

Post roubado

- Afinal o Crespo sempre foi para Washington.
- Como é que sabes?
- Houve lá um terramoto…
( Roubei aqui)

Sucessos de Verão (37)




Quando acabava o mês de Agosto, esta canção era muito requisitada nos bailes de garagem da rentrée. Quantos não dançavam agarrados ao parceiro(a) a pensar no amor de férias que ficara enterrado na areia?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Late night wander (97)

"Que irá fazer após a eleição presidencial de 2012?
- Lavar-me. Depois de todas as campanhas eleitorais por que iremos passar ( haverá legislativas em Dezembro de 2011), vai ser preciso dar muita atenção à higiene"
( Vladimir Putin ao Nezavissimaia, citado no Courier Internacional)

Ver para crer? Isso era dantes...

Tentar desculpabilizar as atrocidades do regime de Kadhafi pode ser um belo exercício de dialéctica para aquietar alguns espíritos , mas não mais do que isso.


Parece-me no entanto importante chamar a atenção para a forma como a comunicação social e alguma blogosfera tem tratado o assunto, fazendo crer que de um lado estão os maus (os fiéis a Kadhafi) e do outro os bons ( os que o querem apear). As coisas não são assim tão simples...


Vem isto a propósito das imagens que têm sido transmitidas à exaustão, alertando a opinião pública para os crimes horrendos que foram cometidos pelo ditador.


Seria de elementar bom senso e respeitador dos mais elementares critérios jornalísticos que antes de exibirem na televisão as imagens de corpos calcinados, além de chamarem a atenção para a crueldade que as imagens deixam transparecer, os jornalistas lembrassem:


“ Estes crimes cometidos pelo regime de Kadhafi foram avalizados pelos países que, durante 42 anos, o apoiaram sem uma única crítica e até se tornaram cúmplices, quando lhe concederam o privilégio de presidir à comissão dos direitos humanos da ONU”


Depois, no final, teria ficado bem lembrar os telespectadores que os jornalistas só puderam entrar no bunker de Kadhafi três ou quatro dias depois de os rebeldes lá entrarem, terem procedido a inúmeros saques e, eventualmente, algumas manipulações destinadas a atrair as simpatias da opinião pública.


É que eu não me esqueço da forma como foram fabricadas as provas que justificaram a invasão do Iraque; ainda me lembro das atrocidades cometidas pelas tropas americanas no Iraque, cujas imagens foram, normalmente, acompanhadas de comentários que as branqueavam; não esqueço os crimes de Abu Ghabi e Guantánamo, nem os voos clandestinos de transporte de presos, que tiveram a conivência de vários países ocidentais; ainda tenho frescas na memória imagens de outras atrocidades cometidas pelos americanos em vários pontos do globo, desde a América Latina ao Vietname e não esqueço, enfim, o apoio dos americanos às sangrentas ditaduras latino-americanas e o seu envolvimento no derrube de Allende ( para não falar de Grenada, Cuba e muitos outros)


As imagens que vi do bunker de Kadhafi, ou dos hospitais de Tripoli, não me impressionaram? Claro que sim, não sou insensível…o problema é que, tendo na memória os episódios referidos, não posso confiar cegamente naquilo que me foi exibido. Já não me basta, como a S. Tomé, ver para crer. Quero saber toda a história que eventualmente possa estar por detrás delas.

Pronúncia do Norte (32)

Há tempos estava no Porto com a Baixinha e disse-lhe:
- Vou ali a Costa Cabral comprar uns coturnos.
- Então não queres que faça bolo de bolacha para o jantar?- perguntou-me ela
Ficou a olhar para mim sem perceber a razão de eu ter soltados várias gargalhadas.
E vocês, gentes do Sul, sabeis o que são coturnos?
Se não souberem, consultem esta entrada do Dicionário do Rochedo

Gosto de pessoas sérias e frontais

Vale a pena ler a entrevista de Carlos do Carmo ao DN. Aqui fica o excerto possível.

E a resposta é...

Ontem, no Bate bate coração, esqueci-me de fazer o link. Peço desculpa. Já lá está, para quem quiser saber qual a canção a que me referia.
A resposta à pergunta é Willie Nelson. Crazy chegaria aos tops em 1962 , quase 30 anos antes de Madonna a interpretar.

Sucessos de Verão (36)




Imaginem como esta canção é antiga... naquela época os franceses ainda usavam bigode!

Bem, mas como a época de praia está quase a terminar, é altura de fazer como Christophe e desenhar na areia o nome de um amor de Verão. Digam lá... qual era o nome em que pensavam quando ouviam esta canção?

domingo, 28 de agosto de 2011

As praias das nossas vidas- The End



Este ano, por culpa da crise, só lancei um desafio de Verão, mas fiquei muito feliz com a adesão dos leitores à proposta que lhes fiz.
A todos muito obrigado.
Tentei criar um selo para homenagear todos os participantes, mas a única coisa que consegui foi perceber que sou um analfabeto funcional nessa matéria.
Assim, apenas vos ofereço esta foto, tirada em Saint Malo, em2008, que já foi porta de entrada para este Rochedo.
Entretanto, aqui ficam os meus renovados agradecimentos a todos os participantes, por ordem de entrada em cena:
Rodrigo
Sinapse
Janita
Pedro
Helena
Carlota
Adélia
Paulo
Sonhadora
Cat
Rosaamarela
Catarina
Gabi
Luísa
Ariel
Teté
Rogério
Teresa

Bate, bate, coração (22)

Esta canção deixava muita gente louca, mas não foi criada por Madonna. Lembram-se quem foi o intérprete que a celebrizou?


Com os votos de rápidas melhoras





Procupado com os problemas de saúde da nova geração laranja, tenho o maior prazer em oferecer ao Carlos Abreu Amorim duas embalagens deste medicamento que, afiançaram-me, é eficaz na cura do grave problema que parece estar a afectá-lo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Prova de vida da vodka laranja


Não pensava voltar a escrever sobre um assunto que me provoca crises de fígado, deixando-me com a sensação de que comi ovos podres, mas há apelos a que não consigo resistir, como é o caso de ver confirmada, pelos próprios, a existência de um fraquinho de militantes comunistas pelo PSD e o ódio intrínseco ao PS. Coisas que Freud explicará, mas que me sinto incapaz de compreender...

No 5 dias já não escondem o apreço pela vodka-laranja, como se pode ler neste naco de prosa:

No entanto, vale a pena recordar aqui dois excertos de uma comentadora do blog, votante do Partido Comunista, a propósito daquele naco nojento de prosa:
"É com grande desgosto que verifico que as preocupações de militantes do Partido em que sempre votei se dedicam com empenho a questões que não percebo e para vos ser franca não me podem interessar (...)
E mais adiante, acrescenta:
"Considero ofensivo argumentar que trabalhar directamente com e para o governo de Passos Coelho é tão decente como trabalhar na Zara (faz parte do meu currículo). Isto é brincar com quem está aflito com a vida."
Maria Guiomar

Felizmente - para mim não é novidade, porque tenho vários amigos comunistas e tive uma por companheira de vida durante alguns anos- ainda há, dentro do PCP, quem rejeite estas posições abstrusas dos seus camaradas do 5 dias e não se ofenda quando alguém critica os comportamentos de militantes o PCP, que se julgam detentores da verdade e incapazes de discutir, em termos civilizados,as suas verdades absolutas.
A quem os contraria, reagem com o insulto, ou batendo com a porta amuados, como meninos mimados a quem tiraram a chupeta Não há pachorra!


Humor fim de semana





Grandes realizadores (33)

John Cassavetes


Não podia faltar nesta galeria o lídimo representante da "beat generation"

Sucessos de Verão (34)




Este sucesso, repescado nas profundezas do meu baú de memórias é especialmente dedicado às leitoras do CR. Vá lá, confessem, quem é que nunca se sentiu rainha por uma noite?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dúvida metódica

Homem prevenido...


Parece-me uma boa decisão. Estando iminente o naufrágio, foram aprender a nadar.

Dissertação sobre o caruncho

Segundo informação que colhi na Wikipédia o caruncho, insecto que todos conhecemos por perfurar a madeira reduzindo-a a pó, é um xilófago. E o que é um xilófago?-perguntarão os leitores. É uma espécie de parasita que se alimenta da madeira, cujo nome se confunde facilmente com xipófago, outro insecto conhecido também por praga da madeira. Os gémeos xipófagos (siameses) são formados a partir do mesmo zigoto e reproduzem-se avassaladoramente. Na Tailândia, um casal de gémeos xipófagos, unidos pelos ombros, casaram-se e tiveram 22 filhos!!!



Ora, depois de obter esta informação sobre a natureza do caruncho, a sua cumplicidade com a praga da madeira e a sua capacidade reprodutora, cheguei à conclusão que devemos ter muito cuidado. É que em Portugal os xipófagos são formados em zigotos cor de laranja e alimentam-se de cachos de bananas ( também conhecidos como cubanos) oferecidas por um coelho manhoso.



Como não está à venda no mercado nenhum insecticida para matar o caruncho e o bicho está a ficar cada vez mais perigoso, a única solução é impedir o coelho de o alimentar . Que tal incriminá-lo por implicação em associação criminosa?

Gravatas e bravatas

Já tinha manifestado a minha desconfiança na anunciada privatização da Parque Expo. Hoje, ficou-se a saber que essa manobra de diversão , a concretizar-se, agravará o défice em 340 milhões de euros.
Assunção Cristas procura desde o primeiro dia mostrar serviço. Depois do folclore da gravata, medida isolada que não será sequer suficiente para pagar o aumento de 20% nos gastos com telemóveis, avançou com a bravata da Parque Expo. Sem fazer contas. Apenas porque precisava de dizer qualquer coisa, para lembrar aos portugueses que o CDS/PP também está no governo. O mais grave, porém, é a ministra anunciar medidas folclóricas e os portugueses resignarem-se a pagar a festa.

Golden Shares

Com a oferta ao sector privado da golden share que detinha na EDP, o governo completou, em apenas dois meses, a primeira fase da sua política de gestão danosa do património nacional e cometeu o maior atentado à soberania nacional desde o 25 de Abril. Obviamente que, quando sairem do governo, os autores do esbulho serão recompensados. Como já foram Barroso, Constâncio e "tutti quanti" colocaram os seus interesses pessoais à frente dos interesses do país.
Este modelo de democracia está esgotado. Faliu no momento em que não soubemos aproveitar a liberdade de Abril que expulsou os parasitas que nos governavam. Não soubemos fazer escolhas e, quando tínhamos tudo para ser felizes, escolhemos para nos (des)governarem os filhos dos parasitas que nos oprimiram durante 40 anos.
E não venham com o argumento de que o Estado não deve ter golden shares, porque são ilegais. Na esmagadora maioria dos países europeus, o Estado não abdicou dos seus interesses e das suas responsabilidades nas empresas que prestam serviços essenciais às populações e continua a ter golden shares.

A rentrée

Depois de duas semanas de férias, os deputados voltaram a picar o ponto na AR. O senhor Presidente do Concelho ( não, não é gralha) também regressou do Algarve , depois de umas férias retemperadoras, porque 40 dias de trabalho deixaram-no estafado.
É a primeira vez, desde o 25 de Abril, que as férias dos deputados respeitam escrupulosamente o período de férias do senhor Presidente do Concelho. Registe-se...


O quê? O senhor Presidente do Concelho ainda não regressou de férias? Não me lixem! O que vocês querem é estragar-me o post... Bem, o melhor é eu ir até à Manta Rota, ver se ele se escafedeu por algum buraco.

Sucessos de Verão (33)



Lembram-se dos Union Gap? E recordam-se de outro sucesso deles além deste?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Noites de cinema

Talvez seja abusivo considerá-lo um dos melhores filmes de sempre, mas muitos concordarão que é um grande filme. Ou não?
O título desmente o que escrevi no final do post anterior...



Roubaram um bocado de mim...

Cafeteria Richmond ( foto Internet)




Saberão os leitores que seguem o CR há mais tempo, que sou um amante de Cafés com Histórias Dentro.Em todas as cidades onde vivi, encontrei sempre um ou dois cafés que faziam parte das minhas rotinas e me ajudaram a perpetuar memórias.



Em Buenos Aires, porém, esse número aumentou exponencialmente. A capital argentina é um verdadeiro tesouro para quem aprecia cafés ( mais de meia centena estão referenciados como património cultural e histórico da cidade) sendo muitos deles recheados de histórias.



Quando lá vivi, a minha primeira paixão foi o celebérrimo Café Tortoni, na Av de Mayo, bem perto da Casa Rosada, sede do governo. Mas muitos outros, como o La Biela ou a Confiteria Ideal ( onde a Laura tentou ingloriamente fazer de mim um tanguero) continuam a ser visita obrigatória sempre que vou a Buenos Aires.



Mas é d do Café/ Confiteria Richmond que retenho algumas das melhores recordações de Buenos Aires . Localizada na Calle Florida, em pleno centro da cidade, era um dos cafés preferidos do ainda jovem Borges e de muitos outros intelectuais e artistas argentinos.


Naquele cenário de candelabros, madeiras inglesas e mesas com tampos de mármore, da Buenos Aires dos anos 20, me sentei centenas de vezes. Fosse para tomar um café rápido, acompanhado de uma mini medialuna, fosse para repouso mais prolongado de leitura, na companhia de um chocolate quente ou de um mate em fins de tarde invernosos, a Richmond era visita diária, quase obrigatória.



Ali respirava a atmosfera porteña , embalado pelo cenário ou à conversa com clientes habituais, desde executivos a empregados de escritórios que, ao final da tarde, faziam da Richmond o seu porto de escala, antes do regresso a casa. Foi na Richmond que alinhavei muitos artigos e reportagens, depois concluídos no remanso da casa em Maipú, ou em SanTelmo.



Foi também na Richmond que, algumas vezes, marquei inesperado encontro com a saudade, viajando de lá até ao meu Porto natal, para ancorar nas tardes de sábado no Majestic.



Fiquei ontem a saber que a Richmond fechou as suas portas no último sábado. De madrugada, sem pré-aviso e para surpresa de todos, incluindo empregados, que lá se dirigiram no dia seguinte.



Desapareceu um dos cafés/confiterias mais emblemáticos de Buenos Aires, palco de animadas tertúlias. Morreu um bocado da História bonaerense e morreu um bocado de mim. No lugar da Richmond vai surgir uma loja de artigos de desporto…americana!



Em Dezembro, quando regressar a Buenos Aires, vou lá pôr um ramo de flores com um cartão onde escreverei “ Os Yankees roubaram um bocado da minha vida. Hijos de una puta madre!”

Conversas com o Papalagui (58)

- Olá tuga! Acabei de ler um artigo sensacional numa revista inglesa. Um grupo de cientistas descobriu que os ricos são todos surdos!
- Surdos? Deves ter traduzido mal, Pa!
- Não, não, olha aqui:
" A esquerda anda há 40 anos anos a gritar "os ricos que paguem a crise" e só agora é que eles ouviram!"

Memórias do Chiado






Faz hoje 23 anos que ardeu o Chiado. Mesmo estando a viver longe nessa época, não consegui conter as lágrimas perante as imagens que via na televisão. Senti que estava a morrer um bocado de mim. Entretanto o Chiado reergueu-se, voltou a ganhar vida mas hoje, 23 anos passados, recebi notícia de outras paragens que levou mais um bocado de mim. Disso darei conta mais logo noutro post. Por agora, apenas vos digo que andam a matar-me aos bocados.

Olhá bela democracia!

O CNT garantia que queria capturar Kadafhi vivo para lhe fazer um julgamento justo. Bastaram 24 horas para mudar de opinião. Agora oferecem mais de um milhão de dólares, só pelo escalpe. Esta democracia promete...

Sucessos de Verão (32)



Como é que um homem que não sabia amar conseguiu este estrondoso sucesso? Deu tema de filme e tudo...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pim, pam, pum!

(cada bala mata um)
Falava ao fim da tarde com um amigo, a quem expressava o meu receio pela possível balcanização da Líbia.
"Isso irá colocar problemas aos países que já prometeram o seu apoio aos rebeldes, sem saberem que grupo apoiar" - dizia-me ele.
Não creio que isso seja problema. Apoiarão aquele que ficar com o petróleo. O grande problema é saber quanto tempo vai demorar ( e quantas mortes irá custar) até que um dos 114 grupos que integram os rebeldes, consiga impôr-se aos restantes ficando com o melhor quinhão.


Adenda: Já lembrei aqui, diversas vezes, as honrarias com que o Ocidente cumulou Kadhafi e alertei para a euforia da sua queda. Mas, por favor, não percam o que escreve, Neste post, o embaixador Seixas da Costa

Com Borges em Buenos Aires






Hoje, quando pela hora do almoço comecei a googlar, deparei com a imagem acima. Não a tendo identificado, cliquei sobre ela e fiquei surpreendido. É uma homenagem do Google a Jorge Luis Borges, nascido a 24 de Agosto de 1899 em Buenos Aires.




Fui ao meu baú e desencantei este post que reproduzo parcialmente,em homenagem ao grande escritor argentino que, segundo consta, teria uma costela portuguesa, pois um dos seus bisavós era natural de Torre de Moncorvo, tendo emigrado para a ASrgentina no século XVIII




" ...Continuei a caminhar e, claro, acabei em Palermo, um dos tradicionais “barrios” bonaerenses onde Jorge Luis Borges passou uma boa parte da sua infância , mas que só conheceu verdadeiramente quando para lá voltou em 1921, depois de regressar da Europa.
No "viejo Palermo", redescubro em cada pedra um pedaço da história da época, escuto através das típicas ventanas de uma "cantina"ecos de um tango de Gardel e imagino Borges a verter para o papel, como uma epopeia, uma cena de facadas ao ritmo de uma milonga.
Como escrevia Borges, “mais do que uma cidade Buenos Aires é um país e nela se deve encontrar a poesia, a música , a pintura, a religião, a metafísica, de acordo com a sua grandeza.”
E tão fácil é entabular relações com os porteños, ou ceder à tentação de acariciar a cidade com a mesma ternura da descoberta de um corpo de mulher, que o difícil é mesmo não dar razão a Borges. Porque quem não conseguir descobrir essa multiplicidade de facetas que envolve Buenos Aires num longo abraço, não conseguirá apreciar a cidade e dificilmente compreenderá a Argentina.



( Para ler o post integral, clicar aqui)



Adenda: uma das melhores formas de conhecer Buenos Aires é seguir o percurso de Borges, calcorreando as ruas que ligam as diversas casas onde viveu, ou os locais que frequentou.

Allô, allô!

Senhor primeiro- ministro. Não sei se ainda está de férias, por isso peço desculpa se o estou a incomodar, interrompendo-lhe a sesta...


Só o queria avisar que depois de Warren Buffet ter pedido aos políticos para não mimarem os ricos, os milionários franceses vieram dizer que estão dispostos a pagar um imposto extraordinário para ajudar a combater a crise. Não acredita? Então leia aqui, s.f.f.
Como reagiram os nossos ricos?




Em minha opinião depende de o senhor lhe dar o brinquedo nuclear, mas não estou bem certo que ele se contente com tão puco. Sabe como são os americanos... ( pois, eu sei que ele não é americano, mas isso agora também não interessa nada...)


Vá lá, senhor primeiro-minsitro, acorde e venha trabalhar, que os ricos estão à sua espera para o ajudar a salvar o país.
Está desconfiado? Olha que coincidência!Também eu...

Abutres

Na Europa não há dinheiro para combater a pobreza, ajudar os países em dificuldades, ou matar a fome. Mas há dinheiro para alimentar a guerra .
Apesar da crise, tudo como dantes...

Figura da semana


Faz hoje cem anos que Manuel Arriaga tomou posse do cargo de presidente da República, que exerceria até Maio de 1915. Eleito pelo Congresso, o primeiro presidente da República recebia 1 conto e quinhentos por mês, mais 500 escudos para despesas de representação. Estava-lhe vedado o direito de utilizar como residência qualquer propriedade do Estado.

Continuou a viver num quinto andar da Baixa e alugou uma casa apalaçada, paga do seu bolso, para receber as personalidades que o visitavam.

Manuel de Arriaga era açoriano e foi eleito deputado pelo círculo da Madeira. ( à época Jardim ainda não era presidente do governo regional…) Quando foi escolhido pelo Congresso para presidente da República, tinha um curriculum invejável que deixará qualquer um dos nossos actuais políticos corado de vergonha ( aqueles que ainda a têm, entenda-se…)

Morreu em 1917 , tendo os seus restos mortais sido trasladados para o Panteão Nacional em 2004.

Sucessos de Verão (31)



Estes manos mandavam-nos sonhar e nós gostávamos. Agora nem com sonhos vamos lá, mas isso agora não interessa nada. O importante é que naquele Verão muitos jovens fartaram-se de sonhar dançando agarradinhos ao som desta canção

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Eles comem tudo...




Cheirou-lhes a sangue e não perderam tempo. Os vampiros querem comprar (certamente por tuta e meia) as unidades hoteleiras da Inatel e da Movijovem, alegando que não trazem qualquer valor acrescentado à oferta turística nacional. Em relação à Movijovem não me pronuncio, porque não conheço. Já quanto à Inatel, conheço bem algumas das unidades e devo dizer-vos que são excelentes para o padrão médio nacional. Mas, claro, logo que ouviu a proposta da APHORT, Passos Coelho deve ter começado a salivar e a fazer as suas contas de merceeiro. Já terá mesmo chamado Vítor Gaspar para fazer o negócio a preços de amigo.


À sombra de uma figueira




Fico a saber, via Câmara Corporativa, que o militante do PCP António Figueira, conhecido blogger do 5 dias, foi recrutado para o gabinete de Miguel Relvas. Ao que parece precisava de trabalho, procurou abrigo num Albergue Espanhol e foi resgatado à miséria pelo caridoso Relvas. Embora a minha forma de estar na vida se paute pela coerência, não perderia tempo a escrever sobre o assunto deste blogueiro revolucionário, não se desse o caso de ter lido este comentário de Figueira num post em que explicava a razão de ter aceite o convite:


"...vou servir a função pública e perco dinheiro em relação ao meu emprego anterior; deveria recusar em nome de quê?"


Ora, se o militante do PCP, seguindo o exemplo de outras gradas figuras do PSD, vai perder dinheiro, então aceitou o convite por convicção e isso é que já me parece mais estranho. Um militante do PCP a servir, por amor à causa, o PSD? Bem, já vi porcos a andar de bicicleta, porquê espantar-me com camaleões?


Por outro lado, a reacção a este post da Fernanda, também me deixou estupefacto. Quando o li desconhecia o destinatário, mas um colega de Figueira reviu-o nele e reagiu com justificações avacalhadas. Não saberia então o Figueira, que no Jardim do Relvas iria conviver com alguns exemplares da escória da pulhice humana? Ingenuidade ou similitude comportamental?


No fim de todo o imbróglio constato que, contrariando o que aqui escrevi, a coligação vodka -laranja ainda existe e está de boa saúde. Daí, que não veja qualquer incoerência em António Figueira.


Em tempo: imperdível esta crónica de Ferreira Fernandes


Eles lá sabem porquê...

Há algo que certamente me está a escapar, mas deve haver uma razão forte e plausível para que a notícia do DN " Os 10 factos que vão ilibar Strauss -Kahn" seja publicada na secção "Dinheiro Vivo"...

Melodias de sempre...

No Pontal, Pedro Passos Coelho mostrou estar preocupado com as reacções às medidas de austeridade duríssimas e deu uma cantada aos portugueses com o "Não sejas mau p'ra mim", numa demonstração de que tem a consciência pesada. Dirigia-se, obviamente, ao PCP e aos sindicatos que vão endurecer a luta a partir de Outubro.


Pedro Passos Coelho já devia saber que o tempo não está para cantigas e que a coligação "vodka-laranja" só funciona quando é o PS que está no poder. Agora aguente-se!

The American Dream

Será a isto que chamam " O sonho americano"?

A notícia da morte da Parque Expo foi manifestamente exagerada...

Quando ouvi a ministra Assunção Cristas dizer que o governo ia encerrar a Parque Expo pareceu-me bem, mas quando começou a meter os pés pelas mãos ao ser perguntada quanto é que o Estado iria poupar e quanto teria de pagar para liquidar as contas, comecei a perceber que naquele anúncio havia algo de bizarro.

Ontem, ao final da noite, encontrei a explicação. A notícia visava amortecer o impacto da decisão de acabar com os projectos do Arco Ribeirinho Sul e Frente Tejo que, além de valorizar a zona, permitiriam a criação de alguns milhares de postos de trabalho. É que, na verdade, a Parque Expo não vai ser extinta (pelo mesno para já...) e até vai ser nomeada uma nova administração.

Sucessos de Verão (30)



Frankie Valli era praticamente desconhecido quando lançou esta canção, que foi um retumbante sucesso de Verão. Com o tempo, tornou -se muleta musical frequente em cenas de amor (quase sempre lamechas...) mas tembém no fabuloso "The Deer Hunter".
Gloria Gaynor e Diana Ross foram apenas algumas das dezenas de intérpretes que a recriaram, mas escolhi esta versão para dedicar especialmente à Carlota, a quem devo uma canção. Espero que ela goste do tema porque, quanto aos intérpretes, sei muito bem que estão no seu top de preferências.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Procura-se!

Partido Socialista, conhecido pelo petit nom PS STOP A última vez que o líder foi visto estava em reunião em S. Bento STOP.Parece que estava a combinar a ida a banhos com o Coelho STOP Dizem-me que o PS " vai fermoso e Seguro" e promete reaparecer lá para meados de Setembro STOP Será?

Há sempre um "mas" a toldar a alegria



A queda de um ditador, seja ele qual for, é sempre motivo de regozijo. Por isso, mesmo sabendo que Kaddafhi foi apeado por quem até há pouco tempo fervorosamente o apoiou, sinto a felicidade pela queda do ditador. O problema é quando deixo de ser ingénuo e começo a imaginar os apoiantes dos rebeldes a dividir os despojos. Restará alguma coisa para o povo líbio? Finou-se uma ditadura mas... sairá dali uma democracia? O tempo responderá...


Conservadores? Talvez...

Este post suscitou diversos comentários que me proporcionaram uma enriquecedora reflexão: serão os portuenses conservadores?


Devo confessar que tenho muita dificuldade em lidar com a palavra conservador e em definir conservadorismo.Não nego que foi o conservadorismo do Porto dos anos 60 que me incitou a pirar-me cedo para Lisboa…no entanto, também sempre liguei a palavra conservador àquele que conserva relíquias que se perderiam no tempo, se ninguém cuidasse de as preservar. Conceitos diferentes, eu sei…mas é mesmo por aí que quero ir.


Quando alguém de Lisboa fala do conservadorismo dos portuenses, a minha reacção imediata é contrariá-la. Mas depois, pensando melhor, chego à conclusão que quem o afirma tem uma boa dose de razão. Os portuenses conservam alguns princípios que aprecio, mas que não deixam de ser conservadores. E até eu, que nos comportamentos sou mais alfacinha do que tripeiro, me deixo conduzir pelo coração e reconheço algumas vantagens nisso.


No Porto ainda se toma chá com naturalidade a meio da tarde, ainda se aproveita a hora do lanche para cavaquear à mesa de cafés com História e as pessoas preferem celebrar os aniversários recebendo os amigos em suas casas, em vez de irem para um restaurante…


São apenas alguns exemplos de conservadorismo que considero positivo. Enquanto reflectia sobre a outra ( menos boa…) vertente conservadora e procurava identificá-la com o comportamento actual das gentes do Porto, dei por mim a constatar que também guardo alguns tiques de conservador, apesar de ter abandonado o Porto há mais de 40 anos. Dou-vos apenas um exemplo:


Quando estou no Porto mais do que as 48 ou 72 horas habituais, gosto de visitar os pais de alguns dos meus amigos da velha guarda. Ora, sendo eu avesso às gravatas, que normalmente só uso quando a isso sou obrigado, dou por mim a vestir um casaco e pôr uma gravata para os ir visitar. Sem esforço e até algum prazer. Apenas porque sei que ( especialmente às mães) lhes vou agradar e enquanto tomamos chá , acompanhado de biscoitos e bolos caseiros, a conversa corre com fluência, como se fossemos da mesma geração.


Não era este o caminho que queria seguir quando comecei a escrever um post sobre o conservadorismo das gentes do Porto, mas deixei-me conduzir pelo movimento dos dedos sobre as teclas, comandados pelo cérebro e desaguei aqui. Nada a fazer. Fica para a próxima…

Vamos a contas?

O governo aumentou o IVA do gás e da electricidade de 6 para 23%. Os consumidores, no entanto, irão pagar uma factura ainda mais pesada, pois este agravamento também afecta os serviços do Estado. Sabendo nós que não há grandes preocupações nos serviços públicos no concernente aos consumos de electricidade, os aumentos dos custos sentir-se-ão na factura mensal dos organismos públicos. Ora adivinhem lá quem vai pagar estes extras...

Cúmulo do azar é...

Passar anos a vomitar posts contra o Sócrates e acabar como especialista no gabinete do Relvas que tem os comportamentos ainda mais obscenos do que o vomitador criticava em Sócrates.

Sucessos de Verão (29)




Um dos discos de vinil que ainda guardo religiosamente é o do concerto de S&G em Central Park.

De " The Boxer a Mrs. Robinson" ( quem se lembra do filme "The Graduate" - A primeira noite?) fizeram de cada música um sucesso de Verão. Depois de muito hesitar, escolhi este como o "sucesso dos sucessos", embora haja outras canções de que gosto mais....

domingo, 21 de agosto de 2011

Ora digam lá...


O governo iniciou funções há precisamente dois meses. Parafraseando um blogger que se alcandorou a especialista, pergunto: "Vivemos melhor, ou pior do que há dois meses"?

Bate, bate, coração (21)

Aretha Franklin






Há vozes que nunca esquecerei, mas a de Aretha Franklin é incomparável. Num inquérito realizado pela Rolling Stone, para escolher as 100 melhores vozes do século XX, Aretha Franklin ficou em primeiro lugar. Nos 20 primeiros, só outra voz de mulher: Tina Turner.

Se foi "Respect" que me deu a conhecer Aretha, canções como "I say a Little Prayer" ou "(You Make me feel) Like a natural Woman" ainda hoje me provocam fortes arritmias. Para partilhar convosco, escolhi "Spanish Harlem". Espero que gostem...

No, we can't

As coisas até pareciam estar a correr bem e cheguei a acreditar que a sorte que nos bafejara nos jogos contra Argentina e França continuaria do nosso lado. Gabriel, o guarda-redes do Brasil até deu uma ajuda ao oferecer um perú monumental, mas depois cedemos o empate e a poucos minutos do final do prolongamento, com os jogadores portugueses a arrastar-se, Mika deu um frango e o Brasil ganhou 3-2.

Foi pena mas, em abono da verdade, os brasileiros foram justos vencedores. Parabéns também aos miúdos portugueses. Ninguém dava nada por eles e chegaram à final, batendo-se até ao último minuto.

Engoliu um gramofone?

Jesus gosta imenso de se ouvir, por isso fala demais e diz disparates. Por acaso viu o penalty assinalado pelo árbitro no jogo dos sub-20 contra a França, resultante de um mero empurrão?
Para o técnico encarnado, quando um jogador do SLB se atira para o chão dentro da área é sempre penalty, mas uma falta claríssima ( carga escusada, mas nítida sobre Sapunaru) contra um jogador do FC do Porto é sempre duvidosa. Não há pachorra para aturar narcisos que gostam de incendiar o futebol português.

sábado, 20 de agosto de 2011

Saturday nights (on the rock)

Atenção, amantes de futebol!


Esta madrugada, às 2 horas de Lisboa, Portugal defronta o Brasil para discutir o título de campeão do mundo de sub-20.Vou preparar o jogo com um jantar de Hax’en no Biergarten em Cascais e depois fico-me pelo Rochedo, porque se anunciam trovoadas nocturnas e adoro ver os relâmpagos ziguezaguear sobre as águas do mar.

Depois chegarão os amigos para tomar um copo e, quando o jogo começar, já a conversa deve estar animada.Espero é que a noite termine bem como há 20 anos, quando Portugal se sagrou campeão do mundo em Lisboa, numa final contra o Brasil, decidida nas grandes penalidades.

Nesse tempo vivia em Macau e, antes do jogo, ainda fui dar um pé de dança até ao Lok Un. Depois do jogo, cerca das 5 da manhã, voltámos lá para celebrar e depois de ver o nascer do sol na praia de Hac Sa fomos comer uma sopa tailandesa, remédio muito mais eficaz do que o Guronsan para combater as ressacas.
Hoje, mesmo que Portugal ganhe, não haverá festejos tão efusivos. A PDI não perdoa…

Para quem não goste de futebol, há dosi programas aliciantes. A Norte, as festas da Senhora da Agonia em Viana do Castelo e a Sul, "Lisboa na Rua" que tem proporcionado excelentes momentos de jazz ao ar livre.
Tenham uma boa noite.

Humor fim de semana

A televisão não transmitiu esta parte do discurso de Pedro Passo Coelho no Pontal, mas mão amiga fez chegar ao CR a transcrição fidedigna do que se passou. Dizia PPC a determinado momento do seu discurso:
- E a partir de agora temos de fazer mais sacrifícios!
Ouve-se uma voz na multidão:
- Trabalharemos o dobro!
Passos continua:
- E temos de entender que haverá menos alimentos!
A mesma voz:
- Trabalharemos o triplo!
Passos prossegue:
- E as dificuldades vão aumentar!
- Trabalharemos o quádruplo!
Passos vira-se discretamente para um dos seus fiéis e pergunta:
- Quem é esse idiota que vai trabalhar tanto?
- O coveiro! - responde o especialista

Patrão fora...

O dono foi de férias, mas eles não perderam tempo e foram apanhar uns banhos de sol. Pelos vistos ficaram com as ideias toldadas e pensaram que na Colômbia também era Verão. Azar!

Grandes realizadores (32)

Raul Ruiz


Faleceu ontem o realizador de "Mistérios de Lisboa", um filme que está a surpreender o mundo inteiro. Aqui fica a recordação deste grande amigo de Portugal, em jeito de homenagem.

O calor do Algarve baralhou-o

Passos Coelho afirmou, no Pontal, que o governo estava a fazer o maior corte na despesa dos últimos 50 anos. Há uma omissão e uma pequena imprecisão na afirmação de PPC.

Esqueceu-se de dizer que o corte na despesa se referia ao consumo privado e, na verdade, a última vez que os portugueses se sentiram ainda mais esbulhados por um governo, não foi há 50 anos, mas sim em 1978.

Sucessos de Verão (28)

Bem... mas quem é que ficava insensível quando esta canção começava a tocar num baile, fosse ele ou não de garagem? Era uma movimentação nas salas... Uff !!!Até fiquei com calor ...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Andam tubarões no Algarve

No dia 5 de Junho os portugueses foram votar, pensando que iam escolher um primeiro-ministro. Menos de dois meses depois, o eleito pirou-se para o Algarve e virou figura de jet set nas revistas cor de rosa.


Mas fica-me uma dúvida: que fazia PPC antes de ser eleito presidente do PSD?


Entretanto, chegam notícias de que andam dois tubarões no Algarve a afugentar turistas e há quem considere isso uma boa notícia. Lembrei-me que Cavaco também está de férias na aldeia algarvia dos amigos do BPN, também conhecida por Coelha.



Laura, papagaio tem fome!




No Porto tenho por vizinho, numa vivenda nas traseiras da minha, um papagaio que costuma acordar –me por volta das oito, com um falatório estridente .


Nos últimos meses, a sua frase matinal, antes de lhe ser servido o pequeno almoço, era invariavelmente:


Lucky, gostava tanto de ti!”


O Lucky era um velho pastor alemão dos meus vizinhos, companheiro de brincadeiras do papagaio, que morreu recentemente, deixando os donos inconsoláveis, sentimento partilhado pelo próprio papagaio que assim anunciava, à vizinhança, a dor de uma família.


Este fim de semana, uma nova frase do Louro deixou-me deveras surpreendido. Furiosamente, logo às oito da manhã, começa a gritar:


“Laura, papagaio tem fome! Laura, papagaio tem fome!”


Intercala a reclamação com furiosas bicadas no recipiente onde os donos lhe costumam colocar a ração matinal e só se cala quando o pequeno almoço lhe é servido.


Contei este episódio à minha mãe ( cuja surdez não permite ouvir as reclamações do animal) e ela logo retorquiu, recordando um episódio com um outro papagaio que tinha como vizinho, na Foz do Douro, onde nasceu.


Contava-lhe então o meu avô que, nos últimos tempos da monarquia, o papagaio tinha por hábito gritar Vivas à República, fala que lhe fora ensinada pelo dono, um republicano convicto.


Nada demais, não se desse o caso de papagaio e dono terem sido várias vezes presos pela polícia.

As praias da vida dos outros (18)

A Teresa fala-nos de uma praia que lhe quiseram roubar, mas que ela conseguiu agarrar para ser feliz. Talvez muitos não a conheçam, mas é uma belíssima praia. Vão lá confirmar...
Com este contributo da Teresa, encerro o desafio "A Praia da Minha Vida", agradecendo desde já a todos os que participaram e que homenagearei devidamente no domingo.



Precisa-se de dicionário para gente carenciada



Depois dos casos Nobre e Nogueira Leite, a quem Pedro Passos Coelho fez convites para lugares que não podia oferecer, surgiu ontem o convite de Miguel Relvas a Mário Crespo ( ainda não desmentido por nenhuma das partes) ultrapassando os critérios de nomeação dos correspondentes da RTP.

Seriam casos suficientes para se perceber que este governo não conhece o significado da palavra "transparência" , mas ontem mais um caso veio eliminar todas as dúvidas. Refiro-me aos concursos para dirigentes da Administração Pública. Fazer concursos e depois dar aos ministros poderes para decidir quem ocupa o lugar, não é transparência...é palhaçada!

Ofereçam-lhes um dicionário, por favor...

Os montes de Hermínio



Começou no último fds a Liga, mas alguns comentadores futeboleiros parecem apostados em desviar atenções para casos colaterais que nada têm a ver com futebol. É o caso de Hermínio Loureiro, ex-presidente da Liga (de má memória) e possível candidato à presidência daFPF. Pois este homem, que o governo gostaria de ver à frente dos destinos da cúpula do futebol, continua a demonstrar uma preocupante insanidade. Misturando alhos com bugalhos, HL vem exigir mão pesada para o agressor de Pedro Proença. Pouco lhe importa que a agressão a Pedro Proença, apesar de perpretada por um adepto do Benfica, nada ter tido a ver com questões desportivas. Foi um problema entre cidadãos, em nada relacionado com futebol, mas sim com questões do foro privado.



Hermínio Loureiro não faz a destrinça e mete tudo no mesmo saco. Pede justiça exemplar em nome do futebol, para um caso que nada tem a ver com justiça desportiva e, repito, foi apenas uma espécie de ajuste de contas do foro privado. Pobre futebol português, se esta rechonchuda criatura for escolhida para presidente da FPF...


Sucessos de Verão (27)



E não houve grandes sucessos de Verão da música portuguesa? - perguntava-me há dias uma leitora. Não houve muitos, mas sempre houve alguns que até atravessaram fronteiras. Esta canção que vos trago ( num video clip onde se evoca um dos grandes filmes portugueses) até esteve no top-100 em Inglaterra e teve direito a versão em inglês, ouvida com frequência num pub de Regent Street que eu frequentava amiúde.

José Cid foi um "fazedor de sucessos" ( Balada de El-Rei Sebastião foi uma canção de uma época) que passou mais ou menos ao lado de uma carreira internacional, mas era considerado pimba e a sua presença estava vedada nos bailes de garagem. Que me lembre, naquele tempo, só os Sheiks tinham direito de entrada. Porque cantavam em inglês. Lembram-se de Missing you, outro grande sucesso de Verão?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Noites de cinema

Hoje, nas Noites de Cinema, faço-vos um discreto convite para identificarem este filme. Divertido e mordaz, como outros filmes de Buñuel.


Da (falta de) ética -3

Espero que o especialista Pedro Correia reaja contra esta ingerência do seu actual patrão na comunicação social. Chamar-lhe-á atentado contra a liberdade de imprensa, ingerência justificável, nomeação por mérito, ou pouca vergonha?

Os ressentimentos da memória










Enquanto escrevia o post sobre a "Filha do Lavrador", lembrei-me de um caso que se passou comigo há tempos e aqui recordo. Ainda guardo um ressentimento, impossível de apagar.


Os professores exercem uma das mais nobres profissões do mundo. O seu esforço e a sua dádiva nem sempre são reconhecidos em Portugal, mas o mesmo não acontece, por exemplo, na China, onde o professor primário é visto como uma pessoa de família, pelos familiares dos alunos.Tive, ao longo da vida, professores excelentes, apenas bons e medíocres. O meu professor primário - de que já vos falei aqui - era na realidade um professor medíocre, mas visitei-o muitas vezes ao longo da vida, até à sua morte.No Liceu tive alguns professores excelentes, de quem guardo belíssimas recordações. Ainda sou amigo , por exemplo, do meu professor de Filosofia que, embora sendo padre, é de uma grande abertura de espírito. Lembro-me com saudade do meu professor de Português, mau como as cobras, mas com uma tal sensibilidade, que chorava como uma Madalena nas aulas, quando nos falava de alguns autores portugueses. Ainda hoje sinto um arrepio, quando me lembro das aulas em que ele recitava de cor longos excertos de “Os Lusíadas” e as lágrimas lhe escorriam pela face, em catadupa.



Poderia aqui citar a minha professora de História, que me fazia voar no tempo, com a sensação de estar a viver na época de que ela falava, ou a empertigada e irritante professora de inglês que me castigava nas notas por considerar que eu não me esforçava para ser melhor aluno. Quando, no exame do antigo 5º ano ( actual 9º), tive 18,9, disse-me “mas podias ter tido 20!”. Depois, perante o meu ar incrédulo e desesperado, agarrou-se a mim a pedir desculpa pelos três anos de sofrimento que me fizera passar e arrematou: “mas valeu a pena!”.





Poderia contar-vos muitas histórias, mas hoje quero falar de um professor que tive na Faculdade de Direito. Era um péssimo professor. Ignorante, inculto e fascista, foi responsável pela minha expulsão da Faculdade. Devia estar-lhe grato por isso, pois foi graças à expulsão que a minha vida ganhou um novo rumo, mas não estou e continuo a sentir o mesmo rancor por aquela figura sinistra que era o terror dos alunos de Direito. Descobri isso há dias, quando passou por mim à porta da Versailles. Quando vi aquela figura repelente, agora carcomida pela idade, a minha vontade foi apertar-lhe o pescoço, cobri-lo de porrada, até ficar ali estendido, à espera de uma ambulância do INEM que o conduzisse ao Hospital.
Tal como alguns amores, alguns ódios não se explicam. Não é o caso deste. Sei que foi sempre uma figura detestada. Nem Marcello Caetano o suportava. Mas nunca pensei, até este reencontro, que ainda pudesse despertar –me tento desprezo, volvidos quase 40 anos!


Paroles, paroles, paroles...



Na campanha eleitoral de 2002, Durão Barroso jurava que não avançaria com o TGV enquanto houvesse uma criança com fome em Portugal. Em 2003, porém, assinava na Figueira da Foz um acordo com Aznar para a construção do TGV...

Nas campanhas eleitorais de 2009 e 2011, Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho fartaram-se de vociferar contra os custos megalómanos do TGV. Os blogs do costume faziam de câmara de eco, corroborando e repetindo à exaustão os argumentos dos líderes laranjas.

Ontem, o ministro Álvaro foi a Madrid e encolheu-se. Em vez do peremptório não, pediu tempo para pensar no assunto, até Setembro...


Os putos




A selecção portuguesa de futebol de sub-20 está a disputar o Campeonato do Mundo na Colômbia desde finais de Julho. Como ninguém dava nada por estes rapazes, a comunicação social noticiava os resultados em notas de rodapé.


Terminando a fase de grupos em primeiro lugar, a RTP acordou e transmitiu o Portugal - Guatemala dos oitavos de final. Seguiu-se o jogo com a Argentina, nos quartos. Portugal venceu nas grandes penalidades, apurando-se para as meias finais, onde lhe coube defrontar ( ontem à noite) a França, campeã europeia naquele escalão.


Contra as expectativas dos mais optimistas, Portugal venceu por 2-0 e apurou-se para a final.


E assim, em pezinhos de lã, com apenas 5 golos marcados em 6 jogos, mas nenhum sofrido, os jovens portugueses podem reeditar os títulos conquistados em 1989 na Arábia Saudita e em 1991 em Portugal. O adversário é o Brasil, que derrotámos na final de 1991 numa final épica resolvida através da marcação de grandes penalidades.


Na madrugada de domingo (2h00m em Lisboa) haverá certamente muitos milhares de portugueses colados ao ecrã. A maioria, provavelmente, não terá visto os outros jogos. A esses aviso desde já que não esperem um grande jogo. Esta selecção não tem Figos, nem Rui Costa, nem Fernados Couto ou Jorges Costa. É uma equipa sem grandes talentos que vale pela coesão e entrega dos seus jogadores. A maioria dos quais, certamente, acabará a jogar lá fora, porque as equipas portuguesas preferem ir buscar jovens estrangeiros e dispensar os portugueses.


Vá lá $aber-$e porquê!...

Sucessos de Verão (26)



Lembram-se da irmã de Hugues Aufray? Pois é este grande sucesso que vos trago aqui hoje.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O emplastro




Merkel e Sarkozy estiveram reunidos para discutir a Europa e encontrar soluções para a crise. Não sei se o conseguiram, mas desta reunião resultou bem claro que Merkel abandonou o caniche e Durão Barroso assumiu definitivamente a figura de emplastro.

Figura da semana



Ao admitir a possibilidade de portajar o IC 19 e o IC2, António Costa está a pôr a cabeça no cepo, ou a dizer que não quer ser reeleito presidente da câmara de Lisboa?

Portajar as entradas de automóveis em Lisboa é um acto de bom senso e de grande coragem, que indica uma escolha clara pela sustentabilidade urbana, mas não ganha votos.

(Bem diferente foi a opção do governo que aumentou os tranportes de forma astronómica, aumentou o IVA do gás, da electricidade e prepara-se para aumentar o IVA de bens essenciais como o pão ou o leite, mas não teve coragem para mexer no IVA das pontes Vasco da Gama e 25 de Abril).

A redução drástica no acesso de automóveis a Lisboa - e provavelmente a outras grandes cidades- é uma questão de tempo ( Ler a explicação aqui e aqui )e, no momento grave que vivemos, seria uma medida acertada melhor compreendida - penso eu- do que a subida do IVA em produtos e serviços essenciais. Daí a minha escolha de António Costa para figura da semana

O(s) mensageiro(s) do(s) deuses




Há dias falava com uma senhora que foi à Jordânia dissertar sobre defesa do consumidor. Com ela foi um grupo de peritos de outros países europeus, pagos pelos cofres da União Europeia. Perguntei -lhe qual a impressão que tivera da visita, no concernente à defesa do consumidor por aquelas paragens, mas a resposta titubeante e evasiva levou-me para outras lucubrações.


Lembrei-me, por exemplo, que nas ilhas do Pacífico reinou, em tempos não muito recuados, um conjunto de cultos relacionados com o consumo: o taro (loucura) cult em Vanuattu, o vailala na Papuásia, ou o tuka cult nas ilhas Fiji são apenas alguns exemplos.


A origem destes cultos está relacionada com a chegada de John Frum* àquelas paragens, no início da década de 30 do século passado. Não se sabe exactamente quem era John Frum, mas sabe-se que apareceu na ilha de Tanna, levando objectos exóticos e desconhecidos naquelas paragens. Estupefactos perante tantos objectos estranhos, os indígenas pensaram tratar-se de uma divindade que os bafejara com uma dádiva e passaram a adorá-lo como tal. A data do aparecimento deste homem foi 15 de Fevereiro, data assinalada em toda a Melanésia com festividades em honra de S. Frum.


Não creio que a embaixada de peritos europeus que rumou à Jordânia para anunciar a boa nova da defesa do consumidor tenha provocado nos jordanos a mesma reacção, mas o mesmo já não me arrisco a dizer em relação a algumas tribos sul-americanas eventualmenet visitadas por uma outra embaixada, presidida pelo ex-secretário de estado do consumidor, Fernando Serrasqueiro.


Pelo investimento feito na viagem, não me espantarei se um dia, ao chegar à Quebrada de Humahuaca, me deparar com uma festividade em nome de S. Rasqueiro. Ficarei então a saber que objectos e produtos exóticos terá transportado a sua comitiva.


( Em tempo: graças ao leitor Gonçalo, a quem agradeço, já consegui fazer link para a notícia publicada pelo jornal i no dia 13 de Agosto)



As praias da vida dos outros (17)



O Rogério leva-nos até uma bela praia do Oeste, numa narrativa onde as palavras se conjugam com o mar encapelado daquelas paragens. Uma história repleta de memórias de uma praia que conheço, mas de que não tenho memória. Vão lá ver... mas cuidado, porque a água é muito fria naquelas paragens,

O Cerco

Não, não vou falar do Bairro do Cerco, onde vive gente muito respeitável. Vou falar do governo, onde o cerco montado por Pedro a Paulo promete agitar o Outono, com golpes baixos e contra-golpes à medida.


Sempre abominei pessoas com "punhos de renda" que se querem fazer passar por aquilo que não são, invocando a ética (que não têm) como valor primordial da sua conduta. PPC é um exemplo perfeito do "ronha faz de conta". Faz passar a imagem de ser pessoa cordata, mas vai sacaneando o seu parceiro de coligação todos os dias.


A nomeação de Braga de Macedo ( ininigo de estimação de Paulo Portas) para dirigir a diplomacia económica, reduz o líder do CDS a um mestre de cerimónias de um ministério sem pasta, ou a escolha de Santana Lopes para a Santa Casa, sem informar o ministro (Mota Soares) a quem devia competir a nomeação, são dois casos que devem ter deixado Portas a ferver, porque demonstram que afinal PPC tinha razão quando disse, em plena campanha eleitoral, não querer "paus de cabeleira".


Na verdade, neste momento, Portas já nem esse papel desempenha. Sem poderes no ministério e a ver os seus ministros ultrapassados por decisões pessoais do PM, o parceiro de coligação é um marido enganado, que é o último a saber das traições do cônjuge mas aceita desempenhar o papel de figura decorativa num casamento faz de conta.


Portas deverá estar a preparar a vingança. Primeiro na Madeira, depois na discussão do OE, mas está refém de um compromisso que não pode quebrar, sob pena de perder direito à renda mensal, pelo que em nada comprometerá a estratégia de PPC. Lá mais para diante, porém, a relação poderá terminar num divórcio litigioso. No momento que Portas veja mais adequado, vai cobrar um preço elevado pela "traição".

Que belo exemplo!

Ribeira de Pena foi, em tempos, a única localidade portuguesa liderada por uma figura do PPM. Havia por aí, na bloga, quem defendesse que o exemplo deveria ser seguido em todo o país. Não sei bem qual o exemplo a que se referiam. Seria este?

Sucessos de Verão (25)




Não terá sido um grande sucesso de Verão, mas lembrei-me desta canção durante estes dias no Porto, quando encontrei uma grande amiga da adolescência que não via há exactamente 30 anos. Esta é mesmo para ti, Cristina... ( espero que os leitores gostem pelo menos do videoclip)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mudam-se os tempos...

Quando éramos um país pobre, os mais ricos ofereciam os livros e material escolar de que os filhos já não precisavam, aos mais necessitados. Hoje, que já somos ( ou éramos...) um país rico, o material escolar que deixa de ser preciso, é posto à venda em leilões na Net.

"A Filha do Lavrador"

Era filha de um lavrador que, nos anos 60, tinha umas leiras de terra nas imediações da minha casa no Porto. Viúvo, vivia com a filha e um neto. O pirralho era fruto do casamento da filha mas dívidas de jogo, copos e tareias terão sido as causas para que a união se desfizesse num ápice...



Tive notícias dela por estes dias. A Filha do Lavrador - assim continua a ser conhecida apesar de o terreno ter sido deglutido há mais de 30 anos por um condomínio privado- frequenta diariamente a Igreja de Santo António das Antas, solidificando nesse convívio diário uma amizade de décadas com a senhora que me conta a história. Como poderão testemunhar adiante, sobejas razões havia para esta senhora me falar de uma mulher que eu conhecera vagamente em miúdo e de que nunca mais tivera notícia.




Há cerca de dois meses o ex-marido morreu. Meio vagabundo, sem eira nem beira, cozendo as bebedeiras num terreno próximo da Av dos Combatentes, onde pernoitava, fora enjeitado pelos filhos de um segundo casamento. Sem família que dele quisesse saber, o seu destino seria, pois, um enterro em vala comum, mas a Filha do Lavrador, dele separada há 51 anos, deu outro rumo à história. Sabendo da morte do pai do seu único filho, ela mesmo tomou todas as providências para que tivesse um funeral condigno e fosse enterrado em campa rasa.
“É o pai do meu filho, nunca iria permitir que fosse enterrado como um animal”- terá confidenciado às amigas, a quem convocou para lhe prestarem uma última homenagem.



(Escrevo este post no comboio, de regresso a Lisboa. Depois de terminar dou uma vista de olhos pelos jornais on line. Fico a saber, pelo Ferreira Fernandes, que abriu ontem em Londres a exposição Museu das Relações Quebradas. A Filha do Lavrador poderia, sem dúvida, dar um belo contributo...)

Como um castelo de cartas

Foto roubada , com pré-aviso,ao blog Coisas de Pi*



Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necessitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta.
Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.
Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.


(Post escrito em 16 de Setembro de 2008, a propósito das previsões de Paul Krugman sobre a Grande Depressão económica que se avizinhava. Lembrei-me dele durante os recentes acontecimentos em Londres).