Embora muitos os considerem figuras mitológicas do tempo do Estado Novo, que se extinguiram com os cravos de Abril, os bufos existem mesmo. Aparecem sob diversas formas e sofrem de metamorfoses constantes. Deixo aqui, com todo o gosto, a identificação de algumas classes em que se dividem:
Bufo pé de cabra- Actua normalmente nos locais de trabalho. Insinua-se junto do chefe e quando percebe que um colega vai ser nomeado para um lugar importante, inicia o processo de destruição. Põe a circular notícias falsas sobre o visado ou deixa cair junto do chefe alusões a factos da sua vida pessoal.Bufo profissional- Vive do mexerico. A sua frase preferida: “Eh pá, se eu fosse jornalista tinha muitas coisas para contar sobre aquele tipo”. Há quem lhes dê muita importância e goza de popularidade por estar sempre a par das últimas fofocas. Normalmente, o que tem para revelar é falso ou não vale um caracol, mas é disso que se alimenta. Alguns jornalistas gostam de os utilizar como fontes não identificadas.
Bufo-osga- É um sedutor. Faz amizades facilmente. Procura cultivar a amizade de pessoas influentes, insinuando-se com uma ou duas histórias verdadeiras. Ganha a confiança, a falta de material atractivo leva-o a inventar histórias. Quando percebe que já não tem crédito, procura outro hospedeiro. Tanto pode ser um jornalista, como uma pessoa influente, ou do “jet-set”, disposta a fornecer-lhe novas histórias que depois utiliza para se insinuar junto de outro jornalista.
Bufo-oportunista- É o maior inimigo dos locais de trabalho. Não faz nenhum. Anda sempre à espreita, para saber o que corre mal. Assim que obtém informação suficiente, mesmo sabendo que o assunto já está resolvido, lança a notícia cá para fora.
Bufo-saudosista- Vive no tempo do Estado Novo. É um agente da PIDE falhado. Se pudesse, escreveria no BI- Profissão:delator. Prolifera nos partidos políticos, mas mais nuns que noutros. Bufo de sacristia- Resulta do cruzamento do bufo-osga com o oportunista. Videirinho, procura passar despercebido, mas está sempre atento a tudo o que se passa à sua volta. Recolhe um conjunto de elementos que parecem encaixar e passa a informação no seu círculo restrito ou para os jornais. Gosta de viver em tribunais.
Bufo - cordeiro- Dizem-me que vive na madeira e é uma espécie de bicho do caruncho. Só denuncia quando a vítima está longe. Assim que ele se aproxima, torna-se um cordeiro. Dizem que está em vias de extinção, mas eu não acredito.
Como vêem, bufos não faltam, é apenas uma questão de escolha. Há quem considere a denúncia "do mais saudável que pode haver” eu até vos apresentava alguns exemplares, mas acontece que não sou bufo e esses animais não gostam de ser desmascarados. Pessoalmente, continuo a preferir as fontes credíveis que não me atazanam e a acreditar que o “mais saudável que há” é uma democracia sã. Coisas de velho sonhador. Quem me manda a mim ler o Luís Sepúlveda?
Existem bufos desde os primórdios dos tempos... e continuarão a existir sempre...
ResponderEliminarE cada vez mais. Por aqui há quem lhes chame engraxadores sem caixa.
ResponderEliminarUm bom fim de semana.
Claro que há bufos! De todos esses géneros e feitios e provavelmente de mais alguns.
ResponderEliminarE até há quem os incentive, como aquele Francisco George que lançou aquela campanha anti-tabagista aqui há alguns anos, que considerava muito normal que todas as pessoas delatassem todos os tabagistas e donos de cafés (não autorizados aos fumadores, por não reunirem as condições impossíveis que ele exigia) para serem visitados pela ASAE e multados... :P
Deixem lá os bufos entregues à sua mediocridade e tratem de aceitar mas é este meu novo desafio musical:
ResponderEliminarhttp://ocantinhodomestre.blogspot.com/2011/07/desafio-musical-n-4.html
Carlos
ResponderEliminarIa lendo as definições e automáticamente via alguem a quem o chapeu caía bem.
O que mais me preocupa é que ao contrário do que era previsível esta espécime não está em vias de extinção, parece que está até em crescimento.
Pois estes filhos da mãe continuam a proliferar por aí e alguns andam na esfera dos partidos para ver quem será capaz de aquentar a cadeira do poder.
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