domingo, 31 de julho de 2011

30 dias decepcionantes

Cumprido o primeiro mês de actividade do novo governo, o balanço é deprimente. A única centelha de originalidade é a possibilidade conferida às empresas de reduzirem os vencimentos dos trabalhadores, para compensarem o fundo que terão de criar para pagar os despedimentos. Realmente, pôr os trabalhadores a pagarem os seus próprios despedimentos, é uma originalidade que não passava nem pela cabeça de um tinhoso.
Quanto ao resto:
-A promessa de cortes na despesa continua vaga. Não foi anunciada uma única medida que preveja cortes nos custos de funcionamento;

- Em contrapartida, anuncia-se o encerramento de serviços públicos ( nada contra, se isso não implicar despedimentos, mas o problema é que o governo dá mostras de não saber onde cortar, nem como cortar), agravamento dos impostos e corte do subsídio de Natal;
-Corre a bom ritmo a nomeação de boys para empresas públicas e aumentam os números de lugares nas administrações, ao invés do corte prometido;
- A diminuição de ministérios foi compensada com o aumento do número de secretários de estado;
- As medidas de sustentabilidade são contraditórias. Enquanto uma ministra liberta os funcionários das gravatas, outro aumenta o preço dos títulos de transporte, desincentivando o recurso aos transportes públicos;
- A avaliação dos professores, chumbada em Março, foi recuperada quatro meses depois;
- Foi anunciado um orçamento rectificativo para apoiar a banca;
- Foi aprovada uma lei para facilitar os despedimentos e nada de incentivos ao emprego dos jovens;
- As agências de rating mandaram Portugal para o lixo;
- O governo pagou os serviços de alguns jornalistas disfarçados de bloggers e nomeou-os para gabinetes governamentais;
- Continuam os assaltos a gasolineiras e os incêndios;
Etc...etc... etc....
Apenas duas coisas mudaram com este governo:
- Cavaco abandonou aquele ar de quem está zangado com o mundo e anda sorridente e feliz. Até descobriu que a crise afinal resulta de uma conjugação adversa de factores externos, que as agências de rating são um gupo de malandros e (imaginem!) que talvez seja necessário exigir mais à Europa;
-Alguns jornalistas que apoiaram Passos Coelho, disfarçados de bloggers, deixaram de criticar algumas medidas do governo Sócrates, para passar a a apoiar as mesmas medidas, agora tomadas por este governo.

Muito pouco, não vos parece?

Serviço público

A blogosfera também é serviço público. Por isso recomendo-vos uma visita a este Mentirómetro do blog Jumento, que contabiliza diariamente as mentiras de Passos Coelho.

Quem sou eu para o contrariar?

"Em política, o que parece é, pelo que não julgo haver forma de consertar o desastroso processo de nomeação da nova equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos." (...)
"Tudo isto pode ter uma explicação razoável, pode até haver razões para o "orgulho" manifestado publicamente pelo ministro das Finanças, mas o mal está feito: este processo pareceu mostrar que continua a haver jobs para os boys e que a contenção defendida noutras instâncias não se aplica à Caixa. É o mais desastroso passo em falso do Governo desde que tomou posse."
(...)

(José Manuel Fernandes in Público 29 de Julho 2011)

Bate, bate, coração (18)

Linda Ronstadt

Injustamente esquecida esta miúda, não vos parece?



sábado, 30 de julho de 2011

Saturday nights (on the rock)

Se o Rochedo não fosse tão pequenino, eu convidava-vos a passar por aqui para beber um copo e desfrutarem desta paisagem de mar e lua. Sendo assim, dou-vos duas sugestões:


Comecem por Dar Banho Cão e, depois de algumas gragalhadas ( neste tempo uma gargalhada vale oiro) vão até uma esplanada beber um copo em boa companhia, ou dar um pé de dança oa Urban Beach ( quem vive/está em Lisboa ou arredores)

Humor fim de semana

Um homem está na cama com a amante quando ouve os passos do marido.A mulher manda-o pegar as roupas e sair pela janela.Ele resmunga porque está a chover muito, mas não tendo outra solução,salta e cai no meio da rua, onde está a passar uma maratona.Ele aproveita e corre junto com os outros, que o olham de um jeito esquisito.Afinal, ele está nu!Um corredor pergunta:
- Você sempre corre assim nu?
- Sim! - responde o amante É tão bom ter uma sensação de liberdade...
Outro corredor pergunta :
-Mas você sempre corre assim nu com as roupas nas mãos?
O homem não se dá por vencido:
- Eu gosto assim. Posso vestir-me no fim da corrida e ir para o carropara ir para casa...
Um terceiro corredor insiste:


- Mas você sempre corre assim nu com as roupas nas mãos e com um preservativo na pila?
Sem desarmar, responde prontamente:
- Não!!! Só quando está a chover!

Cantas bem, mas não me enganas...

Estou farto desta música, por isso, há dois anos que não me abasteço na Galp.

Grandes realizadores (30)

Billy Wilder

Sucessos de Verão (10)

Temo que depois disto, muitos leitores deixem de visitar o CR. Mas, acreditem ou não, estas canções tinham tanto sucesso, que até davam para temas de filmes. Isto é serviço público para os mais jovens! ( muitos risos). Bem, se as audiências baixarem drasticamente, vou pensar que é por estarmos em Agosto e a maioria foi de férias. Prometo que a partir de segunda-feira me portarei melhor, está bem? E pensem que se em vez deste italiano vos pusesse aqui o Berlusconni, seria bem pior. Tudo é relativo, não é verdade?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Silêncios cúmplices

Subscrevo o que escreve aqui o Luís, mas acrescento apenas um pormenor. Em 2010 a blogosfera do costume animou-se durante vários dias com um despacho de Sócrates que nomeava 13 motoristas para o seu gabinete. Ora, no primeiro mês de governança, PPC já nomeou para o seu gabinete 14 motoristas. Seria fácil fazer demagogia, lembrando que o PM prometeu reduzir as despesas com a utilização de viaturas do Estado e que esta chusma de nomeações contradiz o seu discurso eleitoral.


Não vou por aí. Apenas gostaria de perguntar ao Pedro Correia e a outros críticos que, como ele, agora estão repimpados nas mordomias dos gabinetes ministeriais, com o lugar de especialistas (de quê, fica por esclarecer) a razão do silêncio perante tanta nomeação em apenas 30 dias. O poder é afrodisíaco e provoca amnésia, não é verdade?





Velhos são lixo tóxico, mas reciclável...

As agências de rating classificaram a nossa dívida como lixo, mas o secretário de estado do (des)emprego, Pedro Martins, vai mais longe: classifica os trabalhadores mais velhos como lixo que deve ser reciclado por trabalhadores jovens.

Lembro-me bem daqueles bloggers anti-comunistas ( alguns agora com assento em gabinetes governamentais na qualidade de adjuntos, assessores, ou qualquer outro posto de lambe botas) qeu em cada post nos incutiam a ideia de que os comunistas matavam os velhos com uma injecção atrás da orelha e tenho saudades do comunismo. Mais vale morrer com uma injecção, em cinco minutos, do que de fome. O problema é que a história dos comunistas é ficçaõ mas a do secretário de estado é uma dolorosa realidade.

Figura da semana

Mota Amaral








Não tenho qualquer simpatia por João Bosco Mota Amaral, que está nos antípodas das minhas opções políticas e ideológicas, mas reconheço-lhe uma postura digna de que deu mais uma vez provas na última semana. Ao ver vetados pelo PR os nomes que convidara para o Conselho das Ordens , o ex-presidente da AR mandou Cavaco à fava e demitiu-se do cargo de chanceler das Ordens Nacionais, de que tomara posse três meses antes, a convite do filho de Boliqueime. Nos dias que correm, esta atitude merece registo, embora tenha ido ao encontro das pretensões de Cavaco que, de imediato, convidou a sua aia Manuela Ferreira Leite para o cargo e, pelo caminho, aproveitou para se desenvencilhar de algumas pessoas incómodas e colocar lá outros amigalhaços.



Será no 10 de Junho de 2012 que o PR retribuirá a Oliveira e Costa o gesto magnânimo das acções do BPN e condecorará esse grande e impoluto patriota ? Já vi porcos a andar de bicicleta e o actual PR recusar uma pensão a Salgueiro Maia por feitos extraordinários, mas concedê-las a dois ex-agentes da PIDE, por isso nada me espantará.

Praias da minha vida (7)

Praia do Francês (Maceió- Brasil)

Foi no início de um Dezembro do século passado que descobri esta praia. Viajava pelo Brasil há três semanas. Tinha partido de Fortaleza, sem destino e para trás deixara inúmeras praias. Apaixonara-me por duas delas, mais do que por todas as outras: Carneiros e Maragoggi.


Naquele tempo, os portugueses ainda não tinham descoberto o Brasil como destino turístico e as praias estavam quase desertas. Quase tudo estava fechado. Poucos quilómetros a sul de Maceió, um hotelzinho supipa chamou-me a atenção. Antes de perguntar se tinham quartos tomei um banho na praia. A água era quente e cristalina. Havia um bar de praia aberto, meia dúzia de turistas francesas e italianas. Tomei uma bebida e decidi ficar ali uma noite. Fui ao hotel, reservei um quarto e, quando estava a fazer o resgisto, apareceu o dono. Era neto de portugueses da Póvoa de Varzim. Contou-me que no ano seguinte, viriia com a mulher a Portugal e queria visitar a terra dos seus antepassados. Veio em Abril. Assim ganhei uns amigos na praia do Francês.

Não há almoços grátis...

Pacheco Pereira parece andar ressabiado e dispara a sua acidez sobre Pedro Passo Coelho em qualquer oportunidade. Não é que não tenha alguma razão no que aqui escreve sob o título "ìndice do situacionismo".

No entanto, já eu escrevera aqui que não há almoços grátis , pelo que não me surpreendi com as coincidências entre os jornalistas disfarçados de bloggers presentes neste repasto e a lista (ainda incompleta) de assessores repescados na imprensa e na blogosfera (para abrilhantar a acção de alguns governantes) publicada pela Visão.

Qualquer pessoa tem o direito de aspirar a mover-se na esfera do poder e os jornalistas não são excepção. Eu também já fui assessor de um ministro e, embora rapidamente me tenha cansado do cargo, não me arrependo de ter aceite o convite. A diferença é que não trabalhava em nenhuma redacção, nem andei a papar almoços com o convidante. Por acaso, até estava fora do país e o convite apanhou-me de surpresa.

O que eu lamento - e nisso dou razão a PP- é que tudo indica haver, entre os nomes convidados, alguns que andaram, durante a campanha eleitoral ( e mesmo antes...) a escrever, alimentar e aplaudir "investigações" jornalísticas que tinham como único propósito desacreditar Sócrates, pelo que alguns convites não terá tido em consideração apenas as qualidades profissionais dos convidados.




Valerá também a pena perceber qual o futuro de alguns daqueles nomes, depois de deixarem os gabinetes. Depois, então, falamos...






Sucessos de Verão (9)



Hoje damos um saltinho até Itália, para recordar o tempo em que os Festivais de San Remo marcavam os ritmos de Verão.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Noites de cinema




Está longe de ser um grande filme, mas como a temperatura está a subir e é disso que gostamos no Verão, penso que a escolha é adequada. Além disso, na próxima semana assinalam-se os 49 anos da morte de Norma Jean ( Marilyn Monroe) e este filme serve de homenagem antecipada.

Quem não sabe de que filme se trata, levante o dedo!

Caderneta de cromos (29)

Teresa Caeiro



Teresa Caeiro, 42 anos, vice-presidente da Assembleia da República, entrou para a colecção de cromos de Miguel Sousa Tavares ao tornar-se, recentemente, a sua quarta “esposa”. Não será isso, no entanto, que me impedirá de lhe reservar um lugar na caderneta de cromos do CR, já que a prestação no debate com Alfredo Barroso na SIC Notícias, a que apenas assisti posteriormente por cortesia da blogosfera, provou que Teresa Caeiro é merecedora do destaque. Claro que teve a preciosa colaboração de Mário Crespo e uma ajudinha de Alfredo Barroso, mas isso não tira brilhantismo à sua prestação televisiva.
Desde os tempos em que frequentava o mercado do Bolhão,não via uma senhora tão fina e de sensibilidade tão aguçada, aliar a sua putativa beleza nórdica a uma menoridade intelectual e ao comportamento típico da vendedeira que atirava com o cachucho às trombas da freguesa que ousava duvidar da frescura do teleósteo.
Tirem-lhe o blaser branco e vistamam-lhe um avental e terão a imagem da Micas, a vendedeira de hortícolas que, no velho mercado do Bolhão, despertava os devaneios eróticos dos adolescentes do meu tempo. Mas isso era só até ela abrir a boca… Quando começava a esgrimir argumentos com os olhares conspícuos dos rapazolas, desbobinando o vernáculo vocabulário, a tensão sanguínea dos rapazes abrandava de imediato. Com Teresa Caeiro, vice-presidente da AR, tive a mesma reacção.
Quem estiver interessado, pode ver o espectáculo aqui. ( via Câmara Corporativa)

Promessas de Londrina




Tal como eu, também a Turmalina prometeu a uma amiga ir a Londrina. Como no próximo ano estarei na Cimeira Rio + 20, talvez aproveite para ficar umas duas semanas pelo Brasil e cumpra então a minha promessa. E a Turmalina quando cumpre?

As praias da vida dos outros (6)



Quando lancei o desafio "Praias da minha vida" pensei que poderiam aparecer textos com praias de Zanzibar, do,Brasil, das Caraíbas, quiçá mesmo da Tailândia. Nunca me passou pela cabeça é que surgisse um texto sobre uma praia tão exótica como a da Carlota. Um belo e surpreendente texto sobre uma praia que, quase aposto, nenhum dos leitores conhece. Curiosos? Então vão ver qual é a praia da vida da Carlota e surpreendam-se.

Medidas "práfrentex"

O governo não pára de nos surpreender com medidas inteligentes para reduzir a despesa. Nada de cortar nos carrinhos e outras mordomias, porque isso são ideias ultrapassadas. São precisas medidas mais arrojadas.

Nesse sentido, verdadeira medida "práfrentex" foi a tomada por Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, para combater o despesismo na PSP e GNR: os polícias não devem circular nos automóveis mais de 20 ou 25 quilómetros por dia devendo, se a isso o serviço exigir, fazer o restante percurso a pé!

Até parece anedota e daria vontade de rir, se não fosse o espelho do modo de pensar e agir deste governo.

Nas polícias já há quem diga " Volta Rui Pereira que estás perdoado!".

Sucessos de Verão (8)



Desta já nem eu me lembrava! Encontrei-a quando procurava a canção de ontem

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pescadinhas de rabo na boca



Ou, como diz o povo na sua imensa sabedoria "se não vai pelo cú, vai pelas calças"

Ética social (2)

Depois de ter convidado Fernando Nobre para presidente da AR,desprezando a vontade dos deputados, Pedro Passo Coelho convidou o seu amigo Nogueira Leite para vice-presidente da CGD, ultrapassando as competências da gestão da Caixa, a quem compete tomar essa decisão.

Não sei porquê, a ética de PPC comove-me. Faz-me lembrar a ética de uma vaca a defecar na Av da Liberdade.

Uma ideia brilhante

Pedro Mota Soares, o ministro da segurança social que almejou alcançar o seu momento Youtube indo à tomada de posse de Vespa, tem uma noção de espaço muito peculiar.


Foi nela que se inspirou para aumentar, em pelo menos 20 mil lugares, a lotação das creches , lares de idosos e centros de dia.
Não tendo dinheiro para construir mais estabelecimentos, recorreu à dinâmica do empurrão e à regra do “cabe sempre mais um”, dando-lhe o singular nome de “desburocratização”.
Assim, os quartos dos lares de velhos passarão a ser equipados com beliches ( não se sabe se os que ficarem instalados na cama de cima serão içados por guindastes ou aos ombros dos esforçados funcionários dos lares) e as creches duplicarão a sua capacidade recorrendo à inovadora técnica do caracol: cada criança transportará outra às cavalitas.
Pedro Mota Soares anunciou estas medidas no Hospital Ortopédico de Cascais, pelo que não é de excluir que o ministro já tenha equacionado a hipótese de recorrer à prática do “ Pai , encolhi os miúdos”, quebrando uns ossitos dispensáveis às crianças mais cresciditas.
A notícia do “Público” não esclarece, mas estou em condições de vos assegurar que a ideia do ministro radica na sua experiência pessoal. Uma vez que não tem automóvel e só pode utilizar o oficial em serviço, Pedro Mota Soares limitou-se a aplicar às creches e lares a sua experiência pessoal.
Como demonstra a foto acima, sempre que se tem de deslocar com a família na vespa, Pedro Mota Soares não tem problemas. "Foi uma técnica que aprendi numa visita de estudo que fiz à Tailândia quando era deputado" -esclareceu o ministro ao CR


As praias da vida dos outros (5)




Talvez poucos conheçam a praia que a Helena escolheu para participar no desafio. É uma praia muito bonita, acompanhado por um belo texto de memórias. Querem saber qual é a praia da vida da Helena? Então vão lá ver ( e depois digam-me se conheciam todas as outras praias de que ela nos fala).

Decotes

A propósito deste post, o Constantino manifestou o desejo de viajar de Metro para ver os decotes das ucranianas e pergunta-me qual é a linha que lhe proporcionará melhor espectáculo.
Não lhe sei dar uma resposta concreta, meu caro, mas a linha que mais frequento ( e onde ocorreu este episódio) é a amarela...

Bem, mas isso agora é irrelevante, porque o Constantino está de férias e deve estra farto de ver decotes bem mais arejados do que os das ucranianas que viajam na linha amarela.

Sucessos de Verão (7)




Quem é capaz, antes de ir ver o vídeo, de se lembrar do nome destes patuscos? Outro grande sucesso que animou as noites de Verão de tempos que já lá vão.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ética social (1)

As pensões de reforma aumentam 4 euros; o passe do Metro Urbano de Lisboa, aumenta 4,35!

Madeira entra para o Guiness...

... no dia 9 de Outubro. Alberto João Jardim baterá por larga margem o record de Moubarak, que esteve 32 anos no poder no Egipto. O Botas,41 anos a mandar nesste país, é o detentor do record absoluto, mas não conta, porque Portugal vivia numa ditadura e, como todos sabemos, a Madeira é uma florescente democracia ( Cavaco dixit).

Querem ver que hoje me deu uma de moralista?




Soube da morte de Amy Winehouse em Martinchel. Contemplava a bela paisagem, quando o CD de Ella Fitzgerald e Duke Ellington, que estava a ouvir, chegou ao fim e o rádio do carro me remeteu de imediato para a TSF. Naquele preciso momento a emissão foi interrompida, para anunciar a morte da cantora.

Nunca fui grande admirador de Amy, mas reconheço-lhe o enorme talento, múltiplas vezes enfatizado ( quiçá sobrevalorizado) pelas minhas sobrinhas. Não estranhei, por isso, que ao fim da tarde a voz tristonha e enlutada da mais velha me comunicasse o triste desenlace de uma morte anunciada.

Respondi-lhe com um breve “ já sabia” que me valeu de imediato uma reprimenda:

“Então e não disseste nada”?

Fingi que embatoquei e arranjei uma desculpa esfarrapada.

Desligado o telemóvel dei comigo a pensar o que diria à minha sobrinha se tivesse decidido comunicar-lhe a morte do seu “ídolo”. Que tinha pena?

É óbvio que lamento a morte de uma jovem de 27 anos com talento para dar e vender. Mas porquê lamentar, se foi ela a ditar a sua sentença de morte? Porquê sentir pena de alguém que em vez de aproveitar o talento com que a Natureza a brindou, preferiu afogá-lo em álcool e drogas?

Quantos jovens neste mundo dariam um bocado da sua vida para ter o talento de Amy Winehouse e desfrutar dos privilégios que a Vida lhe concedeu? Sei que de imediato me podem dar exemplos de muitos outros que tiveram um fim idêntico e também desperdiçaram o sucesso. Lembro-me bem do choque que senti quando morreu Jim Morisson mas, apesar de o considerar um dos expoentes máximos da minha geração, não deixo de aplicar o mesmo raciocínio.

Ninguém escolhe os talentos com que nasce. Alguns sabem aproveitá-los, outros não e outros ainda têm talento, mas não têm possibilidade de o mostrar. Amy Winehouse teve tudo. A vida sorriu-lhe mas ela desperdiçou-a.

Quando vivia em Macau, contava-se a história de um homem do riquexó que vivia nas arcadas junto ao Leal Senado. Dizia-se que tinha um dia ganho uma fortuna no Casino, mas destruiu tudo em pouco tempo. Amy Winehouse fez o mesmo. Tem todo o direito a fazer da sua vida o que mais lhe aprouver. Mas teremos nós o direito de lamentar a sua morte e calar-nos ou reagir com um lamento de “coitadinhos” perante notícias como esta?

Dir-me-ão que não são coisas que se possam comparar. Não serão…mas a verdade é que fomos nós que ajudámos a construir uma sociedade de contrastes chocantes. Lamento, mas verto mais depressa uma lágrima por estes seres humanos inocentes, do que por uma cantora que desprezou a dádiva da Natureza e optou pela autodestruição.

As praias da vida dos outros (4)

Nunca passei férias nesta praia de que o Pedro nos fala com muito enlevo e emoção, mas é uma praia de que gosto muito e onde vou com frequência. Até já escrevi um post sobre um episódio picaresco que lá me aconteceu. Estão roídos de curiosidade? Então vão lá ver qual é a praia! e ler o belo texto de memórias com que o Pedro a emoldurou.

Ainda a noite de S. João

O Rogério fez este comentário:
"Passei uma única noite de S. João no Porto. Nessa noite senti-me parte de toda a gente. No dia seguinte não. Ainda guardo esse sentimento, essa ilusão..."
Meu caro, fiquei com "a pulga atrás da orelha" e não resisto a fazer-lhe uma pergunta: O que quer dizer com a última frase do seu comentário?
Comenta o Rui, no mesmo post, "Não sei se haverá em qualquer parte do mundo uma "atitude das gentes" semelhante a esta, nesta noite !? Creio que não".


Concordo em absoluto. Tenho assistido a algumas manifestações populares bastante interessantes. Cito apenas algumas como o 4 de Julho nos Estados Unidos ( estava em Washington nas comemorações do Centenário), o 14 de Julho em França ou o aniversário da Rainha em Amsterdam ( data variável, que coincide actualmente com o 1º de Maio) o Festival da Espingarda em Tanagashima, ou o Ano Novo Chinês e em todas me tenho divertido bastante, mas não encontrei nenhuma que expressasse de forma tão eloquente e genuína a forma de (con)viver das gentes de uma cidade, como o S.João do Porto.

Sucessos de Verão (6)

E para que os leitores mais jovens não fiquem a pensar que nos anos 60 as canções eram todas dengosas ( bem pelo contrário... foi nos anos 60 que o rock despertou para ritmos mais agressivos com a entrada em cena de Beatles, Rolling Stones, Animals, Kinks, Hermans Hermitts, Los Bravos e também estas tartarugas) aqui fica um êxito de Verão detestável, mas que foi mesmo sucesso nos tops da época.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quem não chora, não mama...




Nogueira Leite sentiu-se enganado e veio esta manhã a público manifestar o seu descontentamento. Quem tem bons amigos não morre na cadeia, por isso, à tarde o erro foi corrigido e o tachito foi-lhe entregue em votação democrática.

Acrescente-se que, prosseguindo a sua auto-proclamada "ética social", o governo nomeou mais quatro amigalhaços para administradores da CGD. Eu sei onde é que eles têm a ética, por isso vou enviar-lhes uma embalagem de Renova. A não ser que prefiram mais uma dose desta vaselina

O Grito*




Para uns é um fanático extremista. Para outros é um louco. Esta versão simplista da loucura, expressa nas palavras de Nuno Rogeiro de forma conclusiva e sem direito a contraditório é a que mais agrada à direita. Quando um dos seus invoca convicções políticas para cometer um crime é sempre apelidado de louco. No caso de ser muçulmano, ou de esquerda, é apelidado de terrorista e apontado pela direita como exemplo generalizado dos comportamentos anti-democráticos da esquerda e do islamismo. Lembre-se apenas Bin Laden. Aos olhos do mundo sempre foi visto como um terrorista, islâmico fundamentalista, mas perigosamente inteligente. Matou milhares e foi assassinado a sangue frio, sem direito a julgamento.
Este norueguês que se auto proclama cristão fundamentalista é, na opinião do mesmo Nuno Rogeiro, apenas um louco. Epíteto que o próprio rejeita e o seu “testamento politico” comprova ser displicente.
A análise de Rogeiro é típica dos comentadores a soldo que enxameiam a comunicação social. À esquerda estão os extremistas intolerantes , à direita os civilizados que, no seu seio, albergam um ou outro louco capaz de cometer alguns dislates. Não se deve, por isso, sobrevalorizar “este acto de loucura”, conotando-o com o comportamento da extrema-direita, mas sim considerá-lo apenas como um “acto episódico”.
Bastará ler alguns excertos do “manifesto de Anders Breivik” para deitar por terra os argumentos de Nuno Rogeiro e perceber que o raciocínio deste norueguês, alto e loiro” não é de um louco. Como não é também, um mero capricho, o facto de pretender que a sua audição seja pública e declarar a sua vontade de comparecer fardado.
Um louco não tem o comportamento calmo e determinado de Breivik. Dispara à toa e, no final, suicida-se.
Desvalorizar a tragédia da Noruega é continuar a alimentar o monstro a que o mundo ocidental tem dado pouca importância, permitindo que cresça e alargue os seus tentáculos de forma a conquistar adeptos.
A crise económica e financeira despoletada pelo capitalismo e alimentado pelas políticas ultra-liberais é um pasto excelente para fazer germinar ideologias xenófobas. Milhões de desempregados, com pouca instrução e sem acesso a outras fontes de informação que não sejam os telejornais diários, ouvidos entre duas colheres de sopa e um comentário sobre o jogo de futebol da véspera, ou uma cena de telenovela que virá a seguir, são ovelhas acéfalas dispostas a aderir ao rebanho da intolerância que laboriosamente a extrema-direita vem apascentado nas duas ou três últimas décadas, perante a passividade dos líderes ocidentais. Quantos milhões de desempregados não aderirão com simpatia à teoria de que o Islão e os emigrantes são a causa do seu desemprego e de todos os males que assolam a Europa?Sempre é mais fácil acreditar nesses “inimigos” do que nos destemperos da voragem capitalista ou no ultra-liberalismo que os sufoca até à morte.
Um velho, doente de Alzheimer, culpa sempre o filho que por ele zela com mais desvelo de o querer roubar, enquanto apaparica outro que efectivamente vai desviando umas pratas lá de casa.
De igual modo, a velha e relha Europa sempre tem sido mais tolerante com a xenofobia e a extrema-direita, do que com o islamismo ou a esquerda mais radical.
Nos Estados Unidos, o partido republicano é um bom exemplo dos resultados a que nos pode conduzir a tolerância com a extrema direita. Num momento de crise gravíssima, quando as circunstâncias exigem um acordo com os democratas, para evitar males maiores, os republicanos estão reféns do Tea Party, a quem toleraram todas as exigências, com o fito de os poderem ajudara a regressar ao poder em 2013.
A tragédia de Oslo não pode ser menosprezada, nem vista como um acto isolado de um louco. Ocorreu num dos países mais pacíficos e mais seguros do mundo e, à memória, veio-me logo a estupefacção da Europa quando Olof Palme foi assassinado em 1986. Nessa época a Suécia vivia um período esplendoroso, mas nunca mais voltou a ser a mesma. Creio que o mesmo irá acontecer na Noruega. Este acto criminoso deixou o país envolto numa onda de estupefacção, que não se apagará tão depressa. Os noruegueses pensarão que,mesmo sendo condenado à pena máxima permitida por lei na Noruega ( 21 anos de prisão) Beivik nunca será punido e, aos 53 anos, estará ainda em boa idade para continuar a difundir a sua ideologia xenófoba e até vir a ser considerado como um mártir.
Era bom que pensássemos neste assunto com menos leviandade e que os líderes europeus percebessem, de uma vez por todas, que desvalorizar estes “actos isolados” só servirá para acelerar o fim da Europa.
Este tema dá pano para mangas e, enquanto pasmo com o silêncio dos blogs de direita (como seriam diferentes as reacções se o atentado tivesse sido cometido pela Al Qaeda!) lamento não ter tempo ( paciência, vá lá...) para o aprofundar de forma mais consistente. Talvez mais tarde volte ao assunto.




*O quadro de Munch seria uma bela imagem para ilustrar este post, pois retrata a angústia e o desespero dos noruegueses depois da tragédia. Mas preferi não misturar uma obra de arte com a obra de um selvagem

As praias da vida dos outros (3)





Foi nesta praia, de que nos fala a Janita, que nasceu a minha Mãe. Embora o texto não seja sobre a praia da sua vida, é com muito gosto que o incluo neste desafio, porque relata uma história bonita de alguém que viu a praia pela primeira vez na sua vida. Querem saber mais e identificar a praia? Então vão lá ver! É uma praia com muita Luz...

O Leitor



A propósito do filme "O Leitor": "mas se do elenco consta Ralph Fiennes é bom de certeza"-escreve a Carlota! Pois...mas quem ganhou o Óscar de interpretação foi a Kate Winslet, minha amiga!Uma interpretação notável, justamente reconhecida pela Academia.
Quanto à geração de 70... as diferenças não são muitas. Na idade adulta dividiram-se entre hippies e yuppies, como explico aqui...
Por isso mesmo, é que raramente vejo um filme, se li o livro primeiro, Dona Redonda. A excepção de que me lembro foi "Não Matem a Cotovia", era eu ainda adolescente..

Sucessos de Verão (5)



Pausa na música francesa para uma incursão nos ritmos anglo-saxónicos.

domingo, 24 de julho de 2011

Qual é a novidade?

Eu sempre ouvi dizer que a crise é excelente para negócios de oportunidade...

Trogloditas sem subsídio de Natal




A partir de agora, que ninguém se ofenda quando lhe chamarem troglodita. Eu vou já enviar um SMS a uma pessoa que eu cá sei ( ou melhor a duas... ou talvez uma dúzia...) a informá-los da boa nova. E até já podemos afirmar sem medo de ofender:


" Aquele troglodita gamou-me metade do subsídio de Natal"

Bate, bate, coração (17)

Gabriela Schaff



Era linda, tinha uma voz bonita, mas teve uma carreira fugaz. Deixo-vos com esta canção , porque não consegui encontrar aquela que é a minha preferida: "Põe os teus braços à volta de mim."


No entanto, aqui fica a interpretação de Teresa Brito. Mazinha,mas só para recordar

sábado, 23 de julho de 2011

Saturday nights (on the rock)


A partir de hoje e até final do Verão ( partindo do princípio que o Verão ainda vai chegar...) em vez de vos dar música, vou dar-vos sugestões para as noites de fim de semana. Em jeito de transição, porém, a sugestão de hoje é para qualquer dia da semana.

Já foram à renovada Duque de Ávila? Então aproveitem o fim de semana e vão até lá. Bebam um copo e comam uns petiscos numa das muitas esplanadas ( não sei se estarão abertas ao domingo... ) do calçadão e aproveitem para ver a Snoopys Parade, uma iniciativa da UNICEF, com a participação de vários artistas portugueses. Podem ir a pé ou de bicicleta, pois a nova Duque d'Ávila tem uma bela pista velocipédica.


Quanto às estatuetas, são muito engraçadas e já me apeteceu levar algumas para casa.

Só espero que os meliantes do costume não aproveitem a noite para vandalizar as peças...

Humor fim de semana

Um casal estava jogando golfe no quintal . Vendo que a mulher é um pouco desajeitada, o marido avisa:
- Querida, tome cuidado ao bater a bola, não vá mandá-la numa dessas casas e quebrar uma vidraça. Vai custar uma fortuna para consertar.
Mal termina a frase, ela dá a tacada e estilhaça uma vidraça.
O marido se desespera:
- Eu disse para tomar cuidado! E agora, como vai ser ?
- Vamos até lá pedir desculpas e ver quanto vai ser o prejuízo.
Eles batem à porta e ouvem uma voz:
- Podem entrar.
Abrem a porta e vêem vidro espalhado pelo chão e uma garrafa quebrada perto da lareira.
Um homem sentado no sofá pergunta:
- Vocês são os que quebraram a minha janela?
- Sim. Sentimos muito e queremos pagar o prejuízo, responde o marido.
- De jeito nenhum. Eu que quero agradecer-lhes. Sou um génio que estava preso nesta garrafa há milhares de anos. Vocês me libertaram. Agora posso conceder três desejos. Eu dou um desejo a cada um e guardo o terceiro para mim.
- Porreiro! - diz o marido. Quero um milhão de dólares por ano, pelo resto de minha vida.
- Sem problema. É o mínimo que eu posso fazer. E você, o que gostaria de pedir? -
pergunta o génio olhando para a mulher.
- Quero uma casa em cada país do mundo, diz ela.
- Pode considerar seu desejo realizado - responde o génio.
- E qual é seu desejo, génio? - pergunta o marido.
- Bem, desde que fiquei preso nesta garrafa, há milhares de anos, não tive mais a oportunidade de fazer sexo. O meu desejo é fazer amor com sua mulher.
O marido olha para a mulher e diz:
- Bem, querida, nós ganhamos um monte de dinheiro e todas essas casas. Acho que ele não está pedindo muito.
O génio leva a mulher para o quarto e passa duas horas com ela. Depois de terminar, enquanto se vestem, o génio olha para ela e pergunta:
- Quantos anos tem seu marido?
- 35.
- E você?
- 29.
- Porra! E vocês ainda acreditam em génios?

Grandes realizadores

Emir Kusturica


E não é só por causa de Underground que entra nesta galeria, não...

Sucessos de Verão (4)

Este tipo era um verdadeiro cromo, mas esta canção teve um sucesso retumbante, lembram-se?
Se preferirem a versão erótica, vejam aqui




sexta-feira, 22 de julho de 2011

Comportamento desviante



Durante 10 dias, o primeiro-ministro deixou que pairasse a dúvida sobre a frase “desvio colossal”. Permitiu que o pasquim oficial da S. Caetano desse força à tese que circulava sobre o desvio das contas divulgadas pelo governo anterior. Perante as perguntas dos jornalistas, escusou-se a esclarecer o sentido da sua frase.

Finalmente, as televisões divulgaram o vídeo onde aparece a frase contextualizada. Se um qualquer cidadão actuasse da mesma forma, eu chamar-lhe-ia escroque. No caso de se tratar de um primeiro-ministro o epíteto deveria ser outro, mas fui educado com bons princípios, por isso abstenho-me de pronunciar aqui a palavra que qualifica o comportamento do primeiro-ministro e peço aos meus leitores que também não o façam. No entanto, fico com uma dúvida: como o vídeo só apareceu 10 dias depois ( exactamente no dia em que PPC foi a Bruxelas) pode tratar-se de uma gravação feita a posteriori e a pedido... É uma interpretação sinistra? Talvez… mas eu já vi um porco a andar de bicicleta!

Regresso à Guerra Fria?

Enquanto democratas e republicanos se degladiam por causa da dívida americana e a Europa (apesar do júbilo que paira por aí) continua a varrer os problemas para debaixo do tapete, a China vai levando a água ao seu moinho, como muito bem aqui explica o meu amigo Arnaldo Gonçalves. Cada vez se torna mais evidente que este será o século chinês mas, como já aqui defendi, a "transferência de poderes" dos EUA para a China, não irá ser pacífico. Esperam-se dias difíceis...

A verdade sobre o desvio colossal

Desde que regressei a Lisboa já ouvi um sem número de versões acerca da expressão "desvio colossal". Estou em condições de informar os leitores da verdade, que ouvi da boca do próprio Pedro durante um almoço com jornalistas disfarçados de bloggers, onde me infiltrei. (Apesar de ter sido descoberto, quando estavam a ser servidos os filetes de peixe galo, não fui expulso nem me chamaram filho da p... porque o repasto não se realizou na Madeira)
Então aqui vão as palavras exactas proferidas por PPC durante a reunião da S. Caetano:

"Vocês obrigaram-me a fazer um desvio em relação à estratégia que tinha delineado e obrigaram-me a chumbar o PEC IV. Posso garantir-vos que foi um erro colossal porque isto está bera e tinha sido melhor deixar o Sócrates afundar o país. Eu sei qual foi a vossa intenção ao empurrarem-me para o governo. Querem queimar-me. Pois eu aviso-vos que apesar de me terem obrigado a fazer este desvio, não vos darei oportunidade de me derrubarem logo que o Cavaco vos peça para o fazer. Sei que isso me vai obrigar a um esforço para o qual não estava preparado, mas tenho o apoio do Ângelo, um amigo colossal que está comigo em todas as horas e não me deixará cair."


Constata-se, pois, que PPC usou a expressão "desvio colossal" por duas vezes mas, tal como afirmara Vítor Gaspar na aula que deu aos jornalistas, entre as duas palavaras havia outras que o bufo que soprou para os jornais não ouviu, porque estava a falar ao telemóvel com um amigo, pedindo-lhe que intercedesse junto de PPC para lhe arranjar um tachito.

Conversas com o Papalagui (56)

- Eh tuga, isto vai cá uma crise!
-Nem me fales! Já não sei para onde me virar...
-Olha eu vou começar a poupar.
- E vais poupar em quê?

-Olha, tuga, ainda não sei... o melhor é começar a assaltar as lojas todas cá do bairro para abastecer a minha conta bancária e depois logo vejo onde posso cortar nas despesas.

Livros




A Teresa manifestou curiosidade em saber quais os livros que eu tinha levado para férias. Pois então aqui fica a resposta:

- Da pilha de livros que se amontoam à espera de vez, retirei Ilha Teresa do Richard Zimmler, O que faço aqui do Bruce Chatwin, Praça Tahrir- Os dias da Revolução da Alexandra Lucas Coelho e o volume V dos contos de Tchekov.

Para releituras escolhi "Tertúlia dos Mentirosos" de Jean-Claude Carrière ( uma colectânea de contos filosóficos que achei muito apropriada para não esquecer totalmente o país onde vivo) e Ficções de Jorge Luís Borges.

No entanto, como as férias foram de muita tagarelice, só li os três primeiros e alguns contos dos restantes.

Sucessos de Verão (3)





Perco a conta aos inúmeros êxitos deste tipo mas, para começar, vai este porque está de acordo com o espírito da época.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Noites de cinema





Outro filme argentino, bastante mais badalado do que o de há umas semanas. De quem é que ele é mesmo filho?


Entretanto, respondendo às solicitações, informo os leitores que este filme ( de 2003) se intitula "El Abrazo Partido". Um excelente filme passado durante a crise económica na Argentina( também conhecida por "Corralito") que relata a vida de um jovem apostado em conseguir cidadania europeia para trabalhar. Aí, vai tentar saber notícias do pai, que um dia partiu para a Guerra do Yom Kippur e desapareceu.

Praias da minha vida (6)

Hac Sa (Macau)



Está longe de ser bonita esta praia de Coloane (Macau). Como o próprio nome (Hac Sa) indica a areia é preta e a água só era convidativa, pela sua temperatura. Como a foto deixa sugerir, é (era) também uma praia um pouco tristonha.No entanto são muitas as memórias que guardo de Hac Sa.


Para além de uns belos banhos nocturnos, testemunhados pela Lua Cheia, Hac Sa era um paradeiro quase obrigatório para os almoços de sábados, durante os primeiros anos que vivi em Macau. Depois de sair do trabalho ( sim, em Macau trabalhava-se ao sábado de manhã) lá ia até ao restaurante do Fernando, um açoriano que é quase um ex-libris de Macau.Também se faziam por lá uns animados piqueniques. Ui , que saudades senti agora!

Se não têm dinheiro para o passe, andem a pé!

Sou eu que estou a ficar senil, ou o chefe dele tinha dito que não se podiam pedir mais sacrifícios aos portugueses? A propósito: quando é que cortam na despesa? Não, não estou a falar de redução de salários, refiro-me a despesas de funcionamento da máquina do Estado. Afinal é mais difícil do que pensavam, não é?


Já agora, só mais uma questão: o sr presidente do Conselho foi ontem a Vila Real receber um pendericalho qualquer. Alguém me sabe informar como é que ele se deslocou? É que gostava de saber quanto me custou a homenagem...

Figura da semana

Nelson Mandela





No dia 11 de Fevereiro de 1991 virava-se uma página da História: era o anúncio do fim do apartheid e o início da construção de uma sociedade multi-racial.Vinte anos depois, a África do Sul não será ainda um país exemplar. Taxa de desemprego elevada, grandes bolsas de pobreza, problemas económicos e sociais e o flagelo da SIDA. De qualquer modo, a África do Sul está a emergir no seio dos países em desenvolvimento como uma referência, juntandos-se aos BRIC, foi em 2010 palco do primeiro mundial de futebol em África e, acima de tudo, a sua população vive hoje em liberdade. Nelson Mandela, que na segunda-feira completou 93 anos, foi o grande obreiro desta reviravolta.

Não sou bruxo, nem viajo na Máquina do Tempo mas...





...quase apostava que alguns dos leitores do CR há 42 anos, dormiram muito pouco nessa noite e foram para as aulas meio sonâmbulos, porque estiveram a ver televisão até altas horas da madrugada. O que teriam estado a ver? Alguém adivinha?

Sucessos de Verão (2)



Por vezes dava-lhe para o sentimento e compunha canções como esta que derretiam corações em noites de luar!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Quem será, será...

...que escreve as conclusões dos Conselhos de Ministros?
Olhem só para esta pérola:


"O Conselho de Ministros fixou como objectivo mínimo uma redução de pelo menos 15% no total das estruturas orgânicas dependentes de cada ministério, e de pelo menos 15% no número de cargos dirigentes, tanto de nível superior, como de nível intermédio."


Já sabíamos que o Conselho de Ministros é uma hipérbole e o ministro das finanças uma cacofonia. Agora ficamos a saber que o autor dos comunicados é um pleonasmo. Que tal umas aulinhas de português, ou um atelier de escrita, para aprender a redigir?

Beijinhos







Vou tentar responder, através de posts, às perguntas que alguns leitores colocaram durante as minhas férias. Para começar,respondo à papoila que me perguntou o que eram "beijinhos". Pois então, aqui fica a resposta em fotografia. São bonitos, não são?
A propósito: a Eva lamenta que já não se vejam beijinhos na praia. Pois não, minha cara amiga, eu apanhei-os todos e (juro que é verdade...) ainda há uns tempos fui encontrar uma caixinha de fósforos cheia deles na minha casa no Porto, onde ainda guardo algumas memórias!!!!

Época de Saldos (1)

Imagem gamada na Internet ao blog Homem ao Mar



O (des)governo iniciou hoje a época de saldos. Logo de manhã aprovou os "despedimentos em saldo" com reduções mínimas de 30%.


Até ao final do dia receberá as propostas de compra do BPN que já custou dois mil milhões de euros aos contribuintes, mas deverá ser vendido por cerca de 100 milhões. Entre os potenciais compradores do Banco dos amigos do professor Cavaco, está um outro amigo do PR (Mira Amaral). Se for ele o vencedor, pode dizer-se que fica tudo entre amigos.


Não é por isso, no entanto, que a Associação de Comerciantes ameaça apresentar uma queixa em Tribunal contra o governo português. A causa da irritação da AC é o facto de considerar que Passos Coelho está a fazer concorrência desleal - acusando-o inclusivé da prática de dumping ( venda abaixo do preço de custo), prática há muito considerada ilegal em Portugal e noutros países deste Admirável Mundo Novo.
A AC critica também o governo por não respeitar o calendário da época de saldos, estabelecido por lei, uma vez que já anunciou ir prolongar a venda do património português e do Estado Social durante os dois próximos anos.


O CR tentou saber a reacção do PM a esta posição da AC, mas sem sucesso. No entanto, fonte bem informada, próxima de S. Bento, garantiu que no caso de a AC avançar com a acção contra o governo, este defender-se-á argumentando a fazer Saldos, mas apenas Pomoções e, se a isso for obrigado, não hesitará em recorrer à Liquidação Total do património, abrindo um novo ramo de negócio em Bruxelas.

Sabe o CR que Durão Barroso já deu o seu aval a esta posição do governo português.

Notícia em actualização

As praias da vida dos outros (2)



A participação de hoje, no desafio que vos lancei, vem de uma leitora que, suponho (...) vive em Bruxelas, mas também pode viver em Nova York, e traz-me à Memória uma das praias da minha vida.


Um aviso: se estão com a barriga a dar horas o melhor é comerem alguma coisa primeiro, porque este post aguça o apetite e de que maneira! Então vão lá ver se conhecem esta praia

Sempre a inovar...

Evita Peron na Plaza de Mayo





Desengravatados já temos. Em 2012 chegarão os descamisados?

Manuela Ferreira Leite metida na Ordem

Sucessos de Verão (1)






Inicio hoje uma nova rubrica, com que vos irei atazanar os ouvidos até ao fim do Verão. Antes de continuarem a ler vão ao sótão ou à arrecadação buscar isto . Já encontraram? Então agora podem continuar a ler e a ouvir




A escolha não é inocente... é só um aviso para não passarem por cá a estas horas da noite :-)



Estou a brincar... vão passar por aqui muitos sucessos de verões passados, que de certeza vos vão recordar episódios das vossas férias mas aviso desde já que, sendo francófono, a música francesa poderá ter aqui um lugar de destaque.


Desculpem se vos desiludi com as expectativas criadas, mas o Verão do CR não fica por aqui... há outras rubricas na calha que anunciarei oportunamente.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Aviso Muito Importante

Vá lá....moderadamente importante.

É só para vos dizer que o Verão no CR começa às 0h12m de amanhã. Ou seja, dentro de 150 minutos. Preparem-se, porque vão ter de ir à vossa arrecadação, ou ao sótão, para poderem desfrutar plenamente do Verão que me proponho proporcionar-vos. O melhor é aproveitarem porque, pelo andar da carruagem, este ano o Verão não vai passar por Portugal.

Apesar de mexeruca, o Verão do CR vai mexer com a blogosfera, podem crer. Como era habitual antigamente, vai despertar paixões, sorrisos e lágrimas. Preparados? Então até já!

Coelho, o desbloqueador de conversa

Pedro Passos Coelho parece funcionar como um "desbloqueador de conversa" para Cavaco.


Depois de uns anos de contenção, onde só abria a boca para dar umas tacadas ao governo, o PR parece transformado desde que Coelho passou a ser o inquilino de S. Bento. Tal como a Constança, vai a todas as "festanças" e, no final, quando os jornalistas lhe estendem o microfone, solta a língua. Deixou de pedir contenção no ataque às agências de "rating" e, tal ponta de lança que acaba de despontar numa equipa da II Liga, quer-se mostrar aos olheiros europeus. Daí que tenha passado ao ataque e vá a todas, com o respaldo de Coelho, o seu "armador de jogo" .


Trichet é que não está pelos ajustes. Cansado de tanto falatório, mandou umas indirectas a Cavaco e Passos Coelho e pediu-lhes para se calarem.
Não era sem tempo...

As praias da vida dos outros (1)






O Rodrigo foi o primeiro a responder ao desafio, com este texto sobre uma praia de que também gosto muito. Mas ainda gostei mais do texto de memórias que ele nos deixou. Querem saber qual é a praia? Vão lá ver!

Onde está o dinheiro?

Alberto João Jardim só gastou 29,5% do dinheiro destinado à reconstrução da Madeira, após o temporal de Fevereiro de 2010. Essa verbas foram surripiadas aos contribuintes cubanos. Alguém é capaz de me informar se o sr. Presidente do Conselho já se pronunciou sobre o assunto?

Late night wander (95)

O meu estado de espírito após o regresso de férias:
" Depois de conduzir um Rolls Royce é difícil adaptarmo-nos a um mini!"

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A tanga da ministra, ou a ministra de tanga?

Chega-me a notícia de que a ministra da agricultura, do ambiente, do mar ( e do que mais vier a calhar) autorizou os funcionários do ministério a deixarem a gravata em casa, para pouparem no ar condicionado.


A medida suscita-me estupor ( desculpem a ignorância, mas não sabia que ainda era obrigatório o uso de gravata no ministério do ambiente), dúvida ( com os sucessivos cortes de vencimentos dos funcionários públicos, a medida não visa preparar-nos para o dia em que ao entrar no ministério nos vamos deparar com os funcionários todos de tanga?) e perplexidade (nunca pensei que Assunção Cristas fizesse discriminação sexista. Então só os homens é que têm direito a aliviar a carga? Não poderia a ministra dar o exemplo e aparecer no gabinete de tanga , à imagem do país?)


Agora a sério. Fico à espera que a medida seja alargada a outros ministérios e sejam reguladas as temperaturas máximas e mínimas no Inverno e Verão. É que vos digo, com o meu saber de experiência feito, que a temperatura de alguns gabinetes públicos no Inverno me fazem sentir a torrar no Equador, enquanto no Verão me dão a sensação de ter emigrado para o Pólo Norte.



Eu sei que a abolição da gravata foi uma ideia inspirada na ONU, que a adoptou em 2009 mas, mesmo assim, é uma medida que poderá vir a ser boa, se for alargada a toda a administração pública.Caso contrário, será uma medida folclórica como a do ministro que foi tomar posse de Vespa!

É só fazer contas

Feitas as contas, conclui-se que os mil milhões de euros que nos vão subtrair no subsídio de Natal ( mesmo àqueles que não o têm, o que não deixa de ser curioso) vão direitinhos para pagar os submarinos que o dr.Portas comprou aos alemães num negócio mais escuro que uma noite sem luar.



Entretanto, uma empresa de sondagens aproveitou a oportunidade para manifestar o seu apoio ao governo, publicando os resultados de (sondagem, inquérito, encomenda do governo- riscar o que não interessa) que concluiu serem 45,6% dos portugueses apoiantes da medida. Afinal, quem estava errado era Cavaco, que defendia não ser admissível pedir mais sacrifícios aos portugueses...



Proponho ao governo que aborde individualmente os portugueses pertencentes ao grupo "quanto mais me bates mais gosto de ti, desde que não seja o Sócrates" e lhes proponha a cobrança do ( imposto, taxa, roubo, esbulho - riscar o que não interessa) por inteiro. Sempre ganha mais uns milhões.

Helmuth Kohl arrasa Merkel



Já por diversas vezes ( ler aqui e aqui, só a título de exemplo) escrevi que Ângela Merkel está a destruir a Europa. Houve quem discordasse, mas agora é Helmuth Kohl, o pai político da chanceler alemã, que vem tecer duríssimas críticas ao monstro que criou.


Faltam dois anos para os alemães a despedirem. Esperemos é que a Europa se aguente até lá.

Praias da minha vida (5)

Praia da Poça (S. João do Estoril)





Quando fui viver para a Linha, a Praia da Poça era o meu poiso de fim de tarde. Raras vezes tomei lá banho, mas era onde me reunia com amigos para beber um copo . No entanto, quando queria paz e sossego, o meu refúgio era no rochedo do Guincho que deu nome a este blog.


Ainda hoje, aos fins de semana, durante o Outono e Inverno, vou às vezes até à Poça tomar café, depois de ter ido a Cascais a pé, pelo paredão, comprar o jornal.

Aviso: Há dias lancei-vos este desafio. Vários leitores manifestaram vontade de participar. A primeira contribuição já chegou e será publicada amanhã, outra está agendada para mais tarde a pedido do autor.


















Uma página em branco

Depois de umas semanas de férias, não é fácil voltar a postar. Regresso a Lisboa, leio as notícias, as ideias chovem em catadupa, mas não me apetece escrever. Sinto os movimentos presos, os membros incapazes de responder às solicitações do cérebro. O computador aberto à minha frente é como uma página em branco.



Apetece-me espingardar em várias direcções, mas iria escrever sobre temas que, apesar de para mim serem novidade (andei distante das notícias durante estas semanas), para os leitores já passaram à história e não os pretendo maçar.



Vou começar a visitar-vos, para me reencontrar com a realidade. Depois talvez volte a inspiração. Até já...

domingo, 17 de julho de 2011

Agora é tarde...

Eu sei que as coisas por aqui estão bem piores do que quando fui para férias, por isso devia ter seguido este conselho...


Obrigado a todos os que passaram por aqui a desejar-me boas férias e comentaram os posts que deixei agendados.


Na verdade as férias foram excelentes e repousantes. Não estava era a contar com este frio no regresso a Lisboa! Nas últimas semanas, as temperaturas mediterrânicas nunca estiveram abaixo dos 23 graus ( à noite...).

Já li todos os vosso comentários e, dentro de dias, começarei a responder em posts com dedicatória àqueles que me fizeram perguntas a que não tive oportunidade de dar resposta.


A primeira resposta vai para a papoila que não sabe o que são "beijinhos"! Vai ter fotografia explicativa, prometo!

Ainda bem...

Depois de saber que a Moodys nos classificara como lixo, cheguei a temer que, ao chegar a Lisboa, encontrasse esta paisagem. Felizmente, Lisboa continua bonita e razoavelmente limpa.

Bate,bate,coração (16)

Se tudo tiver corrido normalmente, quando lerem este post e ouvirem esta canção, eu já estarei em Lisboa. Provavelmente a dormir... Tenham um bom domingo. Daqui a umas horas, espero chegar com posts frescos.

sábado, 16 de julho de 2011

Saturday night (on the rock)

As minhas férias chegam ao fim e trouxe-vos os Doors para o anunciar. Espero que gostem...

Humor fim de semana

Um turco pediu dinheiro emprestado a um judeu.


Acontece que o turco gabava-se de nunca ter pago uma dívida sequer. Por outro lado, o judeu nunca havia perdido um centavo em negócio algum.
Passa o tempo e o turco enrolando e fugindo do judeu e este sempre atrás do turco.Até que um dia eles cruzaram-se no bar de um chinês e começaram uma discussão. O turco encurralado não encontrou outra saída, pegou num revólver encostou à própria cabeça e disse:
- Eu posso ir para o inferno, mas não pago esta dívida!
Puxou o gatilho,caindo morto no chão.
O Judeu não quis deixar por menos, pegou o revólver do chão, encostou em sua própria cabeça e disse:
- Eu vou receber esta dívida, nem que seja no inferno!
Puxou o gatilho, caiu no chão e apanhou boleia da primeira alma penada que lhe apareceu, para ir no encalço do turco.
O chinês, que observava tudo, pegou o revólver do chão, encostou-o à sua cabeça e disse:
- Ah ah ah !.... isto vai dar merda! Tenho de ir ver!

Grandes realizadores

Bernardo Bertolucci

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crónicas do meu bairro



Hoje, pela manhã, cumpri o ritual de domingo com algumas horas de avanço. Levantei-me cedo. Como habitualmente, quando passo o fim de semana em Lisboa, fui comprar os jornais do dia, mas surpreendi-me com o aparato pouco comum num bairro tradicionalmente pacato. Duas carrinhas da polícia de intervenção pejadas de agentes, aguçaram-me a curiosidade. Perguntei ao dono do quiosque o que se passava:

-“ Dizem que andam à procura dos tipos que assaltaram o ferro velho”

(Sim, leitores, para minha desgraça, tenho varanda virada para a sucata. Algo inexplicável numa zona de Lisboa onde, ainda há meia dúzia de anos, via as ovelhas a pastar e podia comprar legumes frescos, arrancados da terra no momento, a um lavrador que ousava resistir. Agora, o meu horizonte restringe-se a um ferro velho e dezenas de prédios em construção, que a breve prazo ameaçam invadir a minha privacidade).

Voltemos à história, ouvindo o resto da narrativa . Acrescentou o sr. Abílio que lhe tinham contado pormenores do assalto:

- “ Parece que não roubaram nada do ferro velho, mas cortaram uma perna com uma serra ao guarda...”

Saí arrepiado com a narrativa e fui até ao café. Fiz a mesma pergunta ao proprietário. A narrativa sr Alberto foi ainda mais arrepiante. Que sim senhor, que tinham cortado a perna ao homem, que tinha uma barra de platina.

- “ Veja lá o que estes malandros fazem pelo dinheiro. Ouvi dizer- mas nem acredito- que também lhe tiraram um rim!”

Lidos os títulos dos jornais e tomada a bica, fui passear para o jardim. Encontrei um vizinho que manifestava idêntica surpresa com o aparato policial. Contei-lhe o que ouvira na tabacaria e no café e ouvi a sua versão:

- “Ah sim? Olhe, fui ali à mercearia e o sr Alcides ( é verdade, caros leitores, no meu bairro os proprietários dos estabelecimentos mais populares têm todos nomes começados por A. Podem crer que não é ficção, é mesmo verdade!) contou-me que o assalto tinha sido num ferro velho da Charneca! Por acaso o guarda de lá até parece que é irmão deste daqui! Mas o que ele me disse é que o homem fez frente aos ladrões e deram-lhe um tiro numa perna. Parce que a perna lhe foi cortada, mas foi no Hospital!”

Bom, apesar de tudo, esta era uma versão mais “soft”. Despedi-me confortado, continuei o meu passeio e acabei por me sentar à sombra de uma árvore acolhedora, para continuar as minhas leituras. Ao fim de algum tempo alguns polícias entram discretamente no jardim. Aguardei algum tempo, a ver o que se sucedia, mas os polícias depois de se deterem junto a uns recipientes de lixo deram meia volta e foram-se embora.Regressei a casa. No elevador encontrei um outro vizinho. Satisfeito por ter alguma coisa para dizer que extravasasse o âmbito metereológico que sempre serve de desbloqueador de conversas nos elevadores, perguntei-lhe se sabia as razões de tanto aparato policial.-

“ Parece que andam à procura de uma miúda de 14 ou 15 anos que desapareceu ontem à noite de casa. Saiu com uns amigos para irem até à esplanada, a miúda levantou-se para ir à casa de banho e nunca mais apareceu!”.

Surpreendido com esta nova versão dos acontecimentos, contei-lhe as versões que ouvira ao longo da manhã.~

-“ Nada disso! Essa história foi na semana passada, ali na Musgueira. O homem saiu ontem do Hospital numa cadeira de rodas. Imagine o que lhe havia de acontecer! A atravessar a estrada e é atropelado por um carro de uns ladrõezecos que tinham acabado de assaltar umas casas ali na Alta de Lisboa. E eram tudo miúdos, meu amigo! Acho que o mais velho tinha 18 anos...”


Aviso: Isto é um repost. Como foi publicado em Setembro de 2007, acredito que a maioria dos leitores não o tenha lido, por isso não vão levar a mal.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Praias da minha vida (4)

Pinamar (Argentina)




Quando atingimos a idade adulta deixamos de falar de praias da nossa vida. Daí, que apenas conceda essa distinção às três praias anteriores. Só as praias que frequentamos durante a infância nos marcam de forma definitiva com sulcos na memória impossíveis de apagar, daí merecerem essa classificação. Das que frequentamos em adultos gostamos mais ou menos mas, normalmente, não influenciam o nosso percurso de vida. Há, porém, excepções…



A minha chama-se Pinamar. É a mais bela praia da Argentina e, talvez, uma das mais belas do hemisfério sul. Não é uma das praias da minha vida mas, como vos expliquei num desabafo aqui escrito numa noite de Natal, fui lá muito feliz e foi lá que deixei parte de mim.



Mais do que uma praia, Pinamar é uma página arrancada ao livro da minha vida.






A metamorfose da geração de 60

Quando eram crianças, povoaram-lhes o imaginário de histórias em que formosas princesas beijavam sapos que se transformaram em belos e viris príncipes.


Na idade da inocência – mais ou menos o período pós Mafalda e Astérix- príncipes e princesas beijaram-se a céu aberto, empunhando bandeiras de vitória.


Na idade adulta, meteram o tio Marx na gaveta, começaram a olhar para o avô Mao com complacência e saudosismo, trocaram a leitura de “O Capital” pelo Financial Times e perceberam que tinham que se preocupar com as carreiras, as promoções, os carros e o sucesso a qualquer preço. Muitos escolheram a carreira política para o conseguir.A grande maioria concluiu, sem amargura, que afinal as princesas beijaram muitos príncipes, que depois se transformaram novamente em sapos, concluindo assim o inexorável ciclo da vida.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Noites de cinema

Não fosse a concorrência de outro filme fabuloso que nesse ano arrecadou quase uma dezena de Óscares, talvez este magnífico filme tivesse ganho o de "Melhor Filme". Ainda não o tenho na minha "filmoteca", mas em breve lá estará.