quinta-feira, 30 de junho de 2011

Noites de cinema





Talvez poucos tenham visto este filme argentino, mas os cinéfilos de certeza que identificam esta imagem. Ou não?

Na cadeira, ou na carteira, o sonho está onde um homem quiser...

André Villas Boas rescindiu o contrato que o ligava ao FC do Porto por...fax! Um homem que recebeu tudo da entidade patronal e não consegue despedir-se enfrentando o patrão olhos nos olhos, não pode ter a consciência tranquila.

Villas Boas- posso afirmá-lo com conhecimento de causa- foi educado dentro de padrões de urbanidade que não respeitou. Mantendo-se fiel aos parâmetros da sua educação, neste momento a sua consciência estará a condená-lo. Não por ter ido embora do FC do Porto, mas sim pela forma como agiu. Nem sempre um berço de oiro é sinónimo de boa educação, mas não é o caso de Villas Boas, pessoa educada e de bom trato. Por vezes o percurso de vida trai os princípios em que as pessoas são educadas, levando-as a trocar cadeiras de sonho por carteiras oníricas. E nem sempre a máxima "por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher" se aplica à realidade.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Então, boa sorte!

Nuno Crato




A intelectualite tuga ficou delirante com o anúncio da escolha de Nuno Crato para ministro da educação. Os professores alternam entre o silêncio e um suspiro de alívio. Daqui a uns meses, se Nuno Crato cumprir o programa do PSD para a educação, vai começar o ranger de dentes.

A maioria dos professores não terá lido o programa e vai ficar surpreendida quando constatar que, afinal, perdeu muito mais do que a avaliação. Não sei se os professores, quando perceberem que a escola pública ficará dependente dos interesses instalados no ensino privado, vão sair para a rua em protesto, com a mesma força que o fizeram para contestar Lurdes Rodrigues. Sei que não vão contar com a simpatia da opinião pública, anestesiada pela ideia de que as imposições da troika, por mais infames que sejam, têm de ser acatadas para salvar o país. Salazar também agiu sempre em nome do interesse dos portugueses, lembram-se?

Sei que vão aprender a ser avaliados por entidades externas, perder poder na gestão das escolas, ver a sua carreira dividida entre professores de primeira e de segunda e que o ensino público (docentes incluídos) irá perder grande parte da sua autonomia. Boa sorte!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Onze minutos






A Eva lançou este desafio e eu acedi prontamente. Como estava para partir de férias não tive tempo de escrever um texto original e pedi-lhe autorização para participar com um texto já publicado, que serve para homenagear o blog onde a conheci: The Big Chill . Então, aqui vai:



Não, não vou falar daquele livro do Paulo Coelho em que a protagonista é uma miúda que foi para Genève, porque acreditava que ganhar a vida na horizontal entre um abrir e fechar de pernas era “fixe”.
O título deste post reproduz um facto real, que ocorre na minha vida, e por vezes me provoca mais incómodos e transtornos do que à protagonista de Paulo Coelho, que ganha a vida em Genéve entre um bar de alterne e quartos de pensões esconsas. ( Se lerem até ao fim, verão que a minha estória, tem um final feliz...)

Acreditem ou não, onze minutos é o tempo que dura a viagem de metropolitano entre minha casa e o meu gabinete de trabalho. O tempo exacto que demora Maria ( na versão de Paulo Coelho) a abrir e fechar as pernas, a troco de umas centenas de francos suíços.
Nesse tempo que dura a minha viagem - cronometrei várias vezes e deu sempre certo- não ganho um chavo ( isso fica para os ceguinhos que andam a pedir esmola entre ladainhas e toques de acordeão, ou para crianças-mendigas acompanhadas de cãezinhos amestrados) , mas passo momentos tão desagradáveis como os da Maria.

Não levo com nenhum gajo em cima a arfar , é certo, mas ...ouço conversas indiscretas; aturo telemóveis a tocar; levo com jovens generosos que colocam os i-pod nos ouvidos em altos berros, para que os vizinhos possam partilhar a sua música; senhoras com carteiras gigantescas que a meio da viagem decidem procurar um qualquer objecto no meio da bagunçada que deve ser aquele espaço; jovens de mochila às costas que se esquecem que não viajam sozinhos e a cada movimento que fazem atingem o vizinho; crianças romenas ranhosas a pedir esmola; crianças portuguesas a fazer birras, perante o ar complacente das mamãs; ucranianas de decotes generosos e saias justas a fazer lembrar a Maria; sovacos suados a pedir uns esguichos de desodorizante... enfim, uma parafernália de protagonistas que confundem uma viagem de metropolitano com o sofá da sala, onde se esparramam diante do televisor a ver um filme, enquanto comem pipocas e libertam fluidos.
No Verão, quando pernoito em Lisboa, costumo fazer o trajecto a pé, mas hoje estava atrasado para mais uma daquelas sessões do Portugal Sentado* e por isso vim de metro. A viagem começou mal. Logo na Quinta das Conchas, senta-se ao meu lado um fulano, na casa dos 50 e muitos, artilhado com i-pod, de onde saía em doses generosas de decibéis, música dos MetalliKa!!! Em pé, junto a mim, um jovem ouvia música que não consegui identificar. Levantei os olhos do jornal, na busca de um lugar mais sossegado. Reparei que vários jovens iam de auscultadores enfiados nos ouvidos, outros faziam exercícios físicos, ginasticando os dedos em teclas de telemóveis e outros acumulavam as duas funções. Havia também gente com olhar distante e algumas jovens lendo livros. Fiquei onde estava.

Entre o Campo Grande e Entre Campos, começou o recital dos telemóveis a tocar. Fim de concentração na leitura. Senhoras a remexer nas carteiras à procura do aparelho e, depois, as conversas. Uma senhora dizia em altos berros ( para a filha, presumo) o que devia fazer para o almoço; outra, mesmo em frente a mim, telefonava para a empresa a dizer que estava atrasada, porque a camioneta que a devia ter trazido até ao Campo Grande avariara; um jovem mandava beijinhos sonoros ( presumo que à namorada, mas nos tempos que correm nunca se sabe...); outro, nervoso, anunciava à mãe que ia ter com ela ao local de trabalho porque “20 euros para almoçar e ir ao cinema não dá para nada, mãe!”. Já em Entre Campos o ceguinho - que pessoa amiga afiança ter encontrado a passar férias no ALLGARVE- irrompeu pela minha carruagem na sua lenga-lenga quase milenar. A escassos metros seguia uma velhota, que conheço há anos, exibindo uma receita. Pede, também há anos, que os passageiros comparticipem em despesas que deveriam ser suportadas pelo Estado.
Chegámos finalmente ao Saldanha. Já não posso mais...Estou na fila para passar a cancela onde devo colocar o passe a oscular a célula fotoelectrica . Vai chegar a minha vez. O Portugal Sentado* espera por mim. À minha frente só há uma senhora. De súbito, uma “murraça” no olho direito. A senhora à minha frente trazia o seu passe na carteira e, para o ir buscar, lançou inadvertidamente a carteira para trás, levando uma daquelas peças metálicas a atingir-me com violência.
É então que me lembro dos “Onze Minutos”. Fico na dúvida. Afinal, Maria é capaz de ter razão. Aguentar cenas destas todos os dias, e ainda ter de pagar por cima, é capaz de ser mais doloroso do que apanhar com um gajo em cima a arfar, a troco de umas centenas de francos suíços.Garanto que não vou tirar a prova, mas que fiquei a pensar na Maria, lá isso fiquei.O olho direito, infllamado, ainda me dói! A imagem de aflição da senhora e os sucessivos pedidos de desculpas, não me aliviam a dor.Logo à noite, quando for jantar com ela, talvez a dor passe... Para quem não saiba o que é o Portugal Sentado: ler aqui
* Post publicado em 26 de Junho de 2008

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Figura da semana

Assunção Esteves


A notícia da eleição de Assunção Esteves para presidente da AR chegou pouco antes da minha saída de Portugal, mas ainda a tempo de lhe dedicar este post.Não a destaco como figura da semana apenas por ser a primeira mulher a ser eleita para o cargo. Faço-o porque Assunção Esteves- que conheci razoavelmente bem em Macau- , além de ser uma grande senhora, é também uma excelente pessoa com um percurso profissional que honra a classe política.

Portugal 2020

Depois de os portugueses terem infestado as cidades com jipes topo de gama, comprados com dinheiro dos subsídios europeus para a agricultura, vamos assistir a um regresso à terra, graças ao esforçado desempenho da dupla Coelho/Portas.

Um par de faróis de nevoeiro de um BMW TT, por exemplo, pode ser trocado no mercado de hortícolas de Bensafrim, por este magnífico cabaz.

Já para adquirir este outro, de produtos hortícolas, o proprietário do Jeep terá de se desfazer de uma porta...





A devolução integral do TT dará direito a senhas válidas para um ano de abastecimento de produtos hortícolas necessários a uma família de quatro pessoas.




domingo, 26 de junho de 2011

Humor fim de semana

Uma mulher está na cama com o amante quando ouve o marido chegar e diz-lhe:
- Depressa, fica de pé e muito quieto ali no canto.
Rapidamente, ela cobriu o corpo do amante com óleo e pó-de-talco e disse-lhe:
- Finge que és uma estátua. Eu vi uma igualzinha na casa dos Ferreira!
Pouco depois, o marido entra e pergunta: O que é isto? E ela, fingindo naturalidade:

- Isto? Ah, é uma estátua. Os Ferreira têm uma no quarto deles...Gostei tanto que comprei esta igual para nós. E não se falou mais da estátua.
Às duas da madrugada, a mulher já estava a dormir e o marido ainda a ver televisão. Ele levanta-se, caminha até à cozinha, prepara uma sanduiche,pega uma latinha de cerveja gelada e volta para o quarto. Ali, dirige-se para a estátua e diz:
- Toma. Come e bebe alguma coisa, seu sacana! Eu fiquei dois dias, que nem um idiota no quarto dos Ferreira e nem um copo de água me deram!
A isto, chama-se Solidariedade Masculina! Uma mulher jamais faria isto!

Bate, bate, coração (13)

Sheila




Como sabem, já estou de férias e muitos de vocês estarão já de férias quando eu regressar. Por isso, escolhi esta canção da Sheila para desejar umas belas férias a todos os leitores do CR.Não deixem de ver o video, porque é um "must". Espero que dêem umas boas garagalhadas como eu fiz.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Cascatas São Joaninas

Cascata sãojoanina ( foto internet)




Não sei se se mantém a tradição de os miúdos pedirem "um tostãozinho para a cascata", mas não há festa de S. João que se preze, sem uma bela cascata.Onde não pode faltar, para além do Santo, o cagão aliviando os intestinos e a leiteira a urinar na bilha de leite. Hábitos pouco higiénicos, mas que fazem parte da tradição.


Como outra que se perdeu ao longo do tempo, mas foi recentemente recuperada: o bolo de S. João.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Noite de S.João

Hoje é noite de S.João. Uma noite especial que se comemora nas ruas do Porto há mais de 600 anos e que foi escolhida por referendo popular como feriado municipal da cidade do Porto,realizado pelo Jornal de Notícias em 1911.
Esteja onde estiver, nunca me esqueço da noite de S. João. Como um relógio suíço, a memória avisa-me da data e lá estou eu a recordar episódios vividos durante aquela noite.Nunca fui grande folião. Em miúdo ia até à Baixa portuense, mais arrastado pela vontade dos amigos do que por iniciativa própria.



Lembro-me que a primeira vez que fiz, de alho porro na mão, o outrora obrigatório percurso Santa Catarina, Santo António, Sá da Bandeira, Av dos Aliados e outra vez Santa Catarina, Praça da Batalha, Alexandre Herculano para terminar nas Fontainhas, passei uma semana a sentir o cheiro que me impregnava as entranhas.
Depois vieram os malfadados martelinhos e, para além do cheiro, passei a ter outra preocupação: livrar-me dos zumbidos que me atazanavam os tímpanos!
“Malgré tout”, a noite de S. João permanece na minha memória como um álbum de recordações inolvidáveis. São tantos os episódios vividos naquela noite, que dariam para escrever um livro de memórias.Poupo-vos à descrição. Não resisto, porém, a relembrar a imagem que todos os anos regressa neste dia.
O meu maior prazer, em noites de S. João, era ir com os meus irmãos e alguns amigos para o jardim de minha casa, logo que o sol se punha, lançar balões. Assim que o primeiro começava a subir, ficava a seguir-lhe o rasto até desaparecer. Depois, punha-me a imaginar o seu destino. Como se eu próprio viajasse dentro de cada um dos balões que lançávamos, imaginava mil viagens por cumprir.Muitas delas, cumpri-as mais tarde. Até destinos que nenhum balão de S. João poderia alcançar. Só a minha imaginação



Hoje, embora longe do Porto, estarei a celebrar a noite de S. João. Sem alhos porros, mas com balões. Espero que, por cá, a noite seja de folia.





quarta-feira, 22 de junho de 2011

Noites de cinema

Dura pouco mais de dois minutos, mas esta cena marca iniludivelmente este filme, que venceu a Palma de Ouro em Cannes e recebeu um Óscar ( salvo erro para melhor argumento...) Ah, é verdade... uma actriz portuguesa consta da ficha técnica.




terça-feira, 21 de junho de 2011

Avant de m'en aller

Parto de férias daqui a poucas horas. Vou em boa altura. Há momentos em que o melhor mesmo, é não saber o que se passa por cá.
Sem jeito para despedidas ( embora fiquem aqui muitos posts agendados durante a minha ausência, não deverei poder visitar-vos) pedi ajuda e esta minha amiga

A esquerda unida jamais será vencida?

Este post pode ferir a sensibilidade de alguns leitores, mas não será por isso que deixo de escrever o que penso.

Sempre fui de esquerda, sempre elegi a direita como principal adversário e não o Partido Socialista. Por isso critiquei, diversas vezes, a aliança da esquerda com os partidos da direita, para derrubar o governo de Sócrates.

A verdade é que a escolha dos Partidos Socialistas como principais inimigos da esquerda, não acontece apenas em Portugal. Na vizinha Espanha, a IU aliou-se ao PP para derrubar o PSOE na província da Extremadura.

Entretanto, Francisco Louçã acaba de protagonizar uma cena pouco edificante, tendo como alvo Rui Tavares, o deputado europeu independente eleito nas listas do BE.

Se é com esta esquerda que temos de contar no futuro, então o melhor é desistir de a apoiar.

Aconteceu na Portela...

O televisor está ligado, mas sem som. As imagens mostram uma pessoa sorridente a chegar à Portela. Um jornalista precipita-se na sua direcção e começa a fazer-lhe perguntas. O interpelado responde sorridente. Ligo o som do aparelho. Percebo que vem do Canadá, onde deixou mulher e duas filhas. Pela idade e volume corporal, não pode ser jogador de futebol a caminho do Benfica ( os reforços de Sporting e FC do Porto não despertam curiosidade das televisões). Um senhor forte e espadaúdo agarra o chegante por um braço e afasta o jornalista. O entrevistado esboça mais algumas palavras e um largo sorriso, enquanto é metido num carro quase à força. Quem será a vedeta ? O substituto de Villas Boas?
Não... é Álvaro Santos Pereira, professor universitário a viver no Canadá, que Passos Coelho resgatou para ocupar o lugar de ministro da economia. Espero que, daqui a um ano, continue assim sorridente e com vontade de falar aos jornalistas.

Feelings

Pelas conversas que tenho ouvido por aí e pelas análises de alguns comentadores encartados, fico com a sensação de que muitos portugueses ainda não perceberam que hoje não é apenas um novo governo que toma posse. É o início de um novo regime. Foi nessa mudança que metade dos portugueses (conscientemente, ou não) votou no dia 5 de Junho. Um povo que rejeitou Abril, é uma espécie de Villas Boas da História portuguesa. Cuspiu na mão que o retirou da apagada e vil tristeza em que vivia.

Humilhação inédita





Só não se pode falar de morte política de Fernando Nobre, porque ele nunca foi um político. Foi apenas um oportunista que caiu de pára quedas no jogo político por quem o convenceu a candidatar-se à Presidência da República. O presidente da AMI preferiu ser humilhado duas vezes e tornar-se no primeiro candidato à presidência da AR que não conseguiu ser eleito, a renunciar à candidatura.

Com esta atitude mostrou o seu carácter. Por vaidade pessoal, não hesitou em colocar Pedro Passos Coelho na situação difícil de uma derrota ainda antes de iniciar funções governativas.

Os grandes homens definem-se nestes momentos. Nobre não soube honrar o convite que lhe foi feito e foi ingrato para Pedro Passos Coelho. Ficou provado, uma vez mais, que não tem estatura para ser uma figura de relevo na vida política. Depois de se candidatar a Presidente da República com roupagem de esquerda, albergou-se ao colo da direita coelhista.A sua eleição teria sido mais uma machadada na democracia moribunda em que vivemos.
Esperemos, ao menos, que Passos Coelho tenha aprendido a lição.( A propósito...Sócrates era teimoso. E Coelho? Será perseverante?)

Quanto a Nobre, que regresse rapidamente à AMI (de onde nuca devia ter saído) como prometeu antes das eleições e perceba, definitivamente, que a democracia tem regras.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Já não há homens como dantes (2)



Depois da notícia da renúncia de Fernando Nobre ( podia ter evitado a humilhação de duas votações) , a confirmação de que André Villas Boas abandonará o FC do Porto para treinar o Chelsea.

Toda a gente tem direito a procurar melhores condições de vida e André Villas Boas não é excepção. Apenas me desgosta o facto de, há apenas um mês, André Villas Boas ter afirmado repetidamente que estava sentado “ na cadeira de sonho” e rejeitar qualquer hipótese de abandonar o FC do Porto.

O seu portismo não está em causa, mas podia ter levado até ao fim a sua dedicação ao clube que lhe deu protagonismo, tentando a conquista da Liga dos Campeões Europeus. As libras falaram mais do que o coração e – segundo a comunicação social- André vai para Londres, seguindo o trajecto de Mourinho.

Desejo-lhe felicidades, mas não posso deixar de lamentar que tenha trocado a sua palavra e o seu amor ao clube, por um punhado de libras. Já não há homens de palavra. Já não há homens como dantes…

Já não há homens como dantes (1)




No remanso do meu Rochedo, enquanto contemplo o mar, recebo um SMS dizendo que Fernando Nobre não foi eleito nem à primeira nem à segunda volta. Respondi: se tiver um mínimo de dignidade renuncia, evitando mais embaraços ao PSD e ao futuro governo.


O problema é que tenho muitas dúvidas quanto à dignidade de Fernando Nobre... que em virtude da polémica em torno da sua eleição, deveria ter recusado a candidatura e regressado à AMI.

Saúde privada, pecados públicos



O nome pouco importa, mas chamemos-lhe Luísa.

Trabalhadora dedicada numa fábrica nos arredores de Lisboa, há mais de uma década, começou há cerca de um ano a queixar-se de insuportáveis dores que lhe tolhiam os movimentos e quase a impediam de andar. O facto de trabalhar sempre em pé, entre oito e doze horas diárias e muitas vezes ao fim de semana, agravavam o problema.Um dia, o chefe convenceu-a a ir ao médico.

A empresa tem um seguro de saúde para os seus trabalhadores ao qual Luísa recorreu. Chegada ao hospital (privado) o diagnóstico foi rápido: hérnia discal. Estávamos em Dezembro e rimava com Natal, mas Luísa não foi bafejada com a bênção do menino Jesus, como adiante se verá.

Dois meses de tratamento depois as dores não abrandavam e o médico decidiu que teria de ser operada. A intervenção cirúrgica foi marcada para Março. Uma semana antes da data aprazada, Luísa foi à consulta. Ia trémula, porque a ideia da operação a assustava, mas saiu de lá com um sorriso de orelha a orelha. O médico disse-lhe que afinal não tinha de ser operada. Ia fazer um novo tratamento que lhe aliviaria as dores e dispensava a operação.

Nos meses seguintes as dores persistiram. Continuava a ir semanalmente às consultas, queixava-se, mas o médico insistia que devia ter paciência. Seria uma questão de tempo, mas ia ficar boa sem ser necessário recorrer à operação.

Luísa regressou a casa visivelmente feliz, elogiando a dedicação do médico e enaltecendo os serviços do hospital. Não que ela tivesse queixas dos hospitais públicos-bem pelo contrário- mas aquele hospital era um "luxo e tratava os doentes como deve ser".

No início de Junho, quando entrou no consultório do médico ele recebeu-a com ar grave. No hospital ( privado, repito) tinham-lhe trocado os exames. A operação era inevitável e devia ser feita urgentemente. Luísa perdeu por momentos o sorriso, mas ficou aliviada com a ideia de que se ia ver livre das dores que a atormentavam.

Marcada a operação para o dia 15, Luísa apresentou-se no hospital à hora marcada. Surpresa! Não seria operada, porque se tinham "esquecido" que naquele dia não tinham anestesista. Marcaram nova data para a intervenção: dia 28…

Entretanto, a empresa vai pagando o seguro e continua privada de uma trabalhadora.


(Há dias, o Observatório da Saúde divulgou um relatório aterrador sobre os atrasos no atendimento nos hospitais públicos. Um estudo com resultados à medida das intenções de Pedro Passos Coelho, que pretende privatizar a saúde. Vários hospitais reagiram, refutando as conclusões do Observatório e apontando várias irregularidades. Ameaçam mesmo recorrer aos tribunais, para que seja reposta a verdade. Luísa continua à espera de uma operação, cujo atraso e peripécias não constam do estudo do Observatório da Saúde ).

A história é verídica e, quando regressar de férias, espero poder dizer-vos que Luísa foi operada com sucesso e está restabelecida.

Eu já tinha avisado...

Escrevi isto no dia 11 de Março, a propósito da manif da "geração à rasca". Infelizmente, parece que tive razão. A geração à rasca preferiu ir para a praia em vez de votar e o regime em Portugal mudou. Retrocedeu 40 anos, como em breve perceberemos.

E a pergunta é...

Temos governo. Mas teremos futuro?

domingo, 19 de junho de 2011

Mudam-se os tempos

No meu tempo eram exempos como este que se classificavam com nota 10. Hoje em dia, atribui-se nota 10 a uns batoteiros que copiam nos exames e daqui a dois meses serão juízes.

Humor fim de semana

O Capitalismo em várias versões
CAPITALISMO AMERICANO


Você tem duas vacas.Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO JAPONÊS


Você tem duas vacas.Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal eproduzam 20 vezes mais leite.Depois cria bonequinhos chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO


Você tem duas vacas.As duas são loucas.
CAPITALISMO HOLANDÊS


Você tem duas vacasElas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO


Você tem duas vacas.Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horáriopreviamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.Mas o que o alemão queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO


Você tem duas vacas.Conta-as e vê que tem cinco.Conta de novo e vê que tem 42.Conta de novo e vê que tem 12 vacas.Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.
CAPITALISMO SUÍÇO


Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.Você cobra para guardar as vacas dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL


Você tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO BRASILEIRO


Você tem duas vacas.Ensina uma a jogar futebol e depois exporta para a Seleção Portuguesa...
CAPITALISMO HINDU


Você tem duas vacas.Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS


Você tem duas vacas.Foram compradas através do Fundo Social Europeu.O governo cria O IVVA - Imposto de Valor Vacuum Acrescentado.Você vende uma vaca para pagar o imposto.Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente oIVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seuconsumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha200 vacas. Para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspectordas finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho...

Bate, bate, coração (12)

Gigliola Cinquetti



Não conheço mais nenhuma canção dela, mas esta quebrou tantos corações... que era impossível não a incluir nesta série.


sábado, 18 de junho de 2011

Saturday nights (on the rock)

Há 50 anos, esta música mudava a forma de dançar. Ainda se lembram?

Às vezes o que parece, é...

Impressão minha, ou isto é publicidade encapotada?

A Europa que nos pariu

Logo à noite a música por aqui será outra ( a propósito...não deixem de ouvir e afinar as vozes para lhes cantar os parabéns, porque bem merecem) mas, em virtude do megapiquenique na Av da Liberdade, a música do dia em Lisboa e arredores é iniludivelmente esta, acompanhada com o respectivo brinde.

Grandes realizadores (24)

Steven Spielberg

Recordando Saramago

José Saramago


Faz hoje um ano que Saramago nos deixou. Recordo-o, recuperando a crónia que escrevi aqui e a conversa que com ele tive em 15 de Junho de 2009

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Coincidência ou bruxaria?

Ontem à noite escrevi este post , que editei esta manhã e hoje, à tarde, deparo-me com esta notícia Bruxo não serei, mas atraído para as coincidências, não tenho dúvidas...

Fixem as diferenças












A propósito deste post e para que percebam as diferenças entre as Caranguejeiras (à esquerda) e a Rainha Cláudia (à direita) Schiffer.

Quebrar a rotina





Levantar. Mirar-se ao espelho e ver-se a envelhecer em cada dia. Tomar o pequeno almoço. Tomar banho. Escanhoar-se em cada três dias. Rumar ao metro, depois ao autocarro,somando minutos parado à espera do futuro.



Chegar ao emprego. Picar o ponto. Sair para tomar a bica. Ler as gordas dos jornais. Entrar no gabinete, cumprimentar os colegas, discutir as notícias da véspera. Sair pontualmente ao meio dia e trinta para debicar, em balcões assépticos, ou mesas cobertas de toalhas aos quadradinhos, guarnecidas com guardanapos de papel, a ração diária.

É um autómato manipulado pelo mundo da finança, da indústria, da abastança, mas julga-se livre.

Sai às 5 para ir buscar o filho que começou a ser programado aos cinco anos numa escola fast food. Para mandar ou obedecer, será o futuro a determinar a escolha. Passar pela tabacaria para fazer o totoloto, ou o Euromilhões. Voltar a casa, fazendo planos sobre o que faria se lhe saísse o primeiro prémio.

Ler o jornal esparramado no sofá, enquanto a mulher prepara o jantar e o puto se refugia no quarto para fazer os trabalhos de casa, entremeados com conversas no Facebook.Ver as cartas no correio que anunciam as datas precisas em que deve pagar a água, a luz, o telefone, o gás, a tv cabo,o seguro do automóvel, a prestação da casa,a mensalidade do colégio, as dívidas do cartão de crédito, o seguro da casa.

Ligar a Sport TV para assistir ao jogo do dia. Vibrar com vitórias e amolecer os desgostos das derrotas com doses reforçadas de cerveja.Discutir com a mulher, que quer ver a telenovela da TVI. Rumar à Internet para evitar discussões. Tomar a decisão de comprar mais um televisor a crédito para evitar conflitos conjugais. Falar de férias. De ilusões. De prestações vencidas. Adormecer fazendo contas à vida e esperar pela noite de sábado para fazer amor com a mulher que durante a semana não tem disposição para essas coisas.

Acordar ao toque do despertador, para começar mais um dia de direito à vida. Chegar ao emprego e ouvir o patrão dizer “vou fechar no fim do mês, estão todos despedidos, não consigo enfrentar a crise."
Voltar a casa e antes de adormecer dizer à mulher “ Estou com insónias. Vou ali fumar um cigarro”
Ela já não o ouviu, porque adormeceu exausta, acumulando o cansaço do trabalho com as lidas da casa.Vai à cozinha. Pega numa faca. Golpeia os pulsos e sente o cérebro fundir-se num momento de alegria. A mulher acorda a meio da noite, sente a falta do aconchego, levanta-se e encontra-o estendido no chão da cozinha. junto ao corpo inerte está um papel com umas garatujas: “Puta que pariu esta democracia!”

Chama o 112. Quando entra na ambulância, percebe-lhe nos lábios a palavra que há anos não lhe ouvia: "Amo-te" Retribui com uma lágrima escondida num sorriso esforçado.

Uma semana depois deixa o filho entregue aos cuidados de uma prima e vai à Igreja para assistir à missa do 7º dia. O celebrante diz que era um homem bom e generoso. Ela regressa a casa reconfortada, mas não convencida.



Não é mal pensado, mas...

Miguel Cadilhe disse, em entrevista à RR, que devíamos devolver os submarinos aos alemães, porque quando eles nos venderam as geringonças sabiam muito bem que não tínhamos condições para as comprar.


Subscrevo as palavras de Cadilhe, mas com uma condição… que ele as aplique também aos bancos portugueses. O ex-ministro das finanças de Cavaco sabe, melhor do que ninguém, que durante anos os bancos concederam crédito negligenciando informações sobre a capacidade de endividamento dos consumidores. Foi essa negligência que conduziu muitas famílias a acumular créditos até à ruína, como já aqui expliquei.
Ora, seguindo o conselho de Cadilhe, o que os portugueses deveriam agora fazer era depositar à porta dos bancos todas as porcarias que andaram a comprar a crédito ( está bem, eu sei que é difícil devolver férias compradas a crédito, portanto esqueçam essa parte ) e pedir aos bancos a devolução do dinheiro, por terem agido de má-fé. Não é que muitos consumidores não se tenham endividado sabendo antecipadamente que não teriam condições para pagar, mas pelo menos a medida serviria de exemplo, para que os bancos fossem mais responsáveis na hora de conceder um crédito.

A dúvida

Será Fernando Nobre o responsável pela primeira cedência do CDS, ou o primeiro problema para o PSD?

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Noites de cinema





Vi este filme pela primeira vez em Inglaterra, porque a Censura proibiu a sua exibição em Portugal. Devo confessar que não percebi metade dos diálogos, pois fora viver para Londres apenas um mês antes e o meu inglês restringia-se ao que aprendera no liceu. Lembro-me, porém, que fiquei impressionado com tanta violência. A esta distância, considerando a violência de alguns filmes que hoje se exibem nas salas de cinema e na televisão, de alguns jogos da "Playstation", ou mesmo a violência socila, este filme poderia ser classificado "Para Todos". O que não deixa de ser demonstrativo da forma como o tratamento da violência foi crescendo de forma desmesurada, sendo assumida com naturalidade pela geração actual. Isto dava tema para um post, mas fico-me por aqui. Talvez as medidas contra o Estado Social que o futuro governo venha a tomar sejam bem mais violentas do que este filme, estreado em 1971 e homenageado no último festival de Cannes.

Uma lufada de ar fresco?

Ouço por aí muita gente, entre dirigentes do PSD, comentadores e jornalistas, afirmar que Pedro Passos Coelho é "uma lufada de ar fresco" Recordo-vos, a propósito, que já em 2008 José Luís Arnault dizia, em entrevista ao DN que “Sarah Palin é uma lufada de ar fresco”

Vale a pena fixar estas palavras. Pelo menos para relembrar o que o destacado membro do PSD considerava “lufada de ar fresco”:

uma mulher anti-aborto, que despreza os gay, é contra o divórcio e a favor da pena de morte, não esconde uma pitada de xenofobia e racismo, é ultra conservadora, apoia fervorosamente a guerra do Iraque, faz lembrar uma Barbie com óculos e é acérrima defensora do ensino do criacionismo.

Tivessem-lhe dado tempo e ela ainda afirmaria que a ida do Homem à Lua não passou de um filme de ficção científica, igual ao que “justificou” a invasão do Iaraque.
Sarah Palin representa o que de mais conservador e retrógrado ainda existe na América( sim , América e não EUA) e a sua eleição significaria, para o mundo, um cataclismo tão pernicioso como foi a eleição de Bush.

Ao seu ideário ultra-conservador, Sarah Palin alia uma falta de experiência assustadora ( Lembre-se que em 2006 era apenas presidente da câmara de uma cidadezinha minúscula, perdida nos confins do Alaska ).
Tal como Sarah Palin, PPC não tem qualquer experiência governativa e é, como a amalucada americana, a garantia de que as desigualdades económicas e sociais vão agravar-se. A previsível extinção do Ministério do Ambiente indicia que PPC também pertence ao grupo de ambientalistas cépticos que acredita que os problemas ambientais e as alterações climáticas são histórias inventadas por pessoas que, em criança, passaram a vida a ouvir a ameaça do “homem do saco”, mas ao recordar as palavras de Arnaut, fiquei a perceber o que entendem os seus correligionários e jornalistas, por "uma lufada de ar fresco". É não deixar pedra sobre pedra das conquistas de Abril.

Nivelar por baixo

Foi com argumentos deste jaez que a Justiça se foi descredibilizando. Mas, sejamos justos, não é apenas na Justiça que se assiste a uma sistemática desresponsabilização das pessoas. É um problema transversal à sociedade portuguesa. Tudo começa no topo da pirâmide e vem por ali abaixo, em cascata. A imagem de tolerância é bonita, mas os resultados são catastróficos, porque a qualidade e a honestidade são penalizadas, enquanto a trafulhice é premiada.

Pronúncia do Norte (31)

Ainda na feira de Almoçageme quando passei por uma banca onde as vi a olharem para mim com ar de quem pede "leva-nos contigo", disse à Baixinha:
-Olha vou levar umas Caranguejeiras. Achas que estão maduras?
- Caran... quê?
Desta vez ri-me. Ai estas lisboetas que não sabem falar português. Comprei meio quilo.
- Isso é que são Caranguejolas?
- Não são Caranguejolas, são Caranguejeiras, Baixinha!
Ela arregalou o olho azul e perguntou-me:
- Vocês lá no Norte falam em dialecto?
Caras leitoras e leitores. Acham que Caranguejeiras é mesmo dialecto?

Novas Safos na ilha de Lesbos

Ilha de Lesbos ( foto da Internet)


A história de Amina Arraf, a síria lésbica que garantia no seu blog ter sido presa e torturada e até foi “entrevistada” pelo “The Guardian”, mas afinal é um professor americano a viver na Escócia não levanta apenas a questão da intoxicação informativa que por aí pulula, apenas com o objectivo de manipular a opinião pública. Põe também em dúvida as notícias que nos chegaram de Tunes, do Cairo e até de Tripoli durante a “Primavera Árabe” e desacredita o jornalismo e os jornalistas, pela forma leviana como nos transmitem, encadernadas em verdades irrefutáveis, verdadeiros embustes.

Estes factos nem sequer são novos. À escala nacional assistimos, nos últimos anos, a uma manipulação despudorada visando um primeiro-ministro. Algo do que se escreveu será verdade, mas a maioria das notícias foi fabricada em tertúlias conspiratórias que se serviram das redacções para denegrir Sócrates. (Não me refiro apenas, como é óbvio, ao caso da homossexualidade do ex-primeiro ministro e da sua relação com Diogo Infante, inventona já desmontada e cujos autores são conhecido) .

O que é novo na relação identitária da Internet é o facto de estar a crescer o número de homens que se fazem passar por lésbicas, abrangendo áreas que vão para além da informação.É o caso, por exemplo, de Paula Brooks, editora desde 2008, do site norte-americano de notícias para lésbicas Lez Get real, que afinal se chama Bill Graber e conseguiu enganar jornais credíveis como o Washington Post. Neste caso, foi o próprio jornal a descobrir a identidade da falsa lésbica e a penitenciar-se junto dos leitores.

Não sei se haverá entre nós algum internauta que se faça passar por lésbica, mas já temos um professor universitário que, disfarçando-se de mulher, atraiu alguns homens a encontros amorosos. Bom, isso é outra história, sobre a qual talvez escreva num outro dia.

Até lá deixo-vos com a pergunta: qual será a razão que leva os homens a assumir-se como lésbicas na Internet? Estaremos na presença de uma nova escola de Safo?

Um pecado a sul do Equador



Começa dentro de pouco mais de uma hora a primeira mão da final da Taça Libertadores. Este ano não terei como incentivo suplementar a presença de uma equipa argentina ( coisa rara…) mas, em compensação, estarão frente a frente as duas equipas sul-americanas mais emblemáticas da minha meninice: Santos (Brasil) e Peñarol (Uruguai).
Nos anos 60 o Santos era equiparável ao Barcelona actual. Dominava o panorama futebolístico mundial e cilindrava quem lhe aparecesse pela frente. Lembro-me, como se fosse hoje, de estar na cama a ouvir, às escondidas, o relato de um célebre Santos –Benfica, que se defrontavam na final da Taça Intercontinental, em 1962. O Santos venceu na Luz por 5-2 e eu sofri com a derrota do Benfica, pois era a equipa que representava o meu país. ( Não se riam os leitores mais jovens, mas nos anos 60 era possível uma criança acreditar que todos os adeptos dos clubes portugueses se uniam, torcendo pela equipa portuguesa em competição…)
Mudaram-se os tempos. O Santos ( tal como o Benfica que perderia outra Taça Intercontinental para o Peñarol) passou por um período menos bom, sem jogadores magistrais como Pelé, Zito, Gilmar ou Dorval. Hoje, volta aos grandes palcos defrontando outra equipa com grandes tradições, como é o Peñarol.

Talvez não seja um grande jogo, mas será um bom momento para reviver velhas emoções, apesar de por lá não estar o meu Boca Juniors, nem o Independiente. Que ganhe o melhor, e o melhor seja o Santos. Na próxima semana há mais...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Bem posso esperar sentado...

Na sequência desta "opção editorial" do DN fico à espera que os patuscos convoquem uma manif em defesa da liberdade de expressão. Seria uma boa oportunidade para demonstrarem que são coerentes, até porque entre eles estão alguns que integram os quadros do órgão acusado de censura e foram dos mais acérrimos animadores da manif que acusava o anterior governo de querer acabar com a liberdade de expressão.

Pronúncia do Norte (30)

Em Almoçageme, em busca de produtos frescos, digo à Baixinha.
-Que belos damascos!
-Que belos quê?
-Damascos! Não sabes o que é?
Ela não sabia. Será que as minhas queridas leitoras e leitores lhe podem explicar?

Desaparecidos





Depois de “ter sido enganado por Bush” no dia em que foi aos Açores servir café ao ex-presidente americano, na altura acompanhado por Blair e Aznar, Durão Barroso foi recompensado com o lugar de presidente da Comissão Europeia. Os portugueses- incluindo Jorge Sampaio- ficaram muito orgulhosos e o Cherne emigrou para Bruxelas, com a promessa de que abandonava o país de tanga, para melhor defender os interesses de Portugal . Os resultados estão à vista…
Durou pouco tempo o seu mandato. Assim que as coisas começaram a correr mal no seio da União Europeia, Durão Barroso entregou os dossiês a Ângela Merkel, contentando-se com as mordomias do cargo.
As suas aparições são agora escassas, o seu prestígio deve estar pouco acima do nível da água do mar e as suas declarações são inócuas. Talvez a esta hora já tenha percebido que foi enganado mais uma vez e esteja à espera que a chanceler alemã o recompense com outro penacho onde voltará a fazer figura de lacaio de alguém que mande, mas queira passar despercebido.



Até lá continuará a vestir a pele de caniche da dama alemã , a fazer umas aparições para não ser esquecido e a viver como um nababo à custa dos contribuintes europeus. Bichanaram-me que talvez apareça um dia destes, na Líbia, como emissário da União Europeia .

Os malaios que descobriram a careca ao Santo António



Na véspera de Santo António, a Sagres distribuiu profusamente carecas de Santo António, acopladas das típicas repas do padroeiro de Lisboa. Turistas pediam aos passantes que lhes tirassem fotografias em grupo, envergando a careca. Fui cravado e acedi prontamente, comungando os sorrisos de uns nórdicos divertidos e movidos a Super Bock! A inexorável lei da concorrência no seu esplendor…

Numa esplanada próxima do Convento do Carmo, dois jovens casais malaios comiam pastéis de nata como alarves ( 18, afiançou-me a proprietária) enquanto tiravam fotografias e queriam saber tudo sobre o santo responsável por devolver um breve sorriso aos lábios dos lisboetas e umas valentes bebedeiras a algumas jovens que se passeavam de copo na mão.

Na Rua da Trindade uma miúda de 13 ou 14 anos, vencida pelo álcool, estendia-se numa soleira de porta, como um sem abrigo, tendo como única companhia uma “litrosa” quase vazia. Na Rua do Carmo, um grupo de jovens ajudava um miúdo dos seus 15 anos a vomitar.Enfim, tudo coisas difíceis de explicar a uns malaios que acompanhavam pastéis de nata e espetadas de farinheira com “soft drinks”. Mais difícil ainda, do que fazê-los compreender a razão de as carecas do Padroeiro, oferecidas por uma empresa portuguesa, ostentarem nos seus invólucros um garboso “Made in China”. Os seus sorrisos complacentes evitaram-me explicações.

Portugal vai a leilão





Cavaco recebeu Passos e deu-lhe autorização para vender Portugal em leilão, legitimando assim a vontade popular. Assim que Coelho saiu da toca de Belém, começaram a chover os telefonemas, cobrando a factura do apoio eleitoral.


O pedaço mais cobiçado é a RTP, logo seguida da TAP. O BPN, ao preço da uva mijona, também deverá ser arrematado em hasta pública, apesar de a CGD ser o quinhão mais desejado. Seguir-se-ão as Águas de Portugal e as empresas de transportes públicos, provavelmente vendidas em lotes pelo melhor preço e sem base de licitação. Foram os portugueses que escolheram, por isso, não vale a pena carpir mágoas.É com os erros que os portugueses têm de aprender a crescer e a ter consciência política. O problema é que todos vamos sofrer , graças à inconsciência de uns quantos.

Desculpem se me esqueci...

...de vos falar dos discursos do 10 de Junho. Não foi por mal, foi só porque não os ouvi e, pelo que li, mais valia que o António Barreto tivesse estado calado e cavaco Silva descesse à terra. Acordem, porra! Estamos em Portugal, fartos de discursos e de esperar por alguém que em vez de divagar apresente soluções e medidas concretas. Eu pensava que este 10 de Junho ia contribuir para levantar o ânimo dos portugueses mas, afinal, parece que apenas serviu para nos deprimir ainda mais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Momento "bunga-bunga"

No arremedo de democracia que é o país de Berlusconni, os italianos pronunciaram-se por um rotundo e clamoroso não sobre coisas tão importantes como a privatização da água. Por cá, Pedro Passos Coelho pretende privatizar as Águas de Portugal e há por aí uns imbecis que aplaudem.

Recordando Borges

Jorge Luis Borges


(1899-1986)




Com seis anos disse ao pai que queria ser escritor. Foi não apenas escritor, mas um dos melhores de sempre. Morreu no dia 14 de Junho de 1986. Podia deixar-vos aqui um excerto de Aleph, para o homenagear. Mas optei por este passeio pelas ruas de Buenos Aires que ele tanto amava.

Férias em Lisboa




Já não me lembrava de passar quatro dias de descanso absoluto em Lisboa. Sem trabalhos para entregar, nem compromissos para cumprir, seria natural fazer como muitos portugueses e rumar ao Algarve para desanuviar, ou ficar mais uns dias pelo Porto, cumprindo obrigações familiares. Optei, no entanto, por ficar em Lisboa, fugindo do reboliço algarvio.
Tinha saudades de gozar uns dias em casa, sem horas para levantar, deitar ou refeiçoar. E que bem me souberam estes dias!


Cinemei, preguicei, volteei a pé, por Lisboa e pelo Rochedo, tapeei a desoras no Cockpit e no Bairro Alto, namorei, li e, na véspera de Santo António, vagueei pelos bairros de Lisboa depenicando uma febra na Graça e um chouriço assado em Alfama. Tão descontraído andei, que até fui surpreendido em poses menos próprias pela máquina fotográfica da Baixinha ( como a fotografia documenta) em véspera de Santo António.


A careca do padroeiro sobre a minha farta cabeleira tem uma história, mas fica para outro post. Por agora, apenas vos quero dizer que gozei quatro dias magníficos de férias, a preço muito acessível, enquanto Coelho e Portas discutiam o novo governo, esgrimindo um Nobre ( que até a uma lata de salsichas dá má reputação) como moeda de troca para as negociações.

Valor Acrescentado

Praça Duque de Saldanha (Lisboa)



Entro no Dolce Vita, no Atrium Saldanha ou no Saldanha Residence e pergunto-me: que valor acrescentado trouxeram aqueles centros comerciais a esta zona de Lisboa? Mais escritórios, comércio impessoal, restauração inóspita e standardizada, com nomes tresandando a globalização linguística e gastronómica. Perdeu-se um teatro e edifícios símbolo de uma época.

Olho para a fotografia e lembro-me do alfarrabista do Saldanha nos anos 60, onde era possível comprar, à socapa, livros que a Censura proibia. Foi lá que, com um grupo de amigos, comprei a trilogia do Henry Miller (Nexus, Plexus e Sexus) .

Foi lá que, dias depois da sua morte, “conheci" António Sérgio, personagem por quem me empolguei e me sensibilizou para o cooperativismo. Com um grupo de amigos criei a primeira cooperativa de que fiz parte. Tínhamos grandes planos que Marcello Caetano cortou cerces com a publicação do decreto-lei 520/71 que proibia as cooperativas de consumo de exercerem actividades culturais.

Olho para o Dolce Vita e lembro-me do Teatro Monumental, de Laura Alves e Palmira Bastos. Desço um pouco, pela Fontes Pereira de Melo e lembro-me de mim, puto, a beber informação à volta da mesa nas tertúlias do Monte Carlo, hoje substituído por uma loja da Zara.

O Monte Carlo era considerado por muitos “a catedral” dos cafés. Naquele imenso corredor cruzavam-se jornalistas, escritores, estudantes, actores de teatro e actrizes de revista, numa autêntica Babilónia. Havia muita gente que não ia ao Monte Carlo...vivia lá, desde manhã até à noite. Tertuliava, lia, comia, bebericava, jogava bilhar, damas ou xadrez, pregava partidas a partir de uma cabine telefónica que lá estava instalada ( ficou célebre a "estória" de alguém a chamar o Humberto Delgado ao telefone) e até cortava o cabelo!

Volto atrás, entro na Av da República e lembro-me da Colombo, rivalizando frente a frente com a Versaillles. Procuro valor acrescentado nos inóspitos centros comerciais que descaracterizaram o Saldanha e não encontro. Provavelmente estou mesmo a ficar velho e ainda não percebi…

O Direito à preguiça*



Parece que anda por aí muita gente escandalizada, pelo facto de os lisboetas terem tido o privilégio de um fim de semana com “extensões”, graças aos feriados de 10 e 13 de Junho. Provavelmente, essas pessoas voltarão a escandalizar-se na próxima semana, quando as gentes do Porto e de outras localidades a Norte tiverem fim de semana idêntico, por força do feriado nacional do dia 23 a que se segue o dia de S.João.
Já houve este ano, em todo o país, um fds de quatro dias. Foi em Abril, quando à sexta-feira santa se juntou o feriado do 25 de Abril na segunda-feira seguinte. Ninguém parece escandalizar-se com o facto de o dia 26 de Dezembro ser feriado na Madeira, esse sorvedouro de dinheiros públicos pagos pelos contribuintes do “Contenente”mas não faltam jornalistas que, em cada fim de semana prolongado, vêm com a ladainha do dinheiro que Portugal perde com os feriados.
Poderia perguntar a esses jornalistas porque não renunciam ao legítimo direito de acumulação de folgas, que lhes concedem em cada ano um número significativo de dias de férias suplementares. Mas não vou por aí. Desafio-os a aprofundarem um bocadinho a sua investigação e verificarem se isso é exclusivo do nosso país. Não é. Podia adiantar-lhes algumas pistas, mas não estou aqui para lhes poupar trabalho, apenas para lançar o desafio de trabalharem um bocadinho em vez de escreverem e dizerem disparates.
O problema deste país não é o número de feriados. Como já escrevi aqui, mais do que uma vez, Portugal não é o país da Europa com mais feriados. O grande problema deste país é trabalhar mais horas do que a maioria dos países europeus, mas não se rentabilizarem essas horas.
Já trabalhei muitas vezes em feriados, trabalho quase todos os domingos, nunca deixei de entregar um trabalho por ser dia de descanso semanal. Se querem procurar bodes expiatórios para a falta de produtividade dos portugueses, que tal irem procurar entre os nossos gestores? É aí que reside um dos grandes problemas da falta de produtividade lusa. Outro, são os horários desadequados de trabalho, pouco compatíveis com um país do sul. Obviamente que há muitos mais, mas não culpem os feriados, porque isso é de uma indigência confrangedora e demonstra a preguiça de quem escreve e debita disparates como um disco riscado.

* Recomendo a todos os indignados que aproveitem a reedição do livro de Paul Lafargue (O Direito à preguiça) e aprendam um pouco sobre as origens burguesas do trabalho e o direito à diferença, que nenhuma globalização, por mais tremendista que seja, tem o direito de eliminar.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Oh, que pena!

Acabou-se o fim de semana prolongado, oh!!!! Foi bom, não foi? Os sortudos do Porto, Braga e mais algumas localidades a Norte, têm um igual na próxima semana.

Quanto aos lisboetas, terão de esperar até 2016 para terem outro fds assim em Junho. Pronto, agora toca a bulir, porque amanhã recomeça a batalha da produção para pagar a dívida ao FMI, BCE e UE. Animem-se, porque as férias estão à porta. As minhas começam já na próxima semana.

Quadras de Santo António

Ó meu rico Santo António
Nunca fui bom a rimar
Mas o assunto é sério
Vais ter de me perdoar

Dizem que és casamenteiro
Fazes as pessoas felizes
Explica lá ó Padroeiro
A razão deste deslize

Aconteceu há uma semana
Um episódio infeliz
Um Coelho e uma Porta
Casaram neste país.

Acaso já percebeste
O sarilho que arranjaste?
Um coelho com uma porta
Só pode dar merda… (e da grossa)

Farás a misericórdia
De desfazer o engano?
É qu’isto é uma mixórdia
Que nunca vi de tal tamanho

Não venhas cá com desculpas
Que a quadra tem má rima
Porque não é minha a culpa
De teres trocado a ladainha

Já agora que estou aqui
Faço-te mais um pedido
Livra-nos enquanto é tempo
Dos gajos do FMI

Sei que andas ocupado
E não fizeste por mal
Mas não podias ter calado
O manjerico do Anibál

Santo António não te minto
Se disser que estou lixado
Dá cá um copo de tinto
E uma sardinha assada

Thanks God it's Monday

E é feriado em Lisboa. Resolvi festejar assim. Há maneiras ainda mais pirosas de agradecer um feriado à segunda, acreditem...
E daqui a nada chegam as quadras de Santo António!

domingo, 12 de junho de 2011

Noite de Santo António

Espero que estejam a divertir-se nesta noite de Santo António mas, se estiverem em casa e passarem por aqui, deixo-vos um pouco de boa disposição. Amanhã haverá aqui quadras a Santo António.

Na Madeira é que se está bem!

Ai a minha vida! Vim eu para o Algarve à procura do jet set e népia! Com esta crise e sem crónicas para escrever sobre os glamourosos, como é que eu me vou aguentar?

Bem me tinham avisado que não valia a pena vir para aqui à procura de fofocas, porque era uma perda de tempo, mas só ontem à noite é que me convenci. Encontrei um paparazzo que me disse que as agências de rating tinham baixado o nível do jet set nacional e agora, o melhor que se pode encontrar é “ jet cinco e meio”. Sabem o conselho que o gajo me deu?



Se queres encontrar “jet set” vai até à Madeira. Por lá nunca há crise, porque os governos obrigam os contribuintes “cubanos” a pagar as mordomias do séquito do Alberto João.”



Ai a minha vida! Vou fazer uma petição para acabar com mais esta vigarice das agências de rating.

Bate, bate, coração (11)

Sylvie Vartan




Talvez ela tenha melhores, mas Esta canção é especialmente dedicada a todas as leitoras do CR, a quem desejo uma excelente noite de Santo António. Não se fiquem pelas recordações, nem finjam ( as menos jovens, claro...) que nunca cantaram esta canção enquanto se arranjavam para ir a uma festa...

sábado, 11 de junho de 2011

Saturday nights (on the rock)

Este fim de semana deixo-vos com um dueto imparável. Espero que gostem.

Humor fim de semana (prolongado)

Um médico, em Dublin, queria aproveitar o fim de semana prolongado ( lá também há, não é só em Portugal) para descansar e ir à caça. Para evitar engarrafamentos, decidiu partir um dia antes.
Então chamou o assistente e perguntou-lhe:
- Murphy, amanhã vou à caça e não quero fechar a clínica. Acha que consegue cuidar dela e de todos os pacientes?
- Sim, senhor! - respondeu Murphy.
O médico foi à sua vida e quando regressou perguntou ao assistente.
- Então, Murphy, como correu o dia?

- Bem, doutor. Cuidei de três pacientes. O primeiro tinha uma dor de cabeça e, então, eu dei-lhe paracetamol.
- Bravo, meu rapaz . E o segundo?
- O segundo teve indigestão e eu dei-lhe Guronsan.
- Bravo, bravo! Você é bom nisso... E o terceiro?

- Bom, doutor, eu estava sentado aqui e, de repente, abriu-se a porta e entrou uma linda mulher. Ela arrancou a roupa, despiu tudo, incluindo o sutiã e as cuequinhas. Depois deitou-se sobre a marquesa, abriu as pernas e gritou: «AJUDE-ME, pelo amor da sua Mãezinha ! .... Há cinco anos que eu não vejo homem!''
- Nossa Senhora, Murphy, o que é que você fez?
- Pus-lhe gotas de Visadron nos olhos, doutor!

Grandes Realizadores (23)

Joseph Losey


Alvo da caça às bruxas promovida por Mc Carthy nos anos 50, Losey foi obrigado a refugiar-se em Inglaterra, sendo aí que despontou como grande realizador. Salvo erro, o primeiro filme que vi dele foi " O Acidente", mas entrou definitivamente para a minha galeria de honra com "O Mensageiro", vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Depois de "Cerimónia Secreta" ( que grande filme!!!) e antes do magnífico " A casa da boneca" serem presença obrigatória em tertúlias cine-clubistas.

Apitó comboio

Esta gente mete-se nos copos, ou vive noutro planeta? Se assobiar é crime, o melhor é dar de frosques...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Coisas que não entendo...




Então quem correu com Sócrates foi Pedro Passos Coelho e a Manuela Ferreira Leite é que é condecorada? Provavelmente terá sido por este belo serviço..

Austeridade no Conselho de Ministros

Para assinalar o Dia de Portugal, que Cavaco ainda chama de Dia da Raça, Pedro Passos Coelho anunciou que a primeira medida de austeridade do seu governo será alterar o funcionamento do Conselho de Ministros. No final de cada reunião, em vez de serem servidos aperitivos antes do almoço que cada membro do governo paga com cartão de crédito dos contribuintes, será cantado o Hino Nacional.

Surpresas (ainda) não houve

A surpresa das eleições não foi a vitória do PSD. Nem a diferença entre PS e PSD. A grande surpresa das eleições vai ser a constituição do novo governo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Noites de cinema



Com "Noites de Cinema" regressam os grandes filmes ao Rochedo. Nem todos serão filmes da minha vida, mas todos são, na minha opinião, grandes filmes. Como é o caso deste de que todos se lembrarão, mas nem todos terão gostado. Eu gostei muuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiito!

Aproveito para vos desejar um bom fim de semana com ou sem idas ao cinema. Eu vou ver o filme do meu homónimo, figura controversa dos anos 60: Carlos.

Delete

As tuas palavras feriram-me como punhais. Achei-as injustas, desproporcionadas, descabidas. Preferi ignorá-las e recordar outras, açucaradas, com que me brindavas quando nos conhecemos. Deixei passar uma noite. Ao acordar, voltei a pensar nas tuas palavras. Nas que considerei injustas e nas que me adoçaram. Cheguei à conclusão que ambas eram injustas, porque nenhumas delas eu merecia.As palavras são sempre injustas. Transmitem estados de alma e muitas vezes são mentirosas, porque não as escolhemos, são elas que nos comandam e, por vezes, definem o nosso caracter.

Olhei para o presente que me ofereceste. Pensei que não o merecia, mas não me quis desfazer dele. Provavelmente, é o que me resta de ti...
Vamos fazer delete e começar tudo de novo?

Atão isto faz-se?

Mas que é isto? Desde que o Coelho foi eleito está um frio do caraças e nunca mais consegui ver o Sol! Eu a pensar ir até ao Algarve para animar o turismo e sai-me um tempo destes?

Alguém é capaz de me dizer se foi o Sol que decidiu emigrar ou se isto é já uma das medidas de austeridade imposta pelo futuro governo, para evitar que os portugueses vão para o Algarve aproveitar o fim de semana prolongado? Não se esqueçam que ele prometeu ir muito além das exigências da troika e que este governo tem boas relações com S. Pedro…
Não estou a gostar nada disto. Tarda nada e piro-me daqui outra vez.

Dr Jekyll e Mr Hyde- a vingança de Cavaco

Agora, que passaram 48 horas sobre as declarações de Ana Gomes à Antena 1, vou explicar-vos porque vos recomendei a audição. É que sabia que quem fez um julgamento sumário de Sócrates em praça pública, mesmo sem provas que o incriminassem, iria sair em defesa de Portas e acusar Ana Gomes de "boateira". Errei por defeito. O argumentário utilizado é exactamente o mesmo de quem defendia Sócrates, mas os vernáculos indecorosos com que mimosearam Ana Gomes é ainda mais variado do que aquele a que recorreram para atacar Sócrates.

Não me parece que o palco escolhido pela deputada europeia para lançar as acusações sobre Portas tenha sido o ideal. Não me parece, igualmente, que tenha sido o momento exacto para o fazer. Não me parece, enfim, que as devesse ter feito. As suas declarações só serviram para acalentar a ideia de que o PS responderá, nos mesmos termos, à política de ódio e de vingança que a campanha de PSD e CDS elevou ao extremo. No entanto, ao contrário do que alguns dizem, Ana Gomes não falou de cor. Ela referiu vários exemplos, como o afastamento de duas procuradoras para que um processo não fosse investigado.

De uma coisa tenho a certeza. Quando Ana Gomes acusou o governo PS de ter dado autorização de escala a aviões transportando prisioneiros de e para Guantánamo, toda a gente a acusou de irresponsável e caluniadora. A verdade, porém, é que a sequência dos factos viria a provar-se que ela tinha razão e... provas! Talvez não tão fortes como aquelas que sustentam a afirmação de que todos os jornalistas sabem onde funcionava ( e quem manipulava) a central de contra-informação cujo único objectivo era aniquilar Sócrates e o Partido Socialista. Hoje é conhecido o triunvirato que fabricou o boato sobre a homossexualidade de Sócrates, bem como o caso "Freeport". Já quanto à "rede", pessoalmente, não sei, mas admito que haja quem saiba.

Também todos sabemos que o ex-jornalista Paulo Portas, enquanto director do Independente, fabricou uma série de notícias que punham em xeque Cavaco e alguns membros do seu governo. Ironia do destino... Portas prepara-se para ser empossado como vice- primeiro ministro pelo Presidente cuja imagem semanalmente procurou descredibilizar nas capas do "Independente". Os portugueses chamavam àquilo "jornalismo de investigação" e todas as semanas corriam pressurosos para as bancas para comprar o boato em manchete de primeira página. Agora aguentem!

Não acreditem, porém, que Cavaco esqueceu as punhaladas de Portas. Aliás, já disso deu provas com o artigo sobre a má moeda, que precipitou a queda do governo PSD/CDS, depois da fuga de Durão Barroso para Bruxelas. Atingiu directamente Santana Lopes, mas o seu alvo primeiro era Portas. Não tardaremos muito a saber a surpresa que Cavaco tem reservada para ajustar contas com o líder do CDS/PP. Resta saber se Passo Coelho apanhará com os estilhaços... e se Cavaco não terá agradecido pessoalmente a Ana Gomes as declarações que fez à Antena 1.

Privatizemos então...

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148

Lições do Papalagui

“O Papalagui é pobre porque vive obcecado pelas coisas, sem as quais já não consegue viver”.

E dura, e dura e dura...

Desde o apagão do 13 de Maio a blogosfera não voltou a ser a mesma. Além de continuar sem poder comentar nos blogs que pedem selecção de perfil e não têm o item "Anónimo", os meus seguidores desapareceram. Ou melhor eles continuam lá, no back office, mas eu não os vejo. Já pedi ajuda a um amigo especialista nestas coisas para me ajudar a resolver o problema, mas nem ele conseguiu. Estou chateado, prontos!(assim mesmo, com s no fim e tudo)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Finalmente!

Ângela Merkel parece começar a descer à Terra. Eu já a tinha aconselhado a ir falar com Obama. Lembram-se?

Ganhe uma BTT!!!!






Passos Coelho prometeu aos portugueses transformar cada dificuldade numa aventura. Aqui fica um exemplo de uma medida que o futuro governo poderá adoptar:



Se tiver dificuldade em pagar a prestação do seu automóvel, pode dirigir-se a S. Bento para resolver o problema. Entregue o seu automóvel e receberá em troca uma BTT.

De leitura obrigatória

Este post de Estrela Serrano. Para que se percebam melhor as razões de muitos silêncios da comunicação social.

Falemos então de coisas sérias

Terminada a campanha eleitoral e escolhido o novo governo com o alto patrocínio do Bloco de Esquerda ( a quem, injustamente, Passos Coelho não agradeceu no seu discurso de vitória); confirmado que o nosso futuro PM está muito orgulhoso de ser capataz de um triunvirato coveiro da nossa independência nacional; constatada a alegria dos seus apoiantes na bloga e na comunicação social, que perderam o verniz e demonstraram o seu verdadeiro carácter troglodita, é altura de falar de coisas sérias.

Obviamente que, entre as coisas sérias, não cabe só a discussão política. Cabem também os erros que cometemos nos últimos 30 anos. Nas coisas sérias inclui-se a obrigação de falar de um povo que, obnubilado pelo hedonismo consumista, se demitiu de ser cidadão e discutir o modelo social onde queria viver, entregando o seu destino nas mãos da divina providência que, cansada de acudir a um povo ignaro, lhe voltou as costas. E fez muito bem!

Num regime democrático pelo qual a maioria não lutou, mas lhe foi oferecido de mão beijada pela generosidade de um grupo de civis e militares, que pagaram com a privação da liberdade ou até com a morte, o seu empenho em fazer de Portugal um país mais justo, os portugueses tiveram a oportunidade de construir um país melhor, mais solidário, menos mesquinho, onde as desigualdades fossem esbatidas, mas poucos quiseram lutar por isso...

Quando Cavaco acenou, em 1987, com a banana do consumismo e do endividamento barato, os portugueses empolgaram-se e correram para as lojas a saciar a sua sede de serem iguais aos restantes cidadãos europeus. Deslumbrados com a orgia dos bens matérias que se lhes ofereciam em montras, na televisão, ou na caixa de correio, os portugueses tornaram-se egoístas. Cada um procurou tratar da sua vidinha e preocupou-se mais em mostrar que tinha um automóvel melhor do que o do vizinho, do que em satisfazer as suas legítimas necessidades de consumo. Demitiu-se de exercer a cidadania.
Enquanto a sociedade do desperdício assentava arraiais, os portugueses pensavam ter enriquecido graças a um Totoloto colectivo que a todos contemplara e esqueciam a realidade social do país. Acreditaram que, através do voto, poderiam escolher governos que corrigissem os seus próprios erros. Fizeram orelhas moucas à esquerda que os avisava para as consequências e preferiram ouvir os cantos da sereia que os incitava a prosseguir na louca caminhada para a ruína. Por isso limitaram a escolha ao Bloco Central, esquecendo que a bipolaridade é uma doença maligna. Em vez de remédio para corrigir distorções sociais, o voto bipolar distorce as regras da concorrência e estimula a concertação de interesses entre um grupo hegemónico que vai trocando de cadeiras, mas nunca abandona o palco.

Dir-me-ão que a esquerda tem culpas no cartório e andou demasiado distraída durante todos estes anos. É verdade. Mas, sobre isso, escreverei amanhã.

Menage à trois?




Pedro Passos Coelho afirmou várias vezes, durante a campanha eleitoral, que não queria um "pau de cabeleira". Obrigado a partilhar o governo com Paulo Portas e partindo do princípio que Cavaco não estará disposto a desempenhar o papel de pau de cabeleira num namoro que, no íntimo, reprova, optará Passos Coelho por um "mènage à trois"?

RTP pulveriza concorrência




Numa prova de confiança na qualidade informativa, os portugueses preferiram,na noite eleitoral, a RTP aos canais privados. O mal amado ( mas muito cobiçado...) canal público bateu por larga margem a concorrência da TVI e da SIC. A ousadia vai custar-lhe a privatização. Em nome da liberdade de expressão, claro...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quem se acusa?




Quem terá tido a brilhante ideia de voltar a autorizar a caça aos melros, proibida há mais de 20 anos?

A escolha da Brites

Decidi revelar-vos em quem votei. Se o Carlos disse em quem ia votar e a Martinha me garantiu que amanhã diria em quem votou, ficava mal comigo se continuasse a guardar segredo.

Votei no PAN, prontos! Na verdade, devo confessar-vos que quando vim pensava votar no Coelho, porque era o único animal candidato, mas depois percebei que havia um partido que defendia os animais e decidi-me logo. Não me pareceu justo que um coelho quisesse um partido só para ele, quando tinha outro onde estavam representados todos os animais. Gosto da malta do "jet set", mas detesto animais elitistas. Assim, decidi votar no PAN, o partido de todos os animais que, além de ser novo, tenho a certeza cumprirá a sua promessa de nos defender a todos e não só os mamíferos que pertencem à classe Mammalia. (O Sebastião diz que todos os políticos pertencem a essa classe, mas procurei na Wikipédia e lá só fala dos mamíferos vertebrados por isso, parece-me que ele está enganado. Mas adiante…)
O PAN é já o segundo maior partido português, entre os que não concorrem à Europa nem a S. Bento. Com quase 60 mil votos, ficou logo a seguir ao MRPP do dr Durão Barroso (não, não estou maluca, eu ouvi-o dizer à mulher , bem perto do sítio onde foi votar, que não votaria nunca no Passos Coelho, porque não confiava nele e seria uma traição ao amigo Sócrates. Só que, como não queria ser acusado de trair o seu partido, também não podia votar no PS.

“Por isso, Margarida, vou reviver os meus tempos de juventude e vou votar no MRPP”-disse ele com os olhos marejados de emoção. O Garcia Pereira contou logo ali com dois votos e não estou certa que não tenha recebido mais uns milhares de malta nostálgica daquele tempo em que os exames eram uma espécie de julgamento popular, o Dr. Barroso andava a destruir a mobília da Faculdade de Direito, extinguiu a Associação Académica e queria “fazer a folha” ao prof. Soares Martinez . Não fosse o revivalismo de alguns eleitores e o PAN teria ficado em primeiro lugar, vos garanto. Digam lá se não tenho razão para estar orgulhosa da minha escolha!

Quem avisa amigo é...( não percam esta audição)

Este post, publicado no domingo, provocou uma acalorada discussão na caixa de comentários. Escrevi-o porque considerei a pergunta descabida, mas não inocente, e porque Sócrates foi o líder mais perseguido pela comunicação social desde o 25 de Abril, por razões que têm a ver com interesses inconfessáveis. O contraste com o silêncio da comunicação social em relação a outras figuras públicas só me surpreenderia, se não conhecesse as razões. Quando a RTP for privatizada, tudo vai ficar mais claro...



Hoje, no programa da Antena 1 "Conselho Superior", Ana Gomes lançou um repto que mais parece uma bomba atómica. Não vou opinar, por ora, sobre a oportunidade e justeza das declarações da deputada do PS no PE. Apenas sugiro que escutem, com atenção, as suas palavras. São só cinco minutos mas, tão surpreendentes, que deixaram o jornalista sem reacção. Vão lá ouvir ( via Mainstreet)... ou nesta ligação directa à Antena 1

Desaparecidos

Desde que se pirou para Inglaterra, o ex-assessor de Pinto Balsemão tem gozado de fininho com as autoridades portuguesas. Para que não caia no esquecimento, os Tribunais portugueses emitem, de quando em vez, um mandato de captura europeu ( ontem lá foi mais um). Vale e Azevedo aparece, dá entrevistas, muda de casa, as autoridades inglesas dão início a um processo de extradição e ao fim de algum tempo comunicam às autoridades portuguesas que não conseguem encontrar o ex-presidente do Benfica. Este jogo do esconde esconde terá, porém, os seus dias contados. No dia em que os processos prescreverem Vale e Azevedo é muito capaz de convocar uma conferência de imprensa para o aeroporto da Portela, anunciando o seu regresso a Portugal e proclamando a sua inocência. Quem sabe se, ao seu lado, não estarão Oliveira e Costa e Dias Loureiro?
A propósito: alguém tem notícias de Duarte Lima?

Trovoada? Não!!!!

Fotografia surripiada na Internet

Aqueles ruídos que ontem se ouviram e muitos pensaram ser trovoada, foram afinal provocados pela queda de milhares de directores-gerais e chefias intermédias. Fosse qual fosse o vencedor, a lei determina que todos os titulares desses cargos cessam funções no dia imediato às eleições, podendo ou não ser reconduzidos nos seus cargos pelo novo governo.

Recorde absoluto!

Ontem, o Rochedo recebeu o maior número de visitas de sempre: 1323! (2163 page views)

Obrigado a todos os que continuam a acostar aqui e aos que me visitaram pela primeira vez. Será que o Artur recomendou o CR aos seus amigos?