
Quando era adolescente, tinha por hábito fazer as palavras cruzadas e ler os horóscopos na companhia da mulher que, no momento, habitasse o meu coração e me ajudasse a adormecer na ilusão de amanhãs felizes.
Já um pouco tarde, quando aquela que estava destinada a ser a minha companheira de vida desapareceu no aeroporto de Ezeiza escoltada pelas tropas de um ditador argentino, descobri que não valia a pena dar importância àquelas farsas que alimentam alguns bolsos e animam algumas almas, e nos prometem dias felizes, sem nunca avisarem que a felicidade pode ser cerceada por abutres fardados, de espingarda a tiracolo.
De vez em quando ainda passo os olhos, em postura cínica, por alguns horóscopos que me surgem nas páginas de revistas. Foi o que aconteceu num dos últimos fim de semana quando, de regresso a casa, aproveitei uma escala para ler a “Pública”.
A minha atenção foi logo atraída pela chamada de capa “ As elites já não estudam Letras- e talvez façam mal” ( sobre este belíssimo artigo de Alexandra Prado Coelho escreverei noutro dia) mas, terminada a sua leitura, continuei a folhear e detive-me na leitura do “Tarot da Maya”.
Hélas! Fez-se um clique quando li esta frase:
“ Na saúde, respeitar o número de horas de sono de cada órgão é essencial”.
Foi então que percebi as razões do mal estar que me tem assolado nos últimos tempos, provocando-me uma inquietação e irascibilidade que se têm reflectido no tom dos posts com que vos massacro. Uma dúvida, porém, me assaltou de imediato. Como é que vou conseguir compatibilizar os interesses de cada um dos meus órgãos, proporcionando-lhes as horas de sono correctas que cada um necessita para andar bem com ele próprio e também comigo?
Se o cérebro se satisfaz com quatro horas de sono diárias, já o coração exige um mínimo de sete e o fígado, fustigado pelas minhas loucuras de outros tempos, de que ainda se não recompôs, reclama pelo menos 10. Os rins são pouco exigentes nessa matéria, mas já o pâncreas se associa ao fígado reclamando longo período de sono, enquanto a vesícula faz depender a sua quota parte de direito ao sono, do meu comportamento gastronómico na véspera.
Os pulmões, coitados, apenas reclamam não serem obrigados a inspirar ar poluído e os olhos lançam um pré-aviso quando necessitam de descanso, começando a piscar de modo intermitente.
Nessa noite deitei-me a pensar na dificuldade de conciliar tantos interesses desavindos que habitam o meu corpo. Dormi pouco e em sobressalto. Na hora de acordar atribuí a culpa da insónia aos fusos horários e à Primavera que no seu esplendor de cores me desperta mais os sentidos.
Ao pequeno almoço havia uma rebelião dentro de mim. Todos os meus órgãos reclamavam que tinham dormido pouco e até os músculos, habituados a longas caminhadas, protestavam num ranger ameaçador. Fui reler o Horóscopo, para ver se os acalmava. Respirei finalmente de alívio. Onde lera “órgão” estava escrito “organismo”. Ora isso faz toda a diferença!
Foi assim que voltei a despertar para a vida, ordenei aos meus órgãos que se acalmassem, e disse-lhes com voz grossa:
“Aqui quem manda sou eu! Vocês têm as vossa opiniões técnicas mas, na hora de decidir, quem decide sou eu. Perceberam?”
Não obtive resposta mas, como diz o povo, “quem cala consente” e nessa noite dormi o sono dos justos.
Como um mal-entendido pode levar à revolta...mas "o poder" põe tudo no seu lugar:))))
ResponderEliminarÉ bom ainda saber rir, nestes dias incertos!
Gosto imenso destes seus textos levezinhos... felizmente, os horóscopos nunca me deram insónias, pelo contrário, têm tendência a me dar sono, rsss
ResponderEliminarA PEDIDO DE ALGUNS AMIGOS
ResponderEliminarvou fazer a
1ª EXPOSIÇÃO EM LISBOA
das tais fotos da ÍNDIA
que já estiveram expostas por 5 vezes em lugares bem diferentes.
Desta vez espero a sua visita.
E, se puder divulgar aos seus amigos e conhecidos eu agradeço, porque já não vou expôr mais vez nenhuma em Lisboa.
Aproxima-se mais um grande momento na minha vida.
Será a 1ª EXPOSIÇÃO EM LISBOA
e a 1ª EXPOSIÇÃO DE 2011
Pelo espaço em si, adivinha-se algo diferente do que já foi feito até hoje.
Desta forma CONVIDO todos vós,
que me acompanham pela Blogosfera desde 2005.
Uns desse tempo e outros mais recentes,
mas cá vamos andando,
sem desistir e isso é o mais importante nesta vida dos blogues.
Quem achar que tem interesse em visitar, faça o favor de aparecer.
Prometo um atendimento personalizado da minha pessoa, como tenho feito nas anteriores exposições.
Vou estar presente no DIA DA INAUGURAÇÃO
- HOJE - sexta-feira - 27 de MAIO pelas 22 horas.
Serão 3 semanas que estará patente ao público.
Um abraço.
(CARLOS:
peço desculpa pela minha visita rápida, mas hoje ando apenas a fazer o convite e divulgação da exposição, depois passarei com mais calma para ler e comentar)
Carlos
ResponderEliminarDuas coisas me sensibilizaram no seu post que assim meio a brincar o meu caro conta.
Aquela "estória" da detenção de alguem que amava.
O massacre dos seus posts. Em geral não perco nenhum. Mesmo que por vezes leia dois ou três duma vezada. Não não massacra nada. Por vezes o tempo e o jeito para comentar é que é curto.
Abraço
E pelo jeito o organismo tá funcionando bem aí.
ResponderEliminarCarlos
ResponderEliminarCom esse seu sentido de humor conseguio falar-nos de algo muito triste e revoltante que me emocionou bastante.
Quanto aos seus posts: Quando o portátil não consegue abrir os blogs é que realmente não vejo, mas à noite vejo nooutro e já é um hábito mesmo que não comente tenho que ler, essa do "massacre" não percebi, se isto é massacre, que nome é que o Carlos dá a outras coisas mais que por aqui andam nas nossas vidas.
Abraço bom fim de semana
Belo texto, Carlos.
ResponderEliminar:) Este texto está muito giro :)
ResponderEliminarE entretanto voltei a relê-lo, porque a parte final tinha abafado o início e esqueci-me que nada depois é dito sobre aquela que estava destinada a ser a sua companheira de vida. Espero que ela tenha voltado a aparecer e ilesa.
ResponderEliminarRedonda:
ResponderEliminarInfelizmente, nunca mais...
Obrigado