quinta-feira, 19 de maio de 2011

Memórias do cinema (conclusão)

Com o aparecimento da televisão, primeiro, e com a proliferação dos “Clubes de Video”, depois, foram muitos os que prognosticaram o fim do cinema. Aliás, Louis Lumière nunca deu grande importância ao cinema e afirmou mesmo que “ é uma invenção sem futuro”.

Felizmente, não tinha razão.Várias gerações se deixaram embalar pela magia da sua Arte. Muitos jovens trocaram o primeiro beijo “no escurinho do cinema”. Muitos outros saíram das salas de cinema sonhando transformar o mundo, ou simplesmente trocando juras de amor eterno.Hoje o cinema já não será, como no século passado, uma forma de cultura popular. Compreende-se. Não só porque deixou de ser um meio de comunicação privilegiado, mas também porque mesmo os maiores sucessos são perenes. Já não há divas e galãs que façam suspirar uma geração, porque a indústria cinematográfica está constantemente a produzir novos ídolos que preencham os gostos de “nichos de mercado”.Não é possível reeditar Marlon Brandos, Fred Astairs, Greta Garbos ou Rita Hayworths de êxito mundial assegurado durante décadas, porque o mercado cinematográfico e suas industrias complementares precisa de fabricar ídolos " à la minute". Nem que seja necessário um casamento de conveniência com a televisão para fazer "reality shows" onde o ídolo é fabricado à custa de chamadas de valor acrescentado.
No cinema, como na música, ou na literatura, a oferta é vasta e o sucesso efémero. Um bom filme já não está em cartaz um ano. Ao fim de dois ou três meses é normalmente velharia. O seu sucesso prolonga-se pouco tempo para além do período de exibição. As superproduções são raras, porque os produtores não arriscam o investimento. As reposições escasseiam, porque o DVD permite guardar em casa, para ver na altura oportuna, o filme que não tivemos tempo de ver em exibição nas salas de cinema.
O cinema é, hoje em dia, o retrato da sociedade em que vivemos: um produto de consumo para usar e deitar fora, porque há pouco tempo para reflectir sobre o que se viu e o espaço para sonhar está reduzido a uma conta bancária. Já ninguém quer transformar o mundo. Todos ficam à espera que alguém se dê ao trabalho de o fazer.
O cinema, porém, resiste. O anúncio da sua morte foi manifestamente exagerado.

2 comentários:

  1. Exietem filmes que só têm sentido em écran de cinema, sem dúvida.

    Saudações

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  2. Porém deixe que lhe diga lembra-se daquele filme, que por motivos que agora não vêm para o caso, não conseguiu ver na altura, daquele outro que adorava rever? Abençoado DVD, Bluray e home cinema. E quando se vê ou revê com os amigos a quem convidámos para beber um copo? Longa vida ao cinema, já que o mundo anda cheio de fitas.

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